Guimagüinhas
Memórias familiares e de minha terra natal
Meu Diário
08/03/2025 10h35
RECANTO DOS NETOS (23) - A CASA GORDA (8) - Passeios nas férias (4) O Centro Histórico da Cidade

Ilustração: Capa do livro PEQUENA HISTÓRIA DE ÁGUAS VIRTUOSAS DE LAMBARI, mostrando o centro antigo da cidade de Lambari, MG


SUMÁRIO


APRESENTAÇÃO

 Este texto faz parte do livro A CASA GORDA - Recanto dos netos - Tomo VI — por Celeste Krauss e Antônio Carlos Guimarães — editado por este último.



 Aqui no SITE GUIMAGÜINHAS, numa série de posts intitulada A CASA GORDA - Recanto dos netos, contamos histórias e acontecidos da FAMÍLIA GUIMARÃES, como a construção da nossa casa nos anos 1980, a origem do nome Casa Gorda — apelido dado pelos netos à nossa residência em Lambari —, lances da vida em família, brincadeiras e travessuras dos netos, etc.


Como moramos fora de Lambari por mais de 30 anos, a Casa Gorda se transformou na casa de férias da família.

Nesse compasso, a Casa Gorda ficou sendo, na prática, a casa dos netos — na qual tem muita comida, guloseimas, brincadeiras, histórias, carinho — e muita, muita diversão!

Pois bem — desse modo, vamos recordando os anos em que os netos foram chegando, crescendo e passando férias na Casa Gorda — e nela deixando suas histórias/memórias: brincadeiras, atividades, passeios, aventuras...

E vai tudo numa linguagem simples, leve, brincalhona — como somos nós os Guimarães: brincalhões, leves e simples...

Agora vem o número 8 da Série: Passeios nas férias: O Centro Histórico da Cidade

Vamos lá!


OBJETIVO DA COLETÂNEA HISTÓRIAS DA CASA GORDA 

Eis os motivos por que resolvemos compartilhar nossas memórias familiares, especialmente após a partida da nossa Celeste:


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UMA RENCA DE NETOS



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PASSEIOS DE FÉRIAS NA GORDA

Férias na Casa Gorda não são só brincadeiras e diversões confinados no Alto Boa Vista!

Descemos ao centro da cidade todos os dias — e aí podemos fazer diversas coisas: apanhar água no Parque, fazer compras, tomar sorvete, passear de charretinha, ir no pula-pula, dar uma passadinha na livraria, caminhar pelas ruas do centro olhando as lojas...

Olhar vitrines de lojas, fazer supermercado e quitanda é com a vó Celesta — que também gosta de nos levar a sorveterias e lojas de doces.

Vovó é mais prática, vovô é sonhador.

Ele gosta mesmo é de nos mostrar o Centro Histórico da cidade e suas belezas: Cassino, Farol, Barragem, Duchas e a portentosa Igreja Matriz de Nossa Senhora da Saúde!

E fazemos também caminhadas: Parque das Águas, Parque Novo, Volta do Lago, Volta da Mata, Alto do Cruzeiro...

Vamos a lugares mais distantes também: Chalezinho do Serrote, Horto Florestal, Serra das Águas, pesqueiros.

Almoços fora acontecem de vez em quando: Ganso, Gerardo, Chico Bento.

Ah, vez por outra, passeamos em São Lourenço, Varginha, Pouso Alegre, Monte Verde.

Bora lá contar um pouco dessas histórias.

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PELO CENTRO HISTÓRICO DE ÁGUAS VIRTUOSAS

Crianças passeando pela cidade. Ilustração: IA/Pilot/Microsoft


No dia a dia, quando descemos ao centro da cidade, podemos fazer diversas coisas: apanhar água no Parque, fazer compras, tomar sorvete, passear de charretinha, ir no pula-pula ou simplesmente andar pelas ruas adjacentes ao Parque das Águas.

Enquanto caminhamos, vovô vai repassando pontos de história da cidade.

E quando chegamos à Rua Garção Stockler, Maria pergunta:

— Garção, vô? Nome estranho! Quem foi ele?

Vovô explica que Garção se origina da palavra francesa garçon, cujo sentido original é jovem, rapaz, e que atualmente significa o que todos sabemos: empregado que serve em restaurantes. Mas, com a grafia Garção, tornou-se nome próprio.

