Ilustração: Capa do livro/e-book PARA CONHECER MARIA BELA, de Celeste Krauss, a ser lançado brevemente
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO


Veja este post: Para saber mais sobre CELESTE KRAUSS
https://guimaguinhas.prosaeverso.net/blog.php?idb=69847
Na série Memórias de Celeste Krauss, estamos resgatando anotações dessa autora acerca da criação da personagem MARIA BELA.
Em post anteriores — números 1, 2 e 3 desta série — falamos [1] de suas cadernetas e anotações, [2] do nascimento da ideia da criação da personagem MARIA BELA e [3] da construção da personagem MARIA BELA.
Confira:
Neste número 4 da série, trazemos a historinha PARA CONHECER MARIA BELA, escrita por Celeste Krauss em 2017.
O texto, num formato de Diário de Menina, tem o subtítulo Pequena História dos meus primeiros anos e foi narrado pela personagem MARIA BELA.
A linguagem carrega um tom poético, mas transborda a personalidade da menina — irreverente, observadora, impulsiva, destemida, bem-humorada — devendo ser lida de forma aligeirada para se sentir a expressividade e o ritmo das frases.
Outra característica da linguagem: ela é concisa, direta e certeira, expressando e descrevendo muita coisa em poucas palavras.
Este post traz apenas o texto (seco) da historinha PARA CONHECER MARIA BELA, narrando os primeiros anos de sua trajetória.
- Recorde-se que MARIA BELA é uma personagem que foi criada para fazer parte tanto das minhas histórias/memórias, quanto das de Celeste.
- No livro A GUERRA DAS ESPINGARDINHAS, este autor faz uso dessa personagem MARIA BELA, que entra na história lá pelos 12 anos, para integrar-se à TURMA DA TIRADENTES.
- No livro supracitado, a narradora é MARIA BELA que começa a contar a história já em idade adulta e relembra o seu passado de menina, quando participou da famosa batalha das espingardinhas.
- Edição anotada da historinha Para Conhecer Maria Bela
Pois bem, está em fase de preparação uma edição anotada da historinha PARA CONHECER MARIA BELA, de Celeste Krauss, na qual este autor pretende comentar pontos da história, da escolha dos personagens, as pessoas que inspiraram certas passagens da trama, a linguagem utilizada, termos do vocabulário, etc.
Serão incluídos também trechos de A GUERRA DA ESPINGARDINHA nos quais a personagem MARIA BELA faz comentários, ora espirituosos, ora atrevidos, ora indignados...
Além disso, essa edição trará, em ANEXO, dados biográficos da autora e um resumo dos 3 posts citados acima, que antecederam a divulgação da historinha.
Essa edição terá o nome alterado para EU SOU MARIA BELA
Aguardem!
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PERSONAGENS
Alguns personagens caricaturizados que vão aparecer no texto e, posteriormente, figurar no livro/e-book que será editado.
Confira:
Maria Bela (inspirada em foto da Celeste, quando menina) e os pets Babi e Bruma
Vô Pedro, inspirado no sr. Pedro Couto (bisavô dos nossos netos Maria Elisa e Paulo Emílio), aqui pronto para viajar, conforme se narra abaixo
Os pets Babi – inspirada em cachorrinha da Família Guimarães, que atravessou gerações – e Bruma – uma velha e corajosa espécime do cão fila brasileiro, reconhecido como companheiro fiel e protetor de seus donos

Aqui estão Vó Dina e Vô Pedro, inspirados no casal Leondina e Pedro Couto

• As filhas, cujos nomes remetem a flores: as tias Tulipa Rubra e Pétala Rosa, e Alva Flor, a mãe de Maria Bela (elas têm um quê da Emília Bacha (Milita), com quem trabalhei (ainda menino) na Farmácia Santo Antônio, e que me ensinou muitas coisas, como conto no livro Menino-Serelepe)
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PARA CONHECER MARIA BELA - Pequena história dos meus primeiros anos
Veja abaixo o texto, com com anotações, ilustrações e comentários, da historinha inédita de Celeste Krauss:
- Como dissemos acima, estamos preparando uma Edição anotada da historinha Para Conhecer Maria Bela, que terá o nome alterado para EU SOU MARIA BELA


- Aqui MARIA BELA, sucintamente, apresenta toda sua família.
- Como se vê, a linguagem da narradora (MARIA BELA) é atrevida, desafiadora, às vezes, sarcástica, com frases e expressões “costuradas por hifens”, que uma leitura em voz alta e aligeirada bem manifesta.
- Nota-se que os personagens-avós-maternos PEDRO e DINA vieram de famílias e costumes diferentes. DINA é sofisticada, vem de linhagem rica e tradicional; PEDRO, um tipo matuto, meio rústico, que se fez na vida trabalhando duro. Mas ambos são estimados por MARIA BELA.
- Quanto aos personagens-avós-paternos eles são mencionados por alegorias: vó-ausente...vô-que-morreu-muito-antes-do-meu-nascimento.

- A discussão em torno do nome vai descortinando a personalidade dos atores.
- Vó dina quer seguir as tradições da família.
- Vovó Leonor – a vó-ausente –, por isso mesmo, nem se manifesta.
- A mãe sonhadora – Alva Flor – quer o nome da personagem clássica.
- O pai – cujo nome nem é citado – quer o nome nobre da bisavó portuguesa.
- Tia Tulipa – a tia conservadora, desbocada e interesseira quer a herança da distante tia viúva.
- Por fim, ficou o nome Maria Bela, conforme as recomendações da ponderada e ilustrada Tia Pétala, a fada madrinha.


- E aqui ainda podemos perceber a tibieza orgulhosa do Pai, a língua afiada da Tia Tulipa, o equilíbrio da Tia Pétala, e bem assim, a fragilidade emocional da mãe, o desalento aristocrático da avó e a reação franca e positiva do avô.
- Neste trecho são mostradas algumas características dos familiares. Cada uma das filhas casou-se ao seu modo:
- A Mãe com o Pai sem nome; outra com Jesus; e a terceira com a Literatura.
- Como Mãe e Pai viviam um-para-o-outro, num mundinho particular, Maria Bela foi criada nos modos do avô, que não queria ver a neta educada nos finos costumes tradicionais da avó.
- Desse modo, colheu do avô as tenências e os ofícios da roça, os segredos dos bichos e das matas, a habilidade pra enfrentar valentões, não obstante já “soubesse de antemão muita coisa que procuravam lhe ensinar”...
- Mas Maria Bela queria ser escritora e não fazendeira. Para isso, contava com a Tia Pétala.

Vô Pedro e Vó Dina, no sítio


As tias Tulipa Rubra e Pétala Rosa, e Alva Flor, a mãe de Maria Bela

- Criada, por um lado, para ser uma roceira durona, e ao mesmo tempo correndo o risco de vir a ser uma tradicional-moça-de-família-cristã, Maria Bela foi salva pela Fada-madrinha-Tulipa, que lhe mostrou o caminho a seguir.


- Nessa passagem, Maria Bela desnuda o Pai: rico de berço, só soube gozar a vida, gastar o dote e fazer maus negócios... Até que “quebrou”...
- Podemos ver ainda a língua afiada da Tia Tulipa enquadrando o cunhado, a frágil Mãe a chorar pelos cantos, a Vó Leonor fechando o bolso, e o honrado Vô Pedro pagando a conta...


- Novamente aqui as “tiradas” da Tia Tulipa, que é forte personagem desta história, e a má vontade da Vó Leonor com os familiares do filho, seu apego ao dinheiro e a educação que pretende dar à neta, para ela “deixar de ser caipira e provinciana”.

- A “caipira” Maria Bela sofre preconceito na escola, mas se vira com os ensinamentos do avô, ao tempo que Tia Pétala continua presente e dando-lhe educação sentimental.
- A seguir, o embate entre nora e sogra – e a fuga da mãe, que abandona a filha...


- Com o retorno da Mãe, as reações esperadas de cada personagem: – Vó Dina surta; Tia Tulipa esbraveja; e Vô Pedro toma atitude de Vô Pedro – se apronta ligeiro e vai buscar a neta abandonada...

- A descrição do Vô Pedro foi bem captada pela figura ao lado: terno de brim, canivete, chapéu, o jeitão caipira, o tipo durão, que “segura boi bravo pelos chifres” e “desentorta esteira de trator como nós dos dedos”...
- O taxi e o chofer foram inspirados em antigo e estimado dono de táxi de Lambari, que respondia pelo nome de – Digofrê.
- Cantar o Hino de Lambari quando aqui se chega é mesmo costume que ensinamos aos nossos netos: – Lambari pé na fogueira... – diz o Guga!
Vô Pedro e Maria Bela, no táxi do Digofrê, na Volta do Lago
Os netos Cecília e Paulo Emílio e a letra do Hino de Lambari, no Parque das Águas

- Neste trecho, a menina crescera e enfrentara seus fantasmas... Apontou a ausência de Tia Pétala (personagem inspirada na poeta Henriqueta Lisboa como se viu), mas já se afeiçoara à vida de “riquinha mimada”...
- Maria Bela está voltando para Aguinhas (nome literário de Lambari) e se põe a comparar a boa vida que deixara com a vidinha interiorana e pobre que a espera: – não há mais fazenda, e sim um pequeno sítio, não há mais as praias de Copacabana, não há mais quarto exclusivo, não há mais escolas requintadas...



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REFERÊNCIAS
- Krauss, Celeste. Para conhecer Maria Bela. Edição digital da Autora, 2017
- Documentos e fotos do acervo da família Salles Krauss/Lobo Guimarães
- Texto de Antônio Carlos Guimarães, sobre documentos, notas e recordações de Celeste Krauss
- Ilustrações de personagens revitalizadas/colorizadas por IA/CoPilot e ChatGPT
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Publicado por Guimaguinhas
em 25/04/2026 às 06h13