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01/10/2018 06h32
ÁGUAS VIRTUOSAS FUTEBOL CLUBE (65) - Times de Campeonatos Internos

Ilustração: Estádio do A.V.F.C., 1983 - Campeonato interno - Dirigentes e atletas: Edson, Sansão, Tucci, Luizinho, Zé Vitinho e Geraldo


SUMÁRIO


Apresentação

Quando iniciamos a Série Águas Virtuosas Futebol Clube — a de maior sucesso aqui do site GUIMAGUINHAS (aqui), escrevemos que nela faríamos também referências e fotos de outros times da cidade, como:

  • ... os times dos campeonatos internos: Santa Quitéria, Capelinha, Nova Baden, Vila Nova, Galo Branco e outros mais.

De fato, diversas informações e fotos foram publicadas, como estas:

  • Campeonatos internos - aqui
  • Outros times de Lambari - aqui
  • Outros times dos anos 1950/60 - aqui
  • Outros times dos anos 1980 - aqui
  • Outros times de Lambari (1) - aqui
  • Outros times de Lambari (4) - aqui
  • Outros times de Lambari (5) - aqui
  • Outros times de Lambari - Vila Nova e Nova Baden - Aqui

Pois bem, hoje vamos mostrar fotos do Vasquinho, do Cinco Estrelas  e da Capelinha, que também participaram de campeonatos internos nos anos 1980/1990.

Como eram movimentados nossos campeonatos internos! Dá saudade...

Vamos lá.

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Vasquinho

O time do Vasquinho está aqui com o segundo uniforme.

Na foto, entre outros: Jorjão, Luiz Bié, Zetão, Júnior, Veio e Saulo. Agachados: Duda, Coxinha, Dioni, Cesar, Zetinho e Guina

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Cinco Estrelas

Time do Cinco Estrelas, na disputa de campeonato interno, anos 1980

Na foto, entre outros: Betão, Pato, Laércio, Tocarlo, Marcelo Poca, China, Aloísio

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Capelinha

Time da Capelinha, campeonato interno, anos 1980

Na foto, entre outros: Abel, Lei, Mauro, Canário, Samu, Marcelo


Referências

  • Agradecemos ao Betão e ao Lei as informações e as fotos utilizadas neste post.

(**) Se você, caro(a) visitante, tiver notícias, informações, casos e fotos dessa época, ou quiser fazer alguma correção ou complementação ao texto aqui publicado, entre em contato conosco neste e-mail: historiasdeaguinhas@gmail.com

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Publicado por Guimaguinhas em 01/10/2018 às 06h32
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
 
30/09/2018 07h17
Origens da Igrejinha de N. S. da Conceição Aparecida (2) A construção da Capelinha de Nossa Senhora

Ilustração: Rubens Gentil Lobo observa os pilares e o telhado da Capelinha de N. S. da Conceição Aparecida, na Vila Campos, Lambari, MG


SUMÁRIO


Apresentação

 

No ano de 2007, na Semana Santa, não houve missa vespertina na Igreja Matriz e como não queríamos perder a celebração da Eucaristia, perguntamos onde poderíamos ir. Informaram-nos que na Capela de Nossa Senhora Aparecida. Perguntamos onde ficava e deram-nos as devidas informações.

Despreocupados, começamos a caminhar. Sobe uma rua, vira em outra, sobe novamente, vira, sobe, vira, sobe... e nada de igreja.

Meu marido queria desistir. Chega! não vamos achar esta capela! Já subimos muito e não a encontramos!!!

Eu insistia em continuar, até que depois de muito caminhar, chegamos. Deparamo-nos com um pequenino telhado, como cobertura, que abrigava um altar com algumas imagens e objetos de fieis que haviam conseguido graças.

 Assistimos à missa de pé, como todos os que ali estavam, mas senti-me muito abençoada e feliz.

Minha mãe, já falecida, era muito devota de Nossa Senhora Aparecida, o que mais ainda me motivou.

MARIA DA GLÓRIA MARTINS DUQUE ESTRADA

Carta de 20 de março de 2008, endereçada à Capela de N. S. Aparecida


No primeiro post desta série, vimos como se deu a descoberta da imagem de N. S. da Conceição e sua peregrinação pelas casas das famílias devotas (aqui).

Hoje, vamos conhecer a história da construção da Capelinha de Nossa Senhora da Conceição Aparecida e o trabalho incansável de Rubens Gentil Lobo, seus familiares e membros da Comunidades da Volta do Ó e Novo Horizonte para erguer a ermida, e bem assim dos padres Cláudio Romero Vaneli e Geraldo Ernesto Silva que muito apoiaram a iniciativa.

Vamos lá.


Recordação póstuma de Pe. Cláudio Vilani (Pároco em Lambari de 2004 a 2013 e falecido em 25-07-2016), que abraçou com entusiasmo a ideia da construção da Capelinha de N. S. Aparecida


Lúcia Framil Lobo, filha de Rubens Lobo, com a imagem de N. S. da Conceição, mencionada acima


A devoção católica da família Gentil Lobo

No livro Menino-Serelepe (*), deixei assinaladas diversas passagens da fé católica da família de minha mãe (Gentil Lobo), e numa delas assim me refiro aos santos de devoção de minha avó Iracema:

Sempre que podia e quando as coisas melhoraram, lá ia a vó Cema pra Aparecida do Norte, porque essa santa mais São Benedito eram os de devoção. (Pág. 68)

A devoção de minha avó com Nossa Senhora Aparecida transmitiu-se a toda a família, que ainda hoje conserva a tradição de visitar a Capela (Nome por que os antigos moradores de Águas Virtuosas de Lambary costumavam designar a cidade de Aparecida do Norte, SP).

  • Veja o texto Na Aparecida do Norte, do livro Menino-Serelepe, em que narro minha primeira viagem à Aparecida do Norte.

 Família Gentil Lobo: Iracema Gentil Lobo, filhos e netos. Minha mãe, Léia/Mário, Elisa/Messias e filhos desses e de tio meu Rubens Lobo, que não está na foto. Eu sou o último em pé, à direita (1968)


Meu tio Rubens Gentil Lobo casou-se com Juracy Framil, ambos católicos e devotos de Nossa Senhora Aparecida, e o casal criou a imensa prole (tiveram 17 filhos!) na fé da Igreja Romana e na devoção a Senhora Aparecida.

