Ilustração: Imagem estilizada produzida pela IA/CoPilot do título do texto AS CARTAS DO OUVIDOR-GERAL DA COMARCA DO RIO DAS MORTES, CIPRIANO JOSÉ DA ROCHA (1737) E O IMAGINÁRIO SUL-MINEIRO, do historiador JOSÉ ROBERTO SALES, disponível aqui
Sobre CIPRIANO JOSÉ DA ROCHA (1685-1746), português nascido em Ponte da Barca, Alto Minho, que exerceu as funções de OUVIDOR-GERAL DA COMARCA DO RIO DAS MORTES [1] , já escrevemos:
[1] Comarca do Rio das Mortes na Capitania de Minas Gerais, cuja cabeça (sede) era na
Vila de São João del-Rei, antigo Arraial Novo do Rio das Mortes
Como sabemos, o ouvidor CIPRIANO (ou Cypriano Joseph da Rocha, na grafia original do nome) comandou em 1737 uma expedição que partiu de São João del-Rei para o Sul de Minas com a missão oficial de reconhecer a região, desbravar os sítios desconhecidos ao longo da bacia dos Rios Verde, Sapucaí e Palmela e tomar posse do território em nome do Rei.
Foi nessa oportunidade que Cipriano José da Rocha conheceu e deu nome ao Rio Lambari (do tupi araw'ri = peixe pequeno, abundante naquele rio), nome esse que passou a designar largo trecho do Sul de Minas como a — Região do Lambari.
Em razão disso, o nome de CIPRIANO é frequentemente associado pela historiografia regional como um dos fundadores do Sul de Minas Gerais.
Nesse sentido o toma também o historiador JOSÉ ROBERTO SALES, nestes textos que vamos comentar brevemente a seguir:
extraídos do seu livro HISTÓRIA DE VARGINHA (MG) PARA ESTUDANTES (Edição do Autor - Varginha – MG - 2023 ), sendo que o:
O livro está disponível para dowload aqui:
Escritor José Roberto Sales. Foto: Lu Vilela Reis. Revista Elitte, ed. 76, 2026.
Sales é graduado e bacharel em Psicologia (PUC/MG – Belo Horizonte, 1980), graduado em Pedagogia com especialização em Orientação Educacional (FAFI/Varginha, 1984), Especialista em História e Construção Social do Brasil (Unincor, 2006), Especialista em Psicologia Clínica (CRP/MG, 2001), Especialista em Saúde Pública (ESP/MG, 1996), Especialista em Metodologia do Ensino de 1º e 2º graus (FAFI Nossa Senhora do Sion, Campanha, 1986), Capacitado em Gestão e Desenvolvimento Cultural (Telemig, 2004), Capacitado em Gestão de Documentos (Fundação João Pinheiro, 2001), habilitado pelo MEC com licenciaturas plenas em Psicologia e Pedagogia (1981 e 1985). A importância do conjunto de sua obra foi reconhecida pela Library of Congress (USA) e National Library of Medicine (USA).
Fonte: https://fundacaoculturaldevarginha.com.br/colecao-joserobertosales/
A COMARCA DO RIO DAS MORTES, O OUVIDOR-GERAL E A EXPEDIÇÃO AO SUL DE MINAS 1737
O tópico 2.3 - A COMARCA DO RIO DAS MORTES, O OUVIDOR-GERAL E A EXPEDIÇÃO AO SUL DE MINAS 1737, páginas 20 a 22 do livro em comento, trata da natureza jurídica das comarcas, a forma por que eram administradas ao tempo da colonização portuguesa, bem como descreve como se deu a criação da Comarca do Rio das Mortes e sua localização e abrangência territorial.
A seguir, fala de CIPRIANO JOSÉ DA ROCHA, nomeado ouvidor-geral da Comarca do Rio das Mortes em 1733, e da expedição que comandou em 1737, partindo de São João Del-Rei em direção ao Sul de Minas.
Ao final faz referências às cartas escritas por ele, datadas de 04 de outubro e de 09 de dezembro de 1737, endereçadas a Martinho de Mendonça de Pina e de Proença, governador regente interino da Capitania, que ordenara a expedição.
Essas cartas históricas relatam detadalhamente as vistorias que o ouvidor empreendeu, e foram singularmente analisadas pelo autor, conforme se verá a seguir.
AS CARTAS DO OUVIDOR-GERAL DA COMARCA DO RIO DAS MORTES, CIPRIANO JOSÉ DA ROCHA (1737), E O IMAGINÁRIO SUL-MINEIRO
Nas páginas 99 a 127, está o APÊNDICE 2 - As cartas do ouvidor geral da comarca do Rio das Mortes, Cipriano José da Rocha (1737), e o imaginário sul-mineiro, as quais, segundo SALES, apresentam os antecedentes do povoamento da região sul-mineira e oferece análise detalhada e aprofundada da expedição de 1737.
