Ilustração: Figura ilustrada da linha do tempo do Projecto de lei para criação da Província do Rio Sapucahy, de 1889, de J. Floriano de Godoy, elaborado pela IA/CoPilot
O projeto de criação da Província do Rio Sapucahy, apresentado ao Senado do Império em 1887, foi uma tentativa de reorganização territorial no Sul de Minas Gerais durante o final do Segundo Reinado, feita pelo Senador Joaquim Floriano de Godoy.
A ideia central era desmembrar partes das províncias de Minas Gerais e São Paulo para criar uma nova unidade administrativa, facilitando a gestão de uma região que já demonstrava grande pujança econômica, mas se sentia negligenciada pelas capitais (Ouro Preto e São Paulo).
Abaixo comentamos aspectos principais da projeto e do livro que o Senador Godoy escreveu para justificar sua proposta, que, como sabemos, acabou rejeitada.
Embora a província nunca tenha saído do papel, o movimento ajudou a consolidar a identidade política do Sul de Minas, que passaria a ser uma força determinante na política nacional durante a República Velha (a famosa "Política do Café com Leite").
Vamos lá!
DADOS BIOGRÁFICOS DO SENADOR JOAQUIM FLORIANO DE GODOY
Joaquim Floriano de Godói (São Paulo, 4 de janeiro de 1826 — 20 de novembro de 1907) foi um médico e político brasileiro.
Formou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, foi deputado geral de 1869 a 1872 e presidente da província de Minas Gerais, de 1872 a 1873.
Foi também senador do Império do Brasil entre 1873 e 1889, e tornou-se sócio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.
ASPECTOS PRINCIPAIS DA PROPOSTA
O projeto foi apresentado pelo Senador Joaquim Floriano de Godoy. A ideia central era desmembrar partes das províncias de Minas Gerais e São Paulo para criar uma nova unidade administrativa, facilitando a gestão de uma região que já demonstrava grande pujança econômica, mas se sentia negligenciada pelas capitais (Ouro Preto e São Paulo).
A nova província abrangeria a próspera região cafeeira e hidromineral do Sul de Minas e partes do Vale do Paraíba paulista.
• Capital proposta: A cidade de Taubaté foi designada para ser a sede administrativa da nova província.
• Abrangência: Incluiria cidades importantes como Itajubá, Baependi, Cristina, Campanha e áreas limítrofes com o estado de São Paulo.

O Senador Godoy fundamentou a proposta em três pilares principais:
• Distância Administrativa: A dificuldade de comunicação e transporte entre o Sul de Minas e a capital Ouro Preto. Para muitos habitantes da região, era mais fácil ir ao Rio de Janeiro ou a São Paulo do que à própria capital provincial.
• Homogeneidade Econômica: A região do Rio Sapucaí possuía uma identidade econômica própria, baseada na cafeicultura e no comércio, que se diferenciava da região mineradora central de Minas.
• Eficiência Fiscal: A arrecadação de impostos seria revertida diretamente para o desenvolvimento local, especialmente em infraestrutura ferroviária.
Apesar do entusiasmo das elites locais sul-mineiras, o projeto enfrentou forte oposição:
• Resistência Política: O governo da Província de Minas Gerais não aceitava perder uma de suas regiões mais ricas e populosas.
• O Advento da República: A tramitação do projeto foi atropelada pelos eventos políticos que levaram à Proclamação da República em 1889. Com a nova Constituição de 1891, o foco mudou para a autonomia dos estados, e a ideia de retalhamento territorial perdeu força em prol da consolidação do estado de Minas Gerais (que viria a mudar sua capital para Belo Horizonte logo depois).

O autor, senador do Império entre 1873 e 1889, apresentou ao Senado, no dia 5 de outubro de 1887, projeto propondo a criação da Província do Rio Sapucaí, que englobaria, para seu território, o Sul de Minas e o Norte de São Paulo.
Joaquim Godoy foi alvo de violentos ataques da mídia da época e também do governo paulista.
Para justificar o projeto, e defender-se das críticas, publicou a presente obra, acompanhada de documentos estatísticos.
Eis o que o autor diz no prefácio do livro:


