Ilustração: O velho sobradão onde por décadas moraram meus avós paternos — Zé Batista e Margarida — está sendo agora reformado e recebeu novo nome: Centro Comercial Casarão
O SOBRADÃO DO PAI VÉIO - Recordações da infância e juventude
O novo Centro Comercial Casarão
Muitas de minhas memórias da infância e juventude se prendem ao sobradão do Pai Véio, uma icônica edificação de nossa cidade, localizada defronte do Hotel Imperial.
De fato, eu anotei no MENINO-SERELEPE, meu livro de memórias, diversas passagens ocorridas no sobradão ou no entorno dele, como estas:
Com o menino crescendo e o pai sem arranjar emprego que valesse, a mãe teve que contribuir para as despesas da casa. Assim foi que primeiro mudamos da Vila Nova para o sobradão do Pai Véio e da vó Margarida, onde a mãe ajudava a lavar e passar a roupa do Hotel Imperial e do Grande Hotel, fazia comida e olhava as crianças. Por essa época, a família toda do velho Zé Batista trabalhava fora, e juntos moravam no sobradão: João/Clélia, Dé/Neli, Irene/(depois) Darci e os começos da filharada: Biga, Tista, Guima e Beto.
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Na minha infância, vó Margarida morava com a tia Irene mais tio Darci mais os filhos num sobrado enorme e já muito danificado, que conhecera dias melhores em século passado, situado em frente ao Hotel Imperial, e por esse tempo a família ocupava os três andares da metade esquerda do edifício.
Pois bem, o velho sobradão foi agora reformado e recebeu novo nome: Centro Comercial Casarão.
Vamos recordar algumas memórias...
As cidades crescem e evoluem, e nessa marcha antigas edificações desaparecem para dar lugar a novos empreendimentos imobiliários. Com a demolição, no entanto, vão embora marcas culturais e históricas e parte importante da memória das cidades.
Claro, não se pode travar o progresso urbano, mas deve-se pensar em meios de pôr a salvo certos lugares memoráveis das cidades. Com a preservação de antigos imóveis, guardam-se em imagens vivas não somente técnicas de construção e arquitetura ou recursos materiais e de engenharia, e sim também significados históricos e memórias de acontecimentos e pessoas, pois, como dizia o poeta Góngora:
► Não existe rua com pedras mudas nem casa sem eco.
Recordar é (re)viver...

Vó Margarida, Regina, Biga, Beto, Guima e Nêga do seu Camargo, na janela do Sobradão, anos 1950 (restaurada por IA)

Vô Zé Batista, Guima, Celeste e Darcirene, na porta do Sobradão, em 1977 (restaurada por IA)

Antiga saída do Parque Novo. À direita, o sobradão recém-construído
No alto à esquerda, vê-se o telhado do sobradão; ao centro, o Colégio Santa Terezinha; defronte ao Rio Mombuca, o extinto prédio dos Laticínios Silvestrini

Sobradão anos 1950. Ao fundo, vê-se a construção da nova matriz

Postal da década de 1950, onde aparece o casarão e ao fundo a nova igreja matriz
O novo Centro Comercial Casarão
Se por um lado pessoal é triste ver ir embora a antiga casa dos avós — e também por anos e anos a residência das famílias Camargo e Carvalho — me alegro de ver restaurada e preservada uma edificação memorável de Águas Virtuosas.
Confiram:

Placa do prédio defronte a Praça Vivaldi Leite Ribeiro

Vista lateral do prédio reformado

Vista frontal

Alguns cômodos do empreendimento já se acham ocupados

Lojas em funcionamento

O livro é de autoria de Antônio Lobo Guimarães, pseudônimo com que Antônio Carlos Guimarães (Guima, de Aguinhas) assina a série MEMÓRIAS DE ÁGUINHAS. Veja acima o tópico Livros à Venda.
-- O SOBRADÃO DOS MEUS AVÓS - https://guimaguinhas.prosaeverso.net/blog.php?idb=66248#AVO
- O sobradão do Pai Véio e os trolinhos de cabos de vassoura - https://guimaguinhas.prosaeverso.net/blog.php?idb=37406#casarao
- ANTIGOS CASARÕES DE AGUINHAS (1) A casa centenária de Benício Chaves - https://guimaguinhas.prosaeverso.net/blog.php?idb=54342