Ilustração: Menino "aessedefegando [a-s-d-f-g] e çelekajothando [ç-l-k-j-g] a Remington portátil" (expressão do meu livro MENINO-SERELEPE, em que se escreveu por extenso a sequência de letras do teclado da máquina de escrever) - Imagem: IA/Copilot
MEMÓRIAS DA JUVENTUDE - Minha iniciação em Contabilidade
Já contei no Menino-Serelepe a fase de minha vida em que, trabalhando na Farmácia Santo Antônio, meu pai me pôs para aprender contabilidade.
Eis o texto:
Mas em razão do grande receio que o pai tinha de que eu virasse farmaceiro, mistura de caixeiro e aprendiz de farmacêutico, ele me fez prometer que ia largar de mão de querer seguir aquele seu ofício. E aí, por conta disso, ele me fez aprender datilografia e tomar lições com a guarda-livros, a dona Zaínha, que escriturava os livros da contabilidade da farmácia, pois que era um futuro de diploma na mão que ele sonhava pra mim. E eu toda tarde ficava lá no escritório arquivando notas, manuseando os livros e martelando, aessedefegando e çelekajothando a bem cuidada Remington portátil que era o luxo da dona Zaínha. E assustado com a tal da contabilidade, pois quando dona Zaínha me explicou aquele aranhol todo, que me chocou os ouvidos e confundiu os miolos, não entendi patavina. Mas devagar fui tomando gosto pela arte e foi nessa profissão que me formei. E quando isso se deu, as costaneiras, os diversos a diveros, a letra bordada a caneta tinteiro, o mata-borrão aquelas antigalhas do tempo da dona Zainha, e até mesmo a calculadora Facit, uma engronga movida a manivelas, já haviam saído de moda, mas não as partidas dobradas — ou inversas — que essas são fundamentos do método contábil.
MINHA INICIAÇÃO EM CONTABILIDADE
Como disse acima — meu pai (Dé da Farmácia) me fez aprender datilografia — e, assim, me matriculou na escola do Betinho Cruz, na Rua dos Italianos.
Aprendia lá e praticava no escritório da farmácia, onde labutou muitos anos a D. Zainha Costa (escriturária que trabalhou com Fabiano Krauss/José de Lorenzo), minha primeira professora de técnicas contábeis...
Graças a esses ensinamentos, e, depois, ao curso técnico de contabilidade do Ginásio Duque de Caxias, fui selecionado para trabalhar nos escritórios da ABI, e, depois desse emprego, no escritório contábil Krauss & Lorenzo.
Dedicatória a Dona Zainha Costa

Dedicatória a Dona Zainha Costa, no Cap. XXXVIII do livro Menino-Serelepe
Escritório Contábil Krauss & Lorenzo

E aqui eu conheci meu bem-querer

Veja aqui: https://guimaguinhas.prosaeverso.net/blog.php?idb=66642#com
Antigo diploma de datilografia

Antigo diploma de datilografia (1947), de Delmira Ferreira Krauss, tia de minha mulher Celeste Krauss Guimarães
Da Contabilidade ao Serviço Público (Receita Federal)

Perfil completo aqui: https://guimaguinhas.prosaeverso.net/perfil.php
► Costaneira - Borrador, livro no qual se anotavam, em rascunho, as operações comerciais de um estabelecimento.
► Diversos a Diversos - A expressão "Diversos a Diversos" na escrituração contábil refere-se a um lançamento que envolve múltiplas contas debitadas e creditadas. Este método é utilizado no sistema clássico de escrituração contábil e é classificado como uma quarta fórmula, pois envolve mais de uma conta debitada e uma conta creditada.
► Engronga - Geringonça
- MENINO-SERELEPE - Antônio Carlos Guimarães - Edição do Autor, 2009
- Post No escritório da ABI - https://guimaguinhas.prosaeverso.net/blog.php?idb=37079#escr
- COLETÂNEA Recordações do meu bem-querer - https://guimaguinhas.prosaeverso.net/blog.php?idb=67897#COL
- Acervo da Família Krauss/Ferreira
- IA/Copilot/Microsoft
(*) Esse trecho é parte da narrativa Aprendiz de farmaceiro, que faz parte do livro Menino-Serelepe - Um antigo menino levado contando vantagem, uma ficção baseada em fatos da vida do autor, numa cidadezinha do interior de Minas Gerais, nos anos 1960.
O livro é de autoria de Antônio Lobo Guimarães, pseudônimo com que Antônio Carlos Guimarães (Guima, de Aguinhas) assina a série MEMÓRIAS DE ÁGUINHAS.
Veja aqui: https://guimaguinhas.prosaeverso.net/livros.php#2735