Ilustração: Recorte estilizado da capa do Suplemento Literário de Minas Gerais nº 929, de 21 de julho de 1984 (Por IA/CoPilot)

O Suplemento Literário de Minas Gerais (SLMG) nasceu em 3 de setembro de 1966 como um suplemento literário voltado para a promoção da literatura em Minas Gerais, estimulando debates culturais e a formação de novos autores.
Abaixo vamos resumir sua história e comentar a edição n° 929, de 21 de julho de 1984, um exemplar especial organizado por Yeda Prates Bernis que foi integralmente dedicado à nossa poeta HENRIQUETA LISBOA.
Vamos lá!

O SUPLEMENTO LITERÁRIO DE MINAS GERAIS
O Suplemento Literário de Minas Gerais foi criado em 3 de setembro de 1966, idealizado e fundado pelo escritor Murilo Rubião a convite da Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais.
Encartado originalmente no jornal oficial do governo (o Minas Gerais), o projeto tinha como proposta inicial circular semanalmente e abrir espaço para a crítica, a poesia, a ficção e a difusão cultural.
Sob a liderança de Murilo Rubião, o jornal reuniu importantes intelectuais e escritores locais (como Affonso Ávila, Laís Corrêa de Araújo, Wander Pirolli e Humberto Werneck). Rapidamente extrapolou os limites regionais e se tornou um dos veículos culturais mais respeitados do Brasil.
Surgiu como um espaço dedicado à produção literária, crítica e artística no estado de Minas Gerais. A iniciativa buscava aproximar escritores de diferentes gerações, promover novos talentos e fomentar o debate literário, servindo como um importante canal de divulgação de obras, ensaios e crônicas.
Ao longo dos anos, o suplemento desempenhou um papel significativo na formação de leitores e escritores, oferecendo repercussão para poetas, contistas e críticos, e fortalecendo a identidade cultural de Minas Gerais no cenário literário nacional. Além disso, o SLMG também refletia as transformações sociais e culturais do período da década de 1960, ao mesmo tempo em que preservava o valor da tradição literária regional.
Mesmo surgindo durante a ditadura militar e sendo um encarte de um veículo oficial do Estado, manteve expressiva autonomia editorial e espaço de reflexão crítica.
Em sua história, tornou-se referência para pesquisadores e amantes da literatura, sendo lembrado como um marco na valorização da produção textual mineira e brasileira.
No decorrer das décadas, deixou de ser um encarte semanal no Diário Oficial e passou a ser uma publicação mensal (e posteriormente bimestral ou temática) gerenciada pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais.
[*] Texto elaborado com apoio de IA/Gemini - CoPilot)
O SUPLEMENTO LITERÁRIO DEDICADO A HENRIQUETA
Abaixo, segue um panorama da edição n° 929, de 21 de julho de 1984 do SLMG dedicado à poeta lambariense HENRIQUETA LISBOA.
Em primeiro lugar, um resumo didático de todo o suplemento.
Em segundo, os destaques da edição.
Vamos lá!
A seguir, está um resumo didático do Suplemento Literário Minas Gerais nº 929, elaborado pela IA/CoPilot.
Confira:
Suplemento Literário Minas Gerais nº 929 (21/07/1984) — Edição Especial dedicada a Henriqueta Lisboa
A edição nº 929 do Suplemento Literário Minas Gerais é inteiramente dedicada à celebração da vida, obra e pensamento da poeta mineira Henriqueta Lisboa, uma das vozes mais singulares da poesia brasileira do século XX.
Organizada por Yeda Prates Bernis, a publicação reúne textos críticos, poemas inéditos, análises filosóficas e reflexões sobre a trajetória literária da autora, compondo um panorama profundo e sensível de sua contribuição à literatura.
1. Apresentação: A “Rosa Plena”
A abertura da edição é um texto de forte carga poética, escrito por Yeda Prates Bernis, que louva a “mineiridade”, a disciplina, a verticalidade espiritual e a busca de transcendência presentes na obra de Henriqueta. A autora é apresentada como alguém que trabalha a palavra como “filigrana em ouro moldada”, que transforma silêncio e solidão em matéria poética, e que se dedica à “busca do mais que real existente na transcendência”.
Esse texto inicial estabelece o tom da edição: uma homenagem à profundidade filosófica, espiritual e estética da poeta.
2. Poema Inédito de Carlos Drummond de Andrade
A edição traz um poema inédito e exclusivo de Carlos Drummond de Andrade, escrito especialmente para homenagear Henriqueta Lisboa. Nele, Drummond recolhe “ares de Minas”, “resinas”, “falas cristalinas” e os oferece “para Henriqueta”, reconhecendo sua delicadeza, sua força e sua ligação profunda com a paisagem mineira.
Esse gesto literário reforça a importância de Henriqueta no cenário nacional: uma poeta admirada por seus pares mais ilustres.
3. “Pousada do Ser” – Estudo de Delson Gonçalves Ferreira
O texto mais extenso da edição é uma análise detalhada do livro Pousada do Ser (1982), considerado o ápice da maturidade poética de Henriqueta Lisboa. Delson Gonçalves Ferreira percorre temas centrais da obra:
a) O homem no mundo
Henriqueta reflete sobre a condição humana como transitória, inquieta, marcada pela tensão entre permanência e impermanência. O poeta é um “homo viator”, sempre em passagem.
b) A palavra como força criadora
O mundo contemporâneo é descrito como “um planeta de palavras”, onde a linguagem cria, transforma e também fere. A poeta explora o poder simbólico e espiritual da palavra.
c) O assombro e a violência do século
Henriqueta observa o caos do mundo moderno — notícias terríveis, violência crescente, perda de valores — e transforma esse espanto em poesia. O texto cita versos como: “As notícias me sobressaltam. Dia a dia / cada vez mais terríveis.”
d) A celebração dos elementos: Água, Ar, Fogo e Terra
A segunda parte de Pousada do Ser é um grande poema dividido em quatro cantos, cada um dedicado a um elemento natural. A análise destaca:
- Água como pureza, origem e purificação.
- Ar como música, movimento e símbolo de ressurreição.
- Fogo como energia, memória e transformação.
- Terra como mãe, sustento e destino final.
O crítico relaciona esses cantos à tradição franciscana e à filosofia grega, mostrando como Henriqueta integra espiritualidade, natureza e humanidade.
e) A depuração poética
O texto destaca que Henriqueta alcança, nesse livro, uma síntese rara entre forma e conteúdo — uma poesia “depurada”, “amadurecida”, que exige leitura profunda e meditativa.
4. “A Dança Ritual do Véu” – Ensaio de Oswaldino Marques
Outro texto fundamental da edição é o estudo de Oswaldino Marques sobre o poema “O Véu”, de Henriqueta Lisboa. O crítico interpreta o véu como símbolo da linguagem, da passagem entre vida e morte, da revelação e do mistério.
Ele afirma que o poema não trata apenas dos mortos, mas da própria vida, da experiência humana e da construção simbólica da poesia. O véu é visto como:
- proteção,
- ponte entre mundos,
- máscara,
- signo,
- estigma.
O ensaio é uma leitura sofisticada, que coloca Henriqueta como uma poeta da “voz”, da articulação, da linguagem que revela o invisível.
5. A Poética de Henriqueta Lisboa
Ao longo da edição, diversos trechos da própria autora são citados, revelando sua visão da poesia como:
- busca da essência do ser,
- sondagem do mistério,
- depuração da linguagem,
- articulação entre silêncio e voz,
- celebração da vida, apesar da presença constante da morte.
Henriqueta rejeita o rótulo de “poeta da morte” e afirma sua vocação para o vital, o essencial, o transcendente.
Conclusão
A edição nº 929 do Suplemento Literário Minas Gerais é um documento precioso da história literária brasileira. Ela reúne:
- homenagem poética,
- crítica literária profunda,
- reflexão filosófica,
- análise estética,
- e um poema inédito de Drummond.
Tudo isso para celebrar a grandeza de Henriqueta Lisboa, cuja obra une espiritualidade, rigor formal, sensibilidade mineira e uma busca incansável pela essência da vida.
É uma edição que não apenas apresenta a poeta, mas a interpreta, a contextualiza e a consagra como uma das vozes mais importantes da poesia brasileira.
[**] Resumo elaborado por IA/CoPilot
Vem agora pequeno resumo das matérias contidas na edição histórica do SLMG dedicado a Henriqueta Lisboa.
Esses destaques são convites ao leitor para que perceba como tantos e importantes autores, poetas e críticos se inclinaram a admirar a obra literária da menina lambariense que tomou o nome da avó paterna: Henriqueta!
Confira:
LOUVAR-LHE a intensa
mineiridade, que a levou à
universalidade da temática poética.
Louvar-lhe a poesia de cristal e
fogo, feita de mente e coração, onde
a busca Incessante do equilíbrio
entre o espírito e matéria denuncia
um conhecimento pelo menos
intuitivo do divino que existe em
tudo.
Louvar-lhe a solidão e o silêncio, —
sabedoria de quem se devota à
meditação sobre a precariedade da
condição humana face à dor, esta
"flor à beira do abismo" plantada.
Louvar-lhe a determinação, a
disciplina, a elegância, desde o viver
cotidiano até o trânsito nas altas
cordilheiras da arte.
Louvar-lhe o lavor com a palavra
filigrana em ouro moldada.
Louvar-lhe a fidelidade, apaixonante
e apaixonada, ao aprendido e
vlvenciado em sua edificante e
ainda edlficada Casa de Pedra.
Louvar-lhe o amor/azul profundo
que a levou, vida afora, pelo
mistério da poesia, à busca do mais
que real existente na
transcendência.
Louvar-lhe a arte ontológica —
flecha à procura do que de mais
recôndito possa existir no alvo
humano.
Louvar-lhe, ainda, a perquirlção do
mistério que habita o âmago das
coisas, que a tem conduzido ao
esquecimento de si mesma para se
transformosear num lírio em seu ato
de crescer ou se metamorfosear nos
elementos — água, ar, fogo, terra —
para posterior celebração amorosa.
Louvar-lhe, mais que tudo, a
vertlcalidade da vida e da obra,
movimento para o alto, busca de
infinito, haste de flor procurando o
céu, no esforço da perfeição; Rosa
Plena.


Desde 1925 (Fogo Fátuo), o primeiro livro de Henriqueta Lisboa, até hoje, Pousada do Ser (1982), são 57 anos de poesia. Pode-se repetir Manuel Bandeira:
"Poesia da vida inteira
Poesia, minha vida verdadeira".
(Manuel Bandeira — Estrela da Vida Inteira — Liv. José Olympio Edit. — Rio — 1966).
Foi um caminho ascensional até agora, com "Pousada do Ser". Na beleza de um volume de dar gosto, capa, papel, letra, cor uma poesia tão amadurecida, densa e intensa, reflexo e reflexão sobre o estar-no-mundo (...)

CONQUANTO esteja mais do que compenetrado da temeridade em que importa pinçar da produção de um poeta, sobretudo quando é numerosa, uma de suas criações e propô-la como chave da obra inteira, exponho-me resolutamente ao risco e postulo a meditação "O Véu", de Henriqueta Lisboa, constante de Miradouro e Outros Poemas, como suscetível de ser assim contemplada. (...)


Henriqueta Lisboa vê o mundo com olhos de filósofo. Posta-se admirada ante o enigma universal. Com "serenidade" e "encantamento" coloca-se frente à realidade complexa. Extasia-se diante dos arcanos. Sente um "estranho prazer de espreitá-los, "de ver a sombra que se alastra pela casa", alcançando "vertigens quando o sono aos outros basta" (...)

Na gramática superficial de fala, podemos ser inocentes e simples, viver o operar normal da palavra sem o risco de ultrapassar o cômodo significado das expressões estratificadas e facilmente manuseáveis. O poeta, porém, está constantemente ameaçado pela sua própria clarividência e o conhecimento implícito que possui dos limites postos pela linguagem aos processos de conhecimento do mundo e do ser. (...)


(...)
(...)

Ao ter em mãos Pousada do Ser (Rio, Nova Fronteira, 1982), já pressentia estar ali um livro de maturidade, de poeta experiente dos segredos e ciladas da palavra — sempre renascida aventura da vida e da morte, distribuída em som e sentido.
Eis um confronto entre ser e letrar; ser perenizando-se em só letrar. (...)



Reler a poesia de Henriquela Lisboa não é apenas um exercício de inteligência e sensibilidade. É surpreender-se um pouco menos cético diante do espetáculo humano em que tomamos parte. É beneficiar-se da energia difusa no corpo de seus versos, nas intermitências entre imagem e idéia. É estar diante de uma existência ainda não repartida pela divisão do trabalho, mas variadíssima na riqueza concreta de formas, sons, cores, aspectos. (...)

Um dos autores a quem recorro, nas minhas sedes de poesia, chama-se Henriqueta Lisboa.
Já não suporto o verso enxundioso; procuro a essencialidade, notoriamente parca, e só me permito fugir a essa regra de preferencia em contados casos: Victor Hugo, Castro Alves, Augusto dos Anjos. Admirações antigas, resistem a tudo, em qualquer emergência voltam a impor-se. Deve ser por efeito da musicalidade adquirida, diria antes — longamente fruída, grudada em nós. (...)

Os versos de Henriqueta Lisboa ("Pousada do Ser", Nova Fronteira, 1982) envolvem como um suave canto de sereias, insistente, irresistível e que, à maneira das homéricas, põem em risco a vida dos navegantes porque arrancam os incautos do seguro andar cotidiano, sacudindo-os pelas bases. (...)

Quando leu "Prisioneira da noite", de Henriqueta Lisboa, estava Álvaro Lins, sem dúvida, pensando em outra cousa. Não posso acreditar que, em perfeito estado de atenção, esse crítico agudíssimo, escritor de páginas na verdade reveladoras sobre Raul Pompéia e de análise profundamente compreensiva da obra de Rosamond Lehmann, não entendesse livro tão fácil, tão claro, (apesar da noturnidade de alguns poemas) como o da suave poetisa mineira. Convido Álvaro Lins a ler a crônica "Coração maguado", de Mário de Andrade, a respeito do livro citado, o que será um belo ato de humildade para a sua alma católica. (..)

Quando a alma se surpreende desvelando-se além das palavras, eis a poesia. Alvorada elucidando segredos, arrebanhando encantos do inconsciente que permaneceriam órfãos se nos fosse negada a poesia. Se é propósito seu ser inteira e severa para com a construção poética, Henriqueta Lisboa, vasto poema transbordando de Minas, não se negou às crianças. Presenteou-as com o que há de melhor na literatura infanto-juvenil brasileira. Limito-me apenas a citar "O Menino Poeta" e "Antologia Poética para a infância e a juventude." (...)



Prêmio Machado de Assis

Na casa de Afonso Ávila: Bueno de Rivera, Rui Mourão, Fábio Lucas, Henriqueta Lisboa, Lúcia Machado de Almeida, Etienne Filho, Murilo Rubião
e Ildeu Brandão. (Fonte: SLMG/929/1984 - Imagem renovada e colorizada por IA/CoPilot)