Memórias de João Luiz Fernandes
O culto dos antepassados — relembrando aquilo que tiverem feito para o bem do seu próximo - além de fortalecer os laços familiares, certamente contribuirá para a conservação dos bons sentimentos e dos ideais de elevação moral e espiritual entre as novas gerações.
(JOÃO LUIZ FERNANDES)
Acabo de receber dos amigos Helinho e Joãozinho Fernandes, do Hotel Águas Virtuosas, o livro Reminiscências de um Brasileiro do Século XX - Cidade das Águas Virtuosas, de João Luiz Fernandes.
Nele, o autor – respondendo à pergunta: Por que registrar minhas memórias? – diz que
Frequentemente, pessoas que ouvem meus relatos incentivam-me a registrá-los. É o que passo a fazer, pois, além de crer que me sentirei bem, tenho também a intenção de colaborar para que se conserve um pouco da nossa memória familiar – memória que, acredito, todas as pessoas deveriam cultivar, em suas famílias.
E concordamos plenamente com o sr. João Luiz, e é isso também que vimos fazendo, quer nos livrinhos que lançamos (aqui), quer nos posts de memórias familiares (aqui) e do futebol de Lambari (aqui) que vimos publicando no site GUIMAGUINHAS.
Assim, Reminiscências é um importante registro que vem se somar a alguns poucos livros de memórias sobre nossa cidade, os quais já mencionamos no post Bibliografia sobre Aguinhas.
Natural de Lambari (16/08/1916), filho de Antônio Luiz Fernandes e Rita Luiza Gonçalves Fernandes, João Luiz é o caçula de onze irmãos (sete homens e quatro mulheres). Começou a trabalhar aos 10 anos como charreteiro, aos 17 foi para o Rio de Janeiro, onde exerceu diversos ofícios, o principal deles no ramo de cinemas. Retornou para Lambari em 1941, tendo aqui fundado o Bar Pinguím, que foi um importante espaço de encontro social em nossa cidade (aqui). Atuou também no ramo imobiliário e foi atleta (e técnico) do Águas Virtuosas. Em 1948, foi eleito vereador. No início dos anos 1950, casou-se um "jovenzinha fluminense" (Dona Othonira) e retornou ao Rio de Janeiro, radicando-se na Zona Oeste (Campo Grande).
Em 2008, inaugurou em Lambari um centro comercial - o Shopping Águas Virtuosas, cujo edifício leva o seu nome, e no qual funciona também o Hotel Águas Virtuosas.
João Luiz e Othonira não tiveram filhos, e atualmente residem em Lambari.
Livreto editado por ocasião do inauguração do Shopping Águas Virtuosas (Edifício João Luiz Fernandes)
(1) Na piscina, em Lambari (2) Ficha de atleta do Águas Virtuosas, da Liga Desportiva Caxambuense (1948)
No time do Águas Virtuosas: (1) Com o sobrinho Crisóstomo; (2) com o sobrinho Hélio Fernandes
Os jogadores de futebol da Família Fernandes
- FERNANDES, João Luiz. Reminiscências de um Brasileiro do Século XX - Cidade das Águas Virtuosas. Lambari, MG : Gráfica Kirios, 2013.
- othonira@uol.com.br
Na série Cromos de Aguinhas (aqui), postamos antigos cromos da cidade de Lambari, produzidos pela Casa Viola, do Rio de Janeiro. Esses cromos eram figuras coloridas elaboradas com base em antigos postais preto e branco da cidade.
Cromo: antiga vista do centro da cidade de Águas Virtuosas (Lambary)
Posteriormente, e antes do surgimento das fotografias coloridas, foi utilizada uma técnica de "colorização" dos postais, em que fotos em preto e branco eram coloridas à mão.
Pois bem, abaixo vão alguns desses belos postais de nossa cidade.
Postais coloridos
]
Outras fotos coloridas
A seguir, duas fotos (ou cromos?) coloridas de Lambari. São aspectos bem antigos da cidade. A primeira trata-se de uma vista da rua do Parque das Águas (rua do Ginásio). A segunda, uma vista da antiga Rua Dr. João Bráulio (rua da Padaria Motta).