 

Rubens Lobo e Framil, seu cunhado, em Aparecida

   

Rubens Lobo e Juracy Framil (tia Cecy)

Tio Rubens/tia Cecy e filhas. Ladeando o casal estão a irmã de Cecy, Anita, e a irmã do Rubens, Neli, em Aparecida do Norte

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A família Framil-Lobo na Vila Campos

Nos anos 1960, parte do antigo sítio da Família Campos foi loteado, dando origem ao bairro Vila Campos. Nesse loteamento, Rubens Gentil Lobo adquiriu alguns terrenos, onde construiu sua casa de moradia e as residências da maioria dos filhos e netos.

Sendo devoto de Nossa Senhora Aparecida, e assim também sua mulher Juracy Framil, e conhecedor da história da descoberta da imagem de Nossa Senhora da Conceição, Rubens Lobo, com o apoio da comunidade local, trabalhou para que fosse preservada a área de terreno onde se dera tal achado,  visando a edificação de uma capela dedicada a Nossa Senhora Aparecida

O próprio Rubens Lobo cercou o terreno e fazia regularmente a capina, e aguardou durante anos a oportunidade de construir ali a tão sonhada capelinha de Nossa Senhora.

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O local da descoberta

No loteamento que deu origem à Vila Campos, num trecho de terreno vago e coberto de mato, localizava-se o antigo valo onde se dera o achado da imagem da Imaculada Conceição, e onde viria a ser edificada a Igrejinha dedicada à Virgem.

Acompanhando esse valo, havia uma cerca de arame, que separava o loteamento Vila Campos da pedreira da Vila Nova. Muitos moradores desse bairro cortavam caminho para o centro da cidade seguindo um trilho que passava por debaixo da citada cerca de arame. Esse também era o caminho que crianças da Vila Campos tomavam para irem à então chamada Escolinha, atual Escola João de Almeida Lisboa, localizada no bairro Silvestrini.


Meu pai (Dé da Farmácia) e seu cunhado Mário Gentil Lobo, na Pedreira da Vila Nova (anos 1950)

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Localização da Vila Campos e da Igrejinha de N. S. Aparecida (GoogleMaps)

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Arrecadação de fundos

A partir dos anos 1990, a comunidade iniciou campanhas de arrecadação de fundos para a construção da Capelinha idelizada por Rubens Gentil Lobo.

Uma dessas campanhas aconteceu em abril de 1997, quando o Pe. Vicente de Paulo Toledo (Pároco de 1996 a 2004) autorizou que se corresse uma lista de doações para aquela finalidade.

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Autorização para início da obra

À vista de pedido feito pelas comunidades da Vila Campos e Novo Horizonte para a construção de uma capela dedicada a N. S. Aparecida naquela localidade, em 17 de março de 2006 o Pe. Cláudio Romero Vaneli e  Domingos Eugênio Nogueira Netto, representante do CAP, encaminharam a Rubens Gentil Lobo autorização para que a obra fosse iniciada.

Pároco de Lambari nos anos de 2004 a 2013, o Pe. Cláudio Romero Vaneli teve papel decisivo na construção da Capelinha de N. S. Aparecida.


Planta baixa da Capelinha de N. S. Aparecida e a assinatura de Rubens Gentil Lobo

Ata da 1a. reunião do Conselho Administrativo da Capela (2006)


A construção da Capelinha de N. S. Aparecida

Construída em regime de mutirão, com apoio da comunidade, sob a direção executiva do mestre de obras Rubens Gentil Lobo e supervisão dos padres Cláudio Romero Vaneli e Geraldo Ernesto Silva, as obras da Capelinha estão registradas nas fotos abaixo:


1 - A terraplenagem do terreno

2 - Os pilares da Capelinha em madeira de lei, doados por Rubens Lobo

3 - Rubens Lobo e Zé Molho, diante de materiais da obra

4 - Rubens Lobo na inspeção das obras

5 - A montagem da cobertura

6 - Obras no interior da Capelinha

7 - Em regime de mutirão, diversas pessoas colaboraram na edificação da igrejinha

8 - Rubens Lobo e colaboradores

9 - Rubens Lobo e colaboradores, nas obras do altar


A solenidade de inauguração

Inaugurada em 12 de outubro de 2006, dia de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, uma procissão levou a imagem da Santa até a Capelinha, na qual foi celebrada a primeira missa pelo Pe. Cláudio Romero Vaneli.

O andor de N. Senhora Aparecida seguiu num jeep todo paramentado

Padre Cláudio Romero Vaneli oficiando a Santa Missa

Padre Cláudio Romero Vaneli, cercado pelos anjinhos, faz o sermão. Ao fundo, Rubens Lobo ouve emocionado: seu sonho de mais de 50 anos se realizava!


A imagem de N. S. Aparecida

A imagem que compôs altar da Capelinha de N. S. Aparecida foi doada pelo casal Valentina e César. Atualmente ela está posta num nicho, ao lado da nova Igrejinha.

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Recordação de pessoas falecidas

Essa primeira missa na Capelinha de N. S. Aparecida, em 12/10/2006, realizou-se também em intenção de pessoas falecidas, que viveram na comunidade. Eis a lista:

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Homenagem a Rubens Gentil Lobo e Juracy Framil Lobo

Desde 2006, ano da inauguração da Capelinha de N. S. da Saúde, até semanas antes do seu falecimento em 16 de agosto de 2016, Rubens Gentil Lobo cumpriu o ritual de visitar a imagem da Virgem Santíssima, seja no interior da Capelinha original, seja no nicho que foi construído ao lado da atual Igrejinha, onde atualmente se encontra a imagem.

Abaixo está o registro de sua última visita à Nossa Senhora Aparecida:

Rubens Lobo orando diante da imagem de N. S. Aparecida, com sua inseperável bengala, presente de Pe. Cláudio Vilani


      

O reconhecimento da comunidade da Vila Campos/Novo Horizonte ao trabalho de Rubens Gentil Lobo e sua mulher Juracy Framil Lobo em prol da construção da Igrejinha de N. S. Aparecida também se fez pela dedicação do nome de Juracy (tia Cecy, para seus sobrinhos) à rua em que a capela está edificada.