Esclarece o autor que em 2019 recebera convite para participar do Festival Literário Internacional de Poços de Caldas – Flipoços 2020, no qual desenvolveria o tema relação entre as cartas do ouvidor-geral da Comarca do Rio das Mortes, Cipriano José da Rocha e o imaginário sul-mineiro.
Mas, à vista da Pandemia/Covid iniciada em março de 2020, o evento não foi realizado naquele ano.
Esse texto é a transcrição da palestra que ele havia preparado (págs. 103/104).
Neste texto o foco de SALES — psicólogo, pedagogo, historiador — foi o de analisar
do ponto de vista da psicanálise, a matriz simbólica presente em duas cartas escritas pelo português Cipriano José da Rocha (1685-1746), ouvidor-geral da Comarca do Rio das Mortes, em 04 de outubro e em 09 de dezembro de 1737. (Grifamos.)
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Essa matriz simbólica constituiu um dos elementos que permitiram forjar, a posterior, a construção de um imaginário sul-mineiro.
Esclarece ainda o autor que
A base conceitual utilizada para análise das cartas de Cipriano é da psicanálise lacaniana, principalmente, os conceitos de real, simbólico e imaginário. (Grifamos.)
Nesse passo diz o autor que
A leitura das cartas de Cipriano coloca de imediato o leitor às voltas com a questão da hermenêutica. Essa questão se refere ao vocabulário, à semântica e ao estilo do autor, bem como à estrutura discursiva inerente à organização de pensamento característica do século XVIII, bastante diferente da contemporânea em relação à clareza, concisão e consistência textuais. Somente ao se levar em conta esses fatos linguísticos podemos chegar a uma exegese, pois as cartas de Cipriano, escritas há quase trezentos anos, como não poderia deixar de ser, são o reflexo do espírito de outra época. O que significam as palavras utilizadas por ele no contexto em que estão inseridas?
A seguir esclarece que teve de buscar em em antigos dicionários o significado de diversos termos utilizados em 1737, que não mais correspondem aos sentidos atuais. Para tanto consultou especialmente o Diccionario da Lingua Portugueza, escrito pelo padre Rafael Bluteau (1638-1734) e reestruturado de forma radical pelo lexicólogo brasileiro Antônio de Moraes Silva (1755-1824).
Após isso, acresce que pesquisou outros documentos dos séculos XVII e XVIII, e do início do século XIX, além de referir extensa bibliografia posta ao final do texto.
Muitos foram os termos consultados por SALES no Bluteau, dentre eles:
Quanto ao texto das cartas de CIPRIANO, datadas de 04 de outubro e de 09 de dezembro de 1737, informa que utilizou as transcrições constantes das páginas 246-251 do livro Campanha da Princesa 1737-1821 (volume I, Apêndices B e C), de Alfredo de Vilhena Valladão (Rio de Janeiro : Leuzinger, 1937).
No tópico 3.1 Psicanálise: imaginário e identidade cultural (pág. 107), citando a obra Psicanálise para historiadores (Peter Gay, 2000), diz SALES que há um ponto de tangência entre história e psicanálise: ambas buscam a compreensão do passado por meio da análise da escrita/linguagem, e que vai fazer uso dos conceitos de real, simbólico e imaginário — psicanálise lacaniana — para analisar as cartas de Cipriano, e desse modo aprofundar a compreensão histórica que se tem tais missivas.
Em 3.2 A matriz simbólica sul-mineira nas cartas de Cipriano José da Rocha (1737): do simbólico ao imaginário, após sucinto histórico do desbravamento, administração e exploração aurífera da capitania de Minas Gerais e da Comarca de Rio das Mortes, SALES refere ao ouvidor Cipriano José da Rocha, à sua expedição e às cartas que endereçou ao governador da capítania.
A seguir, comenta na perspectiva histórico-psicanalítica, conforme propôs, o conteúdo das cartas.
Por fim, em 3.3 Uma expressão afetiva do imaginário sul-mineiro, o autor contrapõe os "registros simbólico e imaginário" examinados nas cartas de Cipriano à sua visão, quando menino, de um carro de boi e sua música, numa ruazinha poeirenta da cidade de Campanha do início dos anos 1960, que surgiu do Arraial de São Cipriano fundado pelo ouvidor-geral em 1737...
E poeticamente assim encerra o seu texto: