Guimagüinhas
Memórias familiares e da minha cidade natal
Textos
NOS TEMPOS DE GINÁSIO (1) - Dona Lucinha e Chico Venturato e Índice da Série
SUMÁRIO

- Introdução
- Dona Lucinha e Chico Venturato
- Fotos
- Índice da Série

Na Aguinhas do meu tempo, quem tirava diploma do
grupo em seguida devia cursar o ginásio, mas antes tinha
de cumprir um quinto ano, que preparava o aluno para a
prova de admissão. Desse modo foi que pulei do Grupo João
Bráulio para o Instituto Santa Terezinha para poder chegar
ao Ginásio Duque de Caxias.
..............................................................
Quem não levou bronca do seu Generaldo, o zelador do Ginásio?
(— Esse guriá também não viu a banda do Chico Venturato nem
desfilou no Sete de Setembro!)
 
(Do livro Menino-Serelepe)*

Introdução

A citação acima resume minha trajetória estudantil em Lambari, do Grupo até o Ginásio, e servirá de mote para a recordação de dois marcantes professores que tive no Ginásio Duque de Caxias. Eu poderia citar muitas coisas, mas hoje vou me prender a algumas pequeninas lembranças que marcaram o menino-adolescente que descobriu um novo mundo quando chegou ao ginásio.
 
O que era diferente? Ora, nós, pós-infantes da primeira série, passamos a conviver com adolescentes dos últimos anos do ginásio e com as moças do curso normal. Esse era um fator importante. Depois, o grande número de professores — novas matérias, diversos professores, métodos diferentes. Nessa época, nos sentíamos orgulhosos por "estudar no ginásio" e os pais exibiam isso para amigos e parentes: - Ele já 'stá no ginásio!
Dona Lucinha e Chico Venturato

Mas para mim particularmente foram as novidades e os métodos de Dona Lucinha (eu, ainda hoje, reverente, a chamo assim: Dona Lucinha) e do professor Venturato que impressionaram o menino tímido (mas arteiro!) que chegou ao ginásio, em  1966.

 
  D. Lucinha (foto de André Venturato)

As aulas de geografia de Dona Lucinha com mapas, cartazes, desenhos e uma belíssima letra  com gizes coloridos no quadro-negro eram magníficas. A explicação didática, a voz firme, grave, severa, mas paciente, amorosa. Boas professoras, são boas disciplinadoras, e quem prepara uma aula e sabe bem ministrá-la exige atenção. Assim era Dona Lucinha. E exigia que estudássemos, que fizéssemos os trabalhos e atividades, que nos preparássemos para as provas. Certa feita, durante uma prova semestral, disse: O que me falta na vista [usava óculos] me sobra no ouvido - sem cochichos, sem colar do vizinho! Nunca mais me esqueci dessa sua frase.
 
Quando o Professor Francisco chegou a Lambari, me parece, ele e Lúcia já eram noivos. E o Chico Venturato possuía incríveis semelhanças com ela: era bom professor, metódico, possuía uma letra firme e legível, gostava de gizes, canetas hidrográficas e pincéis atômicos coloridos, preparava apostilas num mimeógrafo a álcool. E logo, logo iniciou uma série de atividades de que gostava e fez que gostássemos também: a educação física, a quadra de terra que bolou e construiu juntamente com os alunos, as exposições de ciências, a banda de música, os desfiles... E quem não se lembra da banda de música?
 
E quando comecei a lecionar no Curso de Comércio, em Lambari, em 1976, instintivamente incorporei — não com a mesma qualidade estética -— alguns métodos desses dois professores, que até hoje mantenho, não obstante a tecnologia: a mania do giz/quadro [hoje em dia são os pincéis coloridos], os esquemas didáticos, as pequenas apostilas.

Fotos
 
Guima, 1967, indo para o ginásio

Dona Lucinha e sua primeira turma de alunos


Dona Lucinha, o professor Clóvis e outros professores do Ginásio — e uma turma de formandos


A famosa banda do Chico Venturato
Chico Venturato, Seu Martins e alunos do Ginásio
 
O professor Francisco Venturato foi o paraninfo da minha turma de Ginásio

Índice da Série

- Professora Maria Rita e a redação nota dez (aqui)

2735.jpg (*) Esta narrativa faz parte do livro Menino-Serelepe - Um antigo menino levado contando vantagem, uma ficção baseada em fatos reais da vida do autor, numa cidadezinha do interior de Minas Gerais, nos anos 1960.

O livro é de autoria de Antônio Lobo Guimarães, pseudônimo com que Antônio Carlos Guimarães (Guima, de Aguinhas) assina a série MEMÓRIAS DE ÁGUINHAS. Veja acima o tópico Livros à Venda.


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Enviado por Guimaguinhas em 27/05/2013
Alterado em 31/10/2019
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