Guimagüinhas
Memórias familiares e da minha cidade natal
CapaCapa
Meu DiárioMeu Diário
TextosTextos
ÁudiosÁudios
E-booksE-books
FotosFotos
PerfilPerfil
Livros à VendaLivros à Venda
Livro de VisitasLivro de Visitas
ContatoContato
LinksLinks
Meu Diário
09/04/2018 07h26
ÁGUAS VIRTUOSAS FUTEBOL CLUBE - Roberto, um craque da camisa 7

Ilustração: Roberto e Xepinha seguram a camisa do Águas Virtuosas, rubricada por ambos


SUMÁRIO


Apresentação

Como sabem, o site GUIMAGUINHAS vem resgatando a história do futebol de nossa cidade, especialmente a do ÁGUAS VIRTUOSAS FUTEBOL CLUBE, que carrega o nome e as raízes históricas de Águas Virtuosas de Lambari.

Assim, na Série Águas Virtuosas Futebol Clube

 Time do Águas Virtuosas

podem ser encontradas histórias, fotos, reportagens e entrevistas de antigos craques de nossa cidade, como estes: Chá, Alemão, Criosóstomo, Tatá, Zezé Gregatti, Joãozinho Fernandes, Betinho Nascimento, os Barlettas, Quinzinho, Zanata, entre outros.

Pois bem, na semana passada, em companhia do Xepinha, velho amigo e companheiro de bola, fomos visitar o Roberto, que foi colega nosso no mirim/juvenil do Águas, no Vasquinho (de 1971), no GR.ABI e no Águas Virtuosas (início dos anos 70).

Abaixo, o relato desse saudoso encontro.

Voltar


Roberto, em Lambari

Roberto Silva vem de uma família de jogadores de futebol, entre eles Guelinha (o mais velho) e Pedro Guela (que jogou no Vasquinho, no GR. ABI e no Águas), conforme já contamos na Série Futebol em Família:

Roberto começou no mirim e depois juvenil do Águas Virtuosas, isso nos anos 1967-70.


Mirim do Águas, 1967: Alexandre, Geraldinho, Ieié, Celinho, Décio e Biguá. Agachados: Andrezinho, Zé Maria, Xepinha, Rubens Nélson e Roberto.


Ataque do Juvenil do Águas Virtuosas (1969): Xepinha, Roberto, Pedro Guela, Rubens Nélson e Dílson


Em 1970, o juvenil do Águas Virtuosas foi vice-campeão da cidade, perdendo a final para o experiente time do Vasquinho, por 1 x 0.

Juvenil do Águas, vice-campeão municipal, 1970: Ieié, Vaca, Adão, Guima, Firmino e Celinho. Agachados: Roberto, Xepinha, Zé Paulo, Pedro e Dílson.


Em seguida, passou pelo Vasquinho (1971), GR. ABI (1972-74) e Águas Virtuosas (1975-76).


Vasquinho de 1971, que disputou o campeonato amador Sul Mineiro da Liga de Varginha. Em pé: João Fubá, Zezé Gregatti, Édson, Vaca, Celinho, Bita, Cafezinho, Guima, Sérgio, Adão e Augusto (Presidente). Agachados: Roberto, Valmando, Véio, Picolé, Betinho, Pedro, Xepinha e Tuccinho.


GRABI X Ubiratan (Carmo de Minas), 1974. Edson, Vaca, Tinz, Tucci, Guima e Delém. Agachados: Roberto, Xepinha, Tatá, Chiquinho Barletta e Sérgio.


Gol de Roberto, jogo GR.ABI x Ubiratan, de Carmo de Minas, em 1974. Chiquinho Barletta, Xepinha, Roberto, Sérgio Tucci comemoram.

Voltar


Um ponta-direita clássico

O estilo de Roberto era o do ponta-direita clássico: técnico, driblador, rápido, bom chute na perna direita e fazedor de gols. Essas características o levaram a tentar a sorte em times profissionais de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo.

Roberto conta que, em 1973, esteve no juvenil do América Mineiro. Nesse início dos anos 1970, o Coelho tinha um esquadro poderoso, comandado pelo célebre Orlando Fantoni, no qual jogaram craques como Pedro Omar, Neneca, Juca Show, Hélio Alves, Hilton Oliveira.

No Juvenil do Coelho, cujo treinador era o preparador físico Célio Lara, Roberto conheceu Éder Aleixo e Dirceu Bisliquete, entre outros.


América de 1971: Nego, Oswaldo Cunha, Pedro Omar, Alemão, Vander e Cláudio Mineiro, em pé Hélio, Dirceu Alves, Jair Bala, Amaurí e Hilton Oliveira, agachados.(Reprodução/Fonte: http://sosumulas.blogspot.com.br)


Eder Aleixo, no América Mineiro (Reprodução/Fonte: Super Esportes)


Saindo do América, passou pelo time profissional do Muriaé, que então disputava o campeonato mineiro.

Em 1976, de volta ao Sul de Minas, jogou pelo Juventus, de Elói Mendes, que participava do campeonato da Liga de Varginha.

Depois foi para o São José Esporte Clube (Vale do Paraíba, SP), onde jogou com Serafim e Roberto Botu, entre outros.

Em 1979/80, tentou a sorte no Rio de Janeiro, tendo passado pelos times juuvenis do Flamengo, Vasco e Bangu.

No Flamengo, levado por Ivan Drummond, conheceu alguns dos craques que formariam o grande Flamengo dos anos 1980: Zico, Júnior, Júlio César.

No Vasco, no início dos anos 1980, treinou com Marcelo e Mamão, entre outros. No Bangu, trabalhou com Moisés, o Xerife, grande zagueiro do clube, que depois jogou no Vasco e Botafogo. 

Há anos residindo novamente em Lambari, Roberto hoje dedica-se a escrever letras de músicas, atividade que começou quando, em sua passagem pelo Rio de Janeiro, conheceu o compositor e sambista João Nogueira. 

Em seu acervo particular, Roberto tem várias letras de músicas, homenageando Pelé, Ronaldinho Gaúcho, o Galo Mineiro, e também artistas famosos, como Roberto Carlos e Hebe Camargo. 

Voltar


Assinatura na camisa

Roberto também assinou a histórica camisa do Águas Virtuosas, na qual o GUIMAGUINHAS vem coletando assinaturas de jogadores que atuaram pelo clube, e que pretende expor num futuro local que venha a guardar a memória do do A.V.F.C.

Voltar


Referências

  • http://sosumulas.blogspot.com.br
  • Jornal Super Esportes
  • Acervo pessoal do autor

Voltar


 


Publicado por Guimaguinhas em 09/04/2018 às 07h26
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
 
05/03/2018 07h22
MEMÓRIAS DE AGUINHAS - Fotos históricas da inauguração das obras de Werneck em Águas Virtuosas

Ilustração: A Usina de Força, na data de sua inauguração (1911), onde funciona atualmente a Prefeitura Municipal de Lambari


SUMÁRIO



APRESENTAÇÃO



Como já foi dito neste espaço eletrônico, as obras planejadas e parcialmente realizadas por Américo Werneck, na estância hidromineral de Águas Virtuosas de Lambary, no início dos anos 1900, constituem um dos mais importantes fatos históricos de nossa cidade.

Por isso, temos dedicado a esse tema diversos textos, com o objetivo de compartilhar registros históricos e fotográficos de Águas Virtuosas, visando a preservar nossa memória e informar as novas gerações de lambarienses e o grande número de pessoas que estimam e frequentam nossas águas minerais.

Veja os textos que já publicamos:


Post sobre as obras de Américo Werneck disponíveis no site GUIMAGUINHAS
  • As obras fundadoras de Lambari: AQUI
  • Inauguração das obras de Werneck: AQUI
  • Inauguração da "Vichy Brazileira" - AQUI e AQUI
  • Os planos de Américo Werneck para a estância hidromineral de Águas Virtuosas - AQUI  e   AQUI

Pois bem, neste post, vamos resgatar algumas raras fotografias desse evento, reproduzidas de livros, revistas e álbuns citados abaixo.

É um extraordinário passeio histórico nos começos de nossa Águas Virtuosas de Lambary.

Confiram.

Voltar



ASPECTOS DA VILA DE ÁGUAS VIRTUOSAS NOS ANOS 1900



A seguir, veja algumas fotografias da Vila de Águas Virtuosas, antes das obras de Américo Werneck.


A vila de Águas Virtuosas, na virada do Século XIX para o Século XX


Área central da Vila de Águas Virtuosas, perto dos anos 1900


A vila de Águas Virtuosas vista da várzea (próximo dos anos 1900)


  • Veja outros aspectos da Vila de Águas Virtuosas, no final do Século XIX - aqui

Voltar



A PROGRAMAÇÃO DOS FESTEJOS



A programação da inauguração das obras e dos festejos foi publicada no Anuário de Minas Gerais, de 1913 (aqui), e ocorreu no dia 24 de abril de 1911, tendo começado às 10h da manhã, quando as autoridades foram recepcionadas na Parada Melo, e encerradas à meia noite, após o baile, serenata e fogos.

Duas comitivas presidenciais estavam presentes às festividades de inauguração. A do Presidente da República, Hermes da Fonseca, e a do Presidente do Estado de Minas Gerais, Júlio Bueno Brandão.

Resultado de imagem para hermes da fonseca   Resultado de imagem para julio bueno brandão

Hermes da Fonseca e Júlio Bueno Brandão

Eis a lista dos principais eventos:

  1. Recepção das autoridades na Parada Melo (10h)
  2. Inauguração da leiteria
  3. Almoço (12h)
  4. Visita às fontes das águas virtuosas
  5. Solenidade de entrega das obras no Salão do Cassino
  6. Visita à Caixa d'Água e ao Parque Wenceslau Braz
  7. Lançamento da pedra fundamental do Grande Hotel e da Esplanada da futura estação de trem
  8. Inauguração da Cascata do Lago
  9. Batismo e lançamento ao lago da gôndola veneziana Odete e da lancha Hylda
  10. Inauguração do Lago Guanabara e da Avenida do contorno ao lago
  11. Inauguração da usina de eletricidade(18:30h)
  12. Banquete no Salão do Cassino (20:00h)
  13. Baile, Serenata Veneziana e fogos de artifício (22:00h)

Veja a descrição detalhada das solenidades e festejos:

Fonte: Anuário Minas Gerais de 1913.

Voltar



FOTOS HISTÓRICAS DA INAUGURAÇÃO DAS OBRAS DE WERNECK



     1 - Chegada das autoridades

Desde o final do Século XIX, mais precisamente desde 1894, Águas Virtuosas de Lambary era acessível por meio de trem.

  • Confira a série O trem de Aguinhas - aqui)

Logo abaixo, a primeira foto mostra a Parada Melo, pouco tempo depois de sua inauguração, ocorrida em 1908.

  • Veja este post aqui.

A segunda retrata o Presidente da República Hermes da Fonseca e outras autoridades, dirigindo-se a Águas Virtuosas, para inauguração das obras de Werneck.

  • Veja este post aqui

  Voltar


2 - Inauguração da Leiteria

Autoridades, convidados e pessoas do povo comparecem à inauguração da Leiteria (prédio à esquerda da foto).

A Leiteria, conforme o projeto original, não chegou a ser concluída, e assim, nunca cumpriu sua finalidade: servir leite fresco, ao pé da vaca, para os turistas, crianças e convalescentes.

  Voltar


   3 - Almoço no Hotel Mello

Na foto abaixo, autoridades, convidados e uma multidão de visitantes dirigem-se ao Hotel Mello, para o almoço, que se deu às 12h.

No alto, à direita, pode-se ver uma placa (Mello), indicativa do famoso hotel de Águas Virtuosas, depois transformado no Hotel Imperial.


"O presidente da República e os seus companheiros foram acolhidos na parada do Hotel Mello às 11 horas da manhã (a estação de Águas Virtuosas ainda não se encontrava pronta), de onde seguiram para a inauguração da leiteria, almoço e visitariam as fonte minerais, tendo sido abrilhantado o passeio no parque pelos músicos da banda, que interpretou obras de Carlos Gomes – Sinfonia da ópera II Guarani, G. Verdi e R. Wagner, dentre outros."

(FRANCISLEI LIMA DA SILVA. Os monumentos da água no Brasil, p. 69)


  • Veja este post sobre o Hotel Mello - aqui

Aspectos do salão de almoço/jantar do Hotel Mello

Voltar


     4 - Visita ao Parque das Águas

Conforme a programação, depois do almoço a comitiva presidencial dirigiu-se às Fontes das Águas Virtuosas.

Como se recorda, nossas fontes haviam sido objeto de separação e captação em 1905, pela equipe do engenheiro Benjamin Jacob.

  • Veja como se deu a separação/captação das águas - aqui
  • Veja fotos clássicas da captação das águas de Lambari - aqui
  • Veja a história das fontes de Águas de Lambari - aqui


Aspecto das Fontes das Águas, por volta de 1911

Voltar


     5 - Visita à Caixa d'Água, Fábrica de gelo e Mercado das Flores

Em seguida, as comitivas presidenciais visitaram a Caixa d'Água, a Fábrica de Gelo e o Mercado das Flores.


Autoridades, visitantes e locais se movimentam, para as inagurações das obras de Werneck


Veja como eram as edificações da Caixa d'água, da Fábrica de Gelo e do Mercado das Flores, em data próxima de sua inauguração (1911):


A pitoresca Caixa d'água de Águas Virtuosas, na época de Werneck

A Fábrica de Gelo e o Mercado das Flores situavam-se no Parque das Águas

Voltar


     6 - Solenidade de entrega das obras     

Seguindo a programação, deu-se a solenidade de entrega das obras no Salão Nobre do Cassino.

Nessa oportunidade, Américo Werneck fez longo discurso.


  • Veja o discurso de Werneck, com os trechos em que ele se defende de diversas acusações - aqui

Aspecto do Salão Nobre do Cassino de Lambari


Cassino de Lambari na data de sua inauguração, em 1911



  • Veja informações sobre o Cassino de Lambari - aqui

Voltar


     7 - Visita ao Parque Wenceslau Braz

Em seguimento à programação oficial, as comitivas visitaram o Parque Wenceslau Braz, que, por aquela época, tinha o seguinte aspecto:


Voltar


 8 - Lançamento pedra fundamental do Grande Hotel e Esplanada da futura estação de trem

Como se sabe, duas obras que seriam construídas ao lado do Cassino não foram concluídas por Werneck. 

O Grande Hotel ficou no lançamento da pedra fundamental, e a Esplanada da futura estação de trem, ao que se sabe, parou na armação de ferragem, como aparece na foto abaixo.


Eustáquio Garção Stockler [Campanha, MG (?) — Soledade de Minas (1927)]

No lançamento da pedra fundamental do Grande Hotel, discursou Garção Stockler, médico, político, correlegionário de Werneck, e considerado o "criador da estância de Águas Virtuosas."


  • Veja este post sobre Garção Stockler - aqui

Na esplanada à esquerda do Cassino,nesta foto de 1911, aparece uma armação do que parece viria a ser a futura estação do trem


    9 - Inauguração Cascata do Lago

A seguir, veio a solenidade de inauguração da Cascata do Lago. Nessa oportunidade, discursou Nelson de Senna.


Professor, parlamentar e publicista mineiro. Em 1906, deu início à publicação do ANUÁRIO DE MINAS GERAIS, com estudos sobre história, geografia, literatura e estatística. Trabalhou pela criação do INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DE MINAS GERAIS, que ocorreu em 1907.


Voltar


     10 - Inauguração do Lago Guanabara e Avenida do contorno ao lago

Abaixo fotos do Lago Guanabara, do Cais do Lago e das embarcações e gôndolas lançadas ao lago

Nessa oportunidade, quando se deu o lançamento ao lago da lancha Hylda, o senador Augusto de Lima proferiu o discurso

A gôndola veneziana, também lançada ao lago nesse dia, foi chamada de Odete em homenagem à filha de Wenceslau Braz, Presidente do Estado e depois Presidente da República.


Augusto de Lima, em discurso que proferiu por ocasião da inauguração do retrato de Américo Werneck, no Asilo São Luiz, no Rio de Janeiro, disse o seguinte a respeito do primeiro Prefeito de Águas Virtuosas:

Para Quintino Bocaiúva, Américo Werneck era o maior pensador brasileiro. Semeador de idéias denominava-o Alcindo Guanabara. Afirmava Nilo Peçanha ser ele o espírito mais profundamente liberal de seu tempo. O Ministro Heitor de Souza, que o enfrentou em pleito célebre de Minas, conceituava-o como a inteligência mais fulgurante do Brasil.


Fonte: LIMA, Augusto de. Retrato de Werneck [Discurso proferido por ocasião da inauguração do retrato de Américo Werneck, no AsiloSão Luiz para Velhice Desamparada, Rio de Janeiro] - Disponível em http://www.allnetmind.com.br.


AUGUSTO DE LIMA

Parlamentar, jurista, poeta, membro da Academia Brasileira de Letras, foi Presidente do Estado de Minas e amigo pessoal de Américo Werneck.


Lago Guanabara e Cascata do Lago, no ano da inauguração (1911)


Vista do Lago Guanabara e do Cais do Lago, na sua inauguração em 1911


Voltar


     11 - Lançamento das embarcações e gôndolas no Lago Guanabara

Na foto abaixo, veem-se, em primeiro plano, a lancha Hylda, e, ao fundo a gôndola Odete.

Autoridades, de chapéus à cabeça, se preparam para embarcar na lancha Hylda, que está toda enfeitada de bandeirolas.


Voltar


     12 - Inauguração da Usina de Força

Às 18h30 da tarde, foi inaugurada a Usina de Força, que gerava eletricidade e iluminação para a Vila de Águas Virtuosas.

Ao longo dos anos, esse prédio passou por diversas reformas e modelagens (mercado, feira, ponto de venda da antiga Cobal). Atualmente, é a sede da Prefeitura Municipal de Lambari.

Voltar



Aspecto interno da Usina de Força, por volta de 1911

Voltar



OBJETIVOS E SOLICITAÇÃO



Conforme publicamos na página de abertura do site GUIMAGUINHAS (aqui), nosso objetivo é:

  • compatilhar informações, fotos, histórias e outros acontecimentos antigos da outrora ÁGUAS VIRTUOSAS DA CAMPANHA, depois ÁGUAS VIRTUOSAS DE LAMBARY e hoje LAMBARI.

Assim, o autor deste blog solicita

  • a quem tiver notícias, informações e fotos das pessoas ou famílias aqui mencionadas, ou quiser fazer alguma correção ou complementação aos textos aqui publicados, entre em contato conosco neste e-mail: historiasdeaguinhas@gmail.com ou pelo Facebook: https://www.facebook.com/historiasdeaguinhas/  

Voltar



ASPECTOS DE ÁGUAS VIRTUOSAS APÓS INAUGURAÇÃO DAS OBRAS DE WERNECK



Nesta fotografia, podem ser vistas as obras de Werneck, logo após a inauguração. 

  • Ao fundo, o Lago Guanabara e o Cassino.
  • Ao centro, a Leiteria
  • Do lado esquerdo, o Rio Mumbuca e parte do Parque W. Braz
  • Do lado direito, a Usina de Força.

Voltar


REFERÊNCIAS



As informações e fotografias deste artigo foram reproduzidas de livros, revistas e álbuns, existentes em acervos físicos e virtuais mencionados abaixo.

  • Museu Américo Werneck - Lambari, MG
  • Acervo virtual da Biblioteca Nacional Digital - Disponível em: bn.digital.gov.br
  • Acervo da família do fotógrafo João Gomes d'Almeida e Almeida Filho
  • Revista Fon Fon nº 19, de 1911 - bn.digital.gov.br
  • Revista Careta nº 152, de 1911 - bn.digital.gov.br
  • Blog do Iba Mendes - http://www.ibamendes.com/2011/06/blog-post_22.html

Voltar


 


Publicado por Guimaguinhas em 05/03/2018 às 07h22
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
 
02/03/2018 11h26
MEMÓRIAS POLÍTICAS DE AGUINHAS - João de Almeida Lisboa

Ilustração: João de Almeida, ainda jovem, no início de sua carreira política.


SUMÁRIO


Apresentação

 

João de Almeida Lisboa desempenhou importante papel na história política de Águas Virtuosas de Lambari, tendo sido vereador na Câmara Municipal instalada em 1902, e depois deputado (estadual e federal) por várias legislaturas.

Casado com Maria Rita de Vilhena Lisboa, teve nove filhos, todos nascidos aqui, e alguns deles com destaque na vida social, política e literária.

Abaixo, seguem informações e fotos de Almeida Lisboa e de seus filhos.

Voltar


Dados biográficos

Fonte: José Nicolau Mileo [1]

Veja também

  • A Praça da Fonte Luminosa (João de Almeida Lisboa) (aqui)
  • Pharmácia da Empresa (aqui)

Voltar


A primeira Câmara Municipal de Águas Virtuosas de Lambari

Ao centro, vê-se João de Almeida Lisboa, que presidiu a primeira Câmara Municipal de Águas Viirtuosas de Lambari.

PRESIDENTE: João Lisboa - VICE-PRESIDENTE: Gabriel Romão Carneiro

SECRETÁRIO: Oscar Paes Pinheiro - 

VEREADORES DE ÁGUAS VIRTUOSAS: Joaquim Manoel de Melo, Bibiano José da Silva, Martinho Vaz Tostes, Egydio de Lorenzo

VEREADOR ESPECIAL DE CONCEIÇÃO DO RIO VERDE: Deusdedith Vieira

VEREADOR DE LAMBARY (atual Jesuânia):  Francisco Antônio Correa


Família Lisboa 

Os filhos do casal Almeida Lisboa — João e Maria Rita — são os seguintes: João, José Carlos, Alaíde, Henriqueta, Oswaldo e Pedro.

Desses, Oswaldo e José Carlos eram farmacêuticos e trabalharam na Pharmácia da Empresa, citada acima, de propriedade da família. 

João Lisboa, médico, clinicou muitos anos em Lambari e também foi prefeito da cidade por quase duas décadas.

Alaíde, Henriqueta, e depois José Carlos, seguiram, com destaque, vida acadêmica e literária no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte.


Família Lisboa: João de Almeida Lisboa e Maria Rita de Vilhena Lisboa ladeados pelos filhos: João, José Carlos, Alaíde, Henriqueta, Oswaldo e Pedro


Veja também:

  • Henriqueta e Alaíde Lisboa, filhas ilustres de Lambari (aqui)
  • Uma família de escritores e poetas - (aqui)
  • Correspondência de Henriqueta & Mário - (aqui)
  • O palhaço - Henriqueta Lisboa - (aqui)
  • Alaíde e Henriqueta Lisboa - (aqui)

Voltar


Um documento histórico

Abaixo, segue reprodução de um documento histórico, disponível para venda no site Mercado Livre. 

Trata-se de uma carta de João de Almeida de Lisboa, escrita em 14 de fevereiro de 1911, e coassinada por Afonso de Vilhena Paiva*, encaminhada aos eleitores de Águas Virtuosas, pedindo votos para a reeleição de Almeida Lisboa à Câmara Estadual.

Confira:


Dados biográficos de Afonso de Vilhena Paiva

Fonte: José Nicolau Mileo [2]


Tanto João de Almeida Lisboa como Afonso de Vilhena Paiva têm seus nomes inscritos em logradouros públicos de Lambari. Almeida Lisboa deu seu nome à Praça da Fonte Luminosa, e Vilhena Paiva, à rua que sobe do Parque das Águas até o início do bairro Campinho. 

Voltar


Referências

[1] MILEO, José N. Ruas de Lambari. Guaratinguetá, SP : Graficávila, 1970, págs. 27/28.

[2] MILEO, José N. Ruas de Lambari. Guaratinguetá, SP : Graficávila, 1970, pág. 34

- Museu Américo Werneck - Lambari, MG

- Site Mercado Livre 

Voltar


Série Memórias Políticas de Aguinhas

Veja os demais posts da série acima,

Voltar


 


Publicado por Guimaguinhas em 02/03/2018 às 11h26
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
 
28/02/2018 06h20
MEMÓRIAS DE AGUINHAS - Os planos de Américo Werneck para a estância hidromineral de Águas Virtuosas (2)

Ilustração: Manchete Jornal Última Hora, de 6, ago, 1917 (Reprodução)


SUMÁRIO


Apresentação

Na primeira parte deste artigo, vimos os planos de Werneck para a Estância Hidromineral de Águas Virtuosas, o que ele efetivamente conseguiu terminar e as consequências para o futuro de nosso cidade, conforme o índice que vai a seguir.

Note-se que mesmo tendo ficado distante de concretizar todo o plano de obras para Águas Virtuosas, o que Werneck conseguiu realizar, ainda assim, forma o conjunto de obras fundadoras de Lambari (Cassino, Lago, Parque Novo, Farol, avenidas centrais, remodelação do Parque das Águas, etc.).

Nesta segunda parte, vamos examinar as críticas que Werneck recebeu, sua defesa e um resumo do Caso Minas X Werneck — a demanda histórica que encerrou os planos de crescimento, embelezamento e modernização de Águas Virtuosas de Lambary.

Vamos lá.


Índice da 1a. parte

Da primeira parte deste artigo constam os itens abaixo.

Para acessar, clique aqui.


  • Introdução
  • Índice da 2a. parte
  • Apresentação
  • Uma visão de futuro
  • O plano geral das obras
  • E o sonho ganhava alturas...
  • Fundos públicos e fundos privados
  • Obras entregues e festejos de inauguração
  • O fim do sonho
  • As obras não realizadas
    • Grande Hotel, Estação do trem e instalações no Parque Novo
    • Adornos do Parque das Águas

Voltar


Críticas a Werneck e sua autodefesa

Críticos de Américo Werneck condenaram não só a "suntuosidade das obras" e a "gastança de dinheiro público", como também a "cobertura encomiástica e exagerada" da inauguração feita por alguns jornais.

Vejamos:


Suntuosidade das obras

No livro O memorial dos setenta, Antônio Fonseca Pimentel, falando sobre a nomeação de seu pai, Antônio Pimentel Júnior, que sucedeu Américo Werneck, anotou:

Em outubro de 1912, foi meu pai nomeado prefeito de Lambari, então denominada, por extenso, Águas Virtuosas de Lambari.

Essa nomeação se deveu a dois fatos principais.

.............................................

O segundo fato a que se deu a nomeação de meu pai foi a decisão de Bueno Brandão de substituir, na prefeitura daquela estância hidromineral, a Américo Werneck, que, dentre numerosas outras obras, concluíra a construção do famoso cassino de Lambari e o inaugurara em 1911.

Bueno Brandão, como chefe do executivo estadual, estivera presente às festas de inauguração, verdadeiramente de mil-e-uma noites, segundo a tradição conservada. E, em sua conhecida simplicidade e austeridade, regressara a Belo Horizonte, segundo os íntimos, escandalizado com tamanha pompa e, de acordo com uma anedota, achando que, naquele andar, Américo Werneck quebraria não só Lambari, mas o próprio Estado de Minas, o que era evidentemente um exagero.

Meu pai era, assim, nomeado com a recomendação expressa de não gastar, ou gastar o menos possível, para compensar os gastos da administração anterior.

Era uma tarefa antipática e ingrata perante uma comunidade que esperara que Américo Werneck transformasse Lambari na Monte Carlo não só de Minas, mas do Brasil, o que não ocorreu nem sequer com o Cassino de Quintandinha, construído trinta anos depois em Petrópolis, a algumas dezenas de quilômetros apenas do Rio de Janeiro. [10]

Voltar


Gastança de dinheiro público

Em 1917, apareceu esta crítica, de cunho nitidamente político, publicada por um anônimo, que se intitulava  Tiradentes:

 Crítica assinada por Tiradentes, em A lanterna, de 1917   [11]

Voltar


Exageros da cobertura jornalística

Em 1915, na discussão entre Werneck e o Estado de Minas, Heitor de Souza, subprocurador-geral do Estado, escreveu:

Crítica de Heitor de Souza à cobertura jornalística das obras inauguradas por Werneck [12]

Voltar


Werneck se defende de críticas e acusações

Quando prefeito de Águas Virtuosas e comandante das obras de remodelação e embelezamento da vila, Werneck foi objeto de inúmeras críticas e acusações, a maioria anônima. E mais de uma vez solicitou fossem suas contas examinadas pelo Governo do Estado.

Questão Minas x Werneck, Obras Completas de Rui Barbosa, vol. V, p. 107

E no discurso que fez em 24 de abril de 1911 por ocasião das inauguração das obras da estância de Águas Virtuosas, respondeu duramente aos ataques que vinham sendo feitos ao seu projeto e à aplicação dos recursos públicos do Governo de Minas.

Disse ele:


Reprodução - O Paiz, 25, abril, 1911 [4]

Voltar


A demanda com o Governo do Estado: Caso Minas X Werneck

De 1913 a 1921, arrastou-se a demanda de Américo Werneck contra o Governo do Estado, fato que ficou conhecido como Minas X Werneck[13]

Resumidamente, ocorreu o seguinte:

  • Em 1912, a Estância Hidromineral de Águas Virtuosas de Lambary foi arrendada pelo Governo de Minas Gerais a Américo Werneck, conforme legislação então em vigor.
  • O descumprimento desse contrato por parte do Governo de Minas, alegado por Werneck, deu origem a uma ação rescisória na Justiça Federal de BH, em 1913.
  • Então, por acordo entre as partes, os conflitos e as penalidades decorrentes da execução do contrato foram resolvidos por Juízo Arbitral, instaurado em 1915, tendo a decisão arbitral, proferida em 1916, condenado o Estado a vultosa indenização.
  • O Estado de Minas, inconformado, recorreu ao STF dessa decisão, alegando excessos de poderes arbitrais. Para esse fim contratou o então maior advogado do Brasil — Rui Barbosa.
  • Quase dois anos depois, inobstante a extraordinário e erudito trabalho jurídico de Rui Barbosa — que se tornaria um caso lapidar de Direito Civil —, o STF confirmou a sentença arbitral favorável a Werneck.
  • Em 1921, no Governo Artur Bernardes, mediante acordo que dispensou parte dos juros, honorários e custas, foi quitado o débito com Américo Werneck.

Voltar


A cidade abandonada

Nesses longos nove anos, Lambari praticamente ficou abandonada, visto que Werneck recusava-se a devolver ao Governo de Minas os bens que arrendara, até que recebesse a indenização que o Juízo Arbitral lhe concedeu.

E o grande fluxo de turistas com que sonhou a vila de Águas Virtuosas não ocorreu: o hotel, o teatro e outros melhoramentos e diversões, que poderiam atraí-los, não foram construídos, e os jogos de azar, no Cassino maravilhoso, nunca aconteceram...


Relatório Pres. Estado MG - Governo Delfim Moreira - 1915 - O litígio fora instalado em 1913, e, em 1915, para tentar sua solução, as partes resolveram adotar o Juízo Arbitral.

Relatório Pres. Estado MG - Governo Delfim Moreira - 1916 - Nesse ano, o Juízo Arbitral decidira em favor de Werneck, mas o Governo de Minas resolveu apelar ao STF.

Relatório Pres. Estado MG - Governo Delfim Moreira - 1917 - Nesse ano, o STF decidira pela validade da sentença arbitral, mas Rui Barbosa embargou a decisão. O resultado final, desfavorável ao Governo de MG, sairia em 1918.

Relatório Pres. Estado MG - Governo Wenceslau Braz - 1920. Como se vê, o Governo de Minas, mesmo tendo perdido a causa, e não tendo pago a indenização, tentava reaver judicialmente os bens arrendados a Werneck, e por esse retidos.

Voltar


Insucessos do Estado de MG na Justiça

Como se vê acima, o Governo mineiro tentou por diversas vezes reaver os bens na justiça, mas não conseguiu.

Confira:

Reprodução: O Paiz, 20, abr, 1920  [14]

Voltar


O STF decide a favor de Werneck

Em agosto de 1917, foi a julgamento no STF a ação de apelação que o Governo de Minas intentara contra a decisão do laudo arbitral, exarada em 13 de março de 1916, que dera ganho de causa a Werneck de uma vultosa indenização.

O famigerado litígio, além de sua importância forense, foi objeto de grande repercussão política, tanto que nesse julgamento estiveram presentes vários líderes da situação mineira. [15]

Mas o Governo de MG perdeu a causa, e a repercussão dessa decisão foi tão estupenda que o Secretário de Fazenda do Governo Mineiro, à época de Delfim Moreira, Theodomiro Santiago, pediu demissão. Veja a notícia abaixo.

E não foi somente isso. Santiago, que era cunhado de Wenceslau Braz, durante o mandato desse último como Presidente da República (1914-18), perseguiu implacavelmente o jurista Edmundo Lins, que, como árbitro no Juízo Arbitral, decidira em favor de Werneck. Confira aqui.


Reprodução: Jornal Última Hora, de 6, ago, 1917 [16]


Reprodução: Jornal do Brasil, 17, ago, 1917 [17]

Voltar


Werneck, enfim, recebe a indenização

Até que finalmente, em maio de 1921, no Governo de Artur Bernardes, a indenização foi paga, pondo fim na espetacular demanda, que teve repercussão nacional em face dos grandes juristas que dela participaram, como Rui Barbosa, advogado de Minas Gerais; Rodrigo Octávio, advogado de Werneck; Edmundo Lins, árbitro indicado pelo Governo de Minas;  J. X. de Carvalho Mendonça, árbitro de Werneck; e Heitor de Souza, subprocurador-geral do Estado de MG. [18]


Relatorio Presidente MG - Governo Artur Bernardes - 1921

Voltar


Quem despertará Lambari do seu sonho de longos anos?...

O jornalista, escritor e historiador Gustavo Barroso, de quem já falamos aqui,  frequentou Lambari por muitos anos e aqui tinha o seu Retiro do Lago. Em 1943, ele escreveu esta, digamos, crônica-poema intitulada A Bela Adormecida no Lago, com que fechamos este post sobre Werneck e suas obras.


Reprodução. Revista Fon Fon n. 11, de 1943 (Acervo de Gustavo Barroso)

Voltar


Referências

As referências a seguir abragem a 1a. e 2a. parte deste artigo

[1] O Parque Estadual de Nova Baden - aqui

[2] [Américo Werneck]  - Parlamentar e Homem Público - disponível aqui

[3] MARTINS, Armindo. Lambari – Cidade das Águas Virtuosas. 1ª. edição, 1949

[4] O Paiz, de 25,abril, 1911 e 20, mai, 1912 [bn.digital.gov.br]

[5] Jornal do Comércio, 7, mai, 1890 [bn.digital.gov.br]

[6] Almanaque Laemmert, edição de 1910 [bn.digital.gov.br]

[7] Corrreio Paulistano de 15, abr,1910 e 20, mai, 1912 [bn.digital.gov.br]

[8] Revista Fon Fon n. 18, de 1911 [bn.digital.gov.br]

[9] OS MONUMENTOS DA ÁGUA NO BRASIL - Pavilhões, fontes e chafarizes nas estâncias sul mineiras (1880-1925) . Francislei Lima da Silva. [Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2012. Disponível aqui

[10] PIMENTEL, Antônio Fonseca. Memorial dos Setenta. Brasília, DF : Gráfica Brasiliana, 1989, p. 57/58.

[11] A lanterna, edição de 15,ago, 1917 [bn.digital.gov.br]

[12] SOUZA, Heitor. Arrendamento da estância hydro-mineral de Lambary. Belo Horizonte : Imprensa Oficial, 1915.

[13] Rui Barbosa e a Questão Minas X Werneck - disponível aqui - Novos aspectos da Questão Minas X Werneck - aqui

[14]  O Paiz, 20, abr, 1920   [bn.digital.gov.br]

[15]  NASCIMENTO E SILVA, Luiz Gonzaga do. Prefácio de Questão Minas x Wernerck Obras Completas de Rui Barbosa - Vol. XLV 1918 - Tomo IV - Rio de Janeiro : MEC/Fundação Casa de Rui Barbosa, 1980.

[16] Jornal Última Hora, de 6, ago, 1917. [bn.digital.gov.br]

[17] Jornal do Brasil, 15, jan, 1910 e 17, ago, 1917. [bn.digital.gov.br]

[18] A indenização recebida por Werneck - aqui

[19] Carlos Henrique Rangel (Historiador) - Lambari: o município e a estância hidromineral - Histórico elaborado para o Processo de Tombamento do Conjunto Arquitetônico do Cassino de Lambari – IEPHA/MG.

Voltar



Publicado por Guimaguinhas em 28/02/2018 às 06h20
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
 
19/02/2018 09h41
MEMÓRIAS DE AGUINHAS - Os planos de Américo Werneck para a estância hidromineral de Águas Virtuosas (1)

Ilustração: Projeto de estufa de ferro e vidro - Blueprint de Poley & Ferreira, 1911 - que seria construída no Parque das Águas de Lambari, por Américo Werneck


SUMÁRIO


Introdução

Trata-se este longo artigo de um resumo dos acontecimentos históricos mais significativos de nossa história, só comparável à descoberta de nossas águas em 1780/90.

Nele vamos tratar dos planos de Américo Werneck para a Estância Hidromineral de Águas Virtuosas de Lambary, primeiro como admirador, frequentador/morador da antiga vila (1889-1908), depois como primeiro prefeito nomeado (1909-1911) e a seguir como arrendatário da estância (1911-1912).

Por sua extensão, dividimos o artigo em duas partes. A primeira segue logo abaixo, a segunda poderá ser lida, na próxima semana.


Índice da 2a.parte

O índice da 2a. parte segue abaixo, e o texto pode ser visto aqui.

  • Críticas a Werneck
    • Suntuosidade das obras
    • Gastança de dinheiro público
    • Exageros da cobertura jornalística
    • Werneck se defende de críticas e acusações
  • A demanda com o Governo do Estado: Caso Minas X Werneck
    • A cidade abandonada
    • Insucessos do Estado de MG na Justiça
    • O STF decide a favor de Werneck
  • Werneck, enfim, recebe a indenização
  • Quem despertará Lambari do seu sonho de longos anos?...
  • Referências

Apresentação

Américo Werneck passou a residir em Águas Virtuosas de Lambary no ano de 1889, vindo de São Gonçalo do Sapucaí, e aqui associou-se ao grupo político que tinha, entre outros, Garção Stockler, João Bráulio Moinhos Vilhena e João de Almeida Lisboa.

Esse grupo vai se fortalecer muito politicamente na década de 1890, vendo na exploração comercial das águas minerais e na fundação de uma estação balneária um grande futuro para Águas Virtuosas.

E Werneck vai abraçar esse sonho com uma determinação irrefreável.


Veja também:

Para saber mais sobre os aspectos políticos e urbanísticos da vila de Águas Virtuosas no final do Século XIX/início Século XX, acesse:

  • Grupo político responsável pelo desenvolvimento da estância aqui
  • Criação da Prefeitura de Águas Virtuosas e o primeiro prefeito  aqui
  • Aspectos da cidade - Final do Século XIX - Início Século XX aqui

Entre 1892 e 1908, Werneck ocupou diversos cargos no Legislativo e no Executivo, no Rio de Janeiro e Belo Horizonte, mas continuou visitando Lambari (era proprietário da Fazenda dos Pinheiros, em Nova Baden, atual Horto Florestal) e sempre ligado aos problemas políticos da localidade. [1]

Assim, em 1909, quando foi nomeado Prefeito de Águas Virtuosas de Lambary e Presidente da Comissão de Melhoramentos e Superintendente das obras fundadoras da cidade (Cassino, Lago, Parque Novo, Parque das Águas, Farol, etc.), já tinha uma longa carreira na vida pública. [2]

Pois bem, a sua formação de engenheiro (a qual ele menciona no livro de memórias da juventude: Judith), sua experiência como consultor técnico de obras públicas em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro,  sua atividade como diretor da Rede Sul Mineira, sua grande vivência na área pública, tudo isso certamente o qualificou para a missão de tornar-se o "artífice de Águas Virtuosas", como Armindo Martins, memorialista de Lambari, o designou. [3]



Neste post, vamos examinar o plano ambicioso que Werneck traçara para transformar Águas Virtuosas numa "estância europeia": as obras que planejou, aquelas que não realizou e o desfazimento do sonho da Vichy brasileira, que se esfumou diante da demanda judicial com o Governo de Minas Gerais.

Vamos lá.

Voltar


Uma visão de futuro

Em 1890, Werneck já tinha percepção do que poderia ser o futuro de Águas Virtuosas de Lambary.

De fato, João de Almeida Lisboa, no discurso que proferiu em abril de 1911, por ocasião da inauguração das obras de Werneck, ressaltou que:

Reprodução: O Paiz, de 25,abril, 1911 [4]


Assim é que na carta pública que dirigiu, em 13 de maio de 1890, a João Pinheiro, então Presidente do Estado de Minas Gerais,

 Werneck aponta a necessidade de demarcação e alargamento da área pública, visto que Águas Virtuosas se tratava de "uma localidade crescente todos os dias e em que já faltam terrenos públicos para construção".

Vejamos:

Reprodução. Jornal do Comércio, 7, mai, 1890 [5]

Voltar


O plano geral das obras

O Almanaque Laemmert, edição de 1910, traz uma descrição geral das obras planejadas por Américo Werneck, quais sejam:

  • as destinadas à cidade: ruas, calçamento, demolição de prédios antigos, retificação do Rio Mumbuca, luz elétrica, canalização da água potável e rede de esgotos.
  • e aquelas ligadas à estação de águas propriamente dita: cassino, jogos de azar, divertimentos, hotel, teatro, balneário e outros atrativos para turistas. 

Note-se que parte das obras relativas à urbanização realizadas por Werneck já constavam de plano anterior, gestado por Garção Stockler, quando exerceu o cargo de agente executivo municipal (plano de saneamento e embelezamento da vargem e alinhamento das principais vias de acesso ao Parque das Águas).

Confiram o texto do almanaque:


 Reprodução: Almanaque Laemmert, edição de 1910 [6]


O andamento das obras

Notícias de jornais da época mencionam o andamento das obras na estância de Águas Virtuosas:

Reprodução: Jornal do Brasil, 15 de janeiro de 1910 [17]

Reprodução: Correio Paulistano, 15 de abril de 1910 [7]

  •  Notas
    • O "bois de Águas Virtuosas" se refere ao Parque Novo (bois - francês = mata, bosque).
    • Nele se pretendia a disposição de espaços para corrida e foot-ball e a construção de chalés árabes e japoneses.
    • Entre as atividades/serviços/diversões previstos para o Cassino estavam: restaurantes, banquetes, bailes, concertos, jogos de azar, biblioteca, leitura.

Voltar


E o sonho ganhava alturas...

A visão de futuro, a capacidade técnica, a força e as alianças políticas do grupo sul-mineiro a que se filiara, a facilidade de articular  e se movimentar politicamente, o acesso a fontes jornalísticas e pessoas influentes, tudo isso fez que o projeto visionário de Werneck conquistasse adeptos e ganhasse alturas.

O texto abaixo, assinado por M. S., da conhecida revista Fon Fon (1907-1958), escrito pouco depois da inauguração das obras em abril de 1911, dá bem uma ideia da grandiosidade que se imaginava para a futura Vichy brasileira.

Confiram:


Reprodução: Revista Fon Fon n. 18, de 1911  [8]


Fundos públicos e fundos privados

As obras realizadas por Américo Werneck na estância hidromineral de Águas Virtuosas, no período de 1909 a 1911, e inauguradas em 24 de abril deste último ano, foram custeadas por recursos públicos, da ordem de 2.200 contos de réis.

Em 16 de maio de 1912, Werneck arrendou ao Governo do Estado a estância de Águas Virtuosas, obrigando-se a concluir obras, realizar outras e fazer novos investimentos. Assim, viu-se na necessidade de buscar associados para o empreendimento, para dar conta do formidável compromisso de investimentos na estância, a que se obrigara por contrato.

Então, entre meados de 1912 e início de 1913, esteve na Europa e Estados Unidos para conhecer sitios e negócios assemelhados à estância de Lambari, como também para atrair investidores. Na verdade, dias depois da assinatura do contrato, aqui mesmo no Brasil ele já procurava sócios para o empreendimento, como noticia o jornal Correio Paulistano, de 20 de maio de 1912:


Reprodução: Correio Paulistano, 20, mai, 1912  [7]

Voltar


Obras entregues e festejos de inauguração

Como se sabe, em 24 de abril de 1911, com a presença do Presidente da República, Hermes da Fonseca, do Presidente do Estado, e de inúmeras autoridades, Américo Werneck inaugurou as obras que realizou em menos de 20 meses, contados a partir de setembro de 1909, quando assumiu a prefeitura de Lambari.

Naquela oportunidade, na solenidade em que prestou contas ao Presidente do Estado de MG, Bueno Brandão, dos recursos que investira na estância de Águas Virtuosas, Américo Werneck listou obras e custos. Disse ele:

O governo do Estado entregou-me dois mil e duzentos contos. Que fiz deles?

  • Terras e mananciais adquiridos para prefeitura - 310 contos;
  • Leiteria - 15 contos;
  • Planta topográfica da Vila - 25 contos;
  • Fábrica de gelo - 50 contos;
  • Abastecimento de água - 200 contos;
  • Oito mil metros de novas avenidas - 60 contos;
  • Britador e compressor para reparos ruas - 15 contos;
  • Farol do lago - 15 contos;
  • Embarcações e gôndolas no lago - 30 contos;
  • Usina e instalação energia elétrica - 300 contos;
  • Cassino - 600 contos;
  • Edifício instituto cirúrgico - 25 contos;
  • Parque Novo e respectivo terreno para edificação da praça de natação e esportes - 200 contos;
  • Mata Municipal; 
  • Cachoeira e pontes na barragem do lago
  • Lago Guanabara - 120 contos;
  • Terreno para a nova estação do trem (lado esquerdo do Cassino);
  • Plantas e parte do terreno do Grande Hotel;
  • Planta do teatro (teatro e hotel seriam ligados ao Cassino por meio de galerias...)
  • Projeto do hipódromo.

Para a execução desses trabalhos, acrescentou Werneck, adquirira mais de 100 prédios e removera mais de 200.000 metros cúbicos de terra e moledo.


Quanto às festividades de inauguração, confira estes posts do site GUIMAGUINHAS:

  • "As obras de Werneck"-  aqui
  • Inauguração da "Vichy Brazileira" - 1a. parte - aqui - 2a. parte - aqui

Voltar


O fim do sonho

Werneck arrendara a Estância de Águas Virtuosas em 16 de maio de 1912, pelo prazo de 90 anos. Mas em 27 de junho de 1913,  apenas 14 meses depois, alegando  dificuldades criadas por agentes do Estado de Minas na execução do contrato, deu entrada em ação rescisória na Justiça Federal de Belo Horizonte.

Era o começo do fim do sonho, pois Werneck não havia concluído as principais obras que planejara!

Como se verá abaixo, foram imensos os prejuízos para Águas Virtuosas de Lambary, que, a rigor, jamais se recuperou totalmente desse golpe do destino. 

Nossa Vichy ficou no papel...

Nosso Ícaro voara alto demais...

Voltar


As obras não realizadas

A planta do Cassino foi elaborada pela firma Poley & Ferreira, do Rio de Janeiro; estes arquitetos desenharam também os planos para a construção do Farol,  do prédio da Usina, do mercado, que não alcançou nossos dias... do grande hotel que devia ser erigido ao lado do Cassino, do Teatro, da Fonte Luminosa e inúmeros adornos para o Parque das Águas, tudo com requintado bom gosto, arte e maestria. Felizmente nem tudo se perdeu; ainda dormem nos arquivos da Prefeitura os projetos, à espera de quem os tenha tirar para um dia se tornarem realidade...

Armindo Martins, Lambari, Cidade das Águas Virtuosas, 1949, p. 103


Muito dos projetos que idealizara Werneck não conseguiu concluir. Como exemplos: 

  • O Cassino nunca funcionou como tal, a não ser na noite da inauguração, e assim mesmo parcialmente;
  • os locais de passeio, lazer, banho e ginástica do Parque Novo, o entorno e os atrativos do Lago Guanabara, os caminhos da Volta da Mata, as obras de reforma e embelezamento do Parque das Águas ficaram inacabados; 
  • o Grande Hotel ficou somente na plataforma do morro da Fortaleza;
  • Leiteria, cuja obra não foi concluída, nunca cumpriu sua finalidade: servir leite fresco, ao pé da vaca, para os turistas, crianças e convalescentes;
  • o bar do holofote, o novo balneário, o teatro, hipódromo não saíram das plantas;
  • A nova estação do trem (que substituiria a Parada Melo, e seria localizada próximamente do Cassino/Parque Novo) e o instituto cirúrgico ficaram no campo das ideias...

 Grande Hotel, Estação do trem, instalações no Parque Novo

À direita do Cassino, ficaria o Grande Hotel, que não passou da plataforma que existe até hoje.

A sua esquerda, a plataforma da Estação de trem, que também não se realizou.


Para o Parque Novo, foram planejadas a construção de coreto para música, de quiosques e de tanque e pavilhões para uso dos banhistas, e também a instalação de espaços para jogos, equipamentos e aparelhos de ginástica, o que não ocorreu.


Adornos para o Parque das Águas

Como escreveu o memorialista Armindo Martins [3], inúmeros adornos para o Parque das Águas, tudo com requintado bom gosto, arte e maestria, em estilo art nouveau, como a estufa de vidro e ferro, fonte com lago, esculturas de garças e figuras humanas, quiosques japoneses, uma grande entrada para o Parque, não foram construídos. [19]

E infelizmente nem mesmo os projetos originais, que estavam guardados nos arquivos da Prefeitura, a que Martins se referiu, sobreviveram, visto o incêndio ocorrido em 1987. (Confira aqui)

Alguns blueprints de projetos não executados, coletados por Francislei Lima da Silva [9] "em uma das salas do Cassino do Lago de Lambari em péssimo estado de conservação", e que passaram somente a "existir como obra de arte, plano de uma pintura da paisagem", podem ser vistos abaixo:


Projeto do arco de entrada para o Parque das Águas [9]


Projeto de viveiro de pássaros para o Parque das Águas [9]

Projeto para estufa de ferro e vidro para o Parque das Águas [9]

Projeto de quiosque para o centro do lago [9]

Voltar


Referências

As referências a seguir abragem a 1a. e 2a. parte deste artigo

[1] O Parque Estadual de Nova Baden - aqui

[2] [Américo Werneck]  - Parlamentar e Homem Público - disponível aqui

[3] MARTINS, Armindo. Lambari – Cidade das Águas Virtuosas. 1ª. edição, 1949

[4] O Paiz, de 25,abril, 1911 e 20, mai, 1912 [bn.digital.gov.br]

[5] Jornal do Comércio, 7, mai, 1890 [bn.digital.gov.br]

[6] Almanaque Laemmert, edição de 1910 [bn.digital.gov.br]

[7] Corrreio Paulistano de 15, abr,1910 e 20, mai, 1912 [bn.digital.gov.br]

[8] Revista Fon Fon n. 18, de 1911 [bn.digital.gov.br]

[9] OS MONUMENTOS DA ÁGUA NO BRASIL - Pavilhões, fontes e chafarizes nas estâncias sul mineiras (1880-1925) . Francislei Lima da Silva. [Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2012. Disponível aqui

[10] PIMENTEL, Antônio Fonseca. Memorial dos Setenta. Brasília, DF : Gráfica Brasiliana, 1989, p. 57/58.

[11] A lanterna, edição de 15,ago, 1917 [bn.digital.gov.br]

[12] SOUZA, Heitor. Arrendamento da estância hydro-mineral de Lambary. Belo Horizonte : Imprensa Oficial, 1915.

[13] Rui Barbosa e a Questão Minas X Werneck - disponível aqui - Novos aspectos da Questão Minas X Werneck - aqui

[14]  O Paiz, 20, abr, 1920   [bn.digital.gov.br]

[15]  NASCIMENTO E SILVA, Luiz Gonzaga do. Prefácio de Questão Minas x Wernerck Obras Completas de Rui Barbosa - Vol. XLV 1918 - Tomo IV - Rio de Janeiro : MEC/Fundação Casa de Rui Barbosa, 1980.

[16] Jornal Última Hora, de 6, ago, 1917. [bn.digital.gov.br]

[17] Jornal do Brasil, 15, jan, 1910 e 17, ago, 1917. [bn.digital.gov.br]

[18] A indenização recebida por Werneck - aqui

[19] Carlos Henrique Rangel (Historiador) - Lambari: o município e a estância hidromineral - Histórico elaborado para o Processo de Tombamento do Conjunto Arquitetônico do Cassino de Lambari – IEPHA/MG.

Voltar


 


Publicado por Guimaguinhas em 19/02/2018 às 09h41
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.



Página 3 de 72 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 » [«anterior] [próxima»]

As Águas Virtuosas de Lambari e a devoção a N... R$10,00
Os Curadores do Senhor R$20,00
Abigail [Mediunidade e redenção] R$20,00
Menino-Serelepe R$20,00
Site do Escritor criado por Recanto das Letras

Formas de interação com o site GUIMAGUINHAS

- Contato com o site - clique o link e envie sua mensagemhttp://www.guimaguinhas.prosaeverso.net/contato.php

- Contato com o autor - envie mensagem para este e-mail: historiasdeaguinhas@gmail.com

- Postar comentários sobre textos do site - utilize esta ferramenta que está ao pé do textoComentar/Ver comentários 

- Enviar textos: utilize acima: