Ilustração: Antiga propaganda do médico JOÃO BRÁULIO JR., um dos primeiros crenólogos de Águas Virtuosas de Lambari (revitalizada e colorizada por IA/CoPilot)
Sobre a utilização da água mineral de Lambari no tratamento e prevenção de doenças e sua indicação por profissionais médicos especializados — os crenólogos — já fizemos algumas publicações aqui no site GUIMAGÜINHAS:
Hoje voltamos ao tema.
Vamos lá!
Profissionais médicos que estudaram e receitaram a água mineral de Lambari:


Fonte: Tópico 7 – CRENÓLOGOS DE LAMBARI – Fascículo 8. AS ÁGUAS MINERAIS DE LAMBARI da Coletânea PEQUENA HISTÓRIA DE ÁGUAS VIRTUOSAS DE LAMBARI

Antiga propaganda revitalizada e colorizada por IA/CoPilot
No livro MENINO-SERELEPE eu conto como se fazia a coleta da água mineral, na boca da fonte, para uso muscular, conforme receituário dos crenólogos de Lambari.
Confira a seguir.

IMPRESSOS PARA CONTROLE DE INGESTÃO DA ÁGUA MINERAL
Dr. Manoel Airosa foi um estudioso de nossas águas, escreveu sobre suas propriedades e prescrevia o uso em sua clínica particular, na Rua Tiradentes.
Veja os formulários que utilizava:


Era comum também comerciantes da cidade distribuirem formulários para controle de peso e ingestão da água mineral.
Esse era o caso, por exemplo, da loja A VERANISTA, de Roberto e João Nascimento:

Imagem restaurada pela IA/CoPilot
Ilustração: Recorte estilizado da capa do Suplemento Literário de Minas Gerais nº 929, de 21 de julho de 1984 (Por IA/CoPilot)

O Suplemento Literário de Minas Gerais (SLMG) nasceu em 3 de setembro de 1966 como um suplemento literário voltado para a promoção da literatura em Minas Gerais, estimulando debates culturais e a formação de novos autores.
Abaixo vamos resumir sua história e comentar a edição n° 929, de 21 de julho de 1984, um exemplar especial organizado por Yeda Prates Bernis que foi integralmente dedicado à nossa poeta HENRIQUETA LISBOA.
Vamos lá!

O SUPLEMENTO LITERÁRIO DE MINAS GERAIS
O Suplemento Literário de Minas Gerais foi criado em 3 de setembro de 1966, idealizado e fundado pelo escritor Murilo Rubião a convite da Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais.
Encartado originalmente no jornal oficial do governo (o Minas Gerais), o projeto tinha como proposta inicial circular semanalmente e abrir espaço para a crítica, a poesia, a ficção e a difusão cultural.
Sob a liderança de Murilo Rubião, o jornal reuniu importantes intelectuais e escritores locais (como Affonso Ávila, Laís Corrêa de Araújo, Wander Pirolli e Humberto Werneck). Rapidamente extrapolou os limites regionais e se tornou um dos veículos culturais mais respeitados do Brasil.
Surgiu como um espaço dedicado à produção literária, crítica e artística no estado de Minas Gerais. A iniciativa buscava aproximar escritores de diferentes gerações, promover novos talentos e fomentar o debate literário, servindo como um importante canal de divulgação de obras, ensaios e crônicas.
Ao longo dos anos, o suplemento desempenhou um papel significativo na formação de leitores e escritores, oferecendo repercussão para poetas, contistas e críticos, e fortalecendo a identidade cultural de Minas Gerais no cenário literário nacional. Além disso, o SLMG também refletia as transformações sociais e culturais do período da década de 1960, ao mesmo tempo em que preservava o valor da tradição literária regional.
Mesmo surgindo durante a ditadura militar e sendo um encarte de um veículo oficial do Estado, manteve expressiva autonomia editorial e espaço de reflexão crítica.
Em sua história, tornou-se referência para pesquisadores e amantes da literatura, sendo lembrado como um marco na valorização da produção textual mineira e brasileira.
No decorrer das décadas, deixou de ser um encarte semanal no Diário Oficial e passou a ser uma publicação mensal (e posteriormente bimestral ou temática) gerenciada pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais.
[*] Texto elaborado com apoio de IA/Gemini - CoPilot)
O SUPLEMENTO LITERÁRIO DEDICADO A HENRIQUETA
Abaixo, segue um panorama da edição n° 929, de 21 de julho de 1984 do SLMG dedicado à poeta lambariense HENRIQUETA LISBOA.
Em primeiro lugar, um resumo didático de todo o suplemento.
Em segundo, os destaques da edição.
Vamos lá!
A seguir, está um resumo didático do Suplemento Literário Minas Gerais nº 929, elaborado pela IA/CoPilot.
Confira:
Suplemento Literário Minas Gerais nº 929 (21/07/1984) — Edição Especial dedicada a Henriqueta Lisboa
A edição nº 929 do Suplemento Literário Minas Gerais é inteiramente dedicada à celebração da vida, obra e pensamento da poeta mineira Henriqueta Lisboa, uma das vozes mais singulares da poesia brasileira do século XX.
Organizada por Yeda Prates Bernis, a publicação reúne textos críticos, poemas inéditos, análises filosóficas e reflexões sobre a trajetória literária da autora, compondo um panorama profundo e sensível de sua contribuição à literatura.
1. Apresentação: A “Rosa Plena”
A abertura da edição é um texto de forte carga poética, escrito por Yeda Prates Bernis, que louva a “mineiridade”, a disciplina, a verticalidade espiritual e a busca de transcendência presentes na obra de Henriqueta. A autora é apresentada como alguém que trabalha a palavra como “filigrana em ouro moldada”, que transforma silêncio e solidão em matéria poética, e que se dedica à “busca do mais que real existente na transcendência”.
Esse texto inicial estabelece o tom da edição: uma homenagem à profundidade filosófica, espiritual e estética da poeta.
2. Poema Inédito de Carlos Drummond de Andrade
A edição traz um poema inédito e exclusivo de Carlos Drummond de Andrade, escrito especialmente para homenagear Henriqueta Lisboa. Nele, Drummond recolhe “ares de Minas”, “resinas”, “falas cristalinas” e os oferece “para Henriqueta”, reconhecendo sua delicadeza, sua força e sua ligação profunda com a paisagem mineira.
Esse gesto literário reforça a importância de Henriqueta no cenário nacional: uma poeta admirada por seus pares mais ilustres.
3. “Pousada do Ser” – Estudo de Delson Gonçalves Ferreira
O texto mais extenso da edição é uma análise detalhada do livro Pousada do Ser (1982), considerado o ápice da maturidade poética de Henriqueta Lisboa. Delson Gonçalves Ferreira percorre temas centrais da obra:
a) O homem no mundo
Henriqueta reflete sobre a condição humana como transitória, inquieta, marcada pela tensão entre permanência e impermanência. O poeta é um “homo viator”, sempre em passagem.
b) A palavra como força criadora
O mundo contemporâneo é descrito como “um planeta de palavras”, onde a linguagem cria, transforma e também fere. A poeta explora o poder simbólico e espiritual da palavra.
c) O assombro e a violência do século
Henriqueta observa o caos do mundo moderno — notícias terríveis, violência crescente, perda de valores — e transforma esse espanto em poesia. O texto cita versos como: “As notícias me sobressaltam. Dia a dia / cada vez mais terríveis.”
d) A celebração dos elementos: Água, Ar, Fogo e Terra
A segunda parte de Pousada do Ser é um grande poema dividido em quatro cantos, cada um dedicado a um elemento natural. A análise destaca:
- Água como pureza, origem e purificação.
- Ar como música, movimento e símbolo de ressurreição.
- Fogo como energia, memória e transformação.
- Terra como mãe, sustento e destino final.
O crítico relaciona esses cantos à tradição franciscana e à filosofia grega, mostrando como Henriqueta integra espiritualidade, natureza e humanidade.
e) A depuração poética
O texto destaca que Henriqueta alcança, nesse livro, uma síntese rara entre forma e conteúdo — uma poesia “depurada”, “amadurecida”, que exige leitura profunda e meditativa.
4. “A Dança Ritual do Véu” – Ensaio de Oswaldino Marques
Outro texto fundamental da edição é o estudo de Oswaldino Marques sobre o poema “O Véu”, de Henriqueta Lisboa. O crítico interpreta o véu como símbolo da linguagem, da passagem entre vida e morte, da revelação e do mistério.
Ele afirma que o poema não trata apenas dos mortos, mas da própria vida, da experiência humana e da construção simbólica da poesia. O véu é visto como:
- proteção,
- ponte entre mundos,
- máscara,
- signo,
- estigma.
O ensaio é uma leitura sofisticada, que coloca Henriqueta como uma poeta da “voz”, da articulação, da linguagem que revela o invisível.
5. A Poética de Henriqueta Lisboa
Ao longo da edição, diversos trechos da própria autora são citados, revelando sua visão da poesia como:
- busca da essência do ser,
- sondagem do mistério,
- depuração da linguagem,
- articulação entre silêncio e voz,
- celebração da vida, apesar da presença constante da morte.
Henriqueta rejeita o rótulo de “poeta da morte” e afirma sua vocação para o vital, o essencial, o transcendente.
Conclusão
A edição nº 929 do Suplemento Literário Minas Gerais é um documento precioso da história literária brasileira. Ela reúne:
- homenagem poética,
- crítica literária profunda,
- reflexão filosófica,
- análise estética,
- e um poema inédito de Drummond.
Tudo isso para celebrar a grandeza de Henriqueta Lisboa, cuja obra une espiritualidade, rigor formal, sensibilidade mineira e uma busca incansável pela essência da vida.
É uma edição que não apenas apresenta a poeta, mas a interpreta, a contextualiza e a consagra como uma das vozes mais importantes da poesia brasileira.
[**] Resumo elaborado por IA/CoPilot
Vem agora pequeno resumo das matérias contidas na edição histórica do SLMG dedicado a Henriqueta Lisboa.
Esses destaques são convites ao leitor para que perceba como tantos e importantes autores, poetas e críticos se inclinaram a admirar a obra literária da menina lambariense que tomou o nome da avó paterna: Henriqueta!
Confira:
LOUVAR-LHE a intensa
mineiridade, que a levou à
universalidade da temática poética.
Louvar-lhe a poesia de cristal e
fogo, feita de mente e coração, onde
a busca Incessante do equilíbrio
entre o espírito e matéria denuncia
um conhecimento pelo menos
intuitivo do divino que existe em
tudo.
Louvar-lhe a solidão e o silêncio, —
sabedoria de quem se devota à
meditação sobre a precariedade da
condição humana face à dor, esta
"flor à beira do abismo" plantada.
Louvar-lhe a determinação, a
disciplina, a elegância, desde o viver
cotidiano até o trânsito nas altas
cordilheiras da arte.
Louvar-lhe o lavor com a palavra
filigrana em ouro moldada.
Louvar-lhe a fidelidade, apaixonante
e apaixonada, ao aprendido e
vlvenciado em sua edificante e
ainda edlficada Casa de Pedra.
Louvar-lhe o amor/azul profundo
que a levou, vida afora, pelo
mistério da poesia, à busca do mais
que real existente na
transcendência.
Louvar-lhe a arte ontológica —
flecha à procura do que de mais
recôndito possa existir no alvo
humano.
Louvar-lhe, ainda, a perquirlção do
mistério que habita o âmago das
coisas, que a tem conduzido ao
esquecimento de si mesma para se
transformosear num lírio em seu ato
de crescer ou se metamorfosear nos
elementos — água, ar, fogo, terra —
para posterior celebração amorosa.
Louvar-lhe, mais que tudo, a
vertlcalidade da vida e da obra,
movimento para o alto, busca de
infinito, haste de flor procurando o
céu, no esforço da perfeição; Rosa
Plena.


Desde 1925 (Fogo Fátuo), o primeiro livro de Henriqueta Lisboa, até hoje, Pousada do Ser (1982), são 57 anos de poesia. Pode-se repetir Manuel Bandeira:
"Poesia da vida inteira
Poesia, minha vida verdadeira".
(Manuel Bandeira — Estrela da Vida Inteira — Liv. José Olympio Edit. — Rio — 1966).
Foi um caminho ascensional até agora, com "Pousada do Ser". Na beleza de um volume de dar gosto, capa, papel, letra, cor uma poesia tão amadurecida, densa e intensa, reflexo e reflexão sobre o estar-no-mundo (...)

CONQUANTO esteja mais do que compenetrado da temeridade em que importa pinçar da produção de um poeta, sobretudo quando é numerosa, uma de suas criações e propô-la como chave da obra inteira, exponho-me resolutamente ao risco e postulo a meditação "O Véu", de Henriqueta Lisboa, constante de Miradouro e Outros Poemas, como suscetível de ser assim contemplada. (...)


Henriqueta Lisboa vê o mundo com olhos de filósofo. Posta-se admirada ante o enigma universal. Com "serenidade" e "encantamento" coloca-se frente à realidade complexa. Extasia-se diante dos arcanos. Sente um "estranho prazer de espreitá-los, "de ver a sombra que se alastra pela casa", alcançando "vertigens quando o sono aos outros basta" (...)

Na gramática superficial de fala, podemos ser inocentes e simples, viver o operar normal da palavra sem o risco de ultrapassar o cômodo significado das expressões estratificadas e facilmente manuseáveis. O poeta, porém, está constantemente ameaçado pela sua própria clarividência e o conhecimento implícito que possui dos limites postos pela linguagem aos processos de conhecimento do mundo e do ser. (...)


(...)
(...)

Ao ter em mãos Pousada do Ser (Rio, Nova Fronteira, 1982), já pressentia estar ali um livro de maturidade, de poeta experiente dos segredos e ciladas da palavra — sempre renascida aventura da vida e da morte, distribuída em som e sentido.
Eis um confronto entre ser e letrar; ser perenizando-se em só letrar. (...)



Reler a poesia de Henriquela Lisboa não é apenas um exercício de inteligência e sensibilidade. É surpreender-se um pouco menos cético diante do espetáculo humano em que tomamos parte. É beneficiar-se da energia difusa no corpo de seus versos, nas intermitências entre imagem e idéia. É estar diante de uma existência ainda não repartida pela divisão do trabalho, mas variadíssima na riqueza concreta de formas, sons, cores, aspectos. (...)

Um dos autores a quem recorro, nas minhas sedes de poesia, chama-se Henriqueta Lisboa.
Já não suporto o verso enxundioso; procuro a essencialidade, notoriamente parca, e só me permito fugir a essa regra de preferencia em contados casos: Victor Hugo, Castro Alves, Augusto dos Anjos. Admirações antigas, resistem a tudo, em qualquer emergência voltam a impor-se. Deve ser por efeito da musicalidade adquirida, diria antes — longamente fruída, grudada em nós. (...)

Os versos de Henriqueta Lisboa ("Pousada do Ser", Nova Fronteira, 1982) envolvem como um suave canto de sereias, insistente, irresistível e que, à maneira das homéricas, põem em risco a vida dos navegantes porque arrancam os incautos do seguro andar cotidiano, sacudindo-os pelas bases. (...)

Quando leu "Prisioneira da noite", de Henriqueta Lisboa, estava Álvaro Lins, sem dúvida, pensando em outra cousa. Não posso acreditar que, em perfeito estado de atenção, esse crítico agudíssimo, escritor de páginas na verdade reveladoras sobre Raul Pompéia e de análise profundamente compreensiva da obra de Rosamond Lehmann, não entendesse livro tão fácil, tão claro, (apesar da noturnidade de alguns poemas) como o da suave poetisa mineira. Convido Álvaro Lins a ler a crônica "Coração maguado", de Mário de Andrade, a respeito do livro citado, o que será um belo ato de humildade para a sua alma católica. (..)

Quando a alma se surpreende desvelando-se além das palavras, eis a poesia. Alvorada elucidando segredos, arrebanhando encantos do inconsciente que permaneceriam órfãos se nos fosse negada a poesia. Se é propósito seu ser inteira e severa para com a construção poética, Henriqueta Lisboa, vasto poema transbordando de Minas, não se negou às crianças. Presenteou-as com o que há de melhor na literatura infanto-juvenil brasileira. Limito-me apenas a citar "O Menino Poeta" e "Antologia Poética para a infância e a juventude." (...)



Prêmio Machado de Assis

Na casa de Afonso Ávila: Bueno de Rivera, Rui Mourão, Fábio Lucas, Henriqueta Lisboa, Lúcia Machado de Almeida, Etienne Filho, Murilo Rubião
e Ildeu Brandão. (Fonte: SLMG/929/1984 - Imagem renovada e colorizada por IA/CoPilot)
Ilustração: Imagem estilizada produzida pela IA/CoPilot do título do texto AS CARTAS DO OUVIDOR-GERAL DA COMARCA DO RIO DAS MORTES, CIPRIANO JOSÉ DA ROCHA (1737) E O IMAGINÁRIO SUL-MINEIRO, do historiador JOSÉ ROBERTO SALES, disponível aqui
Sobre CIPRIANO JOSÉ DA ROCHA (1685-1746), português nascido em Ponte da Barca, Alto Minho, que exerceu as funções de OUVIDOR-GERAL DA COMARCA DO RIO DAS MORTES [1] , já escrevemos:
[1] Comarca do Rio das Mortes na Capitania de Minas Gerais, cuja cabeça (sede) era na
Vila de São João del-Rei, antigo Arraial Novo do Rio das Mortes
Como sabemos, o ouvidor CIPRIANO (ou Cypriano Joseph da Rocha, na grafia original do nome) comandou em 1737 uma expedição que partiu de São João del-Rei para o Sul de Minas com a missão oficial de reconhecer a região, desbravar os sítios desconhecidos ao longo da bacia dos Rios Verde, Sapucaí e Palmela e tomar posse do território em nome do Rei.
Foi nessa oportunidade que Cipriano José da Rocha conheceu e deu nome ao Rio Lambari (do tupi araw'ri = peixe pequeno, abundante naquele rio), nome esse que passou a designar largo trecho do Sul de Minas como a — Região do Lambari.
Em razão disso, o nome de CIPRIANO é frequentemente associado pela historiografia regional como um dos fundadores do Sul de Minas Gerais.
Nesse sentido o toma também o historiador JOSÉ ROBERTO SALES, nestes textos que vamos comentar brevemente a seguir:
extraídos do seu livro HISTÓRIA DE VARGINHA (MG) PARA ESTUDANTES (Edição do Autor - Varginha – MG - 2023 ), sendo que o:
O livro está disponível para dowload aqui:
Escritor José Roberto Sales. Foto: Lu Vilela Reis. Revista Elitte, ed. 76, 2026.
Sales é graduado e bacharel em Psicologia (PUC/MG – Belo Horizonte, 1980), graduado em Pedagogia com especialização em Orientação Educacional (FAFI/Varginha, 1984), Especialista em História e Construção Social do Brasil (Unincor, 2006), Especialista em Psicologia Clínica (CRP/MG, 2001), Especialista em Saúde Pública (ESP/MG, 1996), Especialista em Metodologia do Ensino de 1º e 2º graus (FAFI Nossa Senhora do Sion, Campanha, 1986), Capacitado em Gestão e Desenvolvimento Cultural (Telemig, 2004), Capacitado em Gestão de Documentos (Fundação João Pinheiro, 2001), habilitado pelo MEC com licenciaturas plenas em Psicologia e Pedagogia (1981 e 1985). A importância do conjunto de sua obra foi reconhecida pela Library of Congress (USA) e National Library of Medicine (USA).
Fonte: https://fundacaoculturaldevarginha.com.br/colecao-joserobertosales/
A COMARCA DO RIO DAS MORTES, O OUVIDOR-GERAL E A EXPEDIÇÃO AO SUL DE MINAS 1737
O tópico 2.3 - A COMARCA DO RIO DAS MORTES, O OUVIDOR-GERAL E A EXPEDIÇÃO AO SUL DE MINAS 1737, páginas 20 a 22 do livro em comento, trata da natureza jurídica das comarcas, a forma por que eram administradas ao tempo da colonização portuguesa, bem como descreve como se deu a criação da Comarca do Rio das Mortes e sua localização e abrangência territorial.
A seguir, fala de CIPRIANO JOSÉ DA ROCHA, nomeado ouvidor-geral da Comarca do Rio das Mortes em 1733, e da expedição que comandou em 1737, partindo de São João Del-Rei em direção ao Sul de Minas.
Ao final faz referências às cartas escritas por ele, datadas de 04 de outubro e de 09 de dezembro de 1737, endereçadas a Martinho de Mendonça de Pina e de Proença, governador regente interino da Capitania, que ordenara a expedição.
Essas cartas históricas relatam detadalhamente as vistorias que o ouvidor empreendeu, e foram singularmente analisadas pelo autor, conforme se verá a seguir.
AS CARTAS DO OUVIDOR-GERAL DA COMARCA DO RIO DAS MORTES, CIPRIANO JOSÉ DA ROCHA (1737), E O IMAGINÁRIO SUL-MINEIRO
Nas páginas 99 a 127, está o APÊNDICE 2 - As cartas do ouvidor geral da comarca do Rio das Mortes, Cipriano José da Rocha (1737), e o imaginário sul-mineiro, as quais, segundo SALES, apresentam os antecedentes do povoamento da região sul-mineira e oferece análise detalhada e aprofundada da expedição de 1737.
Esclarece o autor que em 2019 recebera convite para participar do Festival Literário Internacional de Poços de Caldas – Flipoços 2020, no qual desenvolveria o tema relação entre as cartas do ouvidor-geral da Comarca do Rio das Mortes, Cipriano José da Rocha e o imaginário sul-mineiro.
Mas, à vista da Pandemia/Covid iniciada em março de 2020, o evento não foi realizado naquele ano.
Esse texto é a transcrição da palestra que ele havia preparado (págs. 103/104).
Neste texto o foco de SALES — psicólogo, pedagogo, historiador — foi o de analisar
do ponto de vista da psicanálise, a matriz simbólica presente em duas cartas escritas pelo português Cipriano José da Rocha (1685-1746), ouvidor-geral da Comarca do Rio das Mortes, em 04 de outubro e em 09 de dezembro de 1737. (Grifamos.)
.....
Essa matriz simbólica constituiu um dos elementos que permitiram forjar, a posterior, a construção de um imaginário sul-mineiro.
Esclarece ainda o autor que
A base conceitual utilizada para análise das cartas de Cipriano é da psicanálise lacaniana, principalmente, os conceitos de real, simbólico e imaginário. (Grifamos.)
Nesse passo diz o autor que
A leitura das cartas de Cipriano coloca de imediato o leitor às voltas com a questão da hermenêutica. Essa questão se refere ao vocabulário, à semântica e ao estilo do autor, bem como à estrutura discursiva inerente à organização de pensamento característica do século XVIII, bastante diferente da contemporânea em relação à clareza, concisão e consistência textuais. Somente ao se levar em conta esses fatos linguísticos podemos chegar a uma exegese, pois as cartas de Cipriano, escritas há quase trezentos anos, como não poderia deixar de ser, são o reflexo do espírito de outra época. O que significam as palavras utilizadas por ele no contexto em que estão inseridas?
A seguir esclarece que teve de buscar em em antigos dicionários o significado de diversos termos utilizados em 1737, que não mais correspondem aos sentidos atuais. Para tanto consultou especialmente o Diccionario da Lingua Portugueza, escrito pelo padre Rafael Bluteau (1638-1734) e reestruturado de forma radical pelo lexicólogo brasileiro Antônio de Moraes Silva (1755-1824).
Após isso, acresce que pesquisou outros documentos dos séculos XVII e XVIII, e do início do século XIX, além de referir extensa bibliografia posta ao final do texto.
Muitos foram os termos consultados por SALES no Bluteau, dentre eles:
Quanto ao texto das cartas de CIPRIANO, datadas de 04 de outubro e de 09 de dezembro de 1737, informa que utilizou as transcrições constantes das páginas 246-251 do livro Campanha da Princesa 1737-1821 (volume I, Apêndices B e C), de Alfredo de Vilhena Valladão (Rio de Janeiro : Leuzinger, 1937).
No tópico 3.1 Psicanálise: imaginário e identidade cultural (pág. 107), citando a obra Psicanálise para historiadores (Peter Gay, 2000), diz SALES que há um ponto de tangência entre história e psicanálise: ambas buscam a compreensão do passado por meio da análise da escrita/linguagem, e que vai fazer uso dos conceitos de real, simbólico e imaginário — psicanálise lacaniana — para analisar as cartas de Cipriano, e desse modo aprofundar a compreensão histórica que se tem tais missivas.
Em 3.2 A matriz simbólica sul-mineira nas cartas de Cipriano José da Rocha (1737): do simbólico ao imaginário, após sucinto histórico do desbravamento, administração e exploração aurífera da capitania de Minas Gerais e da Comarca de Rio das Mortes, SALES refere ao ouvidor Cipriano José da Rocha, à sua expedição e às cartas que endereçou ao governador da capítania.
A seguir, comenta na perspectiva histórico-psicanalítica, conforme propôs, o conteúdo das cartas.
Por fim, em 3.3 Uma expressão afetiva do imaginário sul-mineiro, o autor contrapõe os "registros simbólico e imaginário" examinados nas cartas de Cipriano à sua visão, quando menino, de um carro de boi e sua música, numa ruazinha poeirenta da cidade de Campanha do início dos anos 1960, que surgiu do Arraial de São Cipriano fundado pelo ouvidor-geral em 1737...
E poeticamente assim encerra o seu texto:
Ilustração: Antigo postal do Atrio do Cassino de Lambari, pelo fotógrafo JGD'Almeida
Sobre o primeiro fotógrafo de Águas Virtuosas de Lambari — João Gomes D'Almeida, sucedido pelo filho do mesmo nome — já falamos aqui:
E comentamos sobre uma coletânea de raros postais efetuados por ele, quais sejam:
1. Arredores de Lambary
3. Fachada lateral do Cassino
4. Cascata do lago
5. Aspecto do parque
6. Gôndola
8. Praça da Liberdade
9. Paisagem de Lambary
10. Rio Mombuca
13. Ilha do Lago Lambary
14. Alameda do Parque Wenceslau
16. Atrio do Cassino Lambary
20. Um horizonte do parque
24. Aspecto lago, Lambary
Pois bem, da mencionada coletânea divulgamos alguns postais em preto/branco, como se pode ver dos links acima.
Agora, segue uma série daqueles postais, revitalizados e colorizados por IA/CoPilot.
Vamos lá.
POSTAIS RAROS DO CASSINO E LAGO
Esses postais viajaram por todo o Brasil...

Fachada lateral do Cassino de Lambari (JGD'Almeida)

Atrio do Cassino de Lambari (JGD'Almeida)

O grande lago de Lambari (JGD'Almeida)

Cascata do lago de Lambari (JGD'Almeida)
[Detalhe: A imagem mostra o primitivo esguicho na pedra artificial posta ao pé da barragem]
POSTAIS RAROS DE PAISAGENS DE LAMBARI
Algumas paisagens de Águas Virtuosas...

Ponte sobre o Rio Mumbuca Lambari, que dava acesso ao primitivo Laticínios Silvestrini.
Ao fundo, vê-se o Colégio Santa Terezinha (JGD'Almeida)

Vista do laguinho do Parque Novo (JGD'Almeida)
OUTRAS FOTOS RARAS DE ÁGUAS VIRTUOSAS
Abaixo algumas outras fotos raras de Águas Virtuosas, elaboradas por JGD'Almeida e outros.
Confira:

Turistas no Lago Guanabara (JGD'Almeida)
Essa embarcação era a ALBATROZ
Werneck estabeleceu um regulamento para as embarcações do Lago Guanabara.
Confira aqui: https://guimaguinhas.prosaeverso.net/blog.php?idb=55948#regulamento

Elegantes turistas no Lago Guanabara (JGD'Almeida)
No regulamento estabelecido por Américo Werneck, a embarcação devia possuir um patrão e um catraieiro.
O patrão era aquele que, nomeado pela prefeitura, comandava a embarcação. Devia se apresentar uniformizado ou vestido convenientemente e era o responsável por fazer respeitar o regulamento. Catraieiro era o barqueiro [catraia + bote ou barco pequeno]

Gôndola no cais do Lago Guanabara
(*) Gôndola importada de Veneza, por Américo Werneck, por meio da firma J. Casal & Filho (1911).
A embarcação tinha 8 m de comprimento e apetrechos de luxo

Autoridades embarcam para passeio no Lago, por ocasião da inauguração das obras de Werneck (1911)

Águas Virtuosas de Lambary vista do antigo Hotel Mello, atual Condomínio Imperial (JGD'Almeida)
1. No primeiro plano, vê-se o antigo casario defronte à atual Praça João de Almeida Lisboa (Fonte Luminosa).
2. À esquerda, a atual rua dr. José dos Santos, a antiga casa da família de JGD'Almeida e o prédio antiga Usina de Força

Vista do Hotel Mello para a Rua Américo Werneck, logo depois do atual Parque Hotel (JGD'Almeida)
1. Bem no alto, à direita, pode-se ver a casa que pertenceu a Serafim de Vilhena Paiva (Finzinho)
Os postais restaurados/colorizados exibidos neste post são propriedade do site Guimagüinhas, mas
1. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original.
2. Você não pode fazer uso comercial desta obra.
3. Você não pode criar obras derivadas.
Observação: Agradecemos a colaboração da sra. Luíza Silvestrini da Cruz, neta de João Gomes d'Almeida e sobrinha de João Gomes de Almeida Filho, pelas informações prestadas e cessão das fotos originais que serviram de base a este post.
Ilustração: Logo do evento Empadas que conversam - Afesmil.
A AFESMIL - Academia Feminina Sul-meira de Letras está promovendo neste mês de setembro o evento literário EMPADAS QUE CONVERSAM — uma dentre as várias sul-mineiridades literárias incorporadas por seu Calendário de Eventos.
O evento Mês das Empadas que Conversam é realizado, há décadas, pela Cozinha Literária Sul-Mineira — e foi, paulatinamente, agregado pelos integrantes do ecossistema literário:
escritores, poetas, tradutores literários; leitores; narradores, bibliotecários, mediadores de leitura; professores e pesquisadores; editores e livreiros; colecionadores e bibliófilos; encadernadores, conservadores e restauradores de papel, ilustradores, atores de políticas públicas culturais, sociais voltadas para o livro, leitura e escrita; produtores culturais e literários, integrantes do trade turístico-literário.
Empadas que Conversam acontece ao longo do mês de setembro, nos 30 territórios literários sul-mineiros:
Varginha, Alfenas, Carmo do Rio Claro, Boa Esperança, Lavras, Nepomuceno, Perdões, Campo Belo, Andrelândia, Três Corações, Lambari, Aiuruoca, Pouso Alto, São Lourenço, Itajubá, Pouso Alegre, Ouro Fino, Paraisópolis, Cambuí, Extrema, Machado, Caldas, Guaxupé, Muzambinho, Passos, Alpinópolis, São Sebastião do Paraíso, Cássia, Santa Rita do Sapucaí, São Gonçalo do Sapucaí e na capital literária sul-mineira, Poços de Caldas. (O grifo é nosso.)
Nas muitas mesas que se formam, são abordados temas como
a formação da língua portuguesa, o galaico-português, as 137 Cantigas de Dom Dinis, com as empanadas saboreadas no Caminho rumo a Santiago de Compostela e que, inclusive se encontram esculpidas na visitada Catedral, destino final desse percurso até as contemporâneas empadinhas degustadas pela Geração SupLeMentG, o Suplemento Literário de Minas Gerais, criado por Murilo Rubião, na década de 1960, com ampla circulação e fruição em todo o estado mineiro.
Outras tantas Empadas, com variadas massas, recheios e modos de preparo, associadas a inúmeros autores, obras, personagens, paisagens, episódios, estilos e gêneros literários, também seguem conversando em
ações, projetos e programas, passeios, roteiros e rotas turístico-literárias, além de eventos, equipamentos e entidades literárias sul-mineiras.
Agora, as Letras de autoria feminina, tanto faladas como escritas, em todos os quadrantes do Sul de Minas Literário, a partir de Poços de Caldas, onde se encontra a sede da Afesmil, também conversarão com muitas Empanadas, Empadões, Empadas e Empadinhas.
DONA AMÉRICA KRAUSS, DIÁRIOS E CARTAS DOS NETOS E AS EMPADAS
Por meio de Diários dos Netos de Dona América Krauss, bem como de milhares de Cartas trocadas entre eles, durante mais de um século, o que envolve muitas gerações de primos, descobrimos que as conexões entre as Letras e as Empadas são muito mais antigas do que a nossa imaginação poderia alcançar.
Contemporaneamente, os integrantes do ecossistema literário presentes nos 30 territórios literários sul-mineiros, associam a iguaria ao SupLeMentG, o Suplemento Literário de Minas Gerais.
Isso ocorre porque o contista, idealizador e editor do SupLeMentG, o nosso conterrâneo sul-mineiro, o carmense e fantástico Murilo Rubião, sempre foi um grande e apaixonado degustador desse acepipe. Chegou a consagrar os recheios de frango, palmito, camarão, como a Santíssima Trindade das Empadas no famoso Bar Trianon, da capital mineira, Belo Horizonte.
Reza a lenda que Murilo e toda a Geração SupLementG sempre prepararam as edições do jornal, inspirados por muitas Empadinhas que costumavam devorar desde a discussão das pautas, passando pelo momento da impressão, até o despacho dos malotes que seguiam para os muitos interiores mineiros.
Os leitores, nas localidades de destino, ao receberem os primeiros exemplares que passaram a circular por toda parte do território mineiro, criaram os diversos Clubes de Leitura do SupLeMentG. No caso sul-mineiro, para acompanharem o ritual ocorrido no momento da criação e edição, lá na capital, também adotaram as Empadinhas nos momentos de mediação e fruição literárias deste importante e longevo periódico.
A grande surpresa trazida pelos Diários e Cartas dos Netos de América Krauss, inclusive muitos deles, primos de Murilo Rubião é que esta ‘sul-mineiridade’ que consiste em associar as Empadas às Letras Literárias (faladas ou escritas), na região sul-mineira, é muito mais antiga.
Segundo os Diários e as Cartas, a avó contava que as trastaravós descreviam os saraus, tertúlias e convescotes literários nos Setecentos e Oitocentos, como releituras de uma tradição que remontava ao período do surgimento da língua portuguesa.
Dom Dinis, o Rei Trovador, das famosas 137 cantigas, também o instituidor do galaico-português, como língua oficial em Portugal, em substituição ao latim, era um grande apreciador das empanadas galegas. As mesmas que estão eternizadas na Catedral de Santiago de Compostela, esculpidas pelo Mestre Mateo, e que, em Portugal, ganharam uma versão mais compacta, conhecida hoje como empadas.
Assim, nasceu a tradição, mais que secular, das Empanadas que Charlan, Empadas que Conversam e Empadinhas que Confabulam, do galaico-português à literatura contemporânea.
Para nos contar mais sobre tudo isso, com muitos detalhes, além de nos mostrar Diários e Cartas, contaremos com a presença e a participação de vários Netos e Netas que são continuadores da memória e legado dessa Avó, tão querida de todos nós do Sul de Minas Literário, e também guardiã das nossas mais remotas e preciosas narrativas, Dona América Krauss, a patrona da Cadeira 8 da Academia Feminina Sul-Mineira de Letras, a Afesmil e copatrona da Casa das Letras do Sul de Minas Gerais, a CaLet-SM. Mais razões que justificam o porquê dela ser a nossa Narradora e Declamadora, de referência, aqui no Sul de Minas Literário.
EVENTO: Empadas que Conversam: de onde vem esta sul-mineiridade? (Evento
Presencial)
CONVIDADOS: Netos e Netas de Dona América Krauss com seus Diários e Cartas
sobre Sul-Mineiridades Literárias
DATA: 30 setembro 2026
LOCAL: Coleção Sul-Mineiriana, Rodovia BR-459, Estrada Poços de Caldas-Caldas
HORÁRIO: 19h
INSCRIÇÕES: de 1o a 15 de setembro pelo e-mail: afesmil.barbara@gmail.com
Fonte: Ascom/Afesmil