Ilustração: Montagem da memória COMO SURGIU A PERSONAGEM "MARIA BELA", (Celeste Krauss, Belo Horizonte, 2014), na qual foi incluída figura da autora quando menina
Neste segundo post da série Memórias de Celeste Krauss, vamos resgatar anotações dessa autora sobre o nascimento da ideia da criação da personagem MARIA BELA (que aparece em diversas passagens de nossos escritos — nos meus e nos dela).
Note-se que essa série Memórias de Celeste Krauss é narrada, em parte, pela autora, sendo outra parte redigida/editada por este autor com base em diversas cadernetas, notas e arquivos digitais que ela deixou, nas muitas conversas sobre memórias/histórias/causos familiares com que nos entretemos e nas trocas de ideias sobre escrita literária que fazíamos.
Vamos lá!

Acima, recortes de figuras originais. Abaixo, as figuras revitalizadas por IA

Começava o ano de 2014...
Em 2013, eu e GUIMA estávamos lá pensando no que fazer depois da aposentadoria...
Ele se aposentou em 2012, e eu provavelmente sairei em meados deste ano de 2014...
Lembro-me que no início de 2013 começamos a rabiscar planos: — voltar pra terrinha, e — a partir de lá — dar mais tempo aos filhos e netos, viajar, visitar parentes e amigos, conhecer a terra dos antepassados, fazer turismo cultural, pescarias — essas coisas que os filhos criados e a aposentadoria permitem...
AH, ESCREVER MEMÓRIAS E “CAUSOS” DA FAMÍLIA TAMBÉM ERA UM SONHO NOSSO!
MEU MARIDO SEMPRE INCENTIVOU QUE EU ESCREVESSE
GUIMA me prometera, no início do nosso namoro, em dezembro de 1972, que escreveria um livro sobre “os causos e modos da parentalha” — palavra que cumpriu em 2009, quando lançou MENINO-SERELEPE.

E no mesmo ano escreveu ABIGAIL [MEDIUNIDADE E REDENÇÃO], contando a história de sua tia Abigail Guimarães e a luta de seus avós para curar a filha de terrível processo obsessivo.
Ainda em 2013, terminou uma novela paranormal intitulada OS CURADORES DO SENHOR.
(Quando ele trabalhava nesse livro, ocorreu comigo um fato interessante, que vou contar em outra oportunidade — uma informação mediúnica sobre certa passagem da novela em cujo texto ele trabalhava...)
Foi nesse clima que em 2013 eu também comecei a escrever memórias e histórias...
Com ele aprendi organização de escritório e arquivos, escrituração e direito fiscal e previdenciário, legislação tributária, contabilidade e encerramento de balanço, e aprendi também gerência empresarial e técnicas de administração e comunicação...
Ele sempre me ajudou nos trabalhos da faculdade e de pós-graduação...
E foi também o maior incentivador para que eu, além contar e inventar histórias, passasse a escrevê-las, me auxiliando nisso também.
O PRIMEIRO LIVRO E A SÉRIE "RECANTO DOS NETOS"
Publiquei, em 2013, o livro infantil O GALO E A CORUJA CUPINZEIRA, ilustrado por minha colega FABI MARTINS, e vinha, juntamente com o GUIMA, contando histórias e acontecidos dos nossos netos, dentro de uma série intitulada RECANTO DOS NETOS (fui eu que escolhi esse nome), publicada no site GUIMAGÜINHAS, que ele criara um pouco antes (março de 2013).
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Veja aqui: https://guimaguinhas.prosaeverso.net/visualizar.php?idt=5216353

Me lembro que, ao contar as memórias/histórias e divulgá-las no site, misturávamos as vozes da narração. Isto é: — ora eu narrava, ora GUIMA narrava, ambos na primeira pessoa. E, às vezes, adotávamos um narrador em terceira pessoa.
Como minha memória sempre foi melhor do que a dele para resgatar as histórias e lembrar de locais, datas e detalhes com facilidade, eu costumava, de vez em quando, dadas as minhas correrias de mulher/mãe/servidora pública, anotar os tópicos principais de uma memória/história, para que ele pudesse desenvolver.
E depois vinha "conferir" tim-tim por tim-tim se estava do meu agrado...
E a cada “errinho” ou “omissão” que eu apontava, ele balançava a cabeça desanimado com essa mulher detalhista e perfeccionista — como ele dizia — me chamando de Emília (referindo a minha avó) e cantarolando o refrão de Mulher de fases dos Raimundos — Complicada e perfeitinha/você me apareceu...
E eu sou mesmo!
E desse modo — numa parceiragem carinhosa — fomos contando e compartilhando no site GUIMAGÜINHAS as memórias dos antepassados, as histórias pessoais, os acontecidos dos netos e da nossa FAMÍLIA SALLES-KRAUSS/LOBO-GUIMARÃES...
PARCERIA NA VIDA, NAS HISTÓRIAS E NAS ESCRITAS
E assim foi que em 2013, pensando em como íamos levar a vida pós-aposentadorias, conversamos muito sobre causos familiares, sobre contação de histórias, sobre livros, sobre redação literária, etc...
(E eu sempre lá me metendo nos escritos dele: põe isso, tira aquilo, não gostei — essas coisas de mulher palpiteira... Mas sei que ele gostava de me ouvir, pois quase sempre fazia correções que eu sugeria).
Aliás, na redação dos livros que ele lançou em 2009 e 2013 dei muitas contribuições, não só quanto a fatos, pessoas, nomes, como também informações mediúnicas que recebi de seus parentes desencarnados para elaboração do livro ABIGAIL (um dia certamente ele deverá contar como se deu isso).

Nós dois, aos 10 anos, juntinhos! (De fato, só vamos nos encontrar após os 15 anos)
E naquela época — março de 2013 — estávamos escrevendo sobre os netos (e sempre contei, inventei e encenei histórias para eles — habilidades que me vinham desde a meninice), dentro da Série RECANTO DOS NETOS, aí me veio a ideia de criar uma PERSONAGEM, fosse pra contar as histórias, participar delas ou vivê-las como protagonista, quer nas minhas histórias, quer nas histórias do GUIMA.
Assim como dividíamos tudo na vida a dois, faríamos o mesmo com a personagem MARIA BELA.
E assim foi... Conversamos bastante sobre isso e decidimos que seria uma personagem feminina, inspirada em nossas netas, que tomaria o nome delas: MARIA ELISA e ISABELA.
Iniciamos, então, a “criação” da MARIA BELA.
Eu também vou criar minha personagem para contar as Histórias de Celeste Krauss!
Buscando inspiração, selecionamos 3 livros para reler: Emília no País da Gramática (Monteiro Lobato), Silvia Pélica na Liberdade (Alfredo Mesquita) e Minha vida de menina (Helena Morley)
Bem, eu escolhi EMÍLIA, que, como se sabe, é geniosa, impulsiva, desafiadora, irreverente... Além do nome, EMÍLIA tem muito a ver comigo, eu que fui menina que andava de latinha, jogava finca, bolinha de gude e bete, rodava pião, soltava pipas e vendia garrafas para ir ao cinema — ou seja, fiz travessuras e aprontei coisas como a personagem do Lobato...
Para contrapor à geniosa EMÍLIA, buscamos uma personagem que pudesse contrabalançar a personalidade da espevitada boneca de pano. E, assim, escolhemos SILVIA PÉLICA, uma menina sensível, introspectiva, observadora, reflexiva...
MORLEY foi escolha do GUIMA: queria uma personagem um pouco mais velha que fosse narradora de histórias, que falasse de si mesma, completando assim as características de EMÍLIA e SILVIA.
Irônica, espontânea, bem-humorada — MORLEY veio a compor bem o modelo que estávamos imaginando pra nossa MARIA BELA...
Assim foi que escolhemos edições antigas dos livros e “copiamos” as figuras das capas, pensando eu em pedir a FABI MARTINS [*] — que ilustrara meu primeiro livro — para desenhar nossa MARIA BELA, inspirada por aquelas imagens.
De modo que compramos os livros e demos início à releitura, anotando, além de palavras e expressões, aspectos interessantes para compor nossa personagem.
Esperamos que ela seja arteira como PÉLICA, geniosa como EMÍLIA, mordaz como MORLEY.
Vamos ver no que vai dar...
Belo Horizonte, janeiro de 2014
Celeste Krauss
[*] Essa ideia acabou não se concretizando, pois, com o retorno para Lambari, Celeste perdeu contato com sua colega.

PÓS-ESCRITO: Anotações de Celeste Krauss