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27/05/2019 14h14
LITERATURA DE AGUINHAS - A biblioteca de Basílio de Magalhães

Ilustração: Anúncio da venda da biblioteca de Basílio de Magalhães, publicado no jornal Correio da Manhã, edição de 27 de fevereiro de 1944. Reprodução. Fonte: bn.digital.gov.br


SUMÁRIO


Apresentação

Na Série Literatura de Aguinhas (12), de 7 de abril de 2013, escrevemos sobre Basílio de Magalhães

o famoso historiador, filósofo, lexicógrafo, político, escritor, jornalista, professor, poliglota (que falava também o tupi-guarani) — durante muitos anos fez estações de águas em Lambari, depois passou a residir entre nós (...) e aqui viveu o resto de seus dias, tendo sido também enterrado nesta estância hidromineral. 

Veja (aqui).

Pois bem, neste post vamos falar de sua fantástica biblioteca, hoje, em parte, infelizmente, perdida...

Vamos lá.

Basílio de Magalhães. Reprodução. Fonte: Biblioteca Pública Municipal de Lambari, MG

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A fantástica biblioteca particular de Basílio de Magalhães

Basílio de Magalhães foi autor de cerca de cem obras e pertenceu a 26 associações culturais, sendo 17 brasileiras e 9 estrangeiras. Sua biblioteca chegou a somar quase 27 mil volumes. (VIOTTI, 1960)

Há poucos registros sobre o que ocorreu a essa formidável biblioteca, mas, ao que se sabe, ela teria sido completamente dissipada, pelo menos no que se refere à parte que Basílio de Magalhães trasladou para Lambari. O grosso dela teria sido vendido em 1944 e parte foi a leilão judicial, no Rio de Janeiro, em 1959.

De fato, há três registros fundamentais acerca dessa história:

  • Em 1944, Basílio pôs a venda a maior parte de sua biblioteca (parcela dos 27 mil volumes)
  • Parte dela (cerca de 3.000 volumes) ele trasladou para Lambari
  • Muitos de seus livros foram a leilão judicial, após sua morte (em 1959)

A seguir comentamos algumas poucas informações que conseguimos encontrar.

Vamos lá.

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Basílio vende a maior parte de sua biblioteca

O Correio de Manhã (RJ), edição de 27 de fevereiro de 1944, estampava que se vendia

A MAGNÍFICA BIBLIOTECA DO DR. BASÍLIO DE MAGALHÃES

A biblioteca mais rica, mais completa e que por mais alto preço já foi vendida no Brasil a qualquer livraria.

Confira:


Reprodução. Correio da Manhã, 27, fev, 1944. (bn.digital.gov.br)


Por essa época (1944), Basílio contava 70 anos e já se encontrava cansado e adoentado.

Com efeito, Virgílio Correia Filho, seu colega no IHGB, já registrara que pouco antes (em 1939, aos 65 anos) ele já se confessava sem forças para executar uma 3a. edição do seu O Folclore no Brasil:

 

Basílio de Magalhães e o Instituto Histórico [trecho final]. Jornal do Comércio (RJ), edição de 2, fev, 1958


Nota:  Otium cum dignitate. Descanso com dignidade. Expressão de Cícero aplicada aos letrados de seu tempo que dispunham de recursos para levar uma velhice inteiramente dedicada aos livros. Fonte: dicionariodelatim.com.br

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Basílio traslada para Lambari o restante de sua biblioteca

Finalizando o artigo acima, Virgílio Correia Filho informa que Basílio de Magalhães adquirira imóvel em Lambari, para aqui se mudara e trouxera com ele os livros "mais manuseados".

Confira:

Basílio de Magalhães e o Instituto Histórico [trecho final]. Jornal do Comércio (RJ), edição de 2, fev, 1958

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Livros da biblioteca de Basílio vão a leilão judicial em 1959

Dois anos após a morte de Basílio de Magalhães, em leilão judicial, foram vendidos livros de sua biblioteca.

Confira:

Reprodução. Jornal do Comércio, edição de 25, out, 1959

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Outros registros sobre a biblioteca de Basílio de Magalhães

Abaixo vão alguns registros que encontramos acerca da biblioteca formada por Basílio de Magalhães e o seu destino.

Confira:


Artigo "Lambari, a cidade das águas virtuosas" (1950)

Em março de 1950, Basílio residia em Lambari e, comentando o livro Lambari - a cidade das Águas Virtuosas, de Armindo Martins, escreveu o seguinte:

Parte de sua biblioteca estava em Lambari e parte no Rio de Janeiro

(...) a minha bem provida biblio-hemeroteca (está) parte (em Lambari) [1] 

[hemeroteca = acervo de jornais, revistas, publições periódicas]

Possuía ele o maior acervo sobre a história de Lambari

(...) Duvido haja no Brasil quem possua e guarde, mais carinhosamente do que eu, tantos elementos relativos a esta encantadora estância, quer no tocante ao seu mais remoto passado, quer no seu imerecido infortúnio presente. [2] 

Entre os documentos que possuía, estavam os seguintes:

Análise das águas pelo professor Djalma Hasselman.

Artigo As águas virtuosas de Lambari, assinado por S.B, publicado no n° 90/tomo II de 30 de agosto de 1861, de O Sul de Minas, de Campanha, MG.

Texto As Águas Virtuosas de Campanha, dos Anais Brasilienses de Medicina, n° 4/tomo XXVI, de setembro de 1874. [3] 

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Crônica "Estações de Água" (1964)

Em fevereiro de 1964, no artigo Estações de Água, publicado no Jornal do Comércio de 23, fev, 1964, o cronista Paulo Fábio escreveu:

Livros de Basílio de Magalhães na biblioteca pública de Lambari

O que salva [o acervo da Biblioteca Municipal] são as doações particulares dos que habitaram a cidade em tempos idos: Basílio de Magalhães, Gustavo Barroso e Garção Stockler (...) [4] 

Livros de Basílio de Magalhães vendidos na rua de Lambari

Basílio morreu quase anônimo em Lambari. Após sua morte muitos livros seus foram revendidos na rua, a 20 e 30 cruzeiros. [4] 

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Texto [Resumo biográfico de] Basílio de Magalhães (2003)

No texto  [Resumo biográfico de] Basílio de Magalhães, de 2003, publicado no site Recanto das Letras, em 27/04/2014, por Antonio Roque Gobbo, consta que:

Não aceitou pensão mensal dada por Juscelino Kubtscheck

No princípio de 1957, pouco antes de sua morte, o Presidente Juscelino Kubtscheck estabeleceu-lhe uma pensão mensal de 5 mil cruzeiros, encarregando-o de anotar as e atualizar as Efemérides Brasileiras,  de Xavier da Veiga. Mas, alquebrado pela idade, e impossibilitado de realizar a tarefa, por motivo de saúde, — sempre coerente com sua ética de vida —recusou-se a receber os proventos correspondentes. [5]

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Post "O esquecimento de Basílio de Magalhães..." (2010)

Em 3 de junho de 2010, no Blog de São João Del Rey, foi transcrita a palestra intitulada O esquecimento de Basílio de Magalhães e as tentativas de rememorá-lo, proferida por Oyama de Alencar Ramalho no Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei, em 4 de setembro de 2005.

Em certo passo, diz o autor:

Basílio morreu em Lambari

 Faleceu em 14 de dezembro de 1957, em Lambari, esquecido e pobre...

Vendera seus livros para sobreviver

 (...) a ponto de ter que vender sua biblioteca para sobreviver. [6]

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Algumas inferências

Como dissemos, não há quase nenhuma informação sobre a biblioteca de Basílio de Magalhães. Ainda assim, com base nas notícias/informações acima, podemos inferir que:

  • Era realmente extraordinária a biblioteca que Basílio de Magalhães formou ao longo de sua vida
  • Grande parte dela foi vendida à Livraria Brasil, de São Paulo, em 1944
  • Parte dessa biblioteca (cerca de 3.000 volumes) ele a trouxe para Lambari, MG
  • Parte vai a leilão judicial em 1959, após sua morte
  • Basílio possuía, como disse, o maior acervo sobre a história de Águas Virtuosas de Lambari, que "guardava carinhosamente".
  • Ainda em vida, teve de se desfazer de livros para sobreviver
  • Após sua sua morte, parte de sua biblioteca foi entregue ao acervo da Biblioteca Municipal, e alguns de seus livros teriam sido vendidos nas ruas de Lambari

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Perderam-se os livros de Basílio de Magalhães

Como visto, escrevendo em 1964, o cronista Paulo Fábio nos dá notícia de que havia livros oriundos da biblioteca de Basílio de Magalhães no acervo da Biblioteca Municipal de Lambari.

No início dos anos 1980, a Prefeitura Municipal de Lambari mudou-se para o antigo prédio do Colégio Santa Terezinha (o chamado Coleginho) e para lá também foi levado o acervo da biblioteca municipal. E, como sabemos, esse prédio da Prefeitura de Lambari foi destruído por um incêndio em 1987, e assim também grande parte dos livros da biblioteca.

Cena do incêncio na Prefeitura de Lambari, em 1987. 

Exemplar do livro Reforma do Systema Tributario, de Américo Werneck, de 1899, rescaldo do incêndio da biblioteca municipal ocorrido em 1987.


  • Sobre esse incêndio, veja mais aqui

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A Biblioteca Pública Municipal Basílio de Magalhães - Lambari, MG

Reconstrução da biblioteca municipal

Após esse incêndio no prédio da Prefeitura de Lambari, a biblioteca municipal começou a ser reconstruída.

Em 1988, começou a reconstrução das instalações e do acervo da biblioteca municipal. Fonte: Minas em Revista/maio, 1988. Reprodução


Um outro incêndio

Nos anos 2000, a biblioteca funcionava no Cassino de Lambari, e lá, em 28 de abril de 2012, também ocorreu um pequeno incêndio, numa sala

"onde havia uma grande quantidade de livros. As publicações ficaram destruídas",

noticiaram jornais da região. Não há, contudo, informações sobre que publicações que foram queimadas.


Veja aqui:

  • Varginha on-line - aqui

Reprodução. Fonte: Varginhaonline.com.br. Foto: Asscom Bombeiros TC


Sobre esse incêndio de 2012, veja também:

  • G1 - EPTV Sul de Minas - aqui

A biblioteca na atualidade

Nesta semana, visitamos a Biblioteca Basílio de Magalhães e constatamos que não há nenhum livro do grande escritor em seu acervo — nem livros oriundos de sua biblioteca, nem obras de sua autoria.

Vista da Biblioteca Basílio de Magalhães, situada na Rua Afonso de Vilhena Paiva, n° 165, Lambari, MG

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Neto de Basílio de Magalhães doou livro à biblioteca

Dedicatória em livro doado à Biblioteca Basílio de Magalhães, por Paulo Afonso Barbosa da Silva, neto de Basílio de Magalhães

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Para saber mais

Sobre Basílio de Magalhães e sua obra, veja também:

 Basílio de Magalhães. Reprodução. IHGB

Baixe o livro: O Café: Na histópria, no folclore, e nas belas artes. Brasílio de Magalhães

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Referências

[1] 

[2] 

[3] 

Fonte: "Lambari, cidade das águas virtuosas". [Artigo] Basílio de Magalhães. Jornal do Comércio. Edição 26/mar/1950.


[4] 

Reprodução. Jornal do Comércio 23, fev, 1964


[5] 

Reprodução. Site Recanto das Letras/Basílio de Magalhães, por Antonio Roque Gobbo, 27, abr, 2014. https://www.recantodasletras.com.br/contos/4784677


[6] 

Reprodução. Blog de São João Del Rey/O esquecimento de Basílio de Magalhães e as tentativas de rememorá-lo, por Oyama de Alencar Ramalho. http://saojoaodel-rei.blogspot.com/2010/06/o-esquecimento-de-basilio-de-magalhaes.html


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Publicado por Guimaguinhas
em 27/05/2019 às 14h14

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