Ilustração: Capa do livro Cypriano Joseph da Rocha - Relato de uma vida entre Portugal e o Brasil na "Idade do Ouro" - do português António Andresen Guimarães, hexaneto de Cypriano - Poços de Caldas, MG - Krauss Editora, 2024 [Montagem. Inserimos na capa o título deste artigo]
O livro Cypriano Joseph da Rocha - Relato de uma vida entre Portugal e o Brasil na "Idade do Ouro" - António Andresen Guimarães - Poços de Caldas, MG - Krauss Editora, 2024, percorre o trajeto de vida do Ouvidor Cypriano, privada e pública, com enfoque no período brasileiro,
Neste post, vamos comentar a jornada empreendida em 1737 por Cypriano Rocha, de São João Del Rey aos Sertões da Serra da Mantiqueira e à Confluência do Rio Verde e Sapucaí, um roteiro turístico-histórico-literário citado hoje como Caminho do Ouvidor Cypriano (COCY), e bem como o percurso do Rio Lambari, assim denominado por Cypriano, e que deu nome a toda uma histórica região do Sul de Minas.
Vamos lá!

Fonte: Andrade & Cardoso. 2023
Alguns comentários sobre o livro:
[III] Não se lhe conhecem qualidades excecionais que justificassem que o seu nome ficasse gravado na História. (...)
Então, por que estamos a falar dele aqui e agora, tantos séculos depois? É que ele gostava muito de escrever cartas, tanto missivas oficiais aos seus superiores, relatando detalhes profissionais, quanto cartas familiares para a sua esposa e outros familiares deixados além-mar. Há alguns poucos anos, seu hexaneto, ANTÔNIO ANDRESEN GUIMARÃES, encontrou em um antigo baú da família documentos e cartas do seu ancestral e tratou de levar aqueles com valor histórico relevante para as autoridades portuguesas. E foi justamente desse material que nos adveio o primeiro momento literário da região, bem como o primeiro roteiro histórico de nosso território sul-mineiro. (Grifo deste autor) [Ref. 14]
A função do ouvidor no Império Português no Brasil era fundamental para a administração da justiça e a fiscalização institucional. Os ouvidores eram responsáveis por ouvir partes, despachar processos, presidir audiências, fiscalizar oficiais locais e garantir a execução da justiça dentro dos limites da jurisdição em que serviam. Eles atuavam em ouvidorias, capitanias, comarcas e terras senhoriais, desempenhando funções análogas às dos corregedores nas terras diretamente subordinadas à Coroa Portuguesa. (Wikipedia)
PEQUENA HISTÓRIA DE ÁGUAS VIRTUOSAS DE LAMBARI
Para entendimento do tema a ser exposto, recomenda-se a leitura dos seguintes tópicos do estudo HISTÓRIA DE ÁGUAS VIRTUOSAS DE LAMBARI- Sertão do Rio Verde, Região do Lambari, Campanha da Princesa:
Tal estudo está disponível no site GUIMAGÜINHAS:
MAPAS, ESTRADAS E ROTAS AO TEMPO DO DESCOBRIMENTO
Já comentamos sobre esse tema em algumas oportunidades aqui no site GUIMAGÜINHAS.
Confira, por exemplos, os seguintes mapas/rotas postos logo abaixo:
Fonte: Ref. 2 - Memórias de Aguinhas - Os caminhos e estradas para Águas Virtuosas de Lambari (1)

Mappa da Capitania de Minas Geraes. José Joaquim da Rocha, 1777 - Reprodução bn.digital.gov.br (melhorado com recursos IA/ChatGPT)

(1) - MILEO, José Nicolau. Subsídios para a História de Lambari - Guaratinguetá, SP : Graficávila, 1970, p. 12
(2) - LEFORT, José do Patrocínio. 8º Anuário Eclesiástico da Diocese de Campanha, 1946

MAPA EXTENSÃO CAMPANHA. Francisco Salles, 1800. Fonte: Cidade Difusa. Cícero Ferraz Caldas, 2016
Neste mapa aparece o Rio Lambari, da nascente até desembocar no Rio Verde



Diz ANDRESEN GUIMARÃES [Ref. 1, p. 185] que a primeira referência à jornada do descobrimento está na carta de 5 de junho de 1737 de Cypriano/Martinho de Mendonça [I], na qual o ouvidor diz:
estou com a resolução de ir repartir um descobrimento de terras minerais que fica nos fins da comarca... a que dispensarei 15 ou 20 dias nas diligências. [II]
Sobre a viagem e seus preparativos, anotou Cypriano [Ref. 1, p. 186]:
servem-se por um rio dois ou três dias; porém eu tenho modo de fazer a diligência para se abrir caminho por terra que me dizem será mais breve jornada.
Como necessitará de apoio militar, pede ao governador que inste esforços junto ao capitão-mor de Aiuruoca.
Cypriano anuncia repetidas vezes que partirá a caminho do Rio Verde [III] e em carta de 23 de julho escreve:
o caminho do Rio Verde se vai abrindo, com cuidado e por respeito dele, não partirei em 29 ou no primeiro de agosto, mas a dous ou três dias, porque o abridor me avisou lhe desse mais dous ou três dias. [Ref. 1, p. 189]
Novamente ocorre atraso na partida, e em carta de 3 de agosto volta a escrever:
ontem me chegou aviso do caminho, já em alta hora [..] e por este motivo não parti, até agora; porém quarta-feira, 7 do corrente, faço, com o favor de Deus, jornada desta vila. [Ref. 1, p. 198]
E ainda não foi desta feita que Cypriano seguiu viagem, pois incômodos de saúde e efeitos da medicação o detiveram. No entanto, está inquieto e informa ao governador:
Do Rio Verde todos os dias, quase, tenho cartas a dizer-me que se não for haverá dissenções e desinquietações (...) eu lhes tenho assegurado que vou, porque já vou sentindo melhora, e em rede ou cavalo faço planos de ir o mais breve que poder. Ser-me-ão necessários mais alguns soldados, havendo-os suposto as notícias que tenho; porém se não os puder escusar, com estes de cá me remediarei. Estando capaz vou. [Ref. 1, p. 199]
Refeito da doença, mas ainda enfraquecido, em que pese às dificuldades, não há como Cypriano adiar mais a partida.
Nesse passo, anota ANDERSEN GUIMARÃES que do "Rio Verde chegam insistências para que inicie a jornada, para que possa avançar a repartição das datas, dos direitos de exploração mineira, embora nem todos o queiram lá" — e transcreve trecho de carta de 11 de setembro :
Do Rio Verde se me está escrevendo todos os dias a falta que faço, uns me querem na repartição, outros não, estes os mais poderosos e como muitas partes das gentes partiram na ocasião que adoeci, estão com ânsia esperando; nesta semana que entra, pelo meio dela, dia mais ou menos, faço planos de partir; tenho rede e a cavalo, porque as forças não me ajudam ainda muito. Mas as necessidades das gentes e o tempo me obrigam; se puderem vir logo dois ou três soldados, estimá-los-ei, porque serão necessários. [Ref. 1, p. 201]
A jornada do descobrimento durou 10 dias — Cypriano partiu no dia 23 de setembro de 1737 e chegou em 2 de outubro de 1737.
Com efeito, ele narra ao governador Martinho de Mendonça em carta de de 4 de outubro que:
cheguei a este descobrimento a 2 do corrente, fiz dez dias de jornada e destes descansei dous que me foi preciso por razão de mantimentos. [Ref. 1, p. 201]
Neste ponto, ANDERSEN GUIMARÃES resume a viagem:
A viagem terá sido feita, como previra, em rede, transportada por escravos, atendendo ao seu estado de saúde que desaconselharia a deslocação a cavalo, numa comitiva que incluiria oficiais administrativos para o auxiliar nas tarefas de demarcação das minas e atribuição das datas, alguns mineiros, um pequeno contingente de soldados, a pé e a cavalo, e algum criado pessoal. Quatro léguas por dia era o ritmo provável do avanço, face às dificuldades em percorrer terras acidentadas, atravessadas por rios, seguindo pelo caminho recentemente aberto.
(*) Adite-se que a diligência de Cypriano durou 73 dias e que entre os componentes da expedição estava o meirinho-geral. [Ref. 1, p. 213].
(**) Meirinho, na época colonial no Brasil, era um oficial de justiça responsável por aplicar a lei e fiscalizar a sua execução nas terras senhoriais. Ele tinha a função de prender, citar, penhorar e cumprir mandados judiciais, atuando como um intermediário entre as autoridades judiciárias e os cidadãos. O termo "meirinho" substituiu o de "tenente" e foi utilizado para designar magistrados que representavam o Rei de Portugal na administração local. [https://mapa.an.gov.br/]
(*) Note-se também que:
"A região que Cypriano atravessa já havia sido percorrida por bandeirantes paulistas, quando estes deixaram as suas terras em busca de índios e também de ouro. Vindos de São Paulo tiveram de atravessar a Serra da Mantiqueira, atingindo depois as cabeceiras do Rio Verde, que dava nome a esta região, conhecida por Minas do Rio Verde ou sertão do Rio Verde, tal como Cypriano refere.
Cypriano tem como missão desbravar aquelas terras, que permaneciam numa semiclandestinidade, fora de qualquer jurisdição efetiva, seja da Capitania de São Paulo, seja de Minas Gerais. Era área de fronteira, disputada pelas autoridades de ambas as capitanias. Cypriano deveria reinvindicá-la para a capitania de Minas Gerais, de acordo com o que fora confirmando por ordem régia de 22 de abril de 1722. (Grifos deste autor) [Ref. 1, p. 202/3].

Ilustração: 1º fólio da 1ª Carta de Cypriano, de 4 de outubro de 1737
Na famosa carta de 4 de outubro de 1737 , Cypriano escreveu o seguinte:
Cheguei a este descobrimento a 2 do corrente, fiz dez dias de jornada e destes descansei 2, que me foi preciso por razão de mantimentos. Tenho passado sem maior moléstia seja Deus Louvado; de Caponari [Capivari] veio um só soldado chamado Manuel da Costa e me disse o outro (?) estava como se não tivesse cavalo por estar incapaz de serviço.
[IV] (1) Caça e pesca devem ter sido os meios de se conseguir mais mantimentos para a viagem — (2) Capivari: é nome de um afluente do Rio Grande, onde havia uma povoação, provavelmente com o mesmo nome. [Ref. 1, p. 188]
As terras destas Minas é uma dilatada Campanha do Rio Lambari para dentro; excepto uma serra que tem seu princípio no mesmo rio e se dilata por espaço de uma légua, toda coberta de matos, por onde vem a estrada que mandei abrir e achei muito capaz. São os ares muito alegres de maravilhosa vista e com melhor assento que as terras de S João de El Rei; tem o rio Lambari copiosa abundância de peixe grosso e miúdo, de admiravel sabor e gosto; por ser todo de pedras o Rio; e com as redes que trouxe fiz uma bem grande pescaria sem muito trabalho. Também me dizem que o Rio Verde é copioso de peixe depois que nele desagua o Rio Baependi que é o rio que se atravessa para estas Minas. [Grifei.]
[V] Três pontos importantes aqui: (1) A abertura da estrada — (2) A descoberta e a nomeação do Rio Lambari, que acabou por designar toda uma região: Região do Lambari — (3) A citação de dois importantes rios da região: Verde e Baependi.
Alguma parte das gentes que estão nestas Minas quiseram fazer oculta a bondade da sua fertilidade para que depois de eu retirado as partirem entre si e sendo eu advertido mandei por um edital que os que encobrirem terras ou corgos que faiscassem seriam degradados para fora das minas e tendo tirado ouro seriam confiscados seus bens para a Fazenda Real; logo se desfez a parcialidade que tanto queriam e com a fama de que as terras não tinham ouro; que ainda na véspera da minha chegada disseram publicamente que não queriam terras e só vieram a país para me obsequiar, mas brevemente desenganados todos querem terras e está sabida a bondade delas. Como trouxe alguns mineiros escolhidos para me informarem que mandei logo fazer experiências se tem avisado que não só os corgos, mas também as terras faço, que pelo que neste breve tempo de dous dias se tem visto entendem ser a ponta geral e serão cinco ou seis léguas de terras minerais; 2ª feira passo a terra chamada Palmela que donde vão continuando as minas que dista daqui três léguas e me informam tem maior potência de ouro; e que continuam as minas por muitas léguas aonde se poderão acomodar uma grande parte da gente destas minas com jornais seguros de meias patacas sem embargos e que tem havido jornais de 8ª e meia cruzados e meios 8ªs os mais comuns e ter havido outros de dois tostões.
[VI] (1) A notícia confirmando a existência das minas de ouro, certamente o mais importante ponto da missão: cinco ou seis léguas de terras minerais e outras léguas a mais... — (2) A distribuição dos lotes aos mineradores — (3) A menção a Palmela, terra aurífera, cortada pelo rio de mesmo nome.
Escolhi a beneplácito de todos sítio para o Arraial adonde mandei fazer um rancho para mim à minha custa; e ordenei que todos fizessem para si no mesmo sítio com ordem de ruas, praça e Igreja; também demarquei terra para Casa de Intendência se vier a ser necessário, como entendo sem dúvida há-de ser necessário e que em breves tempos será preciso mandar a Sua Magestade fazer Vila e por isso dei forma ao Arraial para que não suceda a irregularidade de que se acha nas vilas destas minas.
Tenho intentado que se abra caminho destas minas para o Sapuchai [Grifei.] e tenho esperança de sair com o projecto, se Deus me ajudar e o tempo durar.
[VII] (1) A demarcação/construção do arraial de São Cipriano — (2) Em carta posterior vai afirmar que "descobriu" o Rio Sapucaí
O caminho que mandei abrir que são dez léguas de mato foi o que facilitou a entrada destas minas e a elas vêm todos os mantimentos ainda que caríssimos.
Nos matos houve muita ambição; mandei pôr edital cada um manifesta-se os matos que ocupava, advertindo-lhe não podia ser mais de meia légua e que haviam de ser por sesmarias mandadas passar por V Sa. com pena de as perderem e de dar V Sa. a quem as pedisse, porque há homem que tem ocupado 6 e 8 e 12 léguas e me parecia dar providência para suspender tanta ambição e fazer que todos se acomodem com igualdade.
Suponho me será necessário maior dilação da que entendi antes de entrar neste dilatado País, porém tudo dou por bem empregado no serviço de El Rei sem embargo de que reconheço ser obrigação minha.
Os criminosos por informação que se me deu se retiraram antes da minha chegada.
São as notícias que nestes 2 dias pode a minha diligência alcançar para remeter a V Sa. que, ajudando-me Deus, servindo-me a saúde, ainda não está de todo firme, mas não há-de ficar coisa que não o seja pessoalmente.
Mande-me V. Sa. em que lhe obedeça que me tem sempre certo aos seus pés. Deus me guarde a V. Sa. muitos anos. [*]
[VIII] (1) Menciona novamente o caminho (estrada) que mandou abrir: 10 léguas de mato — (2) Demarcação das datas segundo as normas vigentes — (3) Como fazia parte da missão também prender 2 criminosos procurados, ele informa que haviam se retirado
[*] A transcrição da carta acima foi feita com base em publicação do Polígono Sul-Mineiro do Livro, disponível na Internet, com pequenas retificações por este autor.
Destacamos das últimas cartas oficiais de Cypriano [Ref. 1, págs. 201 e seguintes] os seguintes pontos:
(*) Esse ufanismo foi ressaltado por Paulo [Ref. 13] e Lima [Ref. 14] como comparável à Carta de Pero Vaz de Caminha.
De fato, a missão de Cypriano foi exitosa em muitos aspectos [Ref. 1, p. 212]:
E, por fim, anota ANDRESEN GUIMARÃES que a "passagem de Cypriano pelas terras da Campanha do Rio Verde deixou o seu nome associado ao nascimento de diversos povoados, que o identificam na gênese da sua criação." [Ref. 1, p. 211]

Desdobramento de municípios mineiros a partir da criação, em 1711, do município de Vila Rica. Reprodução. Águas Virtuosas aparece em 1901
[*] REZENDE, Francisco de Paula Ferreira de. Minhas Recordações. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1987.

Os dois caminhos da Estrada Real. Reprodução. Fonte: Instituto Estrada Real.
Os locais assinalados em VERDE são referências do caminho seguido por Cypriano
(*) Capivari, assinalado no mapa, é nome de um afluente do Rio Grande, onde havia uma povoação, provavelmente com o mesmo nome. [Ref. 1, p. 188]
Para facilitar o entendimento deste tópico, vejamos alguns conceitos e termos geográficos.


Referências: https://www.diferenca.com/jusante-e-montante/ e outros sites da internet
O RIO LAMBARI nasce em CRISTINA, vai em direção a OLÍMPIO NORONHA e prossegue em direção ao RIO VERDE.
De OLÍMPIO NORONHA, vai em direção a JESUÂNIA e prossegue até receber o RIO LAMBARI PEQUENO (nome dado ao RIO MUMBUCA ao receber as águas do Lago Guanabara, em Lambari).
Após receber as águas do RIO LAMBARI PEQUENO, o RIO LAMBARI — num ponto conhecido por BARRA DO RIO ITAICI — passa ser tradicionalmente referido por RIO ITAICI.

Mapa dos Rios e córregos do município de Lambari, MG. Fonte: João Carrozzo

Ponte sobre o Rio Itaici
Com o nome de RIO ITAICI, prossegue passando ao largo de CAMBUQUIRA.
A partir daí, o RIO ITAICI segue em direção a TRÊS CORAÇÕES e deságua no RIO VERDE.
Abaixo, vão dois mapas:






DISTÂNCIA DAS POVOAÇÕES NOS ANOS 1700
Vamos comentar superficialmente a questão das medidas utilizadas naquele período colonial, visto que:
Hoje tem-se que uma légua corresponde a 4,82804 quilômetros.
Nos trechos do livro que estamos comentando [Ref. 1, págs. 185 a 206], os documentos se referem diversas vezes a léguas, como nestes exemplos:
Apenas para ilustração, veja-se o mapa a seguir, de 1800, que mostra a distância em léguas entre Campanha (MG) e diversas povoações no seu entorno.

Fonte: MAPA EXTENSÃO CAMPANHA. Francisco Salles, 1800. Fonte: Cidade Difusa. Cícero Ferraz Caldas, 2016
O lançamento da edição brasileira do livro Cypriano Joseph da Rocha - Relato de uma vida entre Portugal e o Brasil na "Idade do Ouro", de António Andresen Guimarães, foi feito pela Krauss Editora, no dia 6 de setembro de 2024, no maior evento cultural e literário da América Latina, a 27a Bienal Internacional do Livro de São Paulo.
Naquela oportunidade, além do lançamento da edição brasileira, aconteceu a assinatura de um Acordo de Cooperação Turística Internacional entre a Quinta de Cypriano, no Norte de Portugal, representada por António Andresen Guimarães e o Museu da Conversa Macanuda, MuCMac, no Sul de Minas Gerais, representado por Magda Krauss. Este, um espaço museal, que conterá todos os fac-símiles das cartas oficiais e particulares do Ouvidor Cypriano e um polo de internacionalização do turismo literário do e no Sul de Minas Gerais, uma vez que já conta com cerca de uma centena de roteiros turísticos literários, como é o caso do Caminho do Ouvidor Cypriano, o COC.

https://krausseditora.com.br/product/celeste/
Ilustração: Volta do Lago em Lambari, MG, por onde caminho diariamente, e o ipê amarelo inclinado, diante do qual faço minhas orações por minha esposa que partiu.
Caricatura. Celeste e Guima. Caminhada ao sol, de mãos dadas, na Volta do Lago de Lambari (Fonte: ChatGPT)
Dias atrás, escrevi sobre os passeios em torno do Lago de Lambari que fazia com minha mulher Celeste.
Pois bem, após sua partida (3/2/2025), tenho caminhado quase todo dia uma vez pela manhã e outra à tarde, e sempre dou uma paradinha num ipê amarelo inclinado, (próximo do Edifício Moura & Silva) onde faço minhas preces por ela.
Caminho geralmente sozinho, parando aqui e ali para conversar com conhecidos e explico:
— A caminhada da manhã é recomendação médica. A da tarde, exigência do coração!
De fato, o entardecer, abrindo a noite, sempre é mais difícil pra quem fica só...
E vou cantarolando/solvejando/assoviando nossas músicas, costume que tenho desde o início do nosso namoro, como modo de me recordar e ferir a saudade que inevitavelmente se instala no peito da gente.
Primeiro, a música que marcou nosso primeiro encontro, na Banco da Fonte, em dezembro/Natal de 1972:
Quero ver/você não chorar
Não olhar para trás
Nem se arrepender do que faz
Quero ver/o amor vencer
Mas se a dor nascer
Você resistir e sorrir...
E depois tantas e tantas outras, como estas:
— ... Beijando seus lindos cabelos/que a neve do tempo marcou...
— ... Vida da minha vida/lua que encandiou/uma canção bonita/feita pro meu amor...
— ... Eu fiz uma cantiga tão antiga pra você/pensando só fazer você lembrar...
— ... Se você quer ser minha namorada/Ah, que linda namorada/Você poderia ser...
— ... Olha aqui/preste atenção/essa é a nossa canção/vou cantá-la seja onde for/para nunca esquecer o nosso amor...
— ... Ainda bem/Que agora encontrei você/Eu realmente não sei/O que eu fiz pra merecer/Você...
— ... Você é linda/mais que demais/você é linda sim...
— ... Eu sei que vou te amar/Por toda a minha vida eu vou te amar...
— ... Onde você estiver/não se esqueça de mim/com quem você estiver/não se esqueça de mim...
— ... Deixa eu dizer que te amo/deixa eu gostar de você/isso me acalma/me acolhe a alma/isso me ajuda a viver...
— ... Diz agora o que é que eu faço pra viver/Se a cada dia é mais difícil te esquecer?...
— ... São beijos são abraços/são palavras de emoção/e um amor igual em nosso coração...
— ... Volta/vem viver outra vez ao meu lado/não consigo dormir sossegado/pois meu corpo está acostumado...
— ... Quantas vidas eu viver/Em todas vou amar você...
— ... Deus está aqui/certo como o ar que eu respiro...
— ... Eu te desejo vida/longa vida/eu te desejo a sorte de tudo que é bom/de toda alegria ter a companhia...
— ... E abençoai o amor que destes para mim/Mas não deixeis que entre nós dois exista mais ninguém/Que seja assim até morrer, amém!
— ... Ah, você está vendo só/Do jeito que eu fiquei e que tudo ficou/Uma tristeza tão grande/Nas coisas mais simples que você tocou...
— ... Lembro a saudade/Que hoje invade os dias meus/Para meu mal lembro afinal/Um triste adeus...
— ... Fiz meu rancho na beira do rio/Meu amor foi comigo morar/E na rede nas noites de frio...
— ... Se eu não puder te esquecer/Mando dizer numa flor/Mando uma estrela avisar...
— ... Meu amor, ah, se eu pudesse te abraçar agora/Poder parar o tempo nessa hora/Pra nunca mais eu ver você partir, meu amor
— ... Ando devagar/porque já tive pressa/e levo este sorriso/porque já chorei demais...
— ... Ela é a luz que alumia meu ser/sem seu amor não sou nada...
— ... Já não estás mais ao meu lado coração/a minhalma está cansada de sofrer...
Em tantos lugares moramos — Lambari, Cascavel, Varginha, Juiz de Fora, Brasília, Belo Horizonte —, e em todos sempre juntinhos...

Nós dois, juntinhos na Volta do Lago

Nós dois, juntinhos no Sudoeste/Brasília

Nós dois, juntinhos no Parque Bosque do Sudoeste/Brasília

Nós dois, juntinhos no Sudoeste/Brasília

Nóis dois, juntinhos em Pirenópolis (GO)

Nós dois, juntinhos em Trindade (GO)

Nós dois, juntinhos no Parque das Águas de São Lourenço, dia 1º/jan/2025
Última foto juntos, ela viria a falecer um mês depois (3/2/2025)
ÍNDICE DA COLETÂNEA RECORDAÇÕES DO MEU BEM-QUERER
Ilustração: Capa do livro/e-book PARA CONHECER MARIA BELA, de Celeste Krauss, a ser lançado brevemente

Veja este post: Para saber mais sobre CELESTE KRAUSS
https://guimaguinhas.prosaeverso.net/blog.php?idb=69847
Na série Memórias de Celeste Krauss, estamos resgatando anotações dessa autora acerca da criação da personagem MARIA BELA.
Em post anteriores — números 1, 2 e 3 desta série — falamos [1] de suas cadernetas e anotações, [2] do nascimento da ideia da criação da personagem MARIA BELA e [3] da construção da personagem MARIA BELA.
Confira:
Neste número 4 da série, trazemos a historinha PARA CONHECER MARIA BELA, escrita por Celeste Krauss em 2017.
O texto, num formato de Diário de Menina, tem o subtítulo Pequena História dos meus primeiros anos e foi narrado pela personagem MARIA BELA.
A linguagem carrega um tom poético, mas transborda a personalidade da menina — irreverente, observadora, impulsiva, destemida, bem-humorada — devendo ser lida de forma aligeirada para se sentir a expressividade e o ritmo das frases.
Outra característica da linguagem: ela é concisa, direta e certeira, expressando e descrevendo muita coisa em poucas palavras.
Este post traz apenas o texto (seco) da historinha PARA CONHECER MARIA BELA, narrando os primeiros anos de sua trajetória.
Pois bem, está em fase de preparação uma edição anotada da historinha PARA CONHECER MARIA BELA, de Celeste Krauss, na qual este autor pretende comentar pontos da história, da escolha dos personagens, as pessoas que inspiraram certas passagens da trama, a linguagem utilizada, termos do vocabulário, etc.
Serão incluídos também trechos de A GUERRA DA ESPINGARDINHA nos quais a personagem MARIA BELA faz comentários, ora espirituosos, ora atrevidos, ora indignados...
Além disso, essa edição trará, em ANEXO, dados biográficos da autora e um resumo dos 3 posts citados acima, que antecederam a divulgação da historinha.
Essa edição terá o nome alterado para EU SOU MARIA BELA
Aguardem!
Voltar
Alguns personagens caricaturizados que vão aparecer no texto e, posteriormente, figurar no livro/e-book que será editado.
Confira:
Maria Bela (inspirada em foto da Celeste, quando menina) e os pets Babi e Bruma
Vô Pedro, inspirado no sr. Pedro Couto (bisavô dos nossos netos Maria Elisa e Paulo Emílio), aqui pronto para viajar, conforme se narra abaixo
Os pets Babi – inspirada em cachorrinha da Família Guimarães, que atravessou gerações – e Bruma – uma velha e corajosa espécime do cão fila brasileiro, reconhecido como companheiro fiel e protetor de seus donos

Aqui estão Vó Dina e Vô Pedro, inspirados no casal Leondina e Pedro Couto

• As filhas, cujos nomes remetem a flores: as tias Tulipa Rubra e Pétala Rosa, e Alva Flor, a mãe de Maria Bela (elas têm um quê da Emília Bacha (Milita), com quem trabalhei (ainda menino) na Farmácia Santo Antônio, e que me ensinou muitas coisas, como conto no livro Menino-Serelepe)
PARA CONHECER MARIA BELA - Pequena história dos meus primeiros anos
Veja abaixo o texto, com com anotações, ilustrações e comentários, da historinha inédita de Celeste Krauss:




Vô Pedro e Vó Dina, no sítio


As tias Tulipa Rubra e Pétala Rosa, e Alva Flor, a mãe de Maria Bela





Vô Pedro e Maria Bela, no táxi do Digofrê, na Volta do Lago
Os netos Cecília e Paulo Emílio e a letra do Hino de Lambari, no Parque das Águas

Os trechos deste Capítulo 9 fizeram parte do livro A GUERRA DAS ESPINGARDINHAS, conforme já contamos linhas acima.



Ilustração: Gravura da personagem-menina MARIA BELA e as pets BRUMA e BABI, conforme criação de Celeste Krauss, em 2017
Na série Memórias de Celeste Krauss, estamos resgatando anotações dessa autora acerca da criação da personagem MARIA BELA.
Neste terceiro post, vamos examinar como ela elaborou/modelou/caracterizou (com pequena ajuda deste autor) a referida personagem (que aparece em diversas passagens de nossos escritos — nos meus e nos de minha mulher).
Note-se que essa série Memórias de Celeste Krauss é narrada, em parte, pela autora, sendo outra parte redigida/editada por este autor com base em diversas cadernetas notas e arquivos digitais que ela deixou, nas muitas conversas sobre memórias/histórias/causos familiares com que nos entretemos e nas trocas de ideias sobre escrita literária que fazíamos.
Vamos lá!
No segundo semestre de 2014, logo que me aposentei, deixamos Belo Horizonte e retornamos a Lambari.
Uma mudança que eu não queria fazer — tantas já havíamos feito em nossas vidas, em razão do serviço público que abraçamos — mas não teve jeito: GUIMA queria por que queria residir, enfim, na CASA GORDA — na qual pouco moramos desde que a construímos no início dos anos 1980...
Bem, afinal voltávamos definitivamente (?) à CASA GORDA, que vínhamos chamando de RECANTO DOS NETOS na série de postagens do site GUIMAGÜINHAS.
(Ah, tem uma boa história sobre essa mudança, que um dia vou contar, ou seja: o trabalhão que tivemos com a livralhada do GUIMA no apartamento de Belo Horizonte e na chegada a Lambari...)
Acomodados móveis, livros, roupas e trastes da cozinha, fui organizar os retratos e memórias da família, montar uns scrapbooks, visto que esses materiais ficavam na residência de Lambari.
Ao guardar a documentação pessoal e das nossas aposentadorias, me dei conta de que havia ganhado da BINGA, minha tia-avó — irmã de vó Emília — uns documentos e antigas fotos da família BISPO.
Como o GUIMA sempre teve mania de guardar “retratos, papéis e documentos velhos”, passei-lhe a incumbência de guardar os da minha família, pois se cuidava dos dele, podia bem cuidar dos meus...
(Tadinho, ele guardou papéis e livros para contar meu tempo de serviço perante a previdência durante mais de 40 anos... E tem guardado também o certificado de reservista do seu bisavô Giuseppe Gentili, que deverá instruir futuro processo de cidadania italiana dos nossos filhos).
Em Lambari, a partir de 2015, adquirimos um terreno contíguo à CASA GORDA e fizemos uma entrada de carros, uma garagem e um área gourmet, com churrasqueira, rede, essas coisas. Ah, e mais um cantinho pro GUIMA botar livros...
APRENDER COISAS NOVAS É MUITO BOM
Continuei trabalhando com meu marido na série RECANTO DOS NETOS e passei a ler sobre técnicas literárias e discutir com ele algumas questões — visto que comprara manuais de criação literária, estudara essas técnicas e já havia publicado seus livros.
Ele queria muito que eu escrevesse minhas histórias: — Você tem a cabeça cheia de histórias, Celeste. Tem que pôr no papel — dizia.
Bem, agora aposentada, arrumei meu cantinho e um caderno de notas, ganhei um Dell de presente do maridão, peguei uns livros que ele selecionou e fui estudar uns pontos de criação literária.
Quando se estuda e se pensa em escrever surgem ideias e ideias, relembram-se acontecidos familiares e causos contados pelos avós, que fui anotando num caderno pautado.
Assim, tempos depois, comecei a pensar formas de moldar a personagem MARIA BELA, que eu e GUIMA idealizamos quando estávamos em Belo Horizonte (2014).
Era preciso contar sua história de vida, delinear sua personalidade, integrá-la à nossa cidade [que tomou o nome literário de AGUINHAS, já escolhido pelo meu marido] e torná-la próxima de pessoas de nossas famílias e da "sociedade lambariense", visando a inserir a personagem em nossas memórias/histórias, quando fosse o caso.
(De fato, a gente queria que MARIA BELA fizesse parte tanto das minhas histórias/memórias, quanto das dele.)
Me sentei com o GUIMA certa noite e fizemos uma “tempestade de ideias”, listando tópicos que me ajudassem a compor a personagem MARIA BELA: pessoas, nomes, situações, memórias de antigas famílias, “causos” que se contavam na nossa infância, colegas de escola e brincadeiras, expressões, nome das coisas, animais, vocabulário, modo de falar, etc.
E discutimos também o modo de narrar a história de MARIA BELA...
Enfim, chegamos à conclusão de fazer um “diário de menina”, com a personagem contando sua história na primeira pessoa, ao seu modo, isto é: de forma alegre, dinâmica, numa linguagem cheia de sentenças terminantes, ditos curiosos e frases e expressões costuradas por hifens, muitos deles correntes na língua e outros criados por ela mesma...
DE ONDE SAEM OS PERSONAGENS, OS LOCAIS E COISAS E AS PALAVRAS?
Quanto aos personagens, fizemos uma lista dos que entrariam na história de vida de MARIA BELA: Vovô Pedro e vovó Dina – Filhas de Pedro/Dina – Pai de Maria Bela – Mãe de Maria Bela – Vó (materna de Maria Bela) – Cachorra Bruma – Cadelinha Babi, amigos e colegas de escola, entre os principais.
Para cada um desses personagens imaginamos pessoas reais e conhecidas, para termos em mente nome/imagem/personalidade/modos de vestir e falar, gostos pessoais, etc.
Isso auxilia no trabalho de caracterizar e descrever os personagens.
Bruma e Babi foram inspiradas em animais da família.
Quanto aos LOCAIS, tivemos de pensar na cidade (que seria Lambari/Aguinhas), no sítio da família e sua localização, no grupo escolar e outros logradouros.
Visualizar e contextualizar esses locais facilita a descrição, o movimento das personagens, etc.
Quanto às COISAS, anotamos nomes de objetos incomuns ou antigos.
Bem, aqui não tivemos problema, pois o GUIMA durante anos montou um arsenal de palavras/expressões/nomes/frases feitas, etc.
Ele recortava trechos de jornais e revistas, fazia leituras anotadas de romances, contos e poesias, colhia palavras de dicionários diversos...
Quando viajávamos, pedia que anotasse numa caderneta nomes incomuns de placas, de localidades, de rios, de pessoas, de estabelecimentos à beira da estrada...
(Aliás, foi numa dessas viagens que ele viu a placa: BAIRRO MARIA BELA, e disse: — Olha meu bem, MARIA BELA — Maria Elisa + IsaBela — pode ser um bom nome para a personagem que queremos criar...)

Depois digitava pacientemente extenso rol de palavras/nomes/expressões, etc. para futuras consultas.
Em paralelo, inventou um formulário para registrar ideias/planos/esboços de histórias e memórias que pretendia narrar, formulário esse que acabei usando também. [Ele tem mania de formulário e vai criando um monte deles...Vejam o ANEXO no pé deste post. ]
Sua mesa vivia cheia de papéis, uma infinidade de lápis e canetas ao alcance da mão, livros esparramados por toda o escritório — e também pelo banheiro, pela varanda, pela rede — ele tinha, contudo, uma memória infalível de localizar o que precisava...
Ai de quem arrumasse sua bagunça e tirasse alguma coisa do lugar!
Quando o GUIMA terminava um texto qualquer, pedia que eu lesse em voz alta, devagar, para sentir o tom, a expressividade, o ritmo das frases.
Quando notava algum “defeito", interrompia a leitura e anotava o ponto para conferir depois, quando fosse revisar o texto.
Desenvolveu também um método de autorrevisão, uma espécie de checklist do texto, que acabaria divulgando mais tarde no site GUIMAGÜINHAS.
A formação técnica do GUIMA é Contabilidade, mas ele se autoinstruiu em Redação, inspirado talvez por suas professoras de português: Maria Rita Lisboa Pereira Santoro e Sônia Gorgulho.
Aliás, a primeira professora citada acima — Maria Rita, minha tia-avó — é prima de duas literatas lambarienses da família Lisboa: Alaíde e Henriqueta.
GUIMA criou um método prático de redação pessoal, mediante o qual o próprio autor pode desenvolver ou atualizar competências de planejar, redigir e revisar seus textos pessoais, profissionais e acadêmicos.
Algumas ferramentas desse método — Pequeno roteiro para produção e revisão de textos, Lista simplificada de elaboração de texto e Lista simplificada de correção de texto — podem ser examinadas no site GUIMAGÜINHAS:
As ferramentas de planejamento/redação/revisão de textos mencionadas acima, e outras que desenvolvi posteriormente, foram, a partir de 2020, disponibilizadas no site https://www.textopratico.com/.
Veja estes materais:
Ah, foi importante também a ajuda do meu marido para que eu encontrasse o tom da narração.
Como devia falar/escrever de forma alegre e dinâmica uma personagem/menina geniosa, arteira, mordaz, que fora criada no interior e na capital, que estudou em escola pública e em requintado colégio particular, que recebeu aulas de gramática, redação, boas maneiras, etc. de uma refinada tia intelectual?
Bem, mexendo e remexendo na narração, ajustando aqui e ali, acabei encontrando um jeito de dar voz à personagem Maria Bela.
E assim fui em frente...
NASCE A HISTORINHA PARA CONHECER MARIA BELA
Escreve, rabisca, corta, emenda, põe, tira — quem escreve sabe quantas vezes se mexe num texto (tira, põe, tira de novo, muda aqui, muda ali...) até a versão final... Ainda mais quando se tem um marido xereta conferindo cada linha! — e a historinha PARA CONHECER MARIA BELA foi surgindo, e cheguei à versão que vai ser divulgada em próximo post.
Ficou boa? Não sei.
Vamos ver como funciona à vista dos (possíveis) leitores do meu texto.
Só eles (se eu os tiver) poderão um dia me dizer...
Lambari, julho de 2017
Celeste Krauss


Em 2022, eu lancei o livro A GUERRA DAS ESPINGARDINHAS, no qual utilizei a parte inicial do texto PARA CONHECER MARIA BELA.
Como ficou dito acima, no quarto post da Série Memórias de Celeste Krauss divulgaremos a íntegra da historinha PARA CONHECER MARIA BELA, como também mais à frente lançaremos um e-book com o seguinte conteúdo:

Capa (sugestiva) do e-book que vem sendo preparado
PÓS-ESCRITO: Anotações de Celeste Krauss
Veja o texto Anotações de Celeste Krauss: https://guimaguinhas.prosaeverso.net/blog.php?idb=69499#CAD
ANEXO - MODELOS DE FICHAS DE ANOTAÇÕES E ESTUDOS



Ilustração: Montagem da memória COMO SURGIU A PERSONAGEM "MARIA BELA", (Celeste Krauss, Belo Horizonte, 2014), na qual foi incluída figura da autora quando menina
Neste segundo post da série Memórias de Celeste Krauss, vamos resgatar anotações dessa autora sobre o nascimento da ideia da criação da personagem MARIA BELA (que aparece em diversas passagens de nossos escritos — nos meus e nos dela).
Note-se que essa série Memórias de Celeste Krauss é narrada, em parte, pela autora, sendo outra parte redigida/editada por este autor com base em diversas cadernetas, notas e arquivos digitais que ela deixou, nas muitas conversas sobre memórias/histórias/causos familiares com que nos entretemos e nas trocas de ideias sobre escrita literária que fazíamos.
Vamos lá!

Acima, recortes de figuras originais. Abaixo, as figuras revitalizadas por IA

Começava o ano de 2014...
Em 2013, eu e GUIMA estávamos lá pensando no que fazer depois da aposentadoria...
Ele se aposentou em 2012, e eu provavelmente sairei em meados deste ano de 2014...
Lembro-me que no início de 2013 começamos a rabiscar planos: — voltar pra terrinha, e — a partir de lá — dar mais tempo aos filhos e netos, viajar, visitar parentes e amigos, conhecer a terra dos antepassados, fazer turismo cultural, pescarias — essas coisas que os filhos criados e a aposentadoria permitem...
AH, ESCREVER MEMÓRIAS E “CAUSOS” DA FAMÍLIA TAMBÉM ERA UM SONHO NOSSO!
MEU MARIDO SEMPRE INCENTIVOU QUE EU ESCREVESSE
GUIMA me prometera, no início do nosso namoro, em dezembro de 1972, que escreveria um livro sobre “os causos e modos da parentalha” — palavra que cumpriu em 2009, quando lançou MENINO-SERELEPE.

E no mesmo ano escreveu ABIGAIL [MEDIUNIDADE E REDENÇÃO], contando a história de sua tia Abigail Guimarães e a luta de seus avós para curar a filha de terrível processo obsessivo.
Ainda em 2013, terminou uma novela paranormal intitulada OS CURADORES DO SENHOR.
(Quando ele trabalhava nesse livro, ocorreu comigo um fato interessante, que vou contar em outra oportunidade — uma informação mediúnica sobre certa passagem da novela em cujo texto ele trabalhava...)
Foi nesse clima que em 2013 eu também comecei a escrever memórias e histórias...
Com ele aprendi organização de escritório e arquivos, escrituração e direito fiscal e previdenciário, legislação tributária, contabilidade e encerramento de balanço, e aprendi também gerência empresarial e técnicas de administração e comunicação...
Ele sempre me ajudou nos trabalhos da faculdade e de pós-graduação...
E foi também o maior incentivador para que eu, além contar e inventar histórias, passasse a escrevê-las, me auxiliando nisso também.
O PRIMEIRO LIVRO E A SÉRIE "RECANTO DOS NETOS"
Publiquei, em 2013, o livro infantil O GALO E A CORUJA CUPINZEIRA, ilustrado por minha colega FABI MARTINS, e vinha, juntamente com o GUIMA, contando histórias e acontecidos dos nossos netos, dentro de uma série intitulada RECANTO DOS NETOS (fui eu que escolhi esse nome), publicada no site GUIMAGÜINHAS, que ele criara um pouco antes (março de 2013).
.
Veja aqui: https://guimaguinhas.prosaeverso.net/visualizar.php?idt=5216353

Me lembro que, ao contar as memórias/histórias e divulgá-las no site, misturávamos as vozes da narração. Isto é: — ora eu narrava, ora GUIMA narrava, ambos na primeira pessoa. E, às vezes, adotávamos um narrador em terceira pessoa.
Como minha memória sempre foi melhor do que a dele para resgatar as histórias e lembrar de locais, datas e detalhes com facilidade, eu costumava, de vez em quando, dadas as minhas correrias de mulher/mãe/servidora pública, anotar os tópicos principais de uma memória/história, para que ele pudesse desenvolver.
E depois vinha "conferir" tim-tim por tim-tim se estava do meu agrado...
E a cada “errinho” ou “omissão” que eu apontava, ele balançava a cabeça desanimado com essa mulher detalhista e perfeccionista — como ele dizia — me chamando de Emília (referindo a minha avó) e cantarolando o refrão de Mulher de fases dos Raimundos — Complicada e perfeitinha/você me apareceu...
E eu sou mesmo!
E desse modo — numa parceiragem carinhosa — fomos contando e compartilhando no site GUIMAGÜINHAS as memórias dos antepassados, as histórias pessoais, os acontecidos dos netos e da nossa FAMÍLIA SALLES-KRAUSS/LOBO-GUIMARÃES...
PARCERIA NA VIDA, NAS HISTÓRIAS E NAS ESCRITAS
E assim foi que em 2013, pensando em como íamos levar a vida pós-aposentadorias, conversamos muito sobre causos familiares, sobre contação de histórias, sobre livros, sobre redação literária, etc...
(E eu sempre lá me metendo nos escritos dele: põe isso, tira aquilo, não gostei — essas coisas de mulher palpiteira... Mas sei que ele gostava de me ouvir, pois quase sempre fazia correções que eu sugeria).
Aliás, na redação dos livros que ele lançou em 2009 e 2013 dei muitas contribuições, não só quanto a fatos, pessoas, nomes, como também informações mediúnicas que recebi de seus parentes desencarnados para elaboração do livro ABIGAIL (um dia certamente ele deverá contar como se deu isso).

Nós dois, aos 10 anos, juntinhos! (De fato, só vamos nos encontrar após os 15 anos)
E naquela época — março de 2013 — estávamos escrevendo sobre os netos (e sempre contei, inventei e encenei histórias para eles — habilidades que me vinham desde a meninice), dentro da Série RECANTO DOS NETOS, aí me veio a ideia de criar uma PERSONAGEM, fosse pra contar as histórias, participar delas ou vivê-las como protagonista, quer nas minhas histórias, quer nas histórias do GUIMA.
Assim como dividíamos tudo na vida a dois, faríamos o mesmo com a personagem MARIA BELA.
E assim foi... Conversamos bastante sobre isso e decidimos que seria uma personagem feminina, inspirada em nossas netas, que tomaria o nome delas: MARIA ELISA e ISABELA.
Iniciamos, então, a “criação” da MARIA BELA.
Eu também vou criar minha personagem para contar as Histórias de Celeste Krauss!
Buscando inspiração, selecionamos 3 livros para reler: Emília no País da Gramática (Monteiro Lobato), Silvia Pélica na Liberdade (Alfredo Mesquita) e Minha vida de menina (Helena Morley)
Bem, eu escolhi EMÍLIA, que, como se sabe, é geniosa, impulsiva, desafiadora, irreverente... Além do nome, EMÍLIA tem muito a ver comigo, eu que fui menina que andava de latinha, jogava finca, bolinha de gude e bete, rodava pião, soltava pipas e vendia garrafas para ir ao cinema — ou seja, fiz travessuras e aprontei coisas como a personagem do Lobato...
Para contrapor à geniosa EMÍLIA, buscamos uma personagem que pudesse contrabalançar a personalidade da espevitada boneca de pano. E, assim, escolhemos SILVIA PÉLICA, uma menina sensível, introspectiva, observadora, reflexiva...
MORLEY foi escolha do GUIMA: queria uma personagem um pouco mais velha que fosse narradora de histórias, que falasse de si mesma, completando assim as características de EMÍLIA e SILVIA.
Irônica, espontânea, bem-humorada — MORLEY veio a compor bem o modelo que estávamos imaginando pra nossa MARIA BELA...
Assim foi que escolhemos edições antigas dos livros e “copiamos” as figuras das capas, pensando eu em pedir a FABI MARTINS [*] — que ilustrara meu primeiro livro — para desenhar nossa MARIA BELA, inspirada por aquelas imagens.
De modo que compramos os livros e demos início à releitura, anotando, além de palavras e expressões, aspectos interessantes para compor nossa personagem.
Esperamos que ela seja arteira como PÉLICA, geniosa como EMÍLIA, mordaz como MORLEY.
Vamos ver no que vai dar...
Belo Horizonte, janeiro de 2014
Celeste Krauss
[*] Essa ideia acabou não se concretizando, pois, com o retorno para Lambari, Celeste perdeu contato com sua colega.

PÓS-ESCRITO: Anotações de Celeste Krauss