Antigo mundo em preto e branco revisto em cores
No site Colorized History (V. link abaixo), há uma coletânea de fotos antigas (em preto e branco), colorizadas por computador. São imagens belíssimas, confira:
http://www.reddit.com/r/ColorizedHistory/
(*) Figura de abertura: Cromo da capela primitiva de N. S. da Saúde, em Águas Virtuosas do Lambary.
Referências: Foto São Luiz e Foto Teixeira, de Lambari; Foto J. Silva, de Cambuquira; Casa Viola, Rio de Janeiro; Acervo André Gesualdi; Blog Augusto Nunes
Em post anterior, focalizamos Mário de Castro, o grande craque do Atlético Mineiro, que poderia ter sido o primeiro jogador mineiro a participar da Seleção Brasileira, mas recusou o convite (aqui).
Hoje, falaremos de Tostão - o primeiro jogador de um clube mineiro a participar de uma Copa do Mundo. E tudo começou em Lambari, em 1966 (*), pois foram nos treinamentos da Seleção em nossa cidade e em Caxambu que Tostão começou a assegurar seu lugar na Copa da Inglaterra.
Manga, no Rio, tomando o ônibus para Lambari (Reprodução do jornal Correio da Manhã, de 13/04/1966)
Este Tostão vai render milhões em juros
(Otelo, O Globo, abril/1966)
Enquanto os convocados do Rio de Janeiro seguiram para Lambari de ônibus, Tostão chegou a Lambari em 12 de abril, na companhia do goleiro Fábio, numa Kombi da Federação Mineira de Futebol (FMF), e logo se tornou, ao lado de Pelé, uma das figuras mais requisitadas do elenco canarinho, à vista das enormes caravanas de torcedores de Belo Horizonte que seguidamente iam a Lambari.
O jovem cruzeirense, então com 19 anos, ficou hospedado no Hotel Itaici no mesmo quarto de Alcino e Nado, e era chamado pelos colegas por Fernandel, um dos muitos apelidos que Garrincha lhe pespegara. E logo vieram outros apelidos: Rei dos dentes, esse dado pelos dentistas da CBF, que consideraram seus dentes os melhores de todos os jogadores convocados, e Craque-dinheiro (tostão).
Foi com moedas de 100 réis azuis, num fundo branco (cores do Cruzeiro), que Otelo ilustrou a camisa do craque, na impagável caricatura abaixo, publicada em abril de 1966
(Reproduzido de O Globo, abril de 1966, coluna Penalty, por Otelo)
Célio, Tostão e Edu, em treino da Seleção em Lambari, abril de 1966.
O primeiro jogador de um clube mineiro vai à Copa
TOSTÃO - A torcida do Atlético também quer você em Londres.
Faixa com TOSTÃO escrito em azul e o restante em preto, com que torcedores mineiros receberam o jogador, no Aeroporto da Pampulha, pouco antes da Copa de 66
Durante os treinamentos da Seleção, houve dois amistosos (contra o Cruzeiro, em 28/04/66, e o Atlético, em 1/05/66), nos quais Tostão marcou gols. Ele também participou de 2 jogos-treino pela Seleção, nos quais atuou muito bem: em 18 de maio, 1 x 0 sobre o País de Gales, e em 5 de junho, 4 x 1 sobre a Polônia, partida em que marcou seu primeiro gol com a camisa da Seleção. Em 30 de junho de 1966, no amistoso contra a Suécia, em Gotemburgo, Tostão atuou pela primeira vez ao lado de Pelé, e marcou 2 gols na vitória por 3 a 2. Estava pavimentada a via do craque mineiro para a Copa de 66.
Na Inglaterra, Tostão participou do jogo Seleção contra a Hungria, em que o Brasil perdeu por 3 x 1. Apesar de ter feito o gol brasileiro e de ter sido o melhor jogador em campo, ele não participou da partida seguinte, contra Portugal. O Brasil foi novamente derrotado e acabou fora do torneio, pois no dia seguinte a Hungria bateu a Bulgária e eliminou o escrete verde-amarelo.