— O nosso Garção Stockler, como Agente Executivo da então Vila de Águas Virtuosas, foi o responsável por aprovar, em 1890, junto à Câmara de Campanha, o plano de saneamento e urbanização da vila, plano esse que ele mesmo havia elaborado.

— Como já lhes contei — prosseguiu vovô — toda a área em volta do Parque das Águas era uma região pantanosa, e foi a execução desse plano que deu ao centro de Lambari a feição que conhecemos hoje: ruas planejadas, largas, bem traçadas.

E complementa: 

— O responsável pela execução desse plano foi Américo Werneck, nosso primeiro prefeito.

E prosseguiu:

—  Entre 1909-1911, ele realizou aterros, desaterros, retificações e aberturas de ruas, canalização de riachos e de córregos, instalação da rede geral de água potável, construção da rede parcial de esgotos...

Nesse instante, passou um caminhão que balançou toda a rua em que estávamos, assustando as crianças!

— Eu não disse! — As ruas do centro se assentam sobre formidáveis aterros! Sobre eles foram traçadas as vias públicas e as fundações dos edifícios...

Vovô deu uma risada e disse, brincalhão: — Balança! Balança! Mas não cai!...

E a criançada prosseguiu caminhando, de olho nos caminhões...

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VOU ME CASAR COM VOCÊ!

Oh! e quem nunca viveu um flerte, um amor platônico com 
uma veranista qualquer ou não carregou solícito a mochila de 
uma colega? E quem não namorou escondido ao portão ou, 
na Praça da Fonte, meloso, não fez juras de amor pra casar?

Do livro MENINO-SERELEPE


        Fonte Luminosa - Área central de Lambari, MG


Certo dia, a noitinha, descemos com vovô e vovó pra vermos a Fonte Luminosa funcionando.

Como sempre, vovô nos contou a história do lugar:

— A Fonte Luminosa foi instalada no final dos anos 1940 pelo prefeito Hélio Salles, no centro da Praça João de Almeida Lisboa. Mas, popularmente, o lugar é conhecido por Praça da Fonte Luminosa.

Em seguida, acrescentou:

— A Fonte enfeitou a área central da cidade e foi ponto de encontro de muita gente. Antigamente, as mocinhas contornavam a praça por um lado e os rapazes por outro — no chamado footing — e desse modo se viam, paqueravam, iniciavam namoro...

— Mas foi ponto de atividade política também. Aqui foi inaugurado o busto de Juscelino Kubistchek. Ele próprio visitou Lambari, nos anos 1950, para a cerimônia. Aqui também está o busto de Américo Werneck, que foi inagurado em 1955, com discurso de Gustavo Barroso, escritor, membro da ABL e grande amigo de Lambari.

Vovô sempre se empolga com essas histórias! No entanto, ele deu um risinho, e ia prosseguir, quando Rafa interveio:

— Quando vovô faz essa cara, vem coisa errada aí!

— Não, nada disso crianças, é só um caso engraçado — e falou de modo irônico: 

— Conta-se, também, que no início dos anos 1950, numa disputa política entre os grupos ligados a Hélio Salles e João Lisboa, houve uma suposta ameaça de depredação à Fonte Luminosa. Por essa época, os oradores se sucediam nos alto-falantes, montados na Praça João de Almeida Lisboa, e a nossa memória política assinala que um deles proclamava vibrantemente: Não, não e não! A Fonte Luminosa não será destruída! 

— E de fato nada ocorreu, senão os ânimos políticos exaltados das primeiras eleições diretas realizadas em nosso município...

— Bem, é isso crianças. Vamos agora tomar aquele sorvete delicioso?



No banco da Praça da Fonte Luminosa, em 9 de dezembro de 1972, começou nossa história...


— Ara, vovô, você esqueceu de falar uma coisa importante que aconteceu aqui na Fonte Luminosa! — lembrou Maria Elisa.

— Pois é, vovô! Vó Celeste contou pra gente que foi num banco da fonte que começou a história da nossa família! — acrescentou Bebela.

— Mas já contei essa história tantas vezes! Vocês não se cansam não?

— Não!!! Você não pode esquecer de escrever essa história, viu, vô Guimão!? — disse a mandona da Rafaela.

— Tá bem! Vou resumir o caso pra vocês.

— Quando comecei a namorar sua vó, em 9 de dezembro de 1972, no primeiro dia de namoro, nos sentamos num banco em frente à Fonte Luminosa. E neste dia eu disse que ia me casar com ela! 

— E disse também que ia escrever um livro com histórias da parentalha...

— E o que ela falou? — perguntaram as meninas ao mesmo tempo!

— Ela??? Não respondeu nada!

— Mas eu tinha certeza de que íamos nos casar!

— E foi o que aconteceu, três anos depois nos casamos! E isso já faz quase 50 anos!

— Ah, escrevi o livro também! O Menino-Serelepe, como vocês sabem...


  •  No sábado, dia 9 de dezembro de 1972, estávamos trabalhando no escritório de contabilidade de José de Lorenzo e Fabiano Krauss, quando dei à Celeste um cordão prateado e a convidei para sairmos à noite. Tempos e tempos depois do primeiro encontro na Fonte Luminosa, foi que ela me confessou que "sabia" que o "príncipe encantado", com quem se casaria, lhe daria de presente um cordão daqueles...


Rafa e Paulinho fizeram aquela cara malandra de quem vai trolar o vovô e...

— Vovô, Bisa Tal falou que você jantou na casa dela na primeira vez que levou vovó Celesta em casa? Verdade?

A pergunta travessa quem fez foi Rafa, mas foi o Paulinho quem não guardou segredo!

— Gente, não falem isso! Isso é segredo da vovó! — Celeste atravessou a pergunta, mas já era tarde...

— Sim, é verdade, mas... — vovô nem pôde completar a frase, e a Rafinha emendou:

— E comeu arroz-couve-farinha, tudo misturado, vovô?

— Sim, sim!

— Não precisa ficar contando isso pra todo mundo, Rafa! — disse a vó Celeste, tentando consertar o estrago.

— E você não ficou com vergonha, vô Guimão? — disseram os dois malandrinhos a uma só voz.

Bem aí desisti, porque esses dois quanto se juntam sai da frente!

Mas não desistiram:

— E o prato era bonito assim, vovô?

— Que nada! Comi na frigideira mesmo!


O banco que mandei fazer pra Celeste, similar ao então existente na Praça da Fonte, para

recordar o dia do nosso primeiro encontro e a promessa que fiz a ela

Dedicatória inserida no livro Menino-Serelepe

Veja aqui: https://loja.uiclap.com/titulo/ua14191 

Promessa cumprida em 31 de janeiro de 1976

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O CASSINO E O FAROL DO LAGO

A obra-prima de Werneck

Naqueles dias de feriados, quando chegamos defronte ao Cassino, as crianças disseram:

— Nossa! vovó! Como tá sujo este prédio!

— Pois é, gente! É um prédio tombado e mesmo assim tão malcuidado!

— Tombado, vovó?

— Sim, áreas florestais, ruas, edifícios, monumentos, obras de arte, documentos e outros bens podem ser tombados, isto é, preservados. Para isso, é criada legislação específica, com o objetivo de impedir que venham a ser destruídos ou descaracterizados.

 — Mas num adiantou muito, né? O Cassino tá tão feio!

— Exatamente! pois não basta a lei  — é preciso um conjunto de ações coordenadas dos poderes públicos, para educar, fiscalizar, cobrar e punir quem não cumpre a legislação. Só assim a memória coletiva de um povo é preservada!

Vovó sabe essas coisas porque trabalhou em órgãos fazendários federais e estaduais  — LeoRafa comentaram baixinho. 

Têm razão, Rafaleo. É como sua vó sempre disse:

— Tudo, em serviço público, nasce de um projeto que tenha prazo razoável, recurso orçamentário, acompanhamento preciso e manutenção futura. Só assim poderá funcionar e cumprir os objetivos de sua realização! 


Cassino de Lambari. Postal antigo, mostrando, lateralmente, o telhado do prédio 


— Cassino é onde tem jogo, vovô? — Bebela e Maria perguntaram.

— Sim, Cassino é palavra originária do italiano casinó, que, entre nós, tem o mesmo significado: casa ou lugar de reunião para jogos de azar, geralmente com espetáculos de música e dança.

— Ainda tem jogo? Que jogo tem aí, vovô? — indaga a curiosa Rafaela.

