Ilustração: Crianças bebendo água numa fonte. Imagem gerada por IA/Copilot/Microsoft
Este texto faz parte do livro A CASA GORDA - Recanto dos netos - Tomo V — por Celeste Krauss e Antônio Carlos Guimarães — editado por este último.

Aqui no SITE GUIMAGÜINHAS, numa série de posts intitulada A CASA GORDA - Recanto dos netos, contamos histórias e acontecidos da FAMÍLIA GUIMARÃES, como a construção da nossa casa nos anos 1980, a origem do nome Casa Gorda — apelido dado pelos netos à nossa residência em Lambari —, lances da vida em família, brincadeiras e travessuras dos netos, etc.
Como moramos fora de Lambari por mais de 30 anos, a Casa Gorda se transformou na casa de férias da família.
Nesse compasso, a Casa Gorda ficou sendo, na prática, a casa dos netos — na qual tem muita comida, guloseimas, brincadeiras, histórias, carinho — e muita, muita diversão!
Pois bem — desse modo, vamos recordando os anos em que os netos foram chegando, crescendo e passando férias na Casa Gorda — e nela deixando suas histórias/memórias: brincadeiras, atividades, passeios, aventuras...
E vai tudo numa linguagem simples, leve, brincalhona — como somos nós os Guimarães: brincalhões, leves e simples...
Agora vem o número 5 da Série: Passeios nas férias (1) No Parque das Águas
Vamos lá!
OBJETIVO DA COLETÂNEA HISTÓRIAS DA CASA GORDA
Eis os motivos por que resolvemos compartilhar nossas memórias familiares, especialmente após a partida da nossa Celeste:





Férias na Casa Gorda não são só brincadeiras e diversões confinados no Alto Boa Vista!
Descemos ao centro da cidade todos os dias — e aí podemos fazer diversas coisas: apanhar água no Parque, fazer compras, tomar sorvete, passear de charretinha, ir no pula-pula, dar uma passadinha na livraria, caminhar pelas ruas do centro olhando as lojas...
Olhar vitrines de lojas, fazer supermercado e quitanda é com a vó Celesta — que também gosta de nos levar a sorveterias e lojas de doces.
Vovó é mais prática, vovô é sonhador.
Ele gosta mesmo é de nos mostrar o Centro Histórico da cidade e suas belezas: Cassino, Farol, Barragem, Duchas e a portentosa Igreja Matriz de Nossa Senhora da Saúde!
E fazemos também caminhadas: Parque das Águas, Parque Novo, Volta do Lago, Volta da Mata, Alto do Cruzeiro...
Vamos a lugares mais distantes também: Chalezinho do Serrote, Horto Florestal, Serra das Águas, pesqueiros.
Almoços fora acontecem de vez em quando: Ganso, Gerardo, Chico Bento.
Ah, vez por outra, passeamos em São Lourenço, Varginha, Pouso Alegre, Monte Verde.
Bora lá contar um pouco dessas histórias.

Olha a gente aí, em visita ao Parque das Águas!
O Parque das Águas é o principal passeio de nossa cidade, vovô sempre fala quando a família vai visitá-lo.
Ele, então, vai contando a história do parque e as suas histórias, isto é, as artes que ali fazia quando menino.
Ah, vovó também tem histórias:
— Eu gostava de ki suco de água mineral — ela diz.
— Que que é isso, vó?
— Água gasosa, limão e açúcar, que a gente preparava aqui no parque mesmo!
Vovó é do tempo do onça, diz o vovô ralhando com ela...
— Que nada! — ela retruca — Antigamente se fazia um guaraná com água do parque. O Pai Lavo (Olavo Krauss, seu avô paterno) trabalhou anos nessa fábrica...

Cartaz de propaganda do Guaraná Lambary
Como sabem as crianças, o vovô gosta de estudar a memória de sua cidade, que no passado chamava-se Águas Virtuosas de Lambari.
Aliás, ele já até escreveu livros sobre isso:

Nos seus livros, ele diz que a cidade surgiu em torno das fontes de águas minerais, descobertas em 1780.
E sentencia: A história de nossa cidade é a história de nossas águas!
Assim, visitar o Parque das Águas de Lambari com o vovô e vovó se torna uma aula sobre o passado do parque: quem construiu, quem reformou, quem separou e coletou as águas, como era isso, como era aquilo...
Vovô conta um monte de histórias, nos leva para ver a Exposição - Imagens de Lambari, diz que colaborou com a equipe que fez o projeto e o executou — e vai nos mostrando os banners mais interessantes.
Imagem de abertura da exposição "Imagens de Lambari", na entrada do Parque das Águas.
Veja: EXPOSIÇÃO "IMAGENS DE LAMBARI" - Um passeio por nossa história
Isabela, que conhece bem o roteiro, corre à frente, chama as crianças e diz:
— Venham, venham ver o vovô novinho, trabalhando na farmácia!
Mas vovó não deixa barato:
— Isso é do tempo que ele ficava paquerando as meninas do Hotel Rezende!