Gols de Tostão no Youtube, em 1966:
Tinha consciência de que jogava um bom futebol, mas em relação ao Pelé havia uma distância enorme. (Tostão)
O documentário Tostão, a Fera de Ouro, rodado em 1969, durante as eliminatórias da Copa do Mundo de 1970, e dirigido pelos mineiros Paulo Leander e Ricardo Gomes Leite (1948-1987), com trilha sonora de Mílton Nascimento e Fernando Brant e roteiro do escritor Roberto Drummond (1933-2002), foi recentemente resgatado e apresentado no festival CINEfoot, no Cine Humberto Mauro.
Veja este vídeo do Youtube, aqui
Fonte: Veja MG, 26/06/2013.
O hoje colunista Tostão pode ser lido na Folha de S. Paulo, aqui
Comentários sobre seu livro de crônicas - A perfeição não existe - podem ser vistos aqui
Uma entrevista de Tostão, com diversas fotos, pode ser vista aqui
Cruzeiro - Campeão Brasileiro de 1966
Em 1966, após vencer duas vezes o grande time do Santos dos anos 1960, o Cruzeiro conquistou a Taça Brasil (que correspondia ao Campeonato Brasileiro da época), tornando-se o primeiro clube mineiro a conquistar um título nacional. A primeira partida da final, em Belo Horizonte, o Cruzeiro venceu por 6 x 2. No jogo de volta, em São Paulo, o time mineiro terminou o primeiro tempo perdendo por 2 x 0, mas virou o placar: 3 x 2. Nesse jogo, Tostão perdeu um pênalti, mas se redimiu marcando um gol de falta, aos 18 minutos do segundo tempo.
Fonte: Wikipedia
(*) Sobre a estadia e os treinos da Seleção de 1966 em Lambari, já falamos diversas vezes aqui neste espaço virtual. Veja os links que estão ao pé da página deste post (aqui).
Fontes: Correio da Manhã, 13/04/1966; O Globo, abril de 1966 (Coluna Penalty, por Otelo); Hoje em Dia, 29/03/2010; Veja MG. 26/06/2013; CBF; Youtube; Site Oficial do Cruzeiro
Colaboração: André Gesualdi
A coluna Penalty, por Otelo, o Caçador, foi publicada no jornal O Globo, de 1953 a 1985, com notícias, piadas e charges sobre futebol.
O AEROPORTO DE AGUINHAS
- Voos
- Vídeos
No Menino-Serelepe* eu conto por que gostava das quintas-feiras:
— Será se quinta-feira ainda demora, mãe? — eu vivia perguntando de sexta-feira de uma semana até quarta-feira da outra, pois que quinta-feira era dia de folga do pai, aí ele ficava em casa e sempre arrumava uma diversão pra gente fazer juntos. Era ensinar usar os instrumentos da caixa de ferramenta, era aprender cuidar da armaria, que os Guimarães sempre gostaram de caçada, era passear na Serra das Águas Virtuosas, era visitar o campo de aviação (“Quem sabe o Rodolfinho Faria vai pousar o avião lá hoje?”), a estaçãozinha do trem e caminhar no Horto de Nova Baden (...)
E, como se vê, o passeio a Nova Baden para visitar o Campo de Aviação e Horto Florestal era programa obrigatório. Ìamos sempre de bicicleta e a foto abaixo ilustra uma dessas idas:
Guima, final anos 1950, em Nova Baden
À frente do Horto Florestal fica o campo de pouso, extenso, com cerca de 1.600 metros de comprido por 150 metros de largura, bem tratado hangar, campo oficializado, sede de arquitetura caprichosa, enfeitada de cactus. Dá aterrissagem a grandes aviões de carreira. (1)
Turistas em passeio de charretes até o Aeroporto de Lambari, anos 1960
Do Rio, Lambari dista apenas 90 minutos, vindo pelo ar; estando para breve ser inaugurada uma confortável e segura linha regular de viação aérea, poderemos num futuro próximo aqui chegar naquele espaço de tempo. O aeroporto é ótimo, e oficializado pelo Departamento de Aviação Civil (DAC). (2)
De São Paulo (...) também esperamos para breve uma linha de navegação aérea, o que trará aqui o veranista em 90 minutos. (2)
1955: No aeroporto, pessoas aguardam a chegada do Núncio Apóstolico no Brasil, Dom Armando Lombardi, no Congresso Eucarístico.
Veja aqui um vídeo sobre essa chegada [a partir de 3,45 min]
- Rio X Lambari em 60 minutos (aqui)
- A Navegação Aérea Brasileira (NAB) em Aguinhas (aqui)
- Nova Baden e o Horto Florestal veja este post (aqui)
(1) MARTINS, Armindo. Lambari, cidade das Águas Virtuosas, 1949, p. 109.
(2) Id. ibib, p. 97.
(*) Esta narrativa faz parte do livro Menino-Serelepe - Um antigo menino levado contando vantagem, uma ficção baseada em fatos reais da vida do autor, numa cidadezinha do interior de Minas Gerais, nos anos 1960.
O livro é de autoria de Antônio Lobo Guimarães, pseudônimo com que Antônio Carlos Guimarães (Guima, de Aguinhas) assina a série MEMÓRIAS DE ÁGUINHAS. Veja acima o tópico Livros à Venda.
Ilustração: Fluminense de Caxambu, anos 1950/60, grande adversário do Águas Virtuosas. Na foto, entre outros, os vigorosos Índio, Zé Carlos e Castilho, e também Lilico (em pé, de bigode), que atuou pelo Águas Virtuosas, ao tempo de Alemão e Terinho.
SUMÁRIO
No post que abre a Série Águas Virtuosas Futebol Clube (aqui) dissemos que íamos mostrar também
(...) um pouco dos grandes adversários do AVFC: Flamengo de Varginha, Fabril de Labras, TAC de Três Pontas. E ainda: Conceição do Rio Verde, Itanhandu, São Lourenço, Caxambu, Cruzília, Minduri, Maria da Fé, Baependi, Itamonte, Carmo de Minas e tantos outros.
(...) E também assim jogos, amigos e lembranças dos times das cidades circunvizinhas de Cambuquira, Jesuânia, Heliodora e Olímpio Noronha.
Pois bem, neste post vamos cumprir parte dessas promessas.
Vejamos.
O jogador Alemão, como dissemos em post anterior (aqui), veio cedo para o Sul de Minas, atuou pelo Fluminense de Caxambu, cidade em que chegou a possuir uma granja, mas se casou e se fixou em Lambari como comerciante.
Abaixo, algumas fotos de Alemão, jogando por times de Caxambu:
Alemão (em baixo, ao centro, com a bola) no Fluminense de Caxambu, anos 1950
Alemão (penúltimo, em pé) atuando por um outro time de Caxambu
Alemão (de óculos), Lilico e um outro jogador, em Caxambu, anos 1950
Lambarienses em outros times do Sul de Minas
Muitos jogadores de Lambari atuaram por outros times do Sul de Minas, e também o inverso ocorreu muitas vezes. Só para lembrar alguns casos:
Em 1971, antes de começar a jogar pelo Vasquinho, no Campeonato Sul Mineiro daquele ano, atuei algumas vezes pelo time do Jesuânia.
Na foto abaixo, Beto e Flavinho, de Lambari, atuando pelo Jesuânia:
Time do Jesuânia (7 de outubro de 1999). Na foto: Zé Amaro, Beto Biaso, Domingos, Rafael, Sérgio, Evandro, Laurinho, Wando e Mauro. Agachados: Gil, Pião, Dilei, Marcos Vinícius, Júnior, Cristiano, Marcílio, Flavinho, Delei e Belo.
Beto, posando com a camisa do Jesuânia F. C. (1999)
(1) Futebol no Sul de Minas (1), aqui
(2) Na foto de abertura: Fluminense de Caxambu, anos 1950/60, grande adversário do Águas Virtuosas e GRABI. Time em que jogavam, entre outros, os vigorosos Índio, Zé Carlos e Castilho.
Referências: http://edsonhenrique.blogspot.com.br
(**) Se você, caro(a) visitante, tiver notícias, informações, casos e fotos dessa época, ou quiser fazer alguma correção ou complementação ao texto aqui publicado, entre em contato conosco neste e-mail: historiasdeaguinhas@gmail.com