— Na verdade, Rafa, só teve jogos na noite de inauguração: 24 de abril de 1911! 

— Naquela noite, os caça-níqueis, as roletas e as mesas de apostas só funcionaram de forma parcial, visto que ocorreram problemas na iluminação e havia muitos equipamentos de jogos e diversões ainda incompletos e/ou não instalados.

— Depois num teve mais jogo na cidade, vovô? — tornou a perguntadeira da Rafa.

— Teve sim, até o ano de 1946, quando o jogo foi proibido pelo Governo Dutra, houve jogos de azar num antigo cassino do Parque das Águas, no Cassino das Fontes e no Hotel Imperial.


Imagem. Roleta, num cassino. Gerada por IA/Copilot/Microsoft


— A gente pode entrar aí, vovô? — disse Paulinho subindo as escadas da entrada principal.

— Não podemos entrar, filho! Está fechado aguardando prometidas reformas, mais uma entre tantas! Se cuidarem das paredes, pinturas e instalações, sem destruírem ou modificarem o projeto original, já será bom demais!

— É triste para nós lambarienses recordar a história deste edifício... Desde sua inauguração, passou pelas mãos de órgãos estaduais e da municipalidade. Nesse tempo, sofreu diversas reformas, que descaracterizaram áreas internas e o telhado, mas ao menos mantiveram a originalidade da fachada.

— Por outro lado, nunca lhe deram uma destinação condizente com sua história e sua arquitetura. Foi tantas vezes adaptado para receber órgãos públicos, escolas, bibliotecas... Mas sempre precariamente!

— Seu salão principal — apropriado para bailes, teatros, sessões solenes, atividades sociais e culturais — se prestou, infelizmente, a imprudentes festas e gritos de Carnaval!

— Tantos anos... E nenhum governante foi capaz de dar finalidade apropriada, duradoura, sustentável a esta obra-prima de Werneck!

— Mas o povo não faz nada, vovô! — falou duramente Maria.

— Pois é, filha, o povo somos nós — e vamos deixando as coisas acontecerem...


Meio desolados, fomos caminhando para ver o Farol do Lago.


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O Farol da República

Como o Cassino, também nosso Farol estava cercado de mato, pintura gasta, portas, escadas e gradis enferrujados e retorcidos...

— Qui paia, vô!!! — exclamaram Rafaleo decepcionados com o tão falado Farol de Lambari.

— Não sei, Guima, porque você insiste em trazer as crianças para ver essas coisas! Elas ficam tristes de ver o abandono — Celeste me cobrou.

— Pelo menos ficam conhecendo a história de sua construção — eu disse. — E possam também distinguir quem empreende e constrói de quem pouco faz e destrói!

— Ah, tomara! Pelo menos o senso crítico da geração dos netos é mais apurado do que o nosso! Que sejam cidadãos conscientes e participativos, mais do que temos sido. É o que desejamos para eles.

— Vô, esse farol iluminava mesmo? O Lago ficava clarinho de noite, como vovó falou? — Rafa, intrigada, perguntou.

— Pois é, minha filha, uma de suas funções era exatamente esta: iluminar o Lago Guanabara e as embarcações que navegassem à noite. Mas não sabemos se isso chegou a acontecer, visto que funcionou apenas na noite da inauguração...

— Ah, queria ver ele ligado, vovô! 

— Quem sabe um dia, quem sabe, Rafa?!

Vovó então cortou a conversa, porque a Rafinha estava triste com a história do farol que não iluminava mais...

— Rafa, os turistas podiam também subir no farol e lá de cima ver o espelho do lago, o Parque Novo e outros pontos da cidade.

— Tá bom! — falou a voluntariosa da Rafa. — Então, sobe com a gente, vovô!

— Pois é, Rafinha! Nem isso podemos fazer. Olha o estado das escadas e das grades de proteção! É perigoso, não podemos subir.

— Ara, vovô num deixa a gente fazer nada! — ela protestou!

O coração ficou doído com o abandono do local e a decepção da neta.

[paia –> gíria de adolescente –> ruim, sem graça, fraco]


— Mas, Rafa, não fica triste! — vovô disse à neta que já estava meio emburrada, e completou ligeiro:

—Vocês sabem, crianças, por que o farol é também conhecido por Farol da República?

— Porque foi inaugurado no dia 15 de novembro? — um dos netos disse.

— Tem a ver com essa data, mas não foi por esse motivo. E sim porque Werneck, como parlamentar e homem público, sempre foi um defensor do regime Republicano.

— Conta-se que o farol produzia um belo efeito nos vitrais do Cassino. E há ainda um fato curioso: seu posicionamento guarda simetria em relação a certos movimentos da Terra em relação ao Sol.

— Quequié isso, vovô!

— Quando estudamos Geografia, aprendemos que a Terra é dividida em hemisférios (Sul, Norte, Leste, Oeste). Pois bem, ao girar, a Terra muda sua posição em relação ao Sol. Com isso, a incidência de luz sobre os hemisférios é diferente.

— E daí...??? — tornaram, cheios de interrogação.

— De modo que, no dia 15 de novembro, de tardezinha, olhando-se do topo do Farol para o Cassino, a gente poderia ver o Sol se pondo no meio do salão principal...

— Você já viu isso, vovô? — perguntou a Rafa, a quem não escapa nada.

— Eu não vi. Mas há historiadores que falam sobre isso. Depois vovô mostra pra vocês no Site Guimagüinhas.


  Veja: Farol do Lago


A BARRAGEM DO LAGO E AS DUCHAS

Saímos do Farol e fomos ver a Barragem do Lago e as Duchas, tudo ali bem juntinho um do outro! Então, vovô deu um giro sobre si mesmo e disse:

— Olhem, gente, que conjunto bonito! Ah, se isso fosse bem cuidado!

Depois, entusiasmado com as Memórias de Aguinhas, acrescentou:

— Sabiam que Werneck planejara  a construção de um bar próximo do holofote... Mas isso também ficou nos sonhos do nosso primeiro prefeito...

— Holofote??? Quequi é isso, vovô!

— Holofote ou farol são sinônimos. Ao tempo de Werneck, usava-se as duas palavras, ora uma, ora outra. Hoje em dia, poucas pessoas falam holofote.


Farol de Lambari. Pintura de Jonas Lemes


Chovera na véspera, e as águas da cascata, das duchas e do Rio Mumbuca estavam meio barrentas.

— Hii, vovô, não vai dar pra tomar banho de ducha!

— Não vai dar! — vovô respondeu.

— Até porque não se tem certeza nos dias de hoje da qualidade da água que vem do lago... — vó Celeste, falou firme, sempre preocupada com higiene e saúde dos netos.

— Coisas da vó Celesta, né Rafa?! Muita gente toma banho aqui! — disse, vovô, que em seguida, mudou de assunto e perguntou:

— Quem construiu as duchas?

— Ora, vovô — Rafaleo falou — não foi Werneck que fez tudo isso aqui?

— Sim, tudo, menos as duchas. Essas foram idealizadas e construídas, no final dos anos 1960, pelo prefeito Jairo Ferreira.


Duchas de Lambari. Reprodução. Pintura A. Martins

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NA IGREJA MATRIZ DE NOSSA SENHORA DA SAÚDE

Vovô e vovó, numa tardezinha, perto das 6 horas — hora da Ave-Maria —, olhando do alto da Casa Gorda avistaram a Igreja de N. S. da Saúde e chamaram os netos para ver como estava iluminada a Matriz da cidade.

— Vai tocar a Ave-Maria, vovó disse — Vamos fazer nossas preces!


A Igreja Matriz de N. S. da Saúde, iluminada, ao entardecer, vista da Casa Gorda


Vovó e vovó gostam muito da Igreja Matriz de N. S. da Saúde e de sua história. Por isso, fomos lá, no dia seguinte, orar em família.

Então, vovó tirou da bolsa uma folheto com a imagem da evolução das igrejas dedicadas à Nossa Senhora da Saúde — padroeira de Lambari — e nos contou a história de sua construção.


Igrejas dedicadas a N. S. da Saúde em Lambari


E quando se trata de história, vovô não perde a vez, e disse:

 — Quando voltarmos, vou mostrar pra vocês a história dessas igrejas. Está toda resumida no site GUIMAGÜINHAS, vocês vão ver.


 https://guimaguinhas.prosaeverso.net/blog.php?idb=38756


Altar da igreja de N. S. da Saúde


Quando entramos na igreja, Paulinho, que mora em Brasília, então, notou que havia dois "novos santos" nos altares da igreja.

— Vó, que santo é esse? — foi logo perguntando.

— Ora, Paulinho, ainda não são santos, são beatos — vovó respondeu.

— Não entendi nada! Se tá no altar da igreja, é porque é santo, vó!

— Não, Paulinho! — vovó respondeu — Beato é um título dado pela Igreja Católica aos que estão passando pelo processo de canonização. Depois de canonizados, serão chamados santos. 

— Agora quem não entendeu nadinha fui eu! — disse a Rafinha, balançando a cabeça.

— Gente, a Igreja tem um conjunto de leis que regem sua estrutura e funcionamento. É o Direito Canônico. E nele está descrito um processo chamado canonização.

— Canonização??? — Tá complicando mais ainda, vó!

— Tô não! Por meio dessa canonização é que o Santo Papa declara que um indivíduo falecido terá seu nome inscrito no cânone dos santos. Após isso, é concedido a ele o culto público incondicional.

— Táááá bem...!!! Mas e o beato?

— Então! É declarado beato aqueles que estão passando pelo processo de canonização. Não são ainda considerados santos, mas podem ser cultuados em sua região de origem e no local em que viveram.

— E por que eles viraram beatos?

— Porque tiveram uma vida cristã de virtude e santidade: foram piedosos, caridosos e exemplos de virtude para as pessoas.

— E também porque foi comprovado que, por sua intercessão, ocorreu um milagre.

— Então, a gente pode rezar pros beatos, vó!

— Sim, podemos, com muita fé! Vamos lá!


  

Igreja N. S. Saúde - Lambari - Imagens dos beatos Padre Vítor e Nhá Chica


Celeste e netos olhando as ruas enfeitadas da cidade para procissão de Corpus Christi

Os tapetes de Corpus Christi na chegada à Igreja Matriz

Isabela e Rafaela preparando-se para a procissão Corpus Christi

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REFERÊNCIAS

  • Fotos: Acervo da família Salles Krauss/Lobo Guimarães
  • Textos de Celeste Krauss e Antônio Carlos Guimarães

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SÉRIE RECANTO DOS NETOS

Confira os posts já publicados:

  1. Netos e livros
  2. Netos musicais
  3. Coitado do Lobo Mau
  4. A Casa Gorda
  5. O monstro da antena
  6. As profissões de Maria
  7. Cecília chegou!
  8. Os gols do Paulinho
  9. O vocabulário da Rafa
  10. Desenhos, leituras e contação de histórias
  11. Histórias assustadoras da Vó Celeste
  12. Ano Novo na Casa Gorda/Shangrilá
  13. Chuva feia na Casa Gorda
  14. Um "estranho animal" visita a Casa Gorda
  15. Vai morar com os "arrenígenas"...
  16. A casa de bonecas

  17. Coletânea Histórias da Casa Gorda

  18. Celeste, eu vou me casar com você!


  • Aqui, posts da Série Recanto dos netos ►►►
  1. CASA GORDA - Recanto dos netos

  2. CASA GORDA - A comilança

  3. CASA GORDA - Ler, contar e escrever histórias

  4. CASA GORDA - Férias na Casa Gorda

  5. CASA GORDA - Mais Férias na Casa Gorda

  6. CASA GORDA - Passeios nas férias (1) Parque das Águas

  7. CASA GORDA - Passeios nas férias (2) Parque Novo, Volta do Lago, Alto do Cruzeiro

  8. CASA GORDA - Passeios nas férias (3) Horto Florestal, Chalezinho do Serrote, Pescarias

  9. CASA GORDA - Passeio nas férias (4) O Centro Histórico da Cidade

  10. CASA GORDA - Datas festivas - Natal, Ano Novo, Aniversários

  11. CASA GORDA -Vó Celesta e os fogos de artifício


​​​​​Confira os áudios vinculados aos posts:

  1. (12) Chuva feia na Casa Gorda (1)
  2. (12) Chuva feia na Casa Gorda (2)
  3. (12) Chuva feia na Casa Gorda (3)
  4. (13) Um "estranho animal" (1)
  5. (13) Um "estranho animal" (2)

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Publicado por Guimaguinhas
em 08/03/2025 às 10h35

Espaço Francisco de Paula Vítor (Padre Vítor)

 

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