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Documentação

No Livro de Atas da Capela de N. S. Aparecida (Lambari, MG), colhemos os seguintes documentos:

Note-se que o sr. Benedito Augusto Ribeiro faleceu pouco tempo depois que tomou posse

A primeira missa na Capelinha de N. S. Aparecida, outubro de 2006

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Terceira parte: A nova igreja

Logo mais postaremos a terceira e última parte deste post: A nova igreja.

Aguarde


Referências

  • http://www.paroquiasenhoradasaude.com.br
  • http://www.diocesedacampanha.org.br
  • Livro de Atas da Capela de N. S. Aparecida (Lambari, MG)
  • Memórias da Família de Rubens Gentil Lobo
  • Acervo pessoal do Autor

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(*) O livro Menino-Serelepe - Um antigo menino levado contando vantagem  é uma ficção baseada em fatos reais da vida do autor, numa cidadezinha do interior de Minas Gerais, nos anos 1960.

 O livro é de autoria de Antônio Lobo Guimarães, pseudônimo com que Antônio Carlos Guimarães (Guima, de Aguinhas) assina a série MEMÓRIAS DE ÁGUINHAS. Veja acima o tópico Livros à Venda.



Publicado por Guimaguinhas em 30/09/2018 às 07h17
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
 
26/09/2018 09h08
LITERATURA DE AGUINHAS (25) Instalação do Clube de Leitura (CLÊ) Lucas Guimaraens

Ilustração: Recorte capa do livro de poemas Exílio - o lago das incertezas, de Lucas Guimaraens, Relicário Edições, BH, 2018


SUMÁRIO


Apresentação

LAMBARI, a cidade das Águas Virtuosas, viveu, no último sábado, dia 22 de setembro, uma belíssima tarde de poetas mineiros, poemas universais e amantes da poesia e do livro.

Com a presença do poeta Lucas Guimaraens, o evento ocorreu na Fundação Cultural Vagão 98 para a

  • Inauguração dos Clubes de Leitura do Circuito das Águas Sul-Mineiro (Lambari, Cambuquira, Caxambu, São Lourenço) e a
  • Instalação do Clube de Leitura (CLÊ) Lucas Guimaraens/Sul de Minas


Segundo o coletivo Polígono Sul-Mineiro do Livro - Sul de Minas (PSML), promotor do evento, com a instalação desse Clube de Leitura (CLÊ) - Lucas Guimaraens objetiva-se

reunir os clubes já existentes e dedicados a Lucas Guimaraens e aos Guimaraens em nossas localidades (cidades e distritos) sul-mineiros, outros leitores esparsos e demais interessados.

Uma iniciativa que ocorre em tempo e espaço privilegiados. Num momento de abertura da nossa tradicional e bissecular Primavera Poética Sul-Mineira; num ano em que estamos folheando os 100 Anos de Nascimento de Alphonsus de Guimaraens Filho, em mais uma edição do projeto de leitura CalendaAutor; nos organizando para mais uma edição de outro projeto de leitura, o CalendaObra, em 2019, com os 100 Anos da Visita de Mário de Andrade a Alphonsus de Guimaraens, ambos integrantes do programa de leitura denominado PontEscadas Sul-Mineiras de Leitura Literária. E ainda nos preparativos para uma sesquicentenária festa alphonsina, em 2020.


Pois bem, abaixo vai pequeno resumo desse encontro.


 

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O evento

O programa possibilitou uma tarde agradável para os amantes do livro e da poesia da região sul mineira. 

Conhecer a formação e a poesia de Lucas Guimaraens, bem como aspectos de sua vida profissional, cultural e literária — como também sua rica ascendência literária dos Guimaraens, de Portugal até as montanhas de Minas —, foi uma oportunidade ímpar para nós leitores do Circuito das Águas.

Parabéns aos responsáveis pela realização do evento.


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A programação

A programação cobriu pontos essenciais da vida e da obra literária do homenageado, e aspectos importantes do leitor e das políticas e instrumentos de leituras na região sul do Estado.


ABERTURA

Vozes nas Esquinas das nossas Serras e Rios: Mantiqueira/Grande, Canastra/Chico, Mar/Paraíba do Sul, Espinhaço/Doce - Vários Participantes

Maurílio Dias e Samuel Andrade, músicos e professores de música, de Campanha, interpretaram canções que remetiam à memória afetiva de Lucas Guimaraens — autores com quem trabalhou, parceiros de poesias e amigos artistas: Roberto Carlos, Fernando Brandt, Mílton Nascimento, entre outros.

Antes da abertura do evento, música de qualidade


"Seja Bem-Vindo Sul-Mineiro" a Lucas Guimarães - Equipe da Livraria Estação Mercado do Livro

Saudado pela equipe da Estação Mercado do Livro, Lucas Guimaraens agradeceu com humildade e emoção aos promotores e aos leitores que prestigiaram o evento.

Em sua fala, lembrou que Águas Virtuosas de Lambari, escolhida para sediar esse encontro e o Clube de Leitura (CLÊ) - Lucas Guimaraens - Sul de Minas, é uma cidade literária.

De fato, 

A literária Lambari ... há cerca de dois séculos já registrava agenda cultural e literária, com as reuniões que ocorriam nas Sociedades Políticas e Literárias que proliferaram pela Província de Minas Gerais, durante as Regências, como é o caso da Sociedade Defensora da Liberdade e Independência Nacional, na localidade da Capela de Lambary da Vila da Campanha, com início das atividades em 1835, conforme documentos do Arquivo Público Mineiro, de acervos particulares e relatos orais dos descendentes dos participantes, hoje nossos ativos mobilizadores. Eram os clubes de leitura da época, tempos e espaços em que aconteciam as setecentistas práticas dos "saraus, tertúlias, convescotes", além das inovações oitocentistas, as concorridas "palestras".                                                               

(Fonte: PSML, citado acima.)


E, bem assim, Lambari é terra de poetas, escritores e intelectuais da Família Lisboa — Henriqueta, Alaíde, João Carlos, Maria Elisa e Edmar Bacha. 


Lambari foi também a cidade que Basílio de Magalhães escolheu para passar os últimos anos de sua vida, cuja Biblioteca Pública Municipal leva o seu nome e à qual ele doou seu riquíssimo acervo de mais de 3.000 volumes.

Recorde-se que Henriqueta Lisboa e Basílio de Magalhães foram grandes divulgadores da obra de Alphonsus de Guimaraens e dos Guimaraens, entre nós sul-mineiros.


Lucas mostrando o número especial do Suplemento Literário de Minas Gerais, que homenageia seu avô, o poeta Alphonsus de Guimaraens Filho.

Ao final, os presentes ganharam um exemplar dessa revista. 

O Suplemento Literário de Minas Gerais foi organizado pelo escritor sul-mineiro Murilo Rubião, nascido em Carmo de Minas.

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DESCERRAMENTO DA MINIPLACA

Descerramento da Miniplaca "Clube de Leitura (CLÊ) Lucas Guimaraens - Sul de Minas" - Lucas Guimaraens

Descerramento da miniplaca do CLÊ - Lucas Guimaraens. Na foto, em primeiro plano, o homenageado e Maria Helena Penteado, do PSML


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DE PORTUGAL E ESPANHA ÀS MONTANHAS DE MINAS

Dos Afonsos e Alfonsos de Portugal e Espanha aos Afonsos e Alphonsus de Minas até Lucas Guimaraens - Cláudia Godinho

Cláudia Godinho, bibliotecária de São Lourenço e integrante do PSML, narra pequena história dos literários Guimaraens

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POLÍTICAS PÚBLICAS CULTURAIS

O encontro das políticas públicas culturais (ProLer/PNLE/PNLL/PELLLB-MKG/PMLLELBs) e a mobilização sociocultural regional (Coletivo Polígono Sul-Mineiro do Livro) - Maria Helena Penteado

Maria Helena Penteado, de Guaxupé, representante do Polígono Sul-Mineiro do Livro, fala das políticas públicas culturais

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A REDE SUL-MINEIRA DE CLUBES DE LEITURA

A Rede Sul-Mineira de Clubes de Leitura (CLÊ-Sul de Minas) e o Clube de Leitura (CLÊ) Lucas Guimaraens - Sul de Minas - Sandra Vidal

Sandra Vidal, de Caxambu, bibliotecária e integrante do PSML, explana o seu tema

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PALESTRAS E CONVERSAS CAMPANHENSES

Da "Palestra Campanhense" à "Conversa Campanhense" até a "Conversa Macanuda": nosso patrimônio, modo de contação de histórias e estratégia de mediação de leituras no Sul de Minas - Priscila Moraes

A professora Priscila Moraes, de Guaxupé, integrante do PSML, explica o que é e como surgiu a Conversa Macanuda

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CONVERSA MACANUDA: LUCAS GUIMARAES E SEUS LEITORES

Sessão de "Conversa Macanuda" entre Lucas Guimaraens e seus leitores sul-mineiros: o processo de criação, publicação, circulação e fruição - Vários participantes

Macanudo é termo do espanhol, com o sentido de grande, excelente. Na linguagem popular gaúcha, diz-se macanudo de pessoa poderosa, respeitável pela força, prestígio, inteligência etc. Em suma, é uma expressão que transmite aprovação, alegria, admiração. 

Conversa macanuda é, pois, uma conversa franca, legal, bacana, como a que Lucas Guimaraens e seus leitores sul-mineiros exercitaram nesse passo do evento.

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SARAU POÉTICO

Sarau-do/com/sobre/para Lucas Guimaraens - "Dar Voz às Vozes": 'Onde' está a 'poeira, pixel, poesia' do 'Exílio' '33,333'?- Vários participantes

Poesias de Lucas Guimaraens, dos livros Exílio e 33,333, foram escolhidas e lidas por algumas pessoas presentes.

Entre os poemas estavam: Oftalmológico, O carnaval, Olhos e Claramente.

 

 

 

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AUTÓGRAFOS

Encerramento - Sessão de Autógrafos

Após o encerramento, no espaço da livraria, Lucas Guimaraens, sempre dado e amável, autografou seus livros.

Lucas Guimaraens autografando seus livros

O autógrafo de Lucas Guimaraens para este autor

  • Veja no Youtube o Booktrailer Lucas Guimaraens - Livro Exílio - Poema "Olhos" - aqui

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VIOLA CAIPIRA

Sarau de Viola e Literatura - Vozes da Mantiqueira e Grande para Lucas Guimaraens - Rosmarie e Decio Zylberstajn - Duo de viola cabocla e voz 'Vereda Violeira'

Rosmarie e Decio Zylberstajn e as violas caboclas

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O poeta Lucas Guimaraens

Conheça quem é o poeta Lucas Guimaraens


Sobre o livro 33,333 - Conexões bilaterais, veja:

  • Livro mostra conexões entre telas e poemas - aqui

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Pequena memória literária dos Guimaraens

Os Alphonsus de Guimaraens remontam aos Afonsos e Alfonsos de Portugal e Espanha, como dissertou Cláudia Godinho. No Brasil, têm parentesco com Bernardo Guimarães (1825-1884).

Alphonsus de Guimaraens (1870-1921) é sobrinho-neto de Bernardo Guimarães, pai do escritor João Alphonsus (1901-1944) e do poeta Alphonsus de Guimaraens Filho (1918-2008) e avô do poeta Afonso Henriques, Neto (1944).

Lucas Guimaraens (1979) é bisneto do primeiro, sobrinho-neto do segundo, neto do terceiro e sobrinho deste último.


 

Bernardo Guimarães e Alphonsus de Guimaraens

 

João Alphonsus e Alphonsus de Guimaraens Filho

 

 Afonso Henriques, Neto e Lucas Guimaraens


Bernardo Guimarães foi poeta e romancista, destacando-se A escrava Isaura como sua obra mais importante. Por escolha de Raimundo Correia, ele é o patrono da cadeira n. 5 da Academia Brasileira de Letras. Sua produção poética conhecida foi reunida em Poesias completas de Bernardo Guimarães, organização, introdução, cronologia e notas de Alphonsus de Guimaraens Filho, edição do Ministério da Educação e Cultura/Instituto Nacional do Livro (1959).


 O DESTINO DE ISAURA

Agora nos é indispensável abandonar por alguns instantes Isaura em sua penível situação diante de seu dissoluto e bárbaro senhor para informarmos o leitor sobre o que ocorrera no seio daquela pequena família, e em que ficaram os negócios da casa, depois que a notícia da morte do comendador, estalando como uma bomba no meio das intrigas domésticas, veio dar-lhes dolorosa diversão no momento em que elas, refervendo no mais alto grau de ebulição, reclamavam forçosamente um desenlace qualquer.

Aquela morte não podia senão prolongar tão melindrosa e deplorável situação, pondo nas mãos de Leôncio toda a fortuna paterna, e desatando as últimas peias que ainda o tolhiam na expansão de seus abomináveis instintos.

Leôncio e Malvina estiveram de nojo encerrados em casa por alguns dias, durante os quais parece que deram tréguas aos arrufos e despeitos recíprocos. Henrique, que queria absolutamente partir no dia seguinte, cedendo enfim aos rogos e instâncias de Malvina, consentiu em ficar-lhe fazendo companhia durante os dias de nojo.

A escrava Isaura, Cap. 8


Alphonsus de Guimaraens (Afonso Henrique da Costa Guimarães) foi importante poeta simbolista brasileiro. Sua poesia é marcadamente mística e envolvida com religiosidade católica. Seus sonetos apresentam uma estrutura clássica, e são profundamente religiosos e sensíveis na medida em que explora o sentido da morte, do amor impossível, da solidão e da inadaptação ao mundo.

Suas obras: Setenário das Dores de Nossa Senhora, poesia (1899); Câmara Ardente, poesia (1899); Dona Mística, poesia (1899); Kyriale, poesia (1902); Mendigos, prosa (1920).

 Obras póstumas: Pastoral aos crentes; Escada de Jacó; Pulvis; Salmos; Poesias; Jesus; Alphonsos.


Seu célebre poema Ismália está reproduzido na Estação Paraíso do Metrô, em São Paulo:

Reprodução. Fonte: https://deskgram.ne


Reprodução: Paulo Leminski, Vida, Cia. das Letras, 2013, p. 66


João Alphonsus (João Alphonsus de Guimaraens) era o terceiro filho do Alphonsus de Guimaraens. Foi um dos nomes importantes do Modernismo e contemporâneo de Carlos Drummond de Andrade, Emílio Moura, Pedro Nava e outros que foram seus amigos no Diário de Minas.

Suas obras: 1931 - Galinha cega; 1934 - Totônio Pacheco; 1938 - Rola-Moça; 1942 - Pesca da Baleia; 1943 - Eis a noite!


 GALINHA CEGA

Na manhã sadia, o homem de barbas poentas, entronado na carrocinha, aspirou forte. O ar passava lhe dobrando o bigode ríspido como a um milharal. Berrou arrastadamente o pregão molengo:

– Frangos BONS E BARATOS!

Com as cabeças de mártires obscuros enfiadas na tela de arame os bichos piavam num protesto. Não eram bons. Nem mesmo baratos. Queriam apenas que os soltassem. Que lhes devolvessem o direito de continuar ciscando no terreiro amplo e longe.

– Psiu!

Foi o cavalo que ouviu e estacou, enquanto o seu dono terminava o pregão. Um bruto homem de barbas brancas na porta de um barracão chamava o vendedor cavando o ar com o braço enorme.

Quanto? Tanto. Mas puseram-se a discutir exaustivamente os preços.

Não queriam por nada chegar a um acordo. O vendedor era macio. O comprador brusco.

– Olhe esta franguinha branca. Então não vale?

– Está gordota… E que bonitos olhos ela tem. Pretotes… Vá lá!

.................

Galinha cega - conto


Alphonsus de Guimarães Filho poeta e jornalista, cuja obra é situada pela crítica como integrante da terceira geração do Modernismo. Seu primeiro livro de poesias: Lume de estrelas, lançado em 1940, recebeu o Prêmio de Literatura da Fundação Graça Aranha e Prêmio Olavo Bilac da Academia Brasileira de Letras. O título do livro deu nome a uma rua da cidade do Rio de Janeiro, no Méier, em 1976.

O Irmão recebeu o Prêmio Manuel Bandeira, do Jornal de Letras, Rio de Janeiro. Absurda Fábula, o prêmio Luísa Cláudio de Souza, do Pen Clube do Brasil; Água do Tempo, o prêmio Literário Nacional; Nó, o prêmio Jabuti, da Câmra Brasileira do Livro; e O Mito e o Criador, o prêmio de poesia Cidade de Belo Horizonte, da prefeitura dessa Capital.

Pertenceu à Academia Mineira de Letras.


Mário de Andrade e jovens mineiros em 1944; Mário está ao centro, em primeiro plano; ao fundo, atrás dele, Alphonsus de Guimaraens Filho.

Belo Horizonte, 1944: Acima, Hélio Pellegrino, 
Alphonsus de Guimaraens Filho, Otto Lara Resende e Alexandre Drummond.
Embaixo: Oscar Mendes, Mário de Andrade e João Etienne Filho. 
(Reprodução: Arquivo Otto Lara Resende/Instituto Moreira Salles)

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POEMA SONHADO - Para Hymirene

Se não for pela poesia, como crer na eternidade?

Os ossos da noite doem nos mortos.

A chuva molha cidades que não existem.

O silêncio punge em cada ser acordado pelos cães invisíveis do assombro.

Os ossos da noite doem nos vivos.

A escuridão lateja como um seio.

E uma voz (de onde vem?) repete incessante, incessantemente:

Se não for pela poesia, como crer na eternidade?


Segundo conta Afonso Henriques Neto, filho de Alphonsus de Guimaraens Filho, sua mãe Hymirene acordou um dia no meio da noite com o marido (Alphonsus Filho) sonhando em voz alta, balbuciando algo incompreensível, mas que ela entendeu ser um verso-indagação, que acabou anotando e mostrou a ele no dia seguinte.

Este era o verso: Se não for pela poesia, como crer na eternidade? A partir desse verso foi que Alphonsus escreveu o poema acima.

Suplemento Literário de Minas Gerais - Edição Especial - Maio 2018, p. 29


Afonso Henriques, Neto (Afonso Henriques de Guimaraens Neto) é poeta,  advogado, formado pela UNB/Brasília (1976) e professor associado do Instituto de Arte e Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense desde 1976. Obteve o título de Doutor em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1997.

 Publicou: O misterioso ladrão de Tenerife (co-autoria com Eudoro Augusto), 1972; Restos & estrelas & fraturas, edição independente, 1975; Ossos do paraíso, 1981; Tudo nenhum, 1985); Avenida Eros, 1992; Piano mudo, 1992); Abismo com violinos, 1995); Eles devem ter visto o caos, 1998); Ser infinitas.palavras, 2001); Cidade vertigem, 2005. 


TEXTO

Oh espina clavada em el hueso/Hasta que se oxiden los planetas!

(Federico García Lorca)

O texto, escura escama, pesadelo de eternidade,

Máscara densa do universo vomitando.

 O texto, mas não a energia que o pensou,

Interrogando a simultaneidade absoluta.

Há uma esperança nas ruas, nas pedras, no acaso

de tudo,uma esperança, uma forma suspensa

entre o aparente e a essência, entre o que vemos

e a substância, uma esperança, uma certeza talvez

de que o rio não se dissolva no mar, de que

o ínfimo, o precário, a voz, a sombra,

o estalar das carnes na explosão

não se dispersem no todo, impensável medusa da inexistência.

Há uma luz qualquer sonhando integração, o suposto

destino dos ventos, das energias globais, a suposta

sabedoria com o que homem fecundou a crosta

envenenada do planeta, há uma luz qualquer

ensaiando águas pensadas no eterno esvair-se,

abstrato expansionário, há uns olhos além

da frágil realidade, da terrível matança, a

cruel carnificina entre seres pestilentos aquém

da fronteira do sonho, um texto além do texto,

uma esperança talvez, enquanto somo e nos cumprimos,

enquanto somos e nos oxidamos, enquanto

somos e prosseguimos.

         (do livro O misterioso ladrão de Tenerife)

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Autores lambarienses e sul-mineiros e obras sobre Águas Virtuosas

Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia.

Leon Tolstói


Penso que clubes de leitura podem eleger obras quaisquer, literárias ou não, ou ter uma finalidade específica: um autor e sua obra, ou ainda temática determinada, desde que atenda interesse do grupo.

Como também podem focar, no caso deste recém-criado CLÊ, autores lambarienses e sul-mineiros e obras sobre Águas Virtuosas de Lambari ou sobre o Circuito das Águas, por exemplos.

No site GUIMAGUINHAS, na Seção Literatura de Aguinhas (aqui), estão posts sobre escritores e poetas nascidos e/ou ligados a Águas Virtuosas de Lambari, e assim também de autores/obras que se referem à cidade.

Entre eles estão os da família Lisboa: Henriqueta, Alaíde, José Carlos, Ana Elisa Gregori, Edmar Bacha.

E os da família Rodrigues: José Benedito, Luiz Oswaldo (LOR) e Ernesto.

E aqueles que escreveram sobre a cidade: José Nicolau Mileo, Armindo Martins, João Carrozzo, Paulo Roberto Viola.

Estão também poetas e autores como: José Machado Sobrinho, Sônia Gorgulho, Francisco Biaso, Jorge Lemos.

Recorde-se ainda alguns outros importantes escritores nascidos no Sul do Estado e/ou que escreveram sobre temática regional sul-mineira:

  • Murilo Rubião, de Carmo de Minas
  • Martha Antiero, de Cambuquira
  • Godofredo Rangel, de Três Corações

E, por fim, há por aqui no Sul das Gerais um grande número de autores novos ou pouco conhecidos que um projeto como o CLÊ pode descobrir e incluir na agenda de leitura.

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Referências

  • Alphonsus de Guimaraens - Melhores Poemas - Seleção Alphonsus de Guimaraens Filho - São Paulo : Global, 1a. edição digital, 2013
  • Alphonsus de Guimaraens Filho - O centenário de um poeta - In Suplemento Literário de Minas Gerais - Edição Especial - Belo Horizonte, MG - Maio/2018
  • Exílio - o lago das incertezas - Lucas Guimaraens - Belo Horizonte : Relicário Edições, 2018
  • O oratório poético de Alphonsus de Guimaraens - Uma leitura do Setenário das Dores de Nossa Senhora - Eduardo Horta Nassif Veras - Belo Horizonte : Relicário Edições, 2016
  • Galinha cega - João Alphonsus - In Os cem melhores contos brasileiros do século - Italo Moriconi (seleção) - Rio de Janeiro : Objetiva, 2001
  • https://www.facebook.com/opoligonosulmineirodolivro/ 
  • https://www.facebook.com/estacaomercadodolivro/
  • www.academia.org.br
  • www.academiamineiradeletras.org.br
  • Wikipedia
  • Youtube
  • www.algumapoesia.com.br
  • www.rascunho.com.br
  • Dicionário Michaelis/UOL
  • Acervo de fotos e livros deste autor

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Publicado por Guimaguinhas em 26/09/2018 às 09h08
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20/09/2018 07h34
Origens da Igrejinha de N. S. da Conceição Aparecida (1) A descoberta da imagem

Ilustração: Imagem de N. S. da Conceição, pertencente ao acervo da Família Campos, de Lambari, MG, que aqui aparece com a coroa encontrada junto da imagem


SUMÁRIO


Apresentação

Registra a memória da Família Campos (Lambari, MG) que uma imagem de Nossa Senhora da Conceição foi encontrada em fins do Século XIX na fazenda dos Campos, e que, desde então, Nossa Senhora passou a ser objeto de devoção no seio daquela família.

Dessa tradição foi que surgiu a Capelinha e depois a Igrejinha de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, na Vila Campos, em Lambari, MG.

Essa é a história que vamos narrar, em três etapas. Abaixo vai a primeira parte: A descoberta da imagem.

Vamos lá.

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A descoberta da imagem

A Vila Campos, em Lambari, MG, situa-se em parte de antiga gleba de terras que pertenceu à Família Campos, desde meados do Século XIX.

O núcleo dessa família era constituído por Antônio de Campos (Tonico), Joaquim de Campos e José de Oliveira Campos (Zeca).

Tonico de Campos era pai de Antônio de Oliveira Campos (Seu Toninho de Campos, que foi proprietário do Hotel Rezende - aqui).

Zeca Campos e Rita Agripina são pais de Ana e Francisca, duas irmãs que foram casadas com Francisco Guimarães (Chicão) e Alfredo Guimarães (Alfredinho), ambos irmãos de José Batista Guimarães, meu avô paterno (veja aqui).


  • José de Oliveira Campos e Rita Agripina de Oliveira Campos tiveram os seguintes filhos: José de Oliveira Campos, Maria de Oliveira Campos, Geralda de Oliveira Campos, Conceição Campos Pereira, Ana Campos Guimarães e Francisca Campos Guimarães.

Francisco Guimarães (Chicão) e seu filho Expedito

Alfredinho Guimarães (sentado) e seu irmão José Batista Guimarães 


Nos fundos dessa propriedade da Família Campos, formara-se uma capoeira em aclive, na qual criava-se gado e plantava-se milho. Na divisa, que dava para a pedreira do bairro Vila Nova, havia um valo, e na borda deste alteava-se uma árvore de óleo copaíba.

Árvore de copaíba - Reprodução - www.sitiodamata.com.br

Narram as tradições da família Campos — confirmadas por descendentes próximos: Expedito Campos Guimarães (neto) e Bernadete Campos Guimarães (bisneta) —, que em finais dos anos 1800, após a colheita do milho, foram jogadas no mencionado valo as palhas e hastes secas. A seguir, fez-se uma queimada, visando à limpeza e nutrição do solo em que o milho fora plantado (essa prática, hoje proibida, era comum à época desses fatos).

Expedito Campos Guimarães, filho de Ana Campos e Francisco Guimarães


O fogo subiu ladeira acima e quando chegou ao valo os trabalhadores notaram que dentro dele, próximo da copaíba, estranhamente, havia um lugar que o fogo passava por cima mas não queimava as palhas e hastes secas do milharal abatido.

Montagem: Fogo no milharal e imagem de N. S. da Conceição - Imagem: Reprodução. Fonte: Depositphotos

Correram para verificar o acontecido e encontraram, num buraco cavado no barranco, uma caixa de madeira, contendo uma pequena cruz e um brasão de cobre, e uma coroa; e, ao lado da caixa, uma imagem de Nossa Senhora Conceição, sem a coroa característica da santa. 

Mais deslumbrados ficaram ainda quando descobriram que a imagem fora talhada em madeira.


Objetos encontrados juntos à imagem da Virgem Santíssima

Nesta foto se pode ver que a imagem foi talhada em madeira

  • A imagem mais que centenária de N. S. da Conceição, com a coroa encontrada na caixa de madeira
  • A coroa não é a original da imagem, como se pode notar
  • A imagem guarda ainda manchas da fumaça e cinzas da queimada

Nesta foto, a imagem aparece com uma nova coroa

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A peregrinação da imagem

A partir desse fato, N. S. da Conceição passou a ser objeto de culto doméstico no seio da Família Campos, que, diante da imagem com marcas de fuligem, realizavam rezas e terços no ambiente doméstico.

Assim foi que em face de estiagens mais demoradas, as mulheres da Família Campos providenciavam uma novena para pedir a intercessão de N. S. da Conceição

Esse ato de fé católica não se dava somente na Família Campos, pois, com efeito, Expedito Campos Guimarães recorda que, ainda menino, sua avó Rita Agripina dizia:

Expedito, leva a imagem da Santa para a comadre Alexandrina, que lá nas bandas do Serrote tá carecendo de chover.

E lá ia o Expedito, todo fagueiro, conduzindo a imagem de N. S. da Conceição para a fazenda da Dona Alexandrina.

Tempos depois, dona Rita Agripina gritava novamente:

Expedito, busca a Santa, que a chuva por aqui tá demorando a cair!


Outra parte dessa história me contou o Serminho (Anselmo de Assis Pereira, neto de Dona Alexandrina). Diz ele que pelos idos de 1950, sua avó aprontava a charrete e dizia:

Vamos Serminho, vamos à casa do compadre Toninho de Campos buscar a Santa, modo de fazer a novena das chuvas.

Como dito acima, esse Toninho de Campos era um dos irmãos Campos, que por essa época morava nas proximidades da antiga matriz de N. S. da Saúde, acima do então cemitério da cidade (o chamado Cemitério Velho).

E assim foi que a imagem de N. S. da Conceição salvada do fogo peregrinava pelos sítios e fazendas de Águas Virtuosas de Lambari, conduzida pela fé católica de famílias devotas.


(*) Alexandrina de Assis Pereira, casada com Anselmo de Assis Pereira, é avó de José de Assis Pereira (Zequinha) e Anselmo de Assis Pereira (Serminho). Esses dois são filhos de Luiz de Assis e Ana Catarina de Carvalho. A família Assis Pereira morava numa fazenda no morro Serrote, na divisa com o bairro rural de Nova Baden, que ainda hoje pertence aos descendentes de Dona Alexandrina.

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Origem da imagem

Quanto à origem dessa imagem de N. S. da Conceição, a tradição narra três possíveis fontes:

  1. Teria sido perdida ou posta naquele local por bandeirantes paulistas a caminho das minas de ouro e diamantes da Província de Minas
  2. Teria sido posta naquele local por escravos fugidos das fazendas da região da Vila da Campanha do Rio Verde (atual Campanha, MG)
  3. Teria sido posta naquele local por antigos moradores daquelas terras.

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Guarda da relíquia familiar

A partir dos anos 1950, a imagem de N. S. da Conceição permaneceu sob a guarda das irmãs Maria e Geralda de Oliveira Campos.

As irmãs Geralda e Maria de Oliveira Campos

Foram essas duas que criaram, desde os três meses de idade, a sobrinha Bernadete Campos Guimarães, e, após a morte daquelas, nos anos 1980, a relíquia pertencente à Família Campos ficou sob a guarda de Bernadete. Aliás, de Bernadete e seu marido Marco Antônio de Oliveira.

Religiosos, o casal Bernadete e Marco Antônio ao lado da imagem peregrina de N. S. da Saúde

Na residência do casal Bernadete/Marco Antônio, a imagem está posta num oratório, que aparece iluminado

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Glossário

  • Aclive: Inclinação do terreno (considerada de baixo para cima); aclividade, ladeira.
  • Capoeira: 1. Terreno cujo mato foi roçado e/ou queimado para cultivo da terra ou para outras finalidades.

2. Mato ralo, constituído por vegetação de pequeno porte, que nasce em terrenos esgotados e abandonados depois da derrubada de mata primária. Terreno cujo mato foi roçado e/ou queimado para cultivo da terra ou para outras finalidades.

  • Copaíba: Denominação comum a árvores do gênero Copaifera, que fornecem madeira de qualidade e um óleo usado com finalidades terapêuticas e também na fabricação de vernizes e na produção de cosméticos; pau-de-óleo.
  • Haste: Parte do vegetal que se eleva do solo e serve de suporte aos ramos, às folhas e às flores; hástea, hastil.
  • Queimada: Ato de queimar mato ou vegetação, geralmente com o objetivo de preparar o solo para uma nova semeadura ou plantação; queima.
  • Valo: Escavação no solo, de profundidade média, natural ou artificial, para escoamento da água, proteção ou divisão de terrenos. (Dic. Michalelis)

A segunda parte: A construção da Capelinha de N. S. Aparecida

Veja a segunda parte deste post: A construção da Capelinha de N. S. Aparecida - aqui

Aguarde.


Referências

  • https://www.sitiodamata.com.br
  • https://depositphotos
  • Entrevista com Expedito Campos Guimarães
  • Entrevista com Bernardete Campos Guimarães de Oliveira e Marco Antônio de Oliveira
  • Memórias da família de Rubens Gentil Lobo
  • Acervo pessoal do Autor

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Publicado por Guimaguinhas em 20/09/2018 às 07h34
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07/09/2018 05h19
MEMÓRIAS DE AGUINHAS - As saudosas festas cívicas de Lambari

  Ilustração: O professor Francisco Venturato e alunos em apresentação de atividades físicas


SUMÁRIO


Apresentação

O professor — e hoje advogado — Francisco Venturato, nos meus tempos de ginásio (meados dos anos 1960), todos o chamávamos de Chico Pirata, apelido carinhoso com o qual não se importava.

Pois bem, de Chico Venturato e Dona Lucinha Gama já falamos no post NOS TEMPOS DE GINÁSIO (1) - Dona Lucina e Chico Venturato, disponível aqui.

No referido post, escrevemos:

Quando o Professor Francisco chegou a Lambari, (...) logo, logo iniciou uma série de atividades de que gostava e fez que gostássemos também: a educação física, a quadra de terra que bolou e construiu juntamente com os alunos, as exposições de ciências, a banda de música, os desfiles... E quem não se lembra da banda de música?

E como eram animadas nossas festas cívicas e atividades de ginástica artística? Bandas, desfiles, carros alegóricos, apresentações de ginástica...

Assim, hoje, a propósito do Sete de Setembro, vamos recordar um pouco dessas atividades.

Em frente, marche!


Parada: Desfile civil, com atrações e carros alegóricos.


A famosa banda do Chico Pirata e Sílvio Barros

O professor Venturato e alunos em apresentação de atividades físicas

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Memória fotográfica

Acervo Francisco Venturato

Sete de Setembro, anos 1970

Desfile de Sete de Setembro - Jorge Albino Almeida (1973)

Silvinho Matias desfila com bandeira de Lambari, idealizada pelo professor Rafael Pinotti (anos 1970)

Chico Venturato e o pelotão verde, desfile dos anos 1980

Pelotão verde feminino (anos 1980).

Na foto: À frente, a prof. Terezinha Brigagão. Ao fundo, a banda do ginásio com o maestro Sílvio Barros. à Esquerda, João Rely Martins

Alunas do ginásio em uniforme de gala (anos 1980)

Alunos do ginásio em uniforme de gala (anos 1980). Ao centro, o menino André, filho de Lucinha Gama e Francisco Venturato

Formação da bandeira - Campo do Águas Virtuosas - Anos 1980

Formação da pirâmide - Sete de Setembro - Anos 1980


Reprodução Facebook/Memórias de Lambari

Festividades de Sete de Setembro - anos 1980

Desfile carro alegórico - anos 1980

Desfile ginástia artística - Prof. Venturato - 1982

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Acervo do professor Francisco Venturato

Francisco Venturato possui um acervo precioso de fotos e filmes no formato Super 8 das atividades cívicas, de ginástica artística e da banda musical, do tempo em que foi professor do ginásio de Lambari.


Atualmente, circula no WhatsApp um vídeo com dezenas de fotos desse acervo. Vale a pena conhecer esse vídeo.


Quanto aos filmes Super 8, pensa-se em convertê-los em vídeos. Vamos aguardar.

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Veja também

  • Desfile de Sete de Setembro - aqui
  • O menino da bicicleta - aqui
  • Projeto Filhote - aqui e aqui

Guima  — o menino-serelepe — e sua bicicleta Patavium, num desfile de Sete de Setembro (início dos anos 1960) - aqui

Competição Escolar de Ginástica Aeróbica – 1987 – Praça de Esportes Branca Bessone (professor Márcio Krauss)

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Referências

  • Arquivo pessoal de Francisco Venturato
  • Vídeo de Francisco Venturato circulando no WhatsApp
  • Facebook/memorias de Lambari
  • Arquivo pessoal do prof. Márcio Krauss
  • Arquivo pessoal do autor

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Publicado por Guimaguinhas em 07/09/2018 às 05h19
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