Ilustração: Celeste e Guima - 49 anos de casados (31/01/205) Troca de alianças - [A expressão Bem-querer é tomada aqui como nome próprio, daí a grafia diferente da indicada pelo VOLP]
Dentro da Série RECORDAÇÕES DO MEU BEM-QUERER, já publicamos uma coletânea de posts, que podem ser vistos aqui.
E hoje vamos contar como tivemos de vender nossas alianças de casamento para pagar dívidas da construção de nossa casa...
Vamos lá!
No post A CASA GORDA - Recanto dos netos (aqui), eu conto como se deu a construção da casa da Família Krauss Guimarães em Lambari, no início dos anos 1980, mostro detalhes da casa, conto a origem da expressão Casa Gorda e por qual razão ela se tornou o Recanto dos Netos.

https://guimaguinhas.prosaeverso.net/blog.php?idb=66248#CONS

No post supracitado, eu narro as dificuldades que passamos para construção da nossa casa em Lambari, pois nunca se projeta corretamente o custo de uma obra!
E aí o financiamento bancário é insuficiente, a venda de bens ajuda, mas não resolve, o endividamento pessoal tem limites, etc.
E assim se deu que até as alianças se foram...
Vamos conhecer essa história!
Me lembro que, em meados de 1981, eu precisava apresentar à Caixa Federal o Certificado de Quitação do IAPAS, para que fosse liberada a última parcela do financiamento da nossa casa, com que quitaria dívidas com fornecedores e operários da obra.
Naquela altura, já tínhamos vendido bens móveis que possuíamos: carro, barco de pescaria e sua carretinha e outros. Já havia empinado um papagaio com o Hélio Silva, da Caixa Estadual, já tinha tomado dinheiro emprestado a familiares e descontado cheques com alguns emprestadores de dinheiro — pois não existia a facilidade de créditos bancários como há nos dias hoje...

Trecho da Certidão de Registro Imóveis de Lambari (21/08/1981)
Então, conversei com Celeste e disse:
— Meu bem, estou sem saída! Precisamos vender as joias que temos, posso fazer isso?
Nossas "joias" eram, na verdade, algumas correntes e medalhas das crianças, uns anéis e pulseiras da Celeste, meu anel de formatura (presente do meu pai) e — como é duro me lembrar disso! — nossas alianças de casamento!
Fui à loja Megale, em Três Corações, deixei as joias e trouxe algum dinheiro, que nos ajudou a sanar as dívidas mais prementes.
E as alianças se foram!...
E prometi tão logo as coisas melhorassem que compraria novas alianças...
Os anos se passaram e não comprei as alianças...
Até que...
Dia 31 de janeiro de 2025 — 49 anos de casados!
... no dia 31 de janeiro de 2025 íamos completar 49 anos de casados, e Celeste se encontrava internada em UTI desde o dia 12 de janeiro.
O horário de visitas era de 16 às 17h, e eu estava atrasado, pois levara meu filho e nora numa feira de Brasília, para consertar um óculos, e queria dar no meu bem-querer um longo abraço de aniversário de casamento.
E aí me lembrei das prometidas alianças de décadas atrás!
Percorri a feira rapidamente à procura de alianças de ouro, mas não encontrei.
Na pressa, comprei as únicas que estavam à venda: — alianças de prata, com um filete de ouro.

Em 31 de janeiro de 1976, trocamos alianças... 49 anos depois, entreguei a Celeste nova aliança...
No hospital eu disse: — Meu bem, trouxe um presente prometido há tanto tempo, para comemorar nosso aniversário de 49 anos de casados!
Ela respondeu — Vamos arredondar para 50 anos, pois não sei se estarei aqui...
Lágrimas nos olhos, pedi sua mão novamente em casamento, e pus no seu dedinho inchado pelos infindáveis medicamentos a aliança do adeus!

Celeste faleceu na UTI Oncológica do Hospital Santa Luzia, em Brasília, DF, às 23:50h do dia 3 de fevereiro de 2025.
ÍNDICE DA COLETÂNEA RECORDAÇÕES DO MEU BEM-QUERER