Lendo O MENINO POETA fiquei sabendo que o português se presta, muito mais do que as línguas famosas, à poesia infantil. Tendes vós outros um idioma mais leve e mais terno também. Nem no inglês ou no francês, nem mesmo no castelhano, existe a ternura do vosso idioma, inefável favor que só com o italiano ele reparte.
(GABRIELA MISTRAL, poeta, escritora e educadora chilena, Prêmio Nobel de Literatura [1945], comentando a poesia infantil de Henriqueta Lisboa)
O Menino Poeta
O conjunto de poesias infantis enfeixado no livro O MENINO POETA, de Henriqueta Lisboa, publicado em 1943, constitui
(...) uma fina escuta das vozes da infância. Um mergulho nesse tempo que dissolve os tempos inquietantes da idade madura." (1).
E, complementando o pensamento acima, diz Alaíde Lisboa de Oliveira, na introdução metodológica do livro citado, que
"O Menino Poeta", enquanto forma e enquanto temas e motivos responde a todo tipo sensível de leitor. Cada um, criança ou adulto, vai tirar, desses poemas, harmonia e beleza, que respondam a suas próprias vivências.
Sarau familiar
Todo o lirismo do que vai acima pode ser resumido num costume antigo — infelizmente hoje abandonado — de contar histórias, ler livros, dizer poesias em família. Essa prática foi cultivada por longos anos no seio da família de Olavo Pereira Krauss e Maria do Carmo Pereira Krauss. D. Maria, que em solteira se assinava Maria do Carmo Lisboa Pereira, era prima de Henriqueta.
Com efeito, d. Maria do Carmo, professora primária, reunia filhos e netos, em saraus familiares, nos quais as crianças eram incentivadas a contar histórias e recitar poesias, especialmente poemas da lambariense Henriqueta Lisboa.
Maria do Carmo/Olavo Krauss, ao centro, ladeados de filhos, filhas, noras, genros e inúmeros netos
O poema "O Palhaço", de Henriqueta Lisboa, musicado
A recordação desse costume supracitado foi feita hoje por Mário Krauss, neto de Maria do Carmo e Olavo Krauss, quando postou a canção "O Palhaço", de Affonsinho Heliodoro, que musicou a primeira parte do poema O Palhaço do livro O MENINO POETA.
Vale a pena conferir no Youtube.
(1) A. PEREIRA DO AMARAL, Secretário-Adjunto da Educação, na apresentação do livro Menino Poeta. Imprensa Oficial, 1975.
Ilustração de abertura. Capa de O MENINO POETA, Henriqueta Lisboa. [Edição especial ampliada] .Imprensa Oficial de Minas Gerais, 1975.
Vocabulário de Aguinhas
Também nos divertíamos muito, lembrando ditos, expressões e
trovas populares, além de colecionar palavras em desuso na
língua, catadas tanto aos clássicos como aos matutos do
Sul de Minas Gerais.
(Do livro inédito : Pai Véio, um contador de histórias, de Antônio Lobo Guimarães)
Pelo que respeita à linguagem, tanto culta, como familiar ou popular,
é lá [em Minas Gerais] que me parece estar a feição primitiva.
(Gladstone C. de Melo, linguista e professor, de Campanha, MG,no livro A língua do Brasil)
Forreca, fubica, jabiraca — são gírias do Vocabulário de Aguinhas que aparecem no livro Menino-Serelepe* para designar veículos (carros, caminhonetes).
Vejamos os trechos em que esses termos aparecem:
O primeiro narra a mudança de meus pais da Vila Nova para o centro da cidade, feita por uma velha caminhonete:
Uma forreca alugada veio e dois peõzinhos mirrados deram conta de carregar toda a tralha. Pouca coisa: um guarda-roupa muito antigo, uma cômoda de três gavetas, uma poltrona, duas camas Patente, um colchão de casal de molas soltas, um colchão de capim-mirim do menino, um armário de mantimentos, uma mesa, três cadeiras, um tamborete, duas trouxas de roupa de cama, uma mala com roupas, trens de cozinha, alguns enfeites, um caixote de bregueços do menino, o quadro da Santa Ceia.
O segundo, descreve um automóvel TL velhíssimo comprado pelo meu tio Mário:
Um dia apareceu com uma fubica, comprada na bacia das almas — uma TL amarela, velhíssima, que só andava de primeira e segunda. Mas esse carro foi seu gosto — e desgosto, pois só vivia em oficina, até que não andou mais e apodreceu lá na porta de sua casa. É, tio Mário, a jabiraca agora só serve pra plantar flor, a gente provocava. Mas ele era um número! Não ligava e também entrava no clima da gozação, rindo-se de si mesmo: É... urubu quando ‘stá de enguiço até pra cagá descadera!
Faniquito: Ataque de nervos sem importância nem gravidade; xilique.
Farejar: Procurar, esquadrinhar, descobrir.
Farronca: Entidade fantástica que amedronta as crianças. Bicho-papão, cuca.
Fazer vista grossa: Omitir-se; fazer que não viu.
Feijão-pagão: Feijão cozido, mas não socado, que se usa para preparar o feijão tropeiro.
Ficar de butuca: Ficar de olho, vigiar.
Fiote-de-cruz-credo: Pessoa feia, desajeitada.
Féria: Apuração da venda do dia no estabelecimento comercial.
Festão: Ramalhete de flores e folhagens.
Fifó: Fofoqueira de língua venenosa, intrigante.
Finco: Jogo de finco, ou de faquinha, em que se vai lançando, sem errar, os fincos (ou faquinhas) e traçando linhas no chão.
Forreca: Caminhonete velha e estragada.
Fuá: Barulho; confusão.
Fubica: Automóvel antigo e muito estragado.
Fulustreco: Designação de alguém que não se quer nomear, ou cujo nome é ignorado; fulano.
Fraga: Rocha escarpada; penedo, penhasco. Terreno escabroso.
Jabiraca: Carro velho. Por ext. Mulher velha e feia. [Gíria ocorrente em Aguinhas.]
(**) Este Vocabulário de Aguinhas faz parte do livro Menino-Serelepe - Um antigo menino levado contando vantagem, de Antônio Lobo Guimarães, pseudônimo com que Antônio Carlos Guimarães (Guima, de Aguinhas) assina a coletânea HISTÓRIAS DE ÁGUINHAS. V. o tópico Livros à Venda.
Veja nos números anteriores desta série:
http://www.guimaguinhas.prosaeverso.net/blog.php?idb=36347
http://www.guimaguinhas.prosaeverso.net/blog.php?idb=37267
http://www.guimaguinhas.prosaeverso.net/blog.php?idb=37892
http://www.guimaguinhas.prosaeverso.net/blog.php?idb=41044
http://www.guimaguinhas.prosaeverso.net/blog.php?idb=42798
Referências: preciolandia.com.br; terra.com.br/istoe; institutopackter.com
Pelé e Garrincha estão entre os maiores ídolos do futebol mundial de todos os tempos, e, como se sabe, atuando juntos, nunca perderam uma partida pela Seleção Brasileira.
A dupla bicampeã do mundo, quando esteve em Lambari, em 1966, nos preparativos para a Copa do Mundo da Inglaterra, como não podia deixar de ser, era a mais assediada, especialmente pelas crianças.
Neste post, vamos recordar um pouco dessa historia.
Garrincha e as crianças (Foto Fernando Pimentel, reprodução Correio da Manhã - 24/04/66)
Carlos Augusto Lorenzo Castilho e Garrincha, no saguão do Hotel Itaici
Sérgio Buruti e Joel Krauss (ao centro) estão entre as crianças, nesta foto com Garrincha (Foto reprodução O Estado de São Paulo - 15/04/66)
Paulo César Martins (camisa branca) aguarda autógrafo de Pelé (reprodução)
José Elias Simes com Pelé (ao fundo, Betinho Nascimento)
Cristina Viola e Gicele Siqueira, com Pelé e Jairzinho
Referências: Jornais O Estado de São Paulo e Correio da Manhã; Facebook de Cristina Viola, Paulo César Martins e Carlos Augusto Lorenzo Castilho.
A Série A Seleção em Aguinhas do site GUIMAGUINHAS
(*) Se você, caro(a) visitante, tiver notícias, informações, fotos, ou quiser fazer alguma correção ou complementação ao texto aqui publicado, entre em contato conosco neste e-mail: historiasdeaguinhas@gmail.com
Ilustração de abertura: Estátua de Pelé, na Rodovia Fernão Dias [Trevo Três Corações/Varginha], com a camisa da seleção.
Em 1966, quando esteve em Lambari, Pelé já jogara (e ganhara) duas Copas do Mundo: 1958 e 1962. E já era considerado o Rei do Futebol.
Em nossa cidade, Pelé mostrou-se sempre paciente, elegante e carinhoso com os milhares de fãs, e, além dos compromissos com os treinamentos da Seleção, participou também de outros programas e eventos. Vejamos.
INAUGURAÇÃO DA RUA EDSON ARANTES DO NASCIMENTO
Reprodução jornal O Globo de 18/04/1966
ENTREGA DE PRÊMIO NAS INDÚSTRIAS A.B.I.
O funcionário Joaquim Domingos da Silva foi contemplado com o prêmio "Dedicação ao Trabalho", promovido pela Indústrias Guarany, então proprietária das Indústrias ABI. O prêmio foi entregue por Pelé, em 16 de abril de 1966.
Joaquim Domingos recebendo o prêmio das mãos de Pelé, em 1966
Confira também este post aqui
PELÉ PESCANDO NO LAGO GUANABARA
Pelé pescando (Foto Fernando Pimentel, reprodução Correio da Manhã - 24/04/66)
OUTRAS FOTOS DE PELÉ EM LAMBARI
Pelé e dirigentes da CBF, no Hotel Itaici, servidos por Luiz Nunes
Pelé, em Lambari, próximo do Lago Guanabara, cercado por inúmeros fás (Foto Fernando Pimentel, reprodução Correio da Manhã - 24/04/66)
E se você (ainda) estiver triste e chateado com o desempenho da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2014, poderá (re)ver, orgulhar-se e verificar porque nunca houve nem haverá outro jogador como Pelé (aqui)
A SÉRIE A SELEÇÃO EM AGUINHAS do site GUIMAGÜINHAS
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ANTÔNIO LOBO GUIMARÃES é pseudônimo literário de ANTÔNIO CARLOS GUIMARÃES (aqui)