Guimagüinhas
Memórias familiares e de minha terra natal
Meu Diário
06/03/2025 11h25
RECANTO DOS NETOS (20) - A CASA GORDA (5) - Passeios nas férias (1) Parque das Águas

Ilustração: Crianças bebendo água numa fonte. Imagem gerada por IA/Copilot/Microsoft


SUMÁRIO


APRESENTAÇÃO

 Este texto faz parte do livro A CASA GORDA - Recanto dos netos - Tomo V — por Celeste Krauss e Antônio Carlos Guimarães — editado por este último.



 Aqui no SITE GUIMAGÜINHAS, numa série de posts intitulada A CASA GORDA - Recanto dos netos, contamos histórias e acontecidos da FAMÍLIA GUIMARÃES, como a construção da nossa casa nos anos 1980, a origem do nome Casa Gorda — apelido dado pelos netos à nossa residência em Lambari —, lances da vida em família, brincadeiras e travessuras dos netos, etc.


Como moramos fora de Lambari por mais de 30 anos, a Casa Gorda se transformou na casa de férias da família.

Nesse compasso, a Casa Gorda ficou sendo, na prática, a casa dos netos — na qual tem muita comida, guloseimas, brincadeiras, histórias, carinho — e muita, muita diversão!

Pois bem — desse modo, vamos recordando os anos em que os netos foram chegando, crescendo e passando férias na Casa Gorda — e nela deixando suas histórias/memórias: brincadeiras, atividades, passeios, aventuras...

E vai tudo numa linguagem simples, leve, brincalhona — como somos nós os Guimarães: brincalhões, leves e simples...

Agora vem o número 5 da Série: Passeios nas férias (1) No Parque das Águas

Vamos lá!


OBJETIVO DA COLETÂNEA HISTÓRIAS DA CASA GORDA 

Eis os motivos por que resolvemos compartilhar nossas memórias familiares, especialmente após a partida da nossa Celeste:


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UMA RENCA DE NETOS



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PASSEIOS DE FÉRIAS NA GORDA

Férias na Casa Gorda não são só brincadeiras e diversões confinados no Alto Boa Vista!

Descemos ao centro da cidade todos os dias — e aí podemos fazer diversas coisas: apanhar água no Parque, fazer compras, tomar sorvete, passear de charretinha, ir no pula-pula, dar uma passadinha na livraria, caminhar pelas ruas do centro olhando as lojas...

Olhar vitrines de lojas, fazer supermercado e quitanda é com a vó Celesta — que também gosta de nos levar a sorveterias e lojas de doces.

Vovó é mais prática, vovô é sonhador.

Ele gosta mesmo é de nos mostrar o Centro Histórico da cidade e suas belezas: Cassino, Farol, Barragem, Duchas e a portentosa Igreja Matriz de Nossa Senhora da Saúde!

E fazemos também caminhadas: Parque das Águas, Parque Novo, Volta do Lago, Volta da Mata, Alto do Cruzeiro...

Vamos a lugares mais distantes também: Chalezinho do Serrote, Horto Florestal, Serra das Águas, pesqueiros.

Almoços fora acontecem de vez em quando: Ganso, Gerardo, Chico Bento.

Ah, vez por outra, passeamos em São Lourenço, Varginha, Pouso Alegre, Monte Verde.

Bora lá contar um pouco dessas histórias.

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NO PARQUE DAS ÁGUAS

A família no Parque das Águas

Olha a gente aí, em visita ao Parque das Águas!


O Parque das Águas é o principal passeio de nossa cidade, vovô sempre fala quando a família vai visitá-lo.

Ele, então, vai contando a história do parque e as suas histórias, isto é, as artes que ali fazia quando menino.



Ah, vovó também tem histórias: 

— Eu gostava de ki suco de água mineral — ela diz. 

— Que que é isso, vó? 

— Água gasosa, limão e açúcar, que a gente preparava aqui no parque mesmo!

Vovó é do tempo do onça, diz o vovô ralhando com ela...

— Que nada! — ela retruca — Antigamente se fazia um guaraná com água do parque. O Pai Lavo (Olavo Krauss, seu avô paterno) trabalhou anos nessa fábrica...


Cartaz de propaganda do Guaraná Lambary

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Livros que o vovô escreveu

Como sabem as crianças, o vovô gosta de estudar a memória de sua cidade, que no passado chamava-se Águas Virtuosas de Lambari. 

Aliás, ele já até escreveu livros sobre isso:


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Nos seus livros, ele diz que a cidade surgiu em torno das fontes de águas minerais, descobertas em 1780.

E sentencia: A história de nossa cidade é a história de nossas águas! 

Assim, visitar o Parque das Águas de Lambari com o vovô e vovó se torna uma aula sobre o passado do parque: quem construiu, quem reformou, quem separou e coletou as águas, como era isso, como era aquilo...

Vovô conta um monte de histórias, nos leva para ver a Exposição - Imagens de Lambari, diz que colaborou com a equipe que fez o projeto e o executou — e vai nos mostrando os banners mais interessantes.


Imagem de abertura da exposição "Imagens de Lambari", na entrada do Parque das Águas.

Veja: EXPOSIÇÃO "IMAGENS DE LAMBARI" - Um passeio por nossa história


Isabela, que conhece bem o roteiro, corre à frente, chama as crianças e diz:

— Venham, venham ver o vovô novinho, trabalhando na farmácia!

Mas vovó não deixa barato: 

— Isso é do tempo que ele ficava paquerando as meninas do Hotel Rezende!


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Nas fontes, uma água mineral que a natureza preparou há 30 mil anos...

Depois, descemos às fontes para saborear a deliciosa água mineral de Lambari.

— Não bebam muito, não misturem as águas, pois pode desandar o intestino, vovô recomenda.

Depois, explica a composição das águas e as recomendações de uso: — Esta é gasosa, aquela alcalina, aquela outra é magnesiana...

E segue nos ensinando: — A número 1 é para os os rins e vias urinárias, a número 2, para estômago e intestino, a número 3...


A seguir, vovó lembra que essas águas são muito antigas, são águas de chuva, têm milhares de anos...

— Não é, Guima! — ela pede pro vovô confirmar a história.

— Água velha não faz mal, vovô? — pergunta Maria Elisa, afastando o copo da bica e esperando resposta.

Como adolescentes questionam tudo e gêmeos têm as mesmas ideias, dizem Leo e Rafa ao mesmo tempo:

— Quem falou que tem 30 mil anos?!...

Vovô balança a cabeça e com poucas palavras resume o estudo sobre a origem das nossas águas e os fatores que as influenciam.


 

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Nosso povinho nas fontes das águas de Lambari

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A Lenda de Águas Virtuosas

A próxima parada do nosso grupinho foi na Gruta de Nossa Senhora da Saúde — padroeira de Lambari.


— Que igrejinha pequenininha, vô? — disse Paulinho, que não conhecia a gruta ainda.

— Foi aqui que casaram Cecília e Tancredo? — perguntou a Rafa, que ouvira a lenda contada pela vó Mara.

Vovó deu um sorriso e disse — Essa menina tem cada pergunta!

— Não, Rafa, a estória de Cecília e Tancredo — explicou o vovô que conhece a lenda e a história — foi inventada, como toda lenda...

— Eu não conheço a lenda, vô! Conta pra gente! — tornou o Paulinho, que mora em Brasília e não sabia dessa lenda.

— Bem, vou fazer um resumo. Depois a gente passa no supermercado, que lá tem o texto completo escrito num banner, tá bem?

— Pois bem, em  A Lenda de Águas Virtuosas narra-se que uma linda moça de nome Cecília estava noiva de um jovem chamado Tancredo. Ela adoecera muito e seu pai, Antônio Alves Trancoso, que morava na cidade de Passos, a trouxe para Campanha, a fim de tratar-se. Passaram-se meses e Cecília não se curava.

— Até que um belo dia, Tancredo conheceu um escravizado de nome Antônio de Araújo Dantas, e esse lhe falou  de umas águas ditas santas, existentes numa grota, perto de um ribeirão, do outro lado da Serra da Campanha.

Tancredo contou ao futuro sogro o que ouvira do africano e insistiu para que a trouxessem até as fontes das águas, que jorravam borbulhantes em meio a pedras.

— E Cecília, tendo feito uso da água virtuosa por vinte dias, curou-se de seus males. Em agradecimento, pediu, então, ao pai que erguesse uma capelinha em homenagem à Nossa Senhora da Saúde, e nessa igrejinha se casou com Tancredo.

— E, como se dá sem toda lenda, foram felizes para sempre!

— Mas isso é uma estória e não um fato histórico. 

— A estória é inventada, muitas vezes se apropriando de fatos conhecidos. Por exemplo: a cidade de Campanha, a serra, as fontes de água e seus efeitos curativos, o nome Antônio de Araújo Dantas (era o proprietário das terras onde foram descobertas as fontes) são fatos sociais e históricos que foram incorporados à lenda.

— Já nos estudos da História, os historiadores contam o que aconteceu, com base em documentos, estudos e sua visão de mundo.

— Segundo o monsenhor e historiador José Lefort, o criador da lenda teria sido Américo Werneck, que o fez para efeito de propaganda das águas minerais. Mas há também as versões de Armindo Martins e João Carrozzo, memorialistas de Águas Virtuosas do Lambari, derivadas da lenda de Werneck.

— Quando chegarmos em casa, vovô mostra o livrinho que escreveu sobre essa lenda e explica direitinho pra vocês o que é estória, história, lenda, tá bem?


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A Gruta de Nossa Senhora da Saúde


— Mas por que que fez a gruta, então, vô?

Vovô explica que essa gruta é fruto da devoção, da crença e do fervor popular, que a história, a cultura e a religião estabeleceram, ao longo do tempo, entre as propriedades terapêuticas das águas virtuosas e a ação protetora dos que se socorrem à Senhora da Saúde.

— Depois das fontes, a gruta é o local mais visitado pelos turistas — vovó acrescenta. — Ela faz parte de um roteiro de fé que cumprem romeiros que visitam Lambari.

Em seguida, vovó puxa a prece para Nossa Senhora, que toda a família acompanha com fervor.


Ah, vovô escreveu sobre isso também. Vejam:


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As crianças defronte a gruta de N. S. da Saúde [Guga e Cecília foram acrescentados à foto]

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Outros pontos históricos do Parque das Águas

Seguimos caminhando pelas alamedas e vovô avisa que vamos ver monumentos históricos preservados, apesar das muitas reformas por que passou o Parque das Águas de Lambari.

— O Coreto, o Mercado das Flores e os Pavilhões das Fontes 5 e 6 têm mais de um século de existência! — diz vovô de modo enfático.

Ele e vovó querem que os netos conheçam e estimem suas raízes lambarienses.


Vovô para diante do Coreto, não se contém e diz emocionado:

— Este pequeno coreto tem uma acústica formidável!

— Diziam os antigos que ele foi palco de pequenos concertos e saraus, nos quais se tocavam músicas clássicas, entoavam canções românticas e se declamavam textos simbolistas sobre a natureza, as águas virtuosas e a mística deste cantinho do Céu ao pé da Serra das Águas!

— Venham cá! —  diz vovó — Falem alto e vocês vão perceber o que o vovô tá falando.

As crianças falam, cantam, gritam e se divertem ouvindo o eco de suas próprias vozes...


O Coreto do Parque das Águas

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— O Mercado das Flores remonta a 1911, ao tempo do prefeito Américo Werneck, cuja história já lhes contei — diz vovô, apontando o centenário prédio.

— Não só flores eram vendidas aqui — vovó acrescenta. — Na verdade, tratava-se de uma pequena feira, pois frutas, verduras, legumes eram trazidos para venda à população — esclarece vovó Celeste que é entendida dessas coisas.

— Sim — vovô concorda —, mas com o passar do tempo as coisas foram mudando. Aqui já houve comércio, exposições, shows, bailes... Na prática, o local é atualmente utilizado para pequenos eventos. 


Mercado das Flores

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Daí, fomos provar as águas das Fontes números 5 e 6, chamadas de Fonte Maria e Fonte Paulina, cujos pavilhões também foram preservados.

— Maria, você é importante! — Leo e Rafa provocam a prima — É nome de fonte de água mineral!

Maria Elisa mostra a língua, e vovô conta a história dos nomes das fontes.

— O nome PAULINA  foi dado à Fonte 6 em homenagem ao seu descobridor: professor Dr. Antonio Gabriel de Paula Fonseca.

— Quanto à Fonte 5,  o nome MARIA foi dado à fonte descoberta em 1896. Depois mudaram o nome, mas a alteração não pegou.

— Toma, Paulinho — diz vovô oferecendo ao netinho um copo da Fonte 5.

— Eca, vô Guimão! Que gosto ruim!

— Pois é, criançada, estas fontes são medicinais e são pouco utilizadas.

— A número 5 é picante, tem ação diurética.

— A número 6, ferruginosa, tem ação vasodilatadora e hipotensiva.


Antigos pavilhões das Fontes números 5 e 6

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Vovô que é grafomaníaco [*] — como diz vovó quando ele não para de digitar... tec, tec, tec... — escreveu também sobre o Parque das Águas e as Águas de Lambari. Confiram:

[*] aquele que tem mania de escrever.


REFERÊNCIAS

  • Fotos: Acervo da família Salles Krauss/Lobo Guimarães
  • Textos de Celeste Krauss e Antônio Carlos Guimarães

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SÉRIE RECANTO DOS NETOS

Confira os posts já publicados:

  1. Netos e livros
  2. Netos musicais
  3. Coitado do Lobo Mau
  4. A Casa Gorda
  5. O monstro da antena
  6. As profissões de Maria
  7. Cecília chegou!
  8. Os gols do Paulinho
  9. O vocabulário da Rafa
  10. Desenhos, leituras e contação de histórias
  11. Histórias assustadoras da Vó Celeste
  12. Ano Novo na Casa Gorda/Shangrilá
  13. Chuva feia na Casa Gorda
  14. Um "estranho animal" visita a Casa Gorda
  15. Vai morar com os "arrenígenas"...
  16. A casa de bonecas

  17. Coletânea Histórias da Casa Gorda

  18. Celeste, eu vou me casar com você!


  • Abaixo, posts da Série Recanto dos netos ►►►
  1. CASA GORDA - Recanto dos netos
  2. CASA GORDA - A comilança

  3. CASA GORDA - Ler, contar e escrever histórias

  4. CASA GORDA - Férias na Casa Gorda

  5. CASA GORDA - Mais Férias na Casa Gorda

  6. CASA GORDA - Passeios nas férias (1) Parque das Águas

  7. CASA GORDA - Passeios nas férias (2) Parque Novo, Volta do Lago, Alto do Cruzeiro

  8. CASA GORDA - Passeios nas férias (3) Horto Florestal, Chalezinho do Serrote, Pescarias

  9. CASA GORDA - Passeio nas férias (4) O Centro Histórico da Cidade

  10. CASA GORDA - Datas festivas - Natal, Ano Novo, Aniversários

  11. CASA GORDA -Vó Celesta e os fogos de artifício


Confira os áudios vinculados aos posts:

  1. (12) Chuva feia na Casa Gorda (1)
  2. (12) Chuva feia na Casa Gorda (2)
  3. (12) Chuva feia na Casa Gorda (3)
  4. (13) Um "estranho animal" (1)
  5. (13) Um "estranho animal" (2)

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Publicado por Guimaguinhas
em 06/03/2025 às 11h25

Espaço Francisco de Paula Vítor (Padre Vítor)

 

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