Paulo Roberto Viola, advogado, jornalista, pesquisador e escritor, filho do lambariense Paulo Grandinetti Viola, é o autor do livro Lambari, como eu gosto de você!, diversas vezes mencionado aqui no site GUIMAGUINHAS (aqui, aqui, aqui, aqui, aqui).
Paulo Roberto faleceu no dia dia 29 de abril de 2011, e hoje lhe prestamos essa singela homenagem, recordando sua obra literária e mediúnica de inspiração.
Série de livros de inspiração espírita-cristã sobre o Segundo Reinado
Sob a inspiração espírita-cristã, Paulo Roberto, grande admirador de Dom Pedro II e da Princesa Isabel, escreveu uma série de livros sobre o período do Segundo Reinado.
Os livros dessa série são estes:
Além desses, escreveu também dois outros livros de fundo espírita:
Fonte: oconsolador.com.br
Muita gente pergunta qual a ligação de Dom Pedro II e da princesa Isabel com o espiritismo. A ligação deles é a mesma de Teresa de Calcutá, de Francisco de Assis e de todos os demais ícones de nosso credo: os elevados valores morais. (Fonte: Edições Correio Fraterno do ABC)
Paulo Roberto ao lado do jornalista André Trigueiro, num evento espírita (Fonte: avozdoespiritismo.com.br)
Lançamento do livro "Francisco de Paula, o Eremita da Caridade"- Paulo Roberto Viola, representando a Casa de Francisco de Paula, com o ator Renato Prieto (que protagonizou André Luiz no filme Nosso Lar) e o Presidente do Grupo Espírita Regeneração (fundado por Bezerra de Menezes em 1891), Walter Alves. (Fonte: http://revistadoespiritismo.blogspot.com.br/)
Grande estudioso da história do Segundo Império, Paulo Roberto colaborou com a historiadora Mary Del Priore, autora do livro Do Outro Lado - A história do sobrenatural e do espiritismo, que conta a história do sobrenatural na sociedade brasileira, principalmente desde os fins do século XIX. E dois de seus livros (Bezerra de Menezes, A Abolicionista do Império e Barão de Santo Ângelo, o Espírita da Corte) foram mencionados na bibliografia da autora.
Ilustração: Capa do livro Princesa Isabel do Brasil, de Roderick J. Barman (aqui)
Isabel (Rio de Janeiro, 29 de julho de 1846 – Eu, 14 de novembro de 1921), apelidada de "a Redentora", foi a segunda filha, a primeira menina, do imperador Pedro II do Brasil e sua esposa a imperatriz Teresa Cristina das Duas Sicílias. Como a herdeira presuntiva do Império do Brasil, ela recebeu o título de Princesa Imperial. [1]
A Treze de maio, como se sabe, comemora-se a Lei Áurea, assinada em 1888 por Isabel, que extinguiu a escravidão no Brasil.
A Lei Áurea. Fonte: Wikipedia (aqui)
Assim, a propósito dessa data, vamos recordar a passagem da Princesa, em 1868, pelo Sul de Minas (ela esteve aqui em Águas Virtuosas de Lambari, inclusive), a busca das águas minerais que pudessem auxiliá-la a engravidar.
Vamos lá.
Veja também:
Princesa Isabel do Brasil, de Roderick J. Barman (aqui)
É conhecida a busca da Princesa Isabel para a cura de sua infertilidade: depois de 10 anos de casada ainda não engravidara. Com efeito, Roderick Barman, no livro acima, escreveu:
O fato aparece registrado também no livro A história da Princesa Isabel: amor, liberdade e exílio, Regina Echeverria (aqui).
O nome Isabel liga três personagens da nobreza da Terra e do Espírito
Paulo Roberto Viola, advogado, jornalista, pesquisador e escritor, filho do lambariense Paulo Grandinetti Viola, é o autor do livro Lambari, como eu gosto de você!, diversas vezes mencionado aqui no site GUIMAGUINHAS (aqui, aqui, aqui, aqui).
E foi sob a inspiração espírita-cristã que Paulo Roberto, grande admirador de Dom Pedro II e da Princesa Isabel, escreveu uma série de livros sobre o período do Segundo Reinado, entre eles a obra acima, intitulada Princesa Isabel - Uma viagem no tempo.
Nesse livro o autor fala da espiritualidade de Isabel do Brasil, a nossa magnífica Princesa, que era devota de duas outras nobres do mesmo nome, canonizadas pela Igreja Católica — Santa Isabel da Hungria e Santa Isabel de Portugal, santas essas reconhecidas pela intensa prática da caridade.
Paulo Roberto relata não só as ligações espirituais entre as três nobres mulheres, como anota que elas possuíam laços de parentesco. Com efeito, Isabel de Portugal (Séculos XIII/XIV) era sobrinha (pelo lado da mãe) de Isabel de Hungria (1271-1336).
Santa Isabel da Hungria, numa escultura de Rudolf Moroder.
Santa Isabel de Portugal curando as feridas de uma enferma, Francisco Goya y Lucientes, 1799.
A promessa e a construção da Igreja de Santa Isabel da Hungria, em Caxambu
Pois bem, foi em intenção de Santa Isabel da Hungria que a Princesa Isabel mandou construir, em Caxambu (MG), uma igreja, homenageando a rainha santa que tanto a inspirou a reinar para os enfermos, humildes e necessitados.
Igreja de Santa Isabel da Hungria, em Caxambu
Fonte: Princesa Isabel - Uma viagem no tempo, Paulo Roberto Viola, Editora Lorenz. O primeiro filho de Isabel nasceu em outubro de 1875.
O encontro de Chico Xavier com o Espírito de Santa Isabel de Portugal
No livro Chico Xavier e Isabel, a Rainha Santa de Portugal, de Eduardo C. Monteiro, Ed. Madras, narra-se que em 1927, no início do afloramento dos dons mediúnicos de Chico Xavier, então com 17 anos, manifesta-lhe o Espírito de Isabel de Portugal por psicografia e depois por vidência mediúnica. Eis o relato que Chico faz desse encontro:
Chico, então um jovenzinho do interior de Minas, não compreendeu o alcance da mensagem e sequer sabia o significado de "gentes peninsulares" (habitantes da Península Ibérica: Portugal e Espanha), como ignorava também que Isabel se referia à sua vida missionária em torno do livro espírita, cujos direitos autorais ele viria a doar integralmente às obras de caridade e de divulgação espírita e evangélica.
E desde esse dia, Chico Xavier passou a distribuir semanalmente pães e alimentos aos pobres, tarefa que cumpriu até o fim de sua jornada na Terra.
Igreja de Santa Isabel Rainha (SP), um projeto do arquiteto Benedito Calixto
Igreja de Santa Isabel Rainha, em São Paulo, projeto do arquiteto Benedito Calixto, que é também autor do projeto da nossa Igreja Matriz de N. S. Saúde (aqui)
Princesa Isabel - música de congadas de Fernando Reis
Ilustração: Recorte capa jornal O Globo, de 2 de maio de 1946
Os cassinos existiam no Brasil desde o Século XVIII, havendo referência histórica ao "Beira-Mar Cassino", localizado no antigo Passeio Público no centro do Rio de Janeiro. [1]
Em 1907 o Rio de Janeiro passou a oferecer incentivos para a construção de hotéis, e o "boom" hoteleiro começou (o hotel Copacabana Palace foi inaugurado em 1922). Tais hotéis eram projetados dentro do sistema "acomodação de classe com disponibilidade de alguns serviços". Claro está que entre os "serviços" encontrava-se o jogo. [1]
Nas estâncias hidrominerais de Minas, havia cassinos nas cidades de Araxá, Lambari, Poços de Caldas, São Lourenço e Caxambú.
Em São Lourenço oito estabelecimentos foram construídos. No Hotel Brasil, ainda existente, ao lado do jogo ocorriam shows com artistas de renome, como O Rei da Voz, Francisco Alves.
Poços de Caldas, a estância de maior movimento, ficou conhecida como a Las Vegas brasileira e chegou a possuir vinte cassinos, entre eles o Quisisana e o Imperial, ambos tocados por Vivaldi Leite Ribeiro, que em Lambari empreendeu o Hotel Imperial e o Grande Hotel. [3]
Poços era o destino preferido do Presidente Getúlio Vargas, que gozava de uma suíte especial no Palace Hotel, com decoração idêntica àquela encontrada no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro. O aposento era conhecido como "Catetinho".
O Cassino de Lambari, de beleza ímpar, perfeito em cada detalhe, foi inaugurado em 1911, com a presença dos mais poderosos políticos do Brasil à época. Encantou a todos, porém só funcionou uma noite. [1]
Em 1933, Getúlio Vargas legalizou o jogo associado ao espetáculo de arte. A partir daí, os cassinos impulsionaram a indústria do turismo e a economia, empregando milhares de pessoas. [2]
Naqueles tempos, Lambari possuía cassinos e atraía levas e levas de turistas, quer a busca do jogo — e dos negócios e diversões que esse proporcionava —, quer pelas águas e pelo clima — veranistas que aqui faziam demoradas "estações de águas", que essas, por aquela época, ainda eram programas regulares de muitas famílias brasileiras.
Neste 30 de abril de 2016, completaram-se 70 anos da proibição dos jogos, estabelecida mediante o Decreto-lei 9.215, de 30 de abril de 1946, no Governo Dutra.
No post a seguir, vamos lembrar um pouco dessa história.
Lances dos cassinos em Lambari
Jogo de roleta - Cassino em Lambari, anos 1940 - Fonte: Facebook Lambari (aqui)
No livro O caminho dos homens, de Fernando de Castro (Editora Pongetti, RJ, em 1962), já comentado no GUIMAGUINHAS (aqui), narra-se uma cena de jogo de roleta, ocorrida num cassino de Lambari.
Eis o trecho (p. 154):
Veja também:
No Casssino de Lambari o jogo somente funcionou na noite de sua inauguração, em 1911 (aqui)
Cassino no Hotel Gloria em Caxambu (Fonte: http://jornalarte3.blogspot.com.br/)
Veja também:
Literatura da época do jogo no Sul de Minas
Além do livro O caminho dos homens, de Fernando de Castro, citado acima, que descreve lances de jogos num cassino de Lambari, nos anos dourados da jogatina, veja-se também esses outros dois livros:
(1) (2)
(1) Editora Scipione/Fundação Casa de Rui Barbosa-Instituto Moreira Salles, 3a. ed., 1992 (2) Ed. Civilização Brasileira, RJ, 1977
O desafios aos limites, de Martha Antiero, é a crônica de uma estância hidro-mineral em decadência (Cambuquira, que recebe o nome fictício de Santa Quitéria), vivendo da nostalgia de uma época em que o jogo e as águas faziam o fausto da cidade.
Já o conhecido escritor João do Rio, no livro A correspondência de uma estação de cura, mediante bilhetes e cartas, escritos de Poços de Caldas durante o período mais animado da temporada de 1917, mostra pequenas ambições, misérias e intrigas de um grupo de pessoas de nível social diverso, construindo um malicioso painel da agitação mundana da mais elegante das nossas estações de águas no início do século.
Segundo o Jornal O Globo:
As roletas giraram sem parar no Cassino da Urca, no Cassino Atlântico, no Copacabana Palace, no Quitandinha (Petrópolis) e no Icaraí (Niterói), além de outros em quase todos os estados do país, como a mineira Poços de Caldas, com seus 20 grandes cassinos, que lhe valeram o apelido de “Las Vegas brasileira”. O jogo também era atração turística em todas as estâncias hidrominerais no Sul de Minas Gerais.
Mas até a banca perder para o governo, foram anos de sucesso, luxo e lucros milionários. Associados ao jogo, shows memoráveis. Carmen Miranda, Emilinha Borba, Dalva de Oliveira e Grande Otelo deram mais brilho à era de ouro dos cassinos. Carmen chegou a ser artista exclusiva do Cassino da Urca de 1937 a 1940. Eternizada com sua fantasia de baiana, saiu de lá para conquistar os Estados Unidos. O palco da Urca recebeu também astros internacionais, como Josephine Baker, Bing Crosby e Maurice Chevalier. Na plateia do teatro — e nas mesas dos salões e jogos —, políticos, artistas, autoridades diversas e renomadas figuras públicas.
(Fonte: Jornal O Globo 16/07/13 - aqui)
Palácio Quitandinha, em Petrópolis, construído em 1944 para ser o maior cassino do Brasil (Fonte: Wikipedia)
Veja também
A proibição dos jogos de azar no Brasil foi estabelecida por força do decreto-lei 9 215, de 30 de abril de 1946, assinado pelo presidente Eurico Gaspar Dutra sob o argumento de que o jogo é degradante para o ser humano. Muitos destacam, no entanto, a forte influência que a esposa de Dutra, Carmela Teles Leite Dutra, teria exercido na proibição, motivada por sua forte devoção à Igreja Católica. [Fonte: Wikipedia - aqui]
Veja também:
Reprodução: http://acervo.oglobo.globo.com/ - (aqui)
(**) Se você, caro(a) visitante, tiver notícias, informações, casos e fotos dessa época, ou quiser fazer alguma correção ou complementação ao texto aqui publicado, entre em contato conosco neste e-mail: historiasdeaguinhas@gmail.com
Abaixo vai uma coletânea de antigos anúncios de jornais, que entremostra um pouco da história de nossa cidade.
Em 1872, o Dr. Eustáquio Garção Stockler fixou residência na então povoação das Águas, e durante os anos de 1884 e 1885 realizou intensa propaganda acerca das virtudes da água, criando para isso um periódico quinzenal intitulado Águas Virtuosas.
Em 1888, lei estadual conferiu-lhe o direito de exploração das águas, e em sua gestão foi reformado o estabelecimento hidroterápico, que, inaugurado em 1872, jamais entrara em funcionamento e aumentada a área do parque das fontes, formando o respectivo jardim. Stockler fundou também a primeira empresa exportadora das águas e formou a temporada de veraneio (de janeiro a março e de setembro a dezembro). [MARTINS, Armindo. Lambari - A cidade das Águas Virtuosas. 1a. edição, 1949, p. 49]
Por essa época, o Hotel Brazil já publicava esta propaganda em jornais de São Paulo:
Anúncio do Hotel Brazil, de 10 de abril de 1888
O Hotel Brazil ficava próximo do Parque das Águas
Anúncio de copos em 1898 - Jornal A Peleja - Águas Virtuosas - 15/05/1898
A Peleja, de 15/05/1898
Propagandas no jornal A Peleja (1898)
Hotel Mello - o início do Hotel Imperial
Sobre o Hotel Mello, veja este post (aqui)
Propaganda do Hotel Mello, em 1918
Propaganda: Revista O Malho (1923)
Anos 1940: propaganda dos latões ABI, já então famosos em todo o Brasil, lançava o desafio: Não tememos confronto com os similares
Anúncio, jornal Sputinik, agosto de 1960
Reprodução: Jornal O Globo - 15, maio, 1963
Hotel Itaici - Reprodução: Jornal O Globo - 12, dez, 1963
Reprodução: O Globo, 2, fev, 1959
Reprodução: O Globo, 10, jul, 1963
Reprodução: O Globo, 6, fev, 1964
Referências
Vivaldi Leite Ribeiro (aqui) realizou grandes empreendimentos em Lambari, com destaque para o Hotel Imperial e o Grande Hotel. Foi ele também responsável pelo aterramento da vargem fronteiriça ao Hotel Ideal, bem como pela grande reformulação e obras nele realizadas.
O Hotel Imperial já foi objeto de posts no GUIMAGUINHAS (aqui) (aqui); hoje falaremos do Hotel Central.
Vamos lá.
Como ocorrera com o Hotel Imperial, que foi fruto da reforma e ampliação do antigo Hotel Melo, em 1938, o Grande Hotel do mesmo modo surgiu em 1948 do antigo Hotel Grandinetti, que foi também reformado e ampliado.
E de igual modo como se fez no Imperial, parte da água consumida no Hotel Central vinha também diretamente canalizada da Chácara Floresta, mais conhecida por Chacara do Vivaldi, que fica ao pé das Serra das Águas, nos fundos do atual bairro Vista Verde.
O Grande Hotel foi inaugurado em maio de 1948, como se vê da propaganda abaixo:
Reprodução: Jornal O Globo - 5, mai, 1948
Propaganda extraída do livro de Armindo Martins (Lambari, cidade das Águas Virtuosas, 1949).
Com a proibição do jogo, no Governo Dutra, em 1945 e, a partir daí, o esvaziamento progressivo das estações de águas (aqui) e (aqui), as estâncias hidrominerais e seus hotéis entraram em grave crise. Em decorrência disso, o Hotel Imperial, em 1963, foi transformado em Condomínio, e o mesmo viria a ocorrer com o Grande Hotel, pouco depois.
Reprodução O Globo (2, dez, 1963 e 10, jul, 1963)
O Condomínio Grande Hotel, nos dias de hoje
Fonte: Ruas de Lambari, José N.Mileo, 1970
A praça fica defronte ao Hotel Imperial e sobre a cobertura do Rio Mumbuca, ambos empreendimentos de Vivaldi Ribeiro.