Poema é um poeta apaixonado
A escrever desesperado / O que lhe vai no coração.
FERNANDO DIAS
Como anotei no meu livro de memórias Menino-Serelepe (*), a música de Fernando Dias esteve comigo desde jovenzinho, nos meados dos anos 1960, pois lá desfilavam entre as cantorias de minha mãe — que tinha mania de cantar em casa, enquanto fazia os trabalhos domésticos — os versos famosos:
Poema é noite escura de amargura / Poema é a luz que brilha lá no céu...
Mais tarde, já morando no centro da cidade, próximo da Igreja Presbiteriana, cuja comunidade eu frequentava com os amigos do futebol, eu ouvia falar do "Fernando", que "fazia músicas e cantava serestas" e era irmão do seu "Beto Melano" (Roberto Dias).
Como o casal Roberto Dias/Áurea Canelhas eram nossos vizinhos (moravam na comunidade Protestante), eu via o compositor, muitas vezes, por lá. E em 1971, quando Fernando Dias adoeceu, foi nessa residência que convalesceu. E por aqueles tempos a casa do seu Beto Melano vivia cheia de amigos e visitas. E foi ali também que Fernando Dias veio a falecer, no Natal de 1971.
Assim foi que as cantigas e boleros que minha mãe cantava me acompanharam por toda a vida, e Poema sempre esteve, decoradinho, na minha memória musical. E já aposentado, quando comecei a publicar estas "memórias de Aguinhas", já tinha ideia de fazer um post sobre Fernando Dias. E em dezembro do ano passado, comecei a pesquisar, a conversar com familiares do compositor, a perguntar para os amantes da música e "antigos seresteiros" de Lambari sobre Fernando Dias.
Pois bem, como uma homenagem a Fernando Dias, pouco conhecido das gerações mais novas de lambarienses, abaixo vai um resumo do que consegui apurar acerca de sua vida e sua obra.
E se você, caro visitante, tiver notícias, informações, fotos das pessoas ou famílias aqui mencionadas, ou quiser fazer alguma correção ou complementação ao texto aqui publicado, entre em contato conosco. (**)
Fernando Dias (com binóculo na mão) e João Ribeiro (João Vital) - Lambari, MG (Horto Florestal), anos 1960
Fernando Theodoro Dias, o compositor Fernando Dias, filho de Antônio Cyrilo Dias e Maria de Oliveira Dias, nasceu a 9 de novembro de 1935, em Lambari (MG), e aqui faleceu em 25 de dezembro de 1971. Seu corpo foi enterrado, no Cemitério Municipal de Lambari, pelos parentes e amigos próximos.
Há pouco tempo, os lambarienses lhes prestaram uma homenagem, por intermédio da Câmara Municipal, dando a uma rua do bairro Vista Verde II o nome do compositor (Lei Municipal 1.465, de 29/12/2004, art. 31).
Letrista inspirado, Fernando Dias fez parcerias com cantores e compositores conhecidos, tais como Nílton César [Eu choro por gostar de alguém] Carlos Gonzaga [Ninguém tem culpa] Oswaldo Bettio [Teus olhos]. Mas há uma parceria importante e pouco divulgada, que foi a que se deu com outro nosso conterrâneo — o músico e violonista João Ribeiro (conhecido também por João Vital, ou João do Violão).
Fernando Dias e João Vital se conheceram em Lambari, no Estúdio "Faixa Preta", do qual já falamos em outro post (aqui), e conviveram em nossa cidade e em São Paulo, nos anos 1960 e início dos anos 1970. Dessa parceria surgiram muitas músicas, em diversos estilos (bolero, jovem guarda, marcha-rancho, samba), tais como: A roseira, Existem flores, Balanço Geral, Se eu ficar sem você. E também uma música tocada em nossas congadas, que todo lambariense conhece: São Benedito. Eis os primeiros versos:
Oilê, Oilá, meu São Benedito mandou me chamar / Vai o Rei, vai a Rainha, não demora eu vou pra lá...
José de Souza e seu terno de Congadas, Lambari (MG)
João Ribeiro guarda ricas memórias dessa parceria, como melodias e harmonias de algumas músicas. Entre elas está a primeira partitura para violão feita para Poema. Eis a preciosidade (a harmonia por cifras e a melodia da primeira parte), em papel amarelado pelo tempo, com a grafia e notas de João Ribeiro, datada de 1965, em que aparecem os dizeres: Letra: Fernando Dias - Música: João Ribeiro.
João Ribeiro conta que foi em São Paulo, no escritório da Sadembra, no início dos anos 1960, que Poema tomou feitio de bolero. Fernando Dias, acompanhado de João Ribeiro, fora mostrar algumas músicas para Hervê Cordovil. E, então, sacou de uma velha caderneta, na qual, com sua letra esgarranchada, anotava nomes, endereços, telefones, e, especialmente, letras de músicas. E passou a ler os versos de Poema, e, depois, começou a solvejar a música. Mas aquilo soava como uma marcha-rancho. Acabou sendo interrompido por João Ribeiro, que disse: — Assim não! Isso dá é bolero. E Ribeiro pegou um violão e foi dedilhando, acompanhando os versos do poeta, afeiçoando-os ao ritmo de bolero.
Desaparecido ainda muito jovem (a noite, a bebida, o cigarro...), Fernando Dias, como era comum ocorrer aos boêmios, teve também um amor não revelado, cujo nome proclamava entre poucos amigos, nas noitadas de seresta ou de criação musical. Ele costumava compor suas músicas — muitas delas inspiradas e/ou dedicadas a esse secreto amor — batucando uma caixa de fósforos.
A curta vida, contudo, não o impediu de legar-nos inúmeras canções, algumas de sucesso internacional. Por outro lado, Fernando Dias não foi uma pessoa organizada quanto à sua produção musical, e, ao que se sabe, não deixou nenhum registro, documento, contrato, partitura, letra, etc. de suas criações.
Assim, as canções/parcerias mencionadas no item abaixo, atribuídas a Fernando Dias, tirante as mais conhecidas, foram colhidas com base nas recordações de seus parentes, amigos e parceiro, e em pesquisas na Internet.
Vejamos o resultado:
No site da Editora Musical Mangione (aqui), que detém e administra direitos autorais de grandes autores e sucessos da Música Brasileira e possui um acervo de milhares de partituras, vamos encontrar o seguinte:
Músicas de "Fernando Theodoro Dias"
Fonte: http://www.mangione.com.br/catalogo.asp?searchBy=6&searchValue=Fernando+Theodoro+Dias+
No Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira, disponível (aqui), encontram-se os seguintes registros relativamente ao compositor "Fernando Dias":
Ainda na WEB, vamos encontrar as seguintes informações quanto a "Fernando Dias":
Poema, o grande sucesso e um clássico da MPB
O bolero Poema foi lançado em 1962 por Renato Guimarães
Poema: 1o. lugar nas Paradas de Sucesso - Fonte: Revista do Rádio - 1962 - n. 655
Com a música Poema, Renato Guimarães conquistou o Troféu "Chico Viola", na Festa dos Melhores do Disco, de 1962. Fonte: http://brazilianhitparade.blogspot.com.br
No Brasil, Poema foi gravado por muitos cantores(as), entre ele(as): Silvinho, Marcelo Costa, Cláudia Barroso, Agnaldo Timóteo, Lindomar Castilho, Altemar Dutra, Carlos Augusto, Elymar Santos. Em espanhol, na América Latina, por: Los Três Brilhantes, Las Sombras, Romance Trio, Gregório Barrios.
Poema é noite escura de amargura / Poema é a luz que brilha lá no céu
Poema é ter saudade de alguém / Que a gente quer e que não vem
Poema é o cantar de um passarinho / Que vive ao léu, perdeu seu ninho
É a esperança de o encontrar / Poema é a solidão da madrugada
É um ébrio triste na calçada / Querendo a lua namorar
PARTE DECLAMADA
Poema é a solidão da madrugada /
Um trovador em serenata/ querendo a lua namorar
Poema é tristeza, é alegria / É o romper de um novo dia
É a dor cruel de uma paixão / Poema é um poeta apaixonado
A escrever desesperado / O que lhe vai no coração
Neste disco de Ellis Regina, de 1962, está a agravação de Poema, de Fernando Dias
Segundo disco da carreira de Elis Regina, que ainda não era tão conceituada com o "título" que a aclama por toda sua carreira o de "Melhor Cantora Brasileira". Lançado em 1962 pela gravadora Continental, foi relançado em 1982 somente com o nome de "Poema" juntamente com seu primeiro disco de carreira: "Viva a Brotolândia", em 1989 voltou a ser relançado em LP simples com o título de "A Estrela Brilha", e novamente em 2006 na coleção "Primeiro Discos".
Fonte: Wikipedia
Na foto acima, Gregório Barrios, que também gravou o bolero Poema.
Disponível para venda no site Mercado Livre está uma partitura para piano da música Poema de Fernando Dias. Aqui
Nos anos 1960, Fernando Dias — que não era cantor nem tinha grande voz — gravou um compacto duplo, pelo selo Itamaraty (RJ), com as músicas Pelos caminhos da vida e Revoada (Fernando Dias e Jamanta).
Uma preciosidade: Disco gravado por Fernando Dias, pelo selo Itamaraty, em 196?
Músicas de Fernando Dias na Internet
Uma gravação de Poema, feita em 1962, por Renato Guimarães, com declamação de Enzo de Almeida Passos, veja aqui
No ano seguinte (1963), Renato Guimarães gravou, também de Fernando Dias, o bolero Poema da Solidão. Veja no Youtube, com a segunda parte declamada por Enzo de Almeida Passos, aqui
Nasci para te amar, um outro bolero de Fernando Dias, lançado originalmente por Nílton César, em outubro de 1962, na na voz de Renato Guimarães, aqui
Este compacto duplo de Renato Guimarães foi lançado com músicas de Fernando Dias e Hervê Cordovil
Na versão para o espanhol feita por Pepe Ávila (produtor, maestro e compositor argentino, radicado no Brasil), Poema fez sucesso pela América Latina (aqui).
Outras interpretações de Poema
Referências: Dicionário Cravo Albin de MPB; Editora Mangione; Wikipedia; Site Mercado Livre; Youtube; Rádio UOL; Notas Mágicas - Editora Musical; Discos Chantecler; Discos Itamaraty; hemerotecadigital.bn.br/Revista do Rádio/ano 1962/n.655; outros sites citados no texto.
Muitas pessoas me ajudaram na elaboração deste post. Paulo Roberto Dias, sobrinho de Fernando Dias, Miquéias e Cida Canelhas, Aloisio Krauss, Acácio Barros, meu sogro Célio Krauss, Carmen Delfini, Sebastião Leite (Tião Barbeiro), o maestro Geraldo Machado, a funcionária do Cartório de Registro Civil de Lambari, estão entre elas. E especialmente João Ribeiro (João Vital, ou João do Violão), que me recebeu em sua casa, cedeu fotos, discos, documentos, dedilhou e cantou músicas, e contou antigas e belas histórias dos anos em que conviveram e compuseram juntos. E aqui registro também meus agradecimentos a Maria Rita, esposa de João, pela atenção, simpatia — e pelo cafezinho — com que aqueceu esse nosso encontro. E agradeço, também, a Neusa Dias, que, posteriormente, à publicação do post fez algumas observações com as quais fiz pequenas correções no texto.
Registre-se que o Grupo Arus, de Lambari (MG), em suas apresentações, costuma frequentemente cantar Poema, assinalando que essa belíssima música é de um lambariense chamado Fernando Dias.
(*) Menino-Serelepe - Um antigo menino levado contando vantagem é um livro de memórias de Antônio Lobo Guimarães, pseudônimo com que Antônio Carlos Guimarães (Guima, de Aguinhas) assina a coletânea HISTÓRIAS DE ÁGUINHAS. V. na abertura do site o tópico Livros à Venda.
A referência à música Poema está no Cap. XLI - As cantigas de minha mãe, pág. 221.
(**) Contatos com o autor neste e-mail: historiasdeaguinhas@gmail.com.
Dias atrás, publicamos no GUIMAGUINHAS uma nota sobre o ESTÚDIO FAIXA PRETA, na qual dissemos tratar-se dos fundos do açougue do Acácio Barros, no centro da cidade de Lambari, que era todo forrado de azulejos brancos, com uma faixa de azulejos pretos, razão por que o local improvisado tomou o nome de Estúdio "Faixa Preta". (aqui).
Como também narramos, naquele local, nos anos 1960, reuniam-se seresteiros, compositores e amantes da música, entre eles: Aloisio Krauss, Acácio Barros, João (Vital) Ribeiro, Cauby Gorgulho, Fernando Dias. E acrescentamos ainda que nesse estúdio foram compostas algumas músicas, como Lambari em Serenata (A. Wildhagen/C. Gorgulho) e o bolero Por quê? (F. Dias).
E, por fim, dissemos ter recebido de Wilma Bacha Wildhagen, viúva de Augusto Wildhagen, uma fita K7, dos anos 1960, com a gravação de uma dessas reuniões. (aqui)
Pois bem, hoje vamos postar essa preciosa fita e acrescentar mais informações sobre o ESTUDIO MUSICAL FAIXA PRETA.
Vamos lá.
Neste local, na R. Dr. Garção Stockler, nos anos 1960, localizava-se o Estúdio Faixa Preta (Fonte: Google Maps)
Além dos seresteiros e músicos, pelo FAIXA PRETA circulavam também diversas outras pessoas — amigos, curiosos — para ouvir as músicas, conversar ou tomar uma traguinho. Meu pai, o Dé da Farmácia, e meu tio João eram alguns desses frequentadores habituais. Pois bem, naquela época lá trabalhava o Tide, que por muitos anos foi funcionário do açougue do Acácio. Como a turma não tinha horário para encerrar a cantoria, antes de sair o Tide preparava uma pratada de tira-gostos (carne e linguiça assadas), servia o pessoal e ia embora. Ocorreu que, certo dia, o Tide fechou o açougue, e, esquecendo-se da turma, passou o cadeado por fora do estabelecimento. E não houve jeito: os seresteiros só puderam sair às 6 da manhã, quando o Acácio abriu o açougue...
É longa a lista de frequentadores do FAIXA PRETA, como dissemos acima. Na galeria abaixo estão alguns deles. Pela ordem: Acácio Barros, Aloísio Krauss, João Vital, Fernando Dias e Augusto Wildhagen.
Tio João e Dé, meu pai, que também frequentavam o Faixa Preta
A gravação de uma das reuniões do grupo no ESTUDIO FAIXA PRETA data do final dos anos 1960, e tem a duração de 14 min e 23 seg. Foi feita em fita K7, copiada num gravador de celular e depois convertida em MP3. Assim, mesmo não possuindo grande qualidade de som, trata-se de um registro precioso da memória musical de nossa cidade.
Abaixo segue um resumo do conteúdo da fita:
ESTÚDIO FAIXA PRETA – Lambari, MG
• 00:00 – Trecho de “Lambari em Serenata”, na voz de Aloísio Krauss
• 01:00 - “Dama de Verde”, voz e violão de João (Vital) Ribeiro
• 03:22 – Voz de Aloísio Krauss anunciando pela “Rádio X – Caboclo” a próxima atração
• 03:39 - “Lambari em Serenata”, voz Aloísio Krauss
• 06:32 – Voz de Augusto Wildhagen anunciando a valsa “Vilma”, com João (Vital) Ribeiro
• 06:35 - “Vilma”, voz e violão de João (Vital) Ribeiro
• 10:12 – Voz de Augusto Wildhagen anunciando a nova música de Fernando Dias – “Por quê?”
• 10:16 - “Por quê?”, na voz e violão de João (Vital) Ribeiro
Letras das músicas da gravação
As letras de Lambari em Serenata, Dama de Verde e Vilma estão aqui
A letra do bolero Por quê? é a seguinte:
Por quê já não estás comigo agora? / Por quê teus olhos eu não posso ver?
Oh Deus, minhas penas continuam / E os meus sonhos estão ficando para trás
Senhor, as tuas marcas me perseguem / Por quê plantaste o amor dentro de mim?
E aí dores renascem com recordações / Numa vida pontilhada de ilusões
Uma vez mais, agradecemos a Wilma Bacha Wildhagen pelas informações e pela gravação histórica acima referida, e bem assim pela autorização que nos deu para sua divulgação.
Agradecemos também a Aloísio Krauss, Acácio Barros e João (Vital) Ribeiro pela colaboração que deram na feitura deste post.
Série Aguinhas Musical
(*) Se você, caro(a) visitante, tiver notícias, informações, fotos das pessoas ou famílias aqui mencionadas, ou quiser fazer alguma correção ou complementação ao texto aqui publicado, entre em contato conosco neste e-mail: historiasdeaguinhas@gmail.com
O GUIMAGUINHAS já teve alguns de seus posts comentados no blog A PELADA COMO ELA É, de Sérgio Pugliese, de O GLOBO, como foi o caso dos seguintes:
Pois bem, na edição de hoje, 1o. de julho de 2014, o jornalista Sérgio Pugliese, que se confessa fã do blog GUIMAGUINHAS, escreveu:
Olá, amigos!
Nosso amigo Antônio Carlos está de volta! Hoje, ele nos brinda com mais uma história que narra a estadia da seleção brasileira de 1966 na cidade de Lambari, e que está em seu blog, o “Guimaguinhas”, do qual somos muito fãs!
Agradecemos as palavras amáveis de Pugliese, e informamos que o texto de seu blog pode ser visto neste link: aqui.
A crônica A Seleção em Aguinhas faz parte do livro MENINO-SERELEPE (*) e foi publicada originalmente no GUIMAGUINHAS em 09/03/2013 (aqui)
(*) Menino-Serelepe - Um antigo menino levado contando vantagem, livro de memórias de Antônio Lobo Guimarães, pseudônimo com que Antônio Carlos Guimarães (Guima, de Aguinhas) assina a coletânea HISTÓRIAS DE ÁGUINHAS. V. o tópico Livros à Venda.
Em tempos de Copa do Mundo, é bom relembrar alguns feitos de nossa Seleção Canarinho (que foi campeã do mundo em 1958 jogando de camisa azul...)
No Youtube há um rico acervo de jogos de nossa Seleção, dos quais selecionamos as finais das Copas de 1958 e 1962, em que o Brasil venceu, respectivamente, as Seleções da Suécia por 5 X 2, e a da Checoslováquia por 3 X 1.
Vejamos.
Final da Copa de 1958
Final da Copa de 1962
Algumas curiosidades:
Vale recordar que, jogando juntos, Pelé e Garrincha nunca perderam um jogo pela Seleção, e que Garrincha, com a camisa canarinho, só perdeu uma partida atuando com a camisa 7 que imortalizou...
Fontes: Youtube e CBN/Globo
Introdução
Sobre as Indústrias ABI já publicamos alguns posts:
Hoje voltamos ao tema para relembrar alguns eventos históricos ocorridos naquela que foi a mais importante das indústrias de Lambari. Vamos lá.
Prêmio Dedicação ao Trabalho
Em 1966, o funcionário Joaquim Domingos da Silva foi contemplado com o prêmio "Dedicação ao Trabalho", promovido pela Indústrias Guarany, então proprietária das Indústrias ABI.
O evento ocorreu no dia 16 de abril de 1966, ocasião em que houve a realização de uma missa nas instalações da fábrica e uma solenidade de entrega da premiação. O prêmio de Joaquim Domingos — representado por um cheque — foi entregue pelo jogador Pelé, que à época se encontrava em Lambari com a delegação da Seleção Brasileira de 1966, que aqui fazia sua pré-temporada para a Copa do Mundo.
Joaquim Domingos recebendo o prêmio das mãos de Pelé, em 1966
Operário Padrão
Geraldo Machado de Sousa, o maestro Geraldo Machado (aqui), trabalhou por toda uma vida na "fábrica do Biaso", como era conhecida popularmente as Indústrias ABI. Ainda muito jovem, ingressou na ABI em 1o. de novembro de 1944, como aprendiz na Seção de Estanhagem e Acabamento. Entre os anos de 1947 a 1953, exerceu as funções de soldador (solda com liga de chumbo, solda acetilênica e elétrica). A seguir, entre 1954 e 1960, passou às funções de ferreiro/prensista. Depois, tornou-se chefe da Seção de Aço Inoxidável (1961/62), e em 1963 foi promovido a Chefe de Almoxarifado, cargo em que permaneceu até 1970; nesse cargo acumulou as funções de Planejador de Materiais e Comprador Oficial. Em 1971, foi novamente promovido, dessa feita ao cargo de Supervisão de Produção da Seção de Aço Inoxidável, seção da qual foi também orçamentista e programador. Nessa época, participou ativamente da criação de 3 novos aparelhos para a indústria de laticínios: o Refrigerabi, o SOPABI e a Máquina de Homogeneizar Yogurt.
Em 1973, foi eleito pelos seus companheiros o Operário Padrão das Indústrias ABI, tendo concorrido ao prêmio Operário Padrão de Minas Gerais, em evento ocorrido no SESI/MG, em Belo Horizonte, que contou com 28 participantes.
Geraldo Machado (na 1a. fila, ao centro) entre os concorrentes do prêmio Operário Padrão de Minas Gerais (SESI/BH/1973)
Visita do Ministro Mario Andreazza
No início dos anos 1970, Mário Andreazza, então Ministro do Interior, visitou a Fábrica ABI. Na foto abaixo, ele examina um torno mecânico, desenvolvido por Vadinho Biaso.
Visita do Ministro Mário Andreazza à ABI. Na foto, à frente, entre outros: Dr. Toninho Ferreira, Jairo Ferreira (prefeito), Andreazza e Vadinho Biaso. Ao fundo, entre outros: Antônio Franco e Sebastião Arantes.
Fontes: Agradecemos à D. Aparecida da Silva, viúva de Joaquim Domingos da Silva, e a Geraldo Machado de Sousa, a cessão das fotos, a autorização para sua divulgação e as informações utilizadas neste post.
A foto da visita de Andreazza à ABI é do acervo do Museu Américo Werneck.