Nas fontes, uma água mineral que a natureza preparou há 30 mil anos...
Depois, descemos às fontes para saborear a deliciosa água mineral de Lambari.
— Não bebam muito, não misturem as águas, pois pode desandar o intestino, vovô recomenda.
Depois, explica a composição das águas e as recomendações de uso: — Esta é gasosa, aquela alcalina, aquela outra é magnesiana...
E segue nos ensinando: — A número 1 é para os os rins e vias urinárias, a número 2, para estômago e intestino, a número 3...
A seguir, vovó lembra que essas águas são muito antigas, são águas de chuva, têm milhares de anos...
— Não é, Guima! — ela pede pro vovô confirmar a história.
— Água velha não faz mal, vovô? — pergunta Maria Elisa, afastando o copo da bica e esperando resposta.
Como adolescentes questionam tudo e gêmeos têm as mesmas ideias, dizem Leo e Rafa ao mesmo tempo:
— Quem falou que tem 30 mil anos?!...
Vovô balança a cabeça e com poucas palavras resume o estudo sobre a origem das nossas águas e os fatores que as influenciam.
Nosso povinho nas fontes das águas de Lambari
A próxima parada do nosso grupinho foi na Gruta de Nossa Senhora da Saúde — padroeira de Lambari.

— Que igrejinha pequenininha, vô? — disse Paulinho, que não conhecia a gruta ainda.
— Foi aqui que casaram Cecília e Tancredo? — perguntou a Rafa, que ouvira a lenda contada pela vó Mara.
Vovó deu um sorriso e disse — Essa menina tem cada pergunta!
— Não, Rafa, a estória de Cecília e Tancredo — explicou o vovô que conhece a lenda e a história — foi inventada, como toda lenda...
— Eu não conheço a lenda, vô! Conta pra gente! — tornou o Paulinho, que mora em Brasília e não sabia dessa lenda.
— Bem, vou fazer um resumo. Depois a gente passa no supermercado, que lá tem o texto completo escrito num banner, tá bem?
— Pois bem, em A Lenda de Águas Virtuosas narra-se que uma linda moça de nome Cecília estava noiva de um jovem chamado Tancredo. Ela adoecera muito e seu pai, Antônio Alves Trancoso, que morava na cidade de Passos, a trouxe para Campanha, a fim de tratar-se. Passaram-se meses e Cecília não se curava.
— Até que um belo dia, Tancredo conheceu um escravizado de nome Antônio de Araújo Dantas, e esse lhe falou de umas águas ditas santas, existentes numa grota, perto de um ribeirão, do outro lado da Serra da Campanha.
Tancredo contou ao futuro sogro o que ouvira do africano e insistiu para que a trouxessem até as fontes das águas, que jorravam borbulhantes em meio a pedras.
— E Cecília, tendo feito uso da água virtuosa por vinte dias, curou-se de seus males. Em agradecimento, pediu, então, ao pai que erguesse uma capelinha em homenagem à Nossa Senhora da Saúde, e nessa igrejinha se casou com Tancredo.
— E, como se dá sem toda lenda, foram felizes para sempre!
— Mas isso é uma estória e não um fato histórico.
— A estória é inventada, muitas vezes se apropriando de fatos conhecidos. Por exemplo: a cidade de Campanha, a serra, as fontes de água e seus efeitos curativos, o nome Antônio de Araújo Dantas (era o proprietário das terras onde foram descobertas as fontes) são fatos sociais e históricos que foram incorporados à lenda.
— Já nos estudos da História, os historiadores contam o que aconteceu, com base em documentos, estudos e sua visão de mundo.
— Segundo o monsenhor e historiador José Lefort, o criador da lenda teria sido Américo Werneck, que o fez para efeito de propaganda das águas minerais. Mas há também as versões de Armindo Martins e João Carrozzo, memorialistas de Águas Virtuosas do Lambari, derivadas da lenda de Werneck.
— Quando chegarmos em casa, vovô mostra o livrinho que escreveu sobre essa lenda e explica direitinho pra vocês o que é estória, história, lenda, tá bem?

A Gruta de Nossa Senhora da Saúde

— Mas por que que fez a gruta, então, vô?
Vovô explica que essa gruta é fruto da devoção, da crença e do fervor popular, que a história, a cultura e a religião estabeleceram, ao longo do tempo, entre as propriedades terapêuticas das águas virtuosas e a ação protetora dos que se socorrem à Senhora da Saúde.
— Depois das fontes, a gruta é o local mais visitado pelos turistas — vovó acrescenta. — Ela faz parte de um roteiro de fé que cumprem romeiros que visitam Lambari.
Em seguida, vovó puxa a prece para Nossa Senhora, que toda a família acompanha com fervor.
Ah, vovô escreveu sobre isso também. Vejam:


As crianças defronte a gruta de N. S. da Saúde [Guga e Cecília foram acrescentados à foto]
Outros pontos históricos do Parque das Águas
Seguimos caminhando pelas alamedas e vovô avisa que vamos ver monumentos históricos preservados, apesar das muitas reformas por que passou o Parque das Águas de Lambari.
— O Coreto, o Mercado das Flores e os Pavilhões das Fontes 5 e 6 têm mais de um século de existência! — diz vovô de modo enfático.
Ele e vovó querem que os netos conheçam e estimem suas raízes lambarienses.
Vovô para diante do Coreto, não se contém e diz emocionado:
— Este pequeno coreto tem uma acústica formidável!
— Diziam os antigos que ele foi palco de pequenos concertos e saraus, nos quais se tocavam músicas clássicas, entoavam canções românticas e se declamavam textos simbolistas sobre a natureza, as águas virtuosas e a mística deste cantinho do Céu ao pé da Serra das Águas!
— Venham cá! — diz vovó — Falem alto e vocês vão perceber o que o vovô tá falando.
As crianças falam, cantam, gritam e se divertem ouvindo o eco de suas próprias vozes...

O Coreto do Parque das Águas
— O Mercado das Flores remonta a 1911, ao tempo do prefeito Américo Werneck, cuja história já lhes contei — diz vovô, apontando o centenário prédio.
— Não só flores eram vendidas aqui — vovó acrescenta. — Na verdade, tratava-se de uma pequena feira, pois frutas, verduras, legumes eram trazidos para venda à população — esclarece vovó Celeste que é entendida dessas coisas.
— Sim — vovô concorda —, mas com o passar do tempo as coisas foram mudando. Aqui já houve comércio, exposições, shows, bailes... Na prática, o local é atualmente utilizado para pequenos eventos.

Mercado das Flores
Daí, fomos provar as águas das Fontes números 5 e 6, chamadas de Fonte Maria e Fonte Paulina, cujos pavilhões também foram preservados.
— Maria, você é importante! — Leo e Rafa provocam a prima — É nome de fonte de água mineral!
Maria Elisa mostra a língua, e vovô conta a história dos nomes das fontes.
— O nome PAULINA foi dado à Fonte 6 em homenagem ao seu descobridor: professor Dr. Antonio Gabriel de Paula Fonseca.
— Quanto à Fonte 5, o nome MARIA foi dado à fonte descoberta em 1896. Depois mudaram o nome, mas a alteração não pegou.
— Toma, Paulinho — diz vovô oferecendo ao netinho um copo da Fonte 5.
— Eca, vô Guimão! Que gosto ruim!
— Pois é, criançada, estas fontes são medicinais e são pouco utilizadas.
— A número 5 é picante, tem ação diurética.
— A número 6, ferruginosa, tem ação vasodilatadora e hipotensiva.

Antigos pavilhões das Fontes números 5 e 6
Vovô que é grafomaníaco [*] — como diz vovó quando ele não para de digitar... tec, tec, tec... — escreveu também sobre o Parque das Águas e as Águas de Lambari. Confiram:


[*] aquele que tem mania de escrever.
Confira os posts já publicados:
CASA GORDA - Passeios nas férias (2) Parque Novo, Volta do Lago, Alto do Cruzeiro
CASA GORDA - Passeios nas férias (3) Horto Florestal, Chalezinho do Serrote, Pescarias
CASA GORDA - Passeio nas férias (4) O Centro Histórico da Cidade
Confira os áudios vinculados aos posts: