Ilustração: Crianças pedalando num parque, próximas de um pequeno lago. Imagem gerada por IA/Copilot/Microsoft
Este texto faz parte do livro A CASA GORDA - Recanto dos netos - Tomo V — por Celeste Krauss e Antônio Carlos Guimarães — editado por este último.

Aqui no SITE GUIMAGÜINHAS, numa série de posts intitulada A CASA GORDA - Recanto dos netos, contamos histórias e acontecidos da FAMÍLIA GUIMARÃES, como a construção da nossa casa nos anos 1980, a origem do nome Casa Gorda — apelido dado pelos netos à nossa residência em Lambari —, lances da vida em família, brincadeiras e travessuras dos netos, etc.
Como moramos fora de Lambari por mais de 30 anos, a Casa Gorda se transformou na casa de férias da família.
Nesse compasso, a Casa Gorda ficou sendo, na prática, a casa dos netos — na qual tem muita comida, guloseimas, brincadeiras, histórias, carinho — e muita, muita diversão!
Pois bem — desse modo, vamos recordando os anos em que os netos foram chegando, crescendo e passando férias na Casa Gorda — e nela deixando suas histórias/memórias: brincadeiras, atividades, passeios, aventuras...
E vai tudo numa linguagem simples, leve, brincalhona — como somos nós os Guimarães: brincalhões, leves e simples...
Agora vem o número 6 da Série: Passeios nas férias: Parque Novo, Volta do Lago, Alto do Cruzeiro
Vamos lá!
OBJETIVO DA COLETÂNEA HISTÓRIAS DA CASA GORDA
Eis os motivos por que resolvemos compartilhar nossas memórias familiares, especialmente após a partida da nossa Celeste:





Férias na Casa Gorda não são só brincadeiras e diversões confinados no Alto Boa Vista!
Descemos ao centro da cidade todos os dias — e aí podemos fazer diversas coisas: apanhar água no Parque, fazer compras, tomar sorvete, passear de charretinha, ir no pula-pula, dar uma passadinha na livraria, caminhar pelas ruas do centro olhando as lojas...
Olhar vitrines de lojas, fazer supermercado e quitanda é com a vó Celesta — que também gosta de nos levar a sorveterias e lojas de doces.
Vovó é mais prática, vovô é sonhador.
Ele gosta mesmo é de nos mostrar o Centro Histórico da cidade e suas belezas: Cassino, Farol, Barragem, Duchas e a portentosa Igreja Matriz de Nossa Senhora da Saúde!
E fazemos também caminhadas: Parque das Águas, Parque Novo, Volta do Lago, Volta da Mata, Alto do Cruzeiro...
Vamos a lugares mais distantes também: Chalezinho do Serrote, Horto Florestal, Serra das Águas, pesqueiros.
Almoços fora acontecem de vez em quando: Ganso, Gerardo, Chico Bento.
Ah, vez por outra, passeamos em São Lourenço, Varginha, Pouso Alegre, Monte Verde.
Bora lá contar um pouco dessas histórias.
O Parque Wenceslau Braz, popularmente conhecido como Parque Novo (recebeu este nome para contrastar com o Parque das Águas, o primeiro a ser construído), é obra de Américo Werneck e foi inspirado num “parque inglês”, em ponto menor.
Quando inaugurado, possuía canteiros floridos, quiosques rústicos e tufos de árvores e folhagens, ao redor de pequenos lagos formados pelo espraiamento das águas represadas do rio Mumbuca.
Deveria ser uma área de exercícios, descanso e lazer.

Vista do Parque Novo, quando de sua inauguração (Fonte: Revista Fon Fon, 1910)

Alameda arborizada do Parque Novo
Ao longo dos anos, o Parque Novo sofreu diversas mudanças, mas em linhas gerais manteve o arvoredo, o laguinho dos patos, a piscina pública, quiosques e alamedas entre as árvores, pontos de aluguel de bicicletas. E bem assim algumas novidades interessantes, como a cidade das crianças e um pequeno parque infantil.
Atualmente, está completamente abandonado.
Mas, em certa época da vida de nossos netos, pudemos com eles passar horas agradáveis no Parque Novo.

Maria e Bebela se divertem com os avós

Vô Guimão e Bebela no Parque Novo, perto da piscina pública

Leo, Rafa, Maria e Bebela, curtindo o Parque Novo

Vovó Celeste e Cecília na ponte do Laguinho do Parque Novo
A Volta do Lago é o trajeto que se faz circundando o Lago Guanabara, cujo nome – por guardar semelhança com a Baía de Botafogo — foi uma homenagem de Américo Werneck à capital do Rio de Janeiro.
É um dos passeios tradicionais de nossa cidade.
Desse modo, quer seja de carro, bicicleta ou a pé, aproveita-se muito a beleza do espelho d'água, o ar puro, a vista do Cassino, da Serra das Águas e dos bairros e condomínios do seu entorno.
Com nossos netos, fizemos muitas caminhadas e piqueniques por lá.
Os gêmeos Rafa e Leo deviam ter seus 5 anos, quando fomos dar um passeio de carro pela Volta do Lago.
Na saída, passei no posto para abastecer e calibrar pneus, os dois saltaram para o banco do motorista e começaram a fuçar em todos os botões e controles do carro — faróis, limpador de para-brisas, setas, rádio, ar-condicionado — numa disputa pra ver quem mexia mais...
Quando tomei a direção — foi aquela festa! — eu reclamei e os dois riram e riram do pobre avô!
Pois bem, fui dirigindo bem devagarinho, dizendo que havia alguma coisa errada com o carro:
— Meninos, o que vocês fizeram com o carro! Ele ficou maluco, não obedece ao vovô!
Aí fui dizendo: farol não funciona, seta não funciona, freio não funciona, direção tá maluca, viro pra direita, o carro vai pra esquerda...

Quando cheguei na rampa de acesso de barcos, na curva da entrada da Volta da Mata, apontei o carro pro lago e disse:
— Se segurem que o carro quer entrar na água! Ele tá maluco, não obedece ao vovô!
— Não, vovô!!! Não faz isso, não deixa acontecer! A gente promete, não vamos mexer mais nos controles!!!
Aí falamos que era tudo brincadeira, eles se acalmaram e riram bastante também ao contar a história do carro maluco pro restante da família.
Tempos atrás, correu um vídeo na internet mostrando um suposto jacaré atravessando o lago de Lambari.
Mostraram o vídeo pra Rafa e ela ficou doidinha pra ver o tal jacaré.
Como vó Celesta não nega pedido da neta, corremos lá à noite, de binóculo em punho, pra Rafa procurar o tal jacaré!
E nada do bicho aparecer! Mas qualquer movimento na água ou folhagem boiando virava jacaré!
Vovó apontava e dizia: — Olha o jacaré, Rafa. Olha! Tá bem ali!
A cada vez que isso acontecia, eu falava: — Rafa, não é jacaré, minha filha. De noite, tudo parece jacaré! Sua vó tá vendo coisas...
E a Rafa só me olhava com cara de brava.
E a coisa foi indo, até que ela me respondeu no seu estilo:
— Vovô, num fala isso! Você não entende nada de jacaré!
Bem, depois dessa, não tem jacaré — nem avô — que aguente!

Rafalela (como dizia o Paulinho) — a caçadora de jacarés!

De noite, no lago, as caçadoras de jacaré!

Um piquenique no caramanchão da Volta do Lago é sempre bom

Maria, Bebela e Rafaleo, na Volta do Lago

Turminha visitando a limpeza das ilhas do Lago Guanabara

Maria de binóculo à procura de capivaras, curicacas, biguás e garças

Bebela e Rafa nos aparelhos de ginástica, na Volta do Lago
Na zona urbana, a melhor vista da cidade de Lambari se tem do Alto do Cruzeiro — cujo acesso se dá por carro ou a pé, num subida íngreme, mas relativamente curta, pela Avenida Antônio Carlos.
Trata-se de um passeio agradável e um bom lugar pra se tirar fotos e localizar os pontos turísticos: Parque das Águas, Cassino, Farol, Lago, Volta da Mata, Parque Novo, Serra das Águas, a primitiva Caixa d'Água...
Anos atrás, existia um bondinho que fazia o trajeto Lago => Alto do Cruzeiro, mas foi desativado.
Nota triste é que o local anda muito descuidado!

Teleférico de Lambari, hoje desativado. Reprodução. Postal

Celeste, Maria, Bebela, Paulinho e Rafa, no Alto do Cruzeiro

Maria, Bebela, Paulinho e Rafa, posando na cruz

Maria, Bebela, Paulinho e Rafa pulando amarelinha
Não acabou não!
Ainda tem passeios e diversões pela cidade.
Veja aí:

A turminha preparada para caminhar pelo Alto Boa Vista: Missão Cata-pedra!

Na Paradinha Mello, para conhecer a história do lugar

Maria na Estação 98, à procura de livros...

Passeio na casa da vó Mara/vô Paulão, na Vista Verde
Bebela e Maria na charretinha, com vovó pajeando
Paulinho passeando de cavalo pela cidade
As meninas: Maria na zebra, Bebela na eguinha
Quem disse que Rafa fica de fora?

Vovó Celeste, Maria e Paulinho, no Parque Oásis

E pula-pula não pode faltar pra Maria e Bebela

Bebela na fazendinha em Nova Baden

Na fazendinha em Nova Baden, Bebela namora um porquinho da Índia

Passeio no Sítio da Tia Dri: Marquinhos, Cecília, Alan e Guga vão ver os porquinhos
Como dissemos, vez por outra, passeamos em São Lourenço, Varginha, Pouso Alegre, Monte Verde, Capitolio.
De vez em quando vamos mais longe: Brasília, São Paulo.
Almoçamos fora de casa algumas vezes: Ganso, Chico Bento, "Geraarrrdo!
Abaixo vão alguns registros desses almoços e passeios:
Almoçamos fora de casa algumas vezes: Ganso, Chico Bento, "Geraarrrdo!
Nesses lugares, bem pertinho da cidade, na Zona Rural de Nova Baden, além de comida boa, podemos brincar, pescar, nadar...



No Ganso, comemos bem e nos divertimos muito!


No Chico Bento, podemos pescar e ver animais e um tucano mansinho, mansinho

Rafa balançando no cipó, na matinha do Chico Bento


No Geraldo (ou Geraarrdo) estão deliciosos pratos preparados por D. Teresinha
São muitos os passeios que fazemos em família.
Veja quantos lugares visitamos:

Maria e Bebela, no Parque de São Lourenço

Maria e Bebela na pescaria, Parque de São Lourenço

A turminha passeando em São Lourenço

Passeio na Estação do trem, São Lourenço

É nóis no Trem de São Lourenço!

Passeio em Brasília, lanche no Burger King

Rafa e Bebela com vovó na piscina do Hotel JS

Família no Hotel Ramon

Celeste, Rafa, Léo e Maria, na piscina, pousada em Monte Verde

Nós — passeando em Capitólio

Na piscina da pousada, em Capitólio

Banho de cachoeira, Capitólio

Família passeando no Aquário de São Paulo

Bebela e Maria no Aquário de São Paulo

Maria e a sereia, no Aquário de São Paulo

Maria, Bebela e Léo, com uma ossada gigente, no Aquário de São Paulo

No Parque da Mônica, em São Paulo

Passeio em São Paulo, na Estação da Luz

A turma na praia - Riviera de São Lourenço

Rafa, Bebela, Jô e Paula, curtindo a praia Riviera de São Lourenço
Confira os posts já publicados:
CASA GORDA - Passeios nas férias (2) Parque Novo, Volta do Lago, Alto do Cruzeiro
CASA GORDA - Passeios nas férias (3) Horto Florestal, Chalezinho do Serrote, Pescarias
CASA GORDA - Passeio nas férias (4) O Centro Histórico da Cidade
Confira os áudios vinculados aos posts:
Ilustração: Crianças bebendo água numa fonte. Imagem gerada por IA/Copilot/Microsoft
Este texto faz parte do livro A CASA GORDA - Recanto dos netos - Tomo V — por Celeste Krauss e Antônio Carlos Guimarães — editado por este último.

Aqui no SITE GUIMAGÜINHAS, numa série de posts intitulada A CASA GORDA - Recanto dos netos, contamos histórias e acontecidos da FAMÍLIA GUIMARÃES, como a construção da nossa casa nos anos 1980, a origem do nome Casa Gorda — apelido dado pelos netos à nossa residência em Lambari —, lances da vida em família, brincadeiras e travessuras dos netos, etc.
Como moramos fora de Lambari por mais de 30 anos, a Casa Gorda se transformou na casa de férias da família.
Nesse compasso, a Casa Gorda ficou sendo, na prática, a casa dos netos — na qual tem muita comida, guloseimas, brincadeiras, histórias, carinho — e muita, muita diversão!
Pois bem — desse modo, vamos recordando os anos em que os netos foram chegando, crescendo e passando férias na Casa Gorda — e nela deixando suas histórias/memórias: brincadeiras, atividades, passeios, aventuras...
E vai tudo numa linguagem simples, leve, brincalhona — como somos nós os Guimarães: brincalhões, leves e simples...
Agora vem o número 5 da Série: Passeios nas férias (1) No Parque das Águas
Vamos lá!
OBJETIVO DA COLETÂNEA HISTÓRIAS DA CASA GORDA
Eis os motivos por que resolvemos compartilhar nossas memórias familiares, especialmente após a partida da nossa Celeste:





Férias na Casa Gorda não são só brincadeiras e diversões confinados no Alto Boa Vista!
Descemos ao centro da cidade todos os dias — e aí podemos fazer diversas coisas: apanhar água no Parque, fazer compras, tomar sorvete, passear de charretinha, ir no pula-pula, dar uma passadinha na livraria, caminhar pelas ruas do centro olhando as lojas...
Olhar vitrines de lojas, fazer supermercado e quitanda é com a vó Celesta — que também gosta de nos levar a sorveterias e lojas de doces.
Vovó é mais prática, vovô é sonhador.
Ele gosta mesmo é de nos mostrar o Centro Histórico da cidade e suas belezas: Cassino, Farol, Barragem, Duchas e a portentosa Igreja Matriz de Nossa Senhora da Saúde!
E fazemos também caminhadas: Parque das Águas, Parque Novo, Volta do Lago, Volta da Mata, Alto do Cruzeiro...
Vamos a lugares mais distantes também: Chalezinho do Serrote, Horto Florestal, Serra das Águas, pesqueiros.
Almoços fora acontecem de vez em quando: Ganso, Gerardo, Chico Bento.
Ah, vez por outra, passeamos em São Lourenço, Varginha, Pouso Alegre, Monte Verde.
Bora lá contar um pouco dessas histórias.

Olha a gente aí, em visita ao Parque das Águas!
O Parque das Águas é o principal passeio de nossa cidade, vovô sempre fala quando a família vai visitá-lo.
Ele, então, vai contando a história do parque e as suas histórias, isto é, as artes que ali fazia quando menino.
Ah, vovó também tem histórias:
— Eu gostava de ki suco de água mineral — ela diz.
— Que que é isso, vó?
— Água gasosa, limão e açúcar, que a gente preparava aqui no parque mesmo!
Vovó é do tempo do onça, diz o vovô ralhando com ela...
— Que nada! — ela retruca — Antigamente se fazia um guaraná com água do parque. O Pai Lavo (Olavo Krauss, seu avô paterno) trabalhou anos nessa fábrica...

Cartaz de propaganda do Guaraná Lambary
Como sabem as crianças, o vovô gosta de estudar a memória de sua cidade, que no passado chamava-se Águas Virtuosas de Lambari.
Aliás, ele já até escreveu livros sobre isso:

Nos seus livros, ele diz que a cidade surgiu em torno das fontes de águas minerais, descobertas em 1780.
E sentencia: A história de nossa cidade é a história de nossas águas!
Assim, visitar o Parque das Águas de Lambari com o vovô e vovó se torna uma aula sobre o passado do parque: quem construiu, quem reformou, quem separou e coletou as águas, como era isso, como era aquilo...
Vovô conta um monte de histórias, nos leva para ver a Exposição - Imagens de Lambari, diz que colaborou com a equipe que fez o projeto e o executou — e vai nos mostrando os banners mais interessantes.
Imagem de abertura da exposição "Imagens de Lambari", na entrada do Parque das Águas.
Veja: EXPOSIÇÃO "IMAGENS DE LAMBARI" - Um passeio por nossa história
Isabela, que conhece bem o roteiro, corre à frente, chama as crianças e diz:
— Venham, venham ver o vovô novinho, trabalhando na farmácia!
Mas vovó não deixa barato:
— Isso é do tempo que ele ficava paquerando as meninas do Hotel Rezende!

Nas fontes, uma água mineral que a natureza preparou há 30 mil anos...
Depois, descemos às fontes para saborear a deliciosa água mineral de Lambari.
— Não bebam muito, não misturem as águas, pois pode desandar o intestino, vovô recomenda.
Depois, explica a composição das águas e as recomendações de uso: — Esta é gasosa, aquela alcalina, aquela outra é magnesiana...
E segue nos ensinando: — A número 1 é para os os rins e vias urinárias, a número 2, para estômago e intestino, a número 3...
A seguir, vovó lembra que essas águas são muito antigas, são águas de chuva, têm milhares de anos...
— Não é, Guima! — ela pede pro vovô confirmar a história.
— Água velha não faz mal, vovô? — pergunta Maria Elisa, afastando o copo da bica e esperando resposta.
Como adolescentes questionam tudo e gêmeos têm as mesmas ideias, dizem Leo e Rafa ao mesmo tempo:
— Quem falou que tem 30 mil anos?!...
Vovô balança a cabeça e com poucas palavras resume o estudo sobre a origem das nossas águas e os fatores que as influenciam.
Nosso povinho nas fontes das águas de Lambari
A próxima parada do nosso grupinho foi na Gruta de Nossa Senhora da Saúde — padroeira de Lambari.

— Que igrejinha pequenininha, vô? — disse Paulinho, que não conhecia a gruta ainda.
— Foi aqui que casaram Cecília e Tancredo? — perguntou a Rafa, que ouvira a lenda contada pela vó Mara.
Vovó deu um sorriso e disse — Essa menina tem cada pergunta!
— Não, Rafa, a estória de Cecília e Tancredo — explicou o vovô que conhece a lenda e a história — foi inventada, como toda lenda...
— Eu não conheço a lenda, vô! Conta pra gente! — tornou o Paulinho, que mora em Brasília e não sabia dessa lenda.
— Bem, vou fazer um resumo. Depois a gente passa no supermercado, que lá tem o texto completo escrito num banner, tá bem?
— Pois bem, em A Lenda de Águas Virtuosas narra-se que uma linda moça de nome Cecília estava noiva de um jovem chamado Tancredo. Ela adoecera muito e seu pai, Antônio Alves Trancoso, que morava na cidade de Passos, a trouxe para Campanha, a fim de tratar-se. Passaram-se meses e Cecília não se curava.
— Até que um belo dia, Tancredo conheceu um escravizado de nome Antônio de Araújo Dantas, e esse lhe falou de umas águas ditas santas, existentes numa grota, perto de um ribeirão, do outro lado da Serra da Campanha.
Tancredo contou ao futuro sogro o que ouvira do africano e insistiu para que a trouxessem até as fontes das águas, que jorravam borbulhantes em meio a pedras.
— E Cecília, tendo feito uso da água virtuosa por vinte dias, curou-se de seus males. Em agradecimento, pediu, então, ao pai que erguesse uma capelinha em homenagem à Nossa Senhora da Saúde, e nessa igrejinha se casou com Tancredo.
— E, como se dá sem toda lenda, foram felizes para sempre!
— Mas isso é uma estória e não um fato histórico.
— A estória é inventada, muitas vezes se apropriando de fatos conhecidos. Por exemplo: a cidade de Campanha, a serra, as fontes de água e seus efeitos curativos, o nome Antônio de Araújo Dantas (era o proprietário das terras onde foram descobertas as fontes) são fatos sociais e históricos que foram incorporados à lenda.
— Já nos estudos da História, os historiadores contam o que aconteceu, com base em documentos, estudos e sua visão de mundo.
— Segundo o monsenhor e historiador José Lefort, o criador da lenda teria sido Américo Werneck, que o fez para efeito de propaganda das águas minerais. Mas há também as versões de Armindo Martins e João Carrozzo, memorialistas de Águas Virtuosas do Lambari, derivadas da lenda de Werneck.
— Quando chegarmos em casa, vovô mostra o livrinho que escreveu sobre essa lenda e explica direitinho pra vocês o que é estória, história, lenda, tá bem?

A Gruta de Nossa Senhora da Saúde

— Mas por que que fez a gruta, então, vô?
Vovô explica que essa gruta é fruto da devoção, da crença e do fervor popular, que a história, a cultura e a religião estabeleceram, ao longo do tempo, entre as propriedades terapêuticas das águas virtuosas e a ação protetora dos que se socorrem à Senhora da Saúde.
— Depois das fontes, a gruta é o local mais visitado pelos turistas — vovó acrescenta. — Ela faz parte de um roteiro de fé que cumprem romeiros que visitam Lambari.
Em seguida, vovó puxa a prece para Nossa Senhora, que toda a família acompanha com fervor.
Ah, vovô escreveu sobre isso também. Vejam:


As crianças defronte a gruta de N. S. da Saúde [Guga e Cecília foram acrescentados à foto]
Outros pontos históricos do Parque das Águas
Seguimos caminhando pelas alamedas e vovô avisa que vamos ver monumentos históricos preservados, apesar das muitas reformas por que passou o Parque das Águas de Lambari.
— O Coreto, o Mercado das Flores e os Pavilhões das Fontes 5 e 6 têm mais de um século de existência! — diz vovô de modo enfático.
Ele e vovó querem que os netos conheçam e estimem suas raízes lambarienses.
Vovô para diante do Coreto, não se contém e diz emocionado:
— Este pequeno coreto tem uma acústica formidável!
— Diziam os antigos que ele foi palco de pequenos concertos e saraus, nos quais se tocavam músicas clássicas, entoavam canções românticas e se declamavam textos simbolistas sobre a natureza, as águas virtuosas e a mística deste cantinho do Céu ao pé da Serra das Águas!
— Venham cá! — diz vovó — Falem alto e vocês vão perceber o que o vovô tá falando.
As crianças falam, cantam, gritam e se divertem ouvindo o eco de suas próprias vozes...

O Coreto do Parque das Águas
— O Mercado das Flores remonta a 1911, ao tempo do prefeito Américo Werneck, cuja história já lhes contei — diz vovô, apontando o centenário prédio.
— Não só flores eram vendidas aqui — vovó acrescenta. — Na verdade, tratava-se de uma pequena feira, pois frutas, verduras, legumes eram trazidos para venda à população — esclarece vovó Celeste que é entendida dessas coisas.
— Sim — vovô concorda —, mas com o passar do tempo as coisas foram mudando. Aqui já houve comércio, exposições, shows, bailes... Na prática, o local é atualmente utilizado para pequenos eventos.

Mercado das Flores
Daí, fomos provar as águas das Fontes números 5 e 6, chamadas de Fonte Maria e Fonte Paulina, cujos pavilhões também foram preservados.
— Maria, você é importante! — Leo e Rafa provocam a prima — É nome de fonte de água mineral!
Maria Elisa mostra a língua, e vovô conta a história dos nomes das fontes.
— O nome PAULINA foi dado à Fonte 6 em homenagem ao seu descobridor: professor Dr. Antonio Gabriel de Paula Fonseca.
— Quanto à Fonte 5, o nome MARIA foi dado à fonte descoberta em 1896. Depois mudaram o nome, mas a alteração não pegou.
— Toma, Paulinho — diz vovô oferecendo ao netinho um copo da Fonte 5.
— Eca, vô Guimão! Que gosto ruim!
— Pois é, criançada, estas fontes são medicinais e são pouco utilizadas.
— A número 5 é picante, tem ação diurética.
— A número 6, ferruginosa, tem ação vasodilatadora e hipotensiva.

Antigos pavilhões das Fontes números 5 e 6
Vovô que é grafomaníaco [*] — como diz vovó quando ele não para de digitar... tec, tec, tec... — escreveu também sobre o Parque das Águas e as Águas de Lambari. Confiram:


[*] aquele que tem mania de escrever.
Confira os posts já publicados:
CASA GORDA - Passeios nas férias (2) Parque Novo, Volta do Lago, Alto do Cruzeiro
CASA GORDA - Passeios nas férias (3) Horto Florestal, Chalezinho do Serrote, Pescarias
CASA GORDA - Passeio nas férias (4) O Centro Histórico da Cidade
Confira os áudios vinculados aos posts:
Ilustração: Crianças se divertindo com jogos de salão. Imagem gerada por IA/Copilot/Microsoft
Este texto faz parte do livro A CASA GORDA - Recanto dos netos - Tomo IV — por Celeste Krauss e Antônio Carlos Guimarães — editado por este último.

Aqui no SITE GUIMAGÜINHAS, numa série de posts intitulada A CASA GORDA - Recanto dos netos, contamos histórias e acontecidos da FAMÍLIA GUIMARÃES, como a construção da nossa casa nos anos 1980, a origem do nome Casa Gorda — apelido dado pelos netos à nossa residência em Lambari —, lances da vida em família, brincadeiras e travessuras dos netos, etc.
Como moramos fora de Lambari por mais de 30 anos, a Casa Gorda se transformou na casa de férias da família.
Nesse compasso, a Casa Gorda ficou sendo, na prática, a casa dos netos — na qual tem muita comida, guloseimas, brincadeiras, histórias, carinho — e muita, muita diversão!
Pois bem — desse modo, vamos recordando os anos em que os netos foram chegando, crescendo e passando férias na Casa Gorda — e nela deixando suas histórias/memórias: vida em família, atividades, brincadeiras, passeios, aventuras...
E vai tudo numa linguagem simples, leve, brincalhona — como somos nós os Guimarães: brincalhões, leves e simples...
Agora vem o número 4 da Série: Mais férias na Casa Gorda.
Vamos lá!
OBJETIVO DA COLETÂNEA HISTÓRIAS DA CASA GORDA
Eis os motivos por que resolvemos compartilhar nossas memórias familiares, especialmente após a partida da nossa Celeste:





A bagunça das crianças é um meio de descobrir e aprender. O caos que eventualmente fica
é compensado pelo riso alegre que toma conta da casa!
Brincar e dormir em barracas é tradição com a qual a vó Celeste diverte muito os netos.
Pode ser barraca de lençol amarrado na mesa/cadeiras da sala ou uma barraca de verdade na quadra ou dentro de casa, ou ainda uma barraca no terreiro do Chalezinho do Serrote.
Mas barraca na quadra só de dia! A aventura termina hora de dormir, de noitinha, pois ninguém quer ficar fora de casa...

Barraca armada na sala de TV

Guga e Cecília hoje vão dormir na barraca

Bebela brincando na barraca no terreiro do Chalezinho
Bem, a história das barracas rendeu também uma noite de sustos na Casa Gorda.
Era julho, mês de férias, e vó Celeste foi dormir com as crianças no Chalezinho do Serrote e — claro — armou a barraca das crianças do lado de fora...
De madrugadinha, os menores pularam para o canto da vó, e os maiores continuaram dormindo na barraca.

Pois bem, terminada a aventura no Chalezinho, tempos depois vó Celeste armou a mesma barraca na varanda da Casa Gorda. E encheu a barraca de crianças...
Mas vez por outra vó Celeste, vô Guimão e o Guiminha íamos conferir se estava tudo bem com as crianças.
Numa dessas, vó Celeste, meio zonza de sono, viu uma cobra na sala! E gritou o vô Guimão:
— Guiiimmaaa, acorda, tem uma cobra aqui na sala!!! Corre, vem logo!!!
Vô Guimão acordou assustado e pensou que a mulher estava vendo coisas... Mas não, havia mesmo uma pequena cobra de cabeça erguida, em posição de defesa/bote, mirando a vó Celeste!
Neste instante, Guiminha, que também acordara com os gritos, veio correndo, tropeçando nos móveis e quase caindo sobre a cobra!
Ato incontinenti, vô Guimão apanhou a espada do He Man que estava sobre o sofá e afastou a cobra numa tacada certeira! Tratava-se de uma cobra castanho-claro e bege, presas à mostra.
De onde saíra tal cobra? Nunca aparecera um réptil desses na Casa Gorda!
A barraca!!! E todos corremos para ver se a cobra picara as crianças! Pegamos a criançada nos braços, corremos para o quarto, acendemos as luzes e vistoriamos cada centímetro do nosso povinho miúdo!
Ô susto! Mas não havia sinais de picadas, graças a Deus!
Contudo, não dormimos mais e ficamos observando a reação deles até de manhazinha!
Mas o que tinha acontecido? De onde tal cobra viera? Era mesmo cobra venenosa?
Dia seguinte, fomos passear no Horto Florestal e levamos a cobra, para ver se alguém reconhecia a espécie.
Tratava-se de uma urutu-cruzeiro, venenosa, portanto, e mesmo uma cobra pequena pode ter picada mortal.
E outra característica: ela havia perdido pedaço da cauda.

Mas, de onde viera tal cobra?
Pelas características da espécie — atividade crepuscular (no final da tarde e à noite), agressiva quando ameaçada, bote firme e certeiro, vive nas matas, campos e brejos — ela devia ter entrado na barraca que fora armada no Chalezinho, semanas atrás.
Mas como sobrevivera tanto tempo?
Cobras presas, estressadas, ficam confusas e desorientadas. Seu metabolismo pode aumentar, levando-as a ter uma falsa sensação de fome e o desejo de comer a primeira coisa que veem...
Imagem e referências: https://www.todabiologia.com/zoologia/urutu_cruzeiro.htm - https://hypescience.com/serpente-entra-no-modo-ouroboros-e-come-a-propria-cauda/ - https://gooutside.com.br/908-por-um-mundo-selvagem/

Imagem gerada por IA/Copilot/Microsoft
O Alto Boa Vista é um ótimo lugar pra se soltar pipas. Lá, dezenas de crianças (e alguns marmanjos) se reúnem para soltar e caçar pipas.
Há, inclusive, uma antiga tradição, chamada Lei do Pasto (essa área toda, no passado, era um pasto de animais), que diz o seguinte: pipa cortada é de quem pega primeiro!
Assim, a cada pipa que é cortada, um bando de crianças sai ao seu encalço. O ruim é que muitas vezes não se respeita os pipeiros menores nem os muros das residências.
E um outro grave problema é que alguns fazem uso de linha cortante, o que não é permitido.
Desse modo, nossas crianças aprenderam a se cuidar e evitar as pipas piratas, isto é, aquelas que usam cerol e assemelhados.
Pipas no céu do Alto Boa Vista

Cecília soltando sua primeira pipa

Bebela faz cara feita quando uma pipa pirata cai no terreiro da Casa Gorda

Leo e Rafa empinando pipas
Guiminha, que já soltou muita pipa neste alto, dá suporte para Leo e Rafa
Bem, a turminha ora faz arte, ora faz artes.
Na primeira costumam pintar, fazer artesanato, montar pipas.
Na segunda, pintam e bordam!
Aliás, Rafaela e Paulinho adoram fazer uma arte cabeluda (expressão de minha avó para significar artes arrojadas ou perigosas) com o vovô: a trolagem!


Maria Elisa rascunha no quadro ou no papel as ilustrações para seus livros
Veja aqui: Maria escritora

Desde menininha, Rafaela dá seu rabiscos no desenho
Isabela e Rafa ajudam tia Flávia a fazer pulseiras de artesanato

Maria fez esta pipa linda com auxílio da vó Celeste

Bem... Rafa e Leo tão aprontando das suas...
TROLANDO O VÔ GUIMÃO
Como eu disse, Rafaela e Paulinho adoram fazer uma trolagem com o vô Guimão.

Paulinho e Rafa tiraram esta selfie pra comemorar uma trolagem que fizeram com o vovô
Essa arte cabeluda está tão refinada que traçam planos escritos das pegadinhas que vão fazer com o coitado do avô.
E antes de aprender a escrever, eles desenhavam os planos que pretendiam executar...
São muitas as trolagens — que essas crianças são criativas —, mas podemos citar algumas:

Paulinho e Rafaela, olhando de soslaio a pegadinha que armaram pro vô Guimão

Vovô cochila e Paulinho prepara a trolagem

Rafa feliz, pois, cochilando, o vovô não vai escapar da trolagem
Vovó Celeste gosta de dançar e ensinar as netas. Em frente à TV, ensaia passos com a criançada.
Nas festas, rola um karaokê — com o Guiminha monopolizando a cantoria, pois acha que canta muito. Mas suas notas não convencem...
A verdade é que ninguém canta nada, mas todo mundo se diverte.
Nas festas, crianças e adultos dançam alegremente na pequena pista de dança do salão, com direito a piso de taco, projetor de luzes, fumaça, globo espelhado...

Vovó mostra pra Cecília e Rafaela como devem ser os passos

Vovó ensaiando passos com as netas

Maria ensaia os passos da dança da noite

Nas festas, todo mundo corre pra pista de dança

Hoje vai ter karaokê — olha a tralha montada...

Imagem gerada por IA/Copilot/Microsoft
Cantar cantigas e brincar de rodas era outra diversão para as crianças.
Escravos de Jó, Capelinha de Melão, Ciranda Cirandinha, Meu pé de limoeiro, Alecrim, Pirulito que bate, bate, Cai cai, balão, Samba lelê, Marcha soldado, Fui no Tororó, A canoa virou, Caranguejo, A barata diz que tem, Na loja do Mestre André..
Mas sucesso garantido, especialmente com Isabela, era A linda rosa juvenil!
Celeste e eu tivemos de (re)aprender a letra e cantar e dançar milhares de vezes com Isabela! Ela era a princesa: cantava, dançava, rodava e fazia mímica conforme o andamento da letra — o solar, a bruxa, o mato... — e, ao final, jogava-se ao chão e rolava de alegria! Isso repetidamente, até se cansar.
Foi um tempo inesquecível para nós dois! Hoje em dia, quando ouvimos a música, dizemos a uma só voz: — Olha a Bebela aí!
Aquelas são cantigas clássicas. Depois vieram outras, trazidas pela modernidade: O sapo não lava o pé, A galinha do vizinho, Pintinho amarelinho, Borboletinha e outras.
Havia uma cantiga que Celeste cantava sempre que dava banho nas crianças:
Samba criola, que veio da Bahia!
Pega essa criança e joga na bacia !
A bacia é de prata, ariada com sabão.
Depois de ariada, enxuga com roupão!
O roupão é de seda, camisinha de filó
Roupinha de veludo, prá dar benção à vovó.
À benção, vovó! À benção, vovó!
Á noitinha, de barriga cheia, cansados das brincadeiras e antes que o sono chegue, lá correm as crianças pra sala de TV.
— Vó, faz pipoca!
— Vó, traz coberta!
— Vóóoooo!!! — e vó isso, vó aquilo, que a vó Celesta não nega pedido de neto — Impressionante!
Os mais velhos pegam um livro ou vão varejar vídeos e jogos na Internet.
Como já contamos, há muitos livros para as crianças na Casa Gorda e os netos gostam muito das histórias que vó Celeste conta.
Mas se há filmes ou desenhos novos no streaming— vovó faz vontade e vovô paga a conta.
Conforme a idade, lá vem desenhos e filmes: Mundo Bita, o Gato de Botas, Naruto, desenhos, Harry Potter, Guerra nas estrelas, filmes e desenhos da Disney...
Dali a pouco, pai e mãe vão levando pra cama os menorzinhos que o sono venceu...
Sobre livros, leituras e contação de histórias, vejam estes posts:
No corredor da Casa Gorda há uma Árvore do Crescimento, onde anotamos anualmente a evolução do crescimento das crianças...
Todo final de ano atualizamos nossa árvore.

A Árvore do Crescimento com as anotações

Olha lá tia Vivi e tia Carol medindo a altura da criançada!
Em 2021, perto do final daqueles meses turbulentos da pandemia, tivemos a ideia de fazer uma Cápsula do tempo (ou Arca do tempo) e enterrar diversos objetos, juntando cartinhas com previsões de todos os membros da família, para serem reveladas em janeiro de 2031.
Desse modo, ninguém revelou que objeto guardou nem o conteúdo das cartinhas.
A ansiedade é grande e muitos querem descobrir onde o vovô enterrou a Cápsula do tempo.
Mas, como diz o Paulinho:
— Vovô é ninja! Só ele sabe o local, não adiante procurar!
Esperamos, com a Graça de Deus, estarmos todos na Casa Gorda em janeiro de 2031 para a abertura da cápsula...

Somente em janeiro de 2031, abriremos a Cápsula do Tempo

Eis o começo da carta do vovô Guimão
Como já narramos nos posts abaixo:
os longos meses da pandemia foram difíceis pra toda a gente.
Dia após dia, os jornais davam notícias de hospitais lotados, milhares de mortes, sufocamentos, enterros em massa...
Uma estatística macabra atualizava o número de mortos no Brasi!
Desse modo foi que nossa família, por meses, nos estabelecemos na Casa Gorda, trabalhando e estudando a distância.
Shangrilá: nome escolhido para identificar a família unida, porém reclusa na Casa Gorda, em razão da pandemia Covid19, e para augurar um 2021 mais alegre e feliz do que fora o difícil ano de 2020.
Tantas eram as incertezas — contágio, medicação, vacinas — que todos os adultos e crianças ficaram resguardados na Casa Gorda e somente vovó Celeste e vovô Guimão saíam de casa para fazer compras e tudo o mais.
A nota triste foi que nosso filho José, que mora em São Lourenço, contraiu o vírus covid19 em dezembro de 2020 e não participou com a família das festas de final de ano.
Naqueles dias difíceis, quando visitávamos nosso filho, nora e netos, mantínhamos distância, tal a insegurança com relação ao contágio. E, assim, víamos nossos familiares através do portão de sua casa...
Ele demorou semanas pra se livrar da covid19, mas não sofreu sequelas, graças a Deus.
A expressão Shangrilá vive! foi dita por nossa neta Rafaela, quando se deu o episódio narrado no post Chuva feia na Casa Gorda, cujo link anotamos acima.
Vale a pena conferir as palavras emocionantes de Rafaela no finalzinho deste áudio: RECANTO DOS NETOS (12) Chuva feia na Casa Gorda(2)

No Natal de 2021, hasteamos a bandeira de Shangrilá

José, Isabela e Rafaela, de máscaras e recebendo a família por detrás do portão de sua casa
Como já dissemos, a Casa Gorda tem árvores e plantas em seus jardins internos e uma natureza rica em seu entorno.
Assim, cerca de duas dezenas de diferentes espécies de pássaros — de jacus a socós, de tucanos a gralhas, de maritacas a pombas-trocais e diversos outros passarinhos costumam pintar no pedaço.
Vovó organizou casinhas para passarinhos botar ovos, fruteira e pote d'água pros beija-flores.
Ela também comprou um binóculo e vovô se põe a observar pássaros com a criançada, mostrando a espécie, explicando seus costumes.
Elas já identificam o pio de algumas aves e se mostram indignadas com os tucanos e gaviões que comem filhotinhos...
— É assim na natureza, crianças! Os outros passarinhos não comem bichinhos, minhocas? — vovô explica.
— Bem-te-vi come até ratos! — e as crianças dizem: — Eca, vovô!
— Olha a fruteira! Sanhaços adoram mamão!
— Beija-flor, olhem! Os antigos diziam que sua visita traz sorte e boas notícias, sabiam?
— Maritacas, que formam casais duradouros e bulhentos, resolvem seus problemas na gritaria! — vovô explica, dando risadas e apontando pra vovó... Mas as crianças não gostam da comparação, pois são fiéis defensoras da vó Celesta.
Todo ano, canários, marias-pretas, currilas, sanhaços, coleirinhos e tantos outros põem seus ovos por aqui, vovô conta..
E aí, diz a Rafaela com seu inconfundível jeitinho: "Shanguirá" vive, vovô!
As crianças observam os pássaros sentados na varanda externa da Casa Gorda

Casinha para passarinhos fazer ninhos e a fruteira dos pássaros

Ilustração. Cão Dachshund - TI/Canva
Eu e Celeste sempre tivemos cães quando residíamos em casas. Em apartamentos, sempre foi mais complicado pra nós, que viajávamos muito.
Assim, juntamente aos primeiros filhos, foram chegando os cachorros: Tommy, Xuxa, Piná, Leleca, Dick, Tarzan...
Certamente a mais duradoura (viveu 17 anos) foi Babi — uma Dachshund pretinha — xodó da Celeste, dos nossos filhos, dos nossos netos!
Babi foi comprada filhotinha numa petshop de Três Corações pelo Alan e José, com a "conivência" do tio Miguel, pois esconderam o fato de mim. Quando chegou, era tão pequena que parecia um rato preto, como disse, assustada, a vó Neli, quando a viu pela primeira vez.
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Uma aranha pica a Babi - Leo e Rafa tinham cerca de 4 anos e estavam na Casa Gorda quando Babi foi picada no focinho por uma aranha venenosa. Imediatamente o focinho inchou e a cachorrinha começou a respirar com dificuldade, parecendo sufocada. Celeste me chamou e saímos apressados a procura de socorro, com Leo e Rafa, segurando o choro, no banco de trás do carro, levando no colo a Babi já meio desfalecida. Por sorte encontramos a Dra. Daniela Lemos, que é nossa vizinha. Antes de entregarmos a Babi para ser medicada, o Leo falou bem alto: — Deus! Você tem um minuto pra salvar a Babi! — e pôs-se a chorar, com o Rafa lhe acompanhando. A médica-veterinária aplicou uma injeção na Babi e ficamos ansiosos, esperando que a medicação fizesse efeito. Aos poucos, Babi foi se recompondo e horas depois já estava boa. Bem, Deus não resolveu o problema num minuto, mas é certo que curou nossa Babi! |
Alan e Babi na Casa Gorda

Cão de companhia, Babi estava sempre ao lado das crianças e da família

A Babi marcou tanto nossa família que há uma Babi de pano sobre o sofá da sala de TV da Casa Gorda
Nos dias de hoje, nossos filhos possuem cachorros, que também visitam regularmente a Casa Gorda: Meg, Bono Vox, Cindy e Jack.

Babi, já velhinha acompanhada de Meg e Bono

A Meg, pertencente a Rafaela/Isabela, é uma Shihtzu amorosa e meiga com os familiares, mas que não gosta de estranhos.
Ela passou mais de 1 ano engaiolada numa petshop, e era muito agressiva quando chegou à casa da Bebela. Com o tempo, foi-se afeiçoando a cada um dos familiares.

Celeste e Meg na Casa Gorda
Quando Rafaela nasceu, a Meg passou certo tempo na Casa Gorda, convivendo com a já velhinha Babi. Essa já meio cega e surda, e bastante mau humorada, não dava trela pra Meg.
Mas Meg teve enorme paciência e acabou por conquistar a parceira:

Meg e Babi juntas, numa noite fria de Lambari

Bono é enfezado, mas gosta de brinquedos pra aliviar o estresse
Pois é, Leo e Rafa também tem seu cãozinho.
Trata-se do Bono Vox, um cachorrinho meio Shihtzu, meio sei-lá-o-quê, talvez por isso temperamental.
Não gosta de estranhos (até se acostumar), não gosta de outros cachorros, não gosta de visitas... Se sai à rua, puxa briga com qualquer outro cão, não importa o tamanho.
No ambiente familiar, é um cão dócil e brincalhão.

Quando em Lambari, ficava boa parte do tempo na casa da vó Bia, pra não arranjar confusão com os cachorros da Casa Gorda.
Mas, dava seus passeios por lá.

Bono é meio valentão, mas não tirava farinha com a Babi não!

Bem, a Cindy é aquela história: o cão se apaixona pelo dono!
Quando Vivi e Maria Elisa resolveram adotar um cão, foram a um abrigo. E lá viram uma caramelo pequenina. E foi um encantamento mútuo.
— Cresce muito? A gente mora em apartamento! — Não muito... — respondeu a cuidadora...
— Olha, ela tem um nome de princesa: Cindy! E se comporta muito bem!
O fato é que hoje a Cindy já completou 4 anos, tem 63 cm de altura e pesa 25 quilos e não se comporta como princesa coisíssima nenhuma!
É brincalhona, meiga, mas atabalhoada. Sobe na cama, no sofá! Abraça as pessoas! Late alto!
Mas que importa? Ela é a caçula da família e tem seus direitos!
Por outro lado, Cindy é mansinha, gosta de ser acariciada e se dá muito bem com crianças.

Guga acaricia Cindy no sofá da Casa Gorda

Pra alimentar a Cindy é preciso um osso tamanho família!

Ah, a Cindy participa de todas as festas da Casa Gorda
Todos se assustaram quando José apareceu com o Jack Paul na Casa Gorda!
Vó Celesta foi a primeira:
— Tá loco, Jô! Leva esse cachorro pra longe daqui que a casa tá cheia de crianças!
— Calma, mãe! Ele é feio, tem cara de brabo, mas é manso e gosta de crianças!
— Não é possível! Com essa boca enorme ele engole um, já, já!
Por essa e por outras é que a Vó Celesta, juntamente com a mãe e sua irmã Téia, tinham o apelido de Trio Pavoro... Qualquer barulhinho, corriam apavoradas pra ver o que estava acontecendo com as crianças!
Mas na verdade, foi o Jack quem se assustou com a Casa Gorda: muita gente, grandes espaços, gritaria! E se recolheu a um canto.
Nos primeiros dias, alojou-se na parte de baixo da casa. Depois, apontou a cara e subiu a rampa. Mais tarde, veio fazer um reconhecimento, dando uma cheirada no povinho miúdo.
E hoje o Jack já é da família, não obstante a Meg não lhe dar nenhuma atenção!

Jack Paul é um cão da raça American Bully Pocket. Parece um Pitt Bull, ameaçador, mas é um cão dócil e brincalhão

Bebela acaricia o Jack, mas é Rafa quem lhe dá mais atenção

Se queriam um vigia pra casa, o Jack está mais pra dorminhoco!

A família completa: Jô, Paula, Isabela, Rafa, Meg e Jack
Confira os posts já publicados:
Confira os posts já publicados:
CASA GORDA (6) - Passeios nas férias (2) Parque Novo, Volta do Lago, Alto do Cruzeiro
CASA GORDA (7) - Passeios nas férias (3) Horto Florestal, Chalezinho do Serrote, Pesqueiros
CASA GORDA (8) - Passeios nas férias (4) O Centro Histórico da Cidade
CASA GORDA (9) - Datas festivas: Natal, Ano Novo, Aniversários
Confira os áudios vinculados aos posts:
Ilustração: Capa do livro A CASA GORDA - Recanto dos netos - Tomo III — por Celeste Krauss e Antônio Carlos Guimarães — editado por este último. A figura da capa do livro foi elaborada por Canva/Gerador de imagem por IA/Copilot/Microsoft
Este texto faz parte do livro A CASA GORDA - Recanto dos netos - Tomo III — por Celeste Krauss e Antônio Carlos Guimarães — editado por este último.

Aqui no SITE GUIMAGÜINHAS, numa série de posts intitulada A CASA GORDA - Recanto dos netos, contamos histórias e acontecidos da FAMÍLIA GUIMARÃES, como a construção da nossa casa nos anos 1980, a origem do nome Casa Gorda — apelido dado pelos netos à nossa residência em Lambari —, lances da vida em família, brincadeiras e travessuras dos netos, etc.
Como moramos fora de Lambari por mais de 30 anos, a Casa Gorda se transformou na casa de férias da família.
Nesse compasso, a Casa Gorda ficou sendo, na prática, a casa dos netos — na qual tem muita comida, guloseimas, brincadeiras, histórias, carinho — e muita, muita diversão!
Pois bem — desse modo, vamos recordando os anos em que os netos foram chegando, crescendo e passando férias na Casa Gorda — e nela deixando suas histórias/memórias: brincadeiras, atividades, passeios, aventuras...
E vai tudo numa linguagem simples, leve, brincalhona — como somos nós os Guimarães: brincalhões, leves e simples...
Agora vem o número 3 da Série: Férias na Casa Gorda
Vamos lá!
OBJETIVO DA COLETÂNEA HISTÓRIAS DA CASA GORDA
Eis os motivos por que resolvemos compartilhar nossas memórias familiares, especialmente após a partida da nossa Celeste:





Como ficou dito, a Casa Gorda é a casa dos netos — e onde passam boa parte de suas férias, feriados, finais de semana prolongados.
Vamos então aqui recordar o que essa renca de crianças fizeram/fazem/farão durante esses períodos de descanso.
Descanso? Sim, descansam da rotina diária, de suas casas, da escola...
E vêm se "cansar" no reencontro com os primos, tios e avós, nas atividades, brincadeiras, jogos, leituras, passeios — um mundo de coisas a que os miúdos têm direito.
Vamos trazer à memória um pouco disso tudo e deixar um registro para que no futuro eles mostrem para os próprios netos a importância da família e da convivência harmoniosa no lar.
Em frente!
Muitas são as brincadeiras, diversos são os brinquedos.
Há brinquedos comprados/ganhados, há brinquedos fabricados, há brinquedos inventados.
Os brinquedos inventados e fabricados vêm da criatividade dos avós.
Os comprados vêm geralmente da Loja 1,99 ou da Loja da Mirna — e nas férias a turminha lembra a vó Celesta desta "importante tarefa:
— Leva a gente na Loja da Miiirrrnaaa, vó!
E isso é dito em alto tom e carregado sotaque mineiro, pra zoar a avó.
E, claro, trazem os presentes que os outros avós sempre dão nas épocas festivas.

Mara e Paulão, avós de Isabela e Rafaela===== Janete e Nélson, avós de Maria e Paulinho

Miriam e Zé Roberto, avós de Cecília e Guga========Beatriz e Alencar (¶) — avós de Leo e Rafa - (¶) in memorian
Tão logo chegam, os menorezinhos correm ao armário de brinquedos, para ver o que há pra se fazer.
Vó Celeste já tratou de organizar o armário, limpar e higienizar os brinquedos.
E as crianças vão encontrar brinquedos antigos, alguns restaurados, outros faltando peças, mas não importa — criança brinca de qualquer modo.
Bonecas, cozinha infantil, ferramentas de plástico, telefones de brinquedo, carrinhos, fantasias, blocos de montar, massinhas, pião, raquetes, petecas, redes, bomba de ar — e uma bola para cada coisa: futebol, basquete, vôlei, tênis, queimada.
E ainda tem quadro de giz, gizes coloridos, folhas para desenho, lápis de cor, aquarela, pincéis, material para artesanato...

Do armário saem quadro de giz, lápis de cor, chapéus e mais uma montoeira de brinquedos

Cecília já vasculhou o armário de brinquedos, esticou o tapete e começou a brincar

Rafa e a coleção de ursos, cachorros e bonecas

Eita, Paulinho encontrou o baú de brinquedos e se prepara pra cair na piscina

Cecília e Carol brincando no salão

Cecília improvisou uma pescaria na banheirinha das bonecas

Quando está frio, as brincadeiras vão para a sala de TV
E memória de criança é fantástica — tempos depois se lembram de velhos brinquedos:
— Vó, cadê tal brinquedo que tava aqui?

O Guga pegou os priminhos e foi brincar também

Brincar de torre é bom quando se tem ajuda
Se não tiver amigo, a brincadeira não é tão gostosa. Assim, além dos primos próprios, vêm também os filhos dos primos e amigos da vizinhança. E a turma aumenta: Bruna, Samira, João Marcos, Maria Clara, Gabriel, Juliano... E mais: Helena e Isabela, da família Gozzo, nossos vizinhos.

Desde pequenas, as primas Samira e Bruna estão sempre por perto

Helena e Isabela Gozzo, amigas da vizinhança

Bebela e a prima Samira
Muitos são os jogos com que a criançada se diverte: War, Quest, Imagem & Ação, Mico, quebra-cabeça.
Há os que exigem destreza e equilíbrio: Jenga, Mega construções, Pega-varetas.


Bebela se divertindo com o quebra-cabeça
Sempre há um álbum de figurinhas a ser preenchido...

Paulinho e sua coleção de figurinhas da Copa
Ah, tem também os jogos de baralhos para crianças: Quatro Cartas, Rouba montinho, Burrico, Papa-tudo... Esses as crianças aprendem com facilidade e dão show nos avós, pais e tios.

Tia Vivi no comando da jogatina

Se tá frio, vovó acende a lareira e vai contar e ler histórias para as crianças
Brincam ainda de sinuquinha, pebolim, pingue-pongue, futebol de botão...
Tem ainda os videogames, que, conforme o tempo passou, foram se atualizando: Wii Nitendo, Play Station e outros.
Depois vieram os joguinhos on-line, os filmes, os desenhos, seja na TV, no tablet ou no celular.
E a febre do pokemon!

E nóis na rua caçando pokemon com os netos!


Celular/tablet na medida e páginas certas distraem, instruem e divertem as crianças

Desde pequena a Cecília dava suas tacadas
Todos os anos fazemos um bingo em família, para o qual convidamos bisavós, avós, tios e primos das crianças,
É uma festa animada, que dá bons prêmios aos sortudos.
O cantador do bingo é o José, que se veste a caráter e canta as pedras entoando os conhecidos bordões:

Essa tal de Rafaela sempre faturando prêmios no bingo em família
Nem todos os brinquedos são comprados prontos.
Há muita coisa que vó Celeste e vô Guimão produzem: cavalinhos de pau, espadas de cabo de vassoura, banquinhos de madeira, carretilha, lata com linha de pipa, varetas e papagaios, armaduras de monstros e super-heróis, fantasias...
E o primeiro carrinho de todos os netos sempre foi uma caixa de papelão...
Rafaela e Paulinho

A aventura de Cecília morro abaixo na caixa de papelão

Os melhores esconderijos são as caixas de papelão

Quem nunca morou numa casinha de papelão?

Num tem nada mió: um escorrega de papelão no colo da vovó!
Iniciando o Paulinho na brincadeira do escorrega

Povinho cresce e não abandona costumes da infância: Leo descendo a ladeira num carrinho de papelão
Rafa e Leo sempre gostaram de carros e tem boas histórias pra contar.
Vamos lá!

Logotipos de automóveis
Quando ainda bem pequenos, entre 2 e 3 anos, decoraram no visual todas as marcas de automóveis.
Morando em Brasília, incluindo carros importados, chegaram a decorar duas dezenas de marcas só olhando o logotipo.

Ilustração. Montagem. Reprodução/autoesporte
Os gêmeos, sempre disputando, corriam ao ver um carro para falar bem alto:
— Toyota, Fiat, Bugatti, Ford, Ferrari, Renault, Chevrolet, Volks, Jeep, Mercedes...
Dirigindo na quadra
Tinham Leorafa uns 3 para 4 anos e queriam por toda a lei dirigir o carro do vovô.
Celeste explicava que não podia, que era perigoso, que a polícia podia prender o vovô, mas não havia meio:
— A gente quer dirigir, vovó! — disseram bem alto, pois quando interessava um apoiava o outro.
E vovô disse: — Tá bem, vamos dirigir!
— Tá loco, Guima! Num faz isso! — vovó falou apavorada.
Vovô subiu com os meninos para a quadra, onde estava estacionado seu carro, e Celeste subiu atrás: — Guima, não faz isso!
Então vovô botou os meninos no banco da frente, e disse: — Primeiro o Leo dirige, depois o Rafa. Tá bem? ... sem brigas!
E os avós foram empurrando o carro e orientando o motorista da vez — Vira pra cá, vira pra lá... Pisa no freio! Olha o muro! Freia! Vamos dar ré!
E durante muitas férias Leo e Rafa dirigiram o carro do vovô, dando voltas e voltas na quadra da Casa Gorda.

Em Brasília, sempre levávamos Rafa e Leo no kartódromo
Num deixa trapacear, vovô!
Durante algum tempo, nas férias e feriados, Flávia e os gêmeos vinham de avião de Brasília até Belo Horizonte, onde morávamos eu e Celeste. E daí levávamos os gêmeos de automóvel até Lambari.
Eram dois meninozinhos ativos, que disputavam tudo um com o outro. Coisas de irmãos gêmeos. E Flávia se virava, no banco de trás, para agradar os dois ao mesmo tempo: abria uma sacola de brinquedos, com bolas de soprar, bandeirinhas, apitos, pirulitos, enfim, uma parafernália, para distraí-los durante a viagem. E assim era, na ida e na volta!
Pois bem, então Celeste primeiro inventou que o vovô iria disputar uma corrida com os outros carros! Ah, disputa era com eles mesmos!
E, assim, a cada carro que o vovô naturalmente ultrapassava, vovó dizia: — Passamos mais um, Rafaleo! E os meninos vibravam!
E assim íamos, durante boa parte da viagem, eles vigiando os demais pilotos da pista de corrida...
E quando surgia um carro mais veloz, eles gritavam — Num deixa trapacear, vovô! Num deixa trapacear!!!
Mas se qualquer carro ultrapassava o vovô, era certo: — Esse tá discassificado, vovô!
E assim correu o tempo e o vovô nunca perdeu uma corrida BH-Lambari <> Lambari-BH...
Caminhão rosso, vovó?!
A história da corrida BH-Lambari <> Lambari-BH funcionou durante certo tempo. Depois Flávia e Celeste foram inventando outros meios de distrair os meninos.
Aí foi que Celeste criou outra disputa:
— Rafaleo, quem enxergar primeiro um caminhão verde, ganha!
Pronto, eles corriam às janelas do carro à procura de caminhões verdes!
E a Celeste ia mudando as cores: — Agora um caminhão amarelo!
E outro, este bastante raro: — Agora um caminhão roxo!
— Rosso, vovó?! — disse o Rafa.
Durante muito tempo reclamaram que o tal caminhão rosso era difícil, mas isso os mantinha atentos por um bom trecho de estrada...
Pode dar ré!!!
Nas viagens de Lambari a Belo Horizonte, quando se cansavam, Leo e Rafa dormiam um pouquinho, mas logo acordavam a mil por hora, presos nas cadeirinhas...
Assim, até chegar à Serra de Itaguara era dureza, e a gente inventando coisas para distraí-los!
Numa dessas subidas/descidas da serra, Leo e Rafa dispararam a chorar e não havia meio de pararem! Depois de algum tempo, o Leo parou, mas o Rafa continuou na choradeira... Era cansaço, calor, sono — como acontece com crianças em viagens demoradas.
Aí o vô Guimão viu um caminhãozinho carregado de abacaxis e, de pronto, inventou uma musiquinha:
— Caminhão subiu a serra, pra comprar abacaxi! Tio Miguel comeu tudo, e fez muito xixi!!!
E assim fomos repetindo o bordão, até chegar à Avenida Amazonas, com os meninos mais calmos, acompanhando a cantoria.
Fim de semana, avenida lotada, milhares de carros, e, ao passar em frente de um posto, Celeste fala:
— Olha, Rafaleo! Uma escavadeira!
Rafaleo pularam às janelas — um na direita e outro na esquerda — à cata da tal escavadeira!
Então, Rafa gritou: — Eu vi, vovó! Olha lá! Olha lá!...
Num repente, o Leo, que estava na janela oposta, gritou!
— Cadê? Cadê? Eu não vi, vó! Eu não vi!
E, muito bravo, rematou — Pode dar ré!!! Pode dar ré!!!
E eu na Avenida Amazonas transbordando de veículos, 5 horas da tarde, cansado, doido pra tomar um banho, pensando se dava ré ou acabava de chegar em casa pra ver o jogo do Botafogo!
Outro brinquedo inventado pela vó Celeste é a luta contra os monstros siderais.
Ela fabrica fantasias para si e para os netos, e eles se batem em lutas épicas, geralmente vencidas pelos pequenos heróis.
Os materiais: papelão coberto de folha prateada vira armadura e capacete. CDs velhos: equipamentos. Meias de pano recheadas de papel: granadas. Tampas de panela: escudos...

Vó Celeste se fantasia de monstro para lutar com os netos
Veja este post: RECANTO DOS NETOS (4) Léo e Rafa contra o Monstro da antena

Rafa bate os escudos para assustar o monstro sideral

Rafa e Leo combatem o pavoroso monstro da antena
Uma pequena quadra (8m x 10m) de cimento, com iluminação, possibilita uma série de atividades para as crianças: peteca, futebol, vôlei, basquete, frescobol, ginástica.
E também: guerra de mamonas, batalha de bombas d'água, pique, altinho.

Imagem gerada por IA/Copilot/Microsoft
Que tal um frescobol na quadra da Casa Gorda?

A quadra ao entardecer, com as lâmpadas ligadas

Nem tiraram o pijama e já querem jogar bola

Vovó ensinando ginástica para Cecília, Maria e Paulinho

Cecília não participa da guerra de mamonas, mas usa um chapéu típico

Foi na quadra da Casa Gorda que Isabela tomou gosto pelo volei

E atualmente joga no São Lourenço Voleibol

Paulinho está sempre na quadra jogando futebol
Adultos e crianças se divertem na quadra:

Os irmãos disputam uma dupla de basquete: Jô, Carlo, Guiminha e Alan

Bem, por enquanto, Rafa e Paulinho vão de cesta um pouco mais baixa
Pois é, Lambari terra de extremos: ou tá muito frio, ou tá muito calor.
No calorão, as crianças saltam da piscina para banheira — e dessas para o banho de mangueira e a batalha de bombas d'água.
E desse modo gastam parte da inesgotável energia, se refrescam e divertem a valer.
Confira:
Calor e piscina! É tudo que a criançada gosta.


Em razão do frio intenso de Lambari e o fato de a piscina não ser aquecida, 5 anos atrás resolvemos investir numa banheira de hidromassagem.
E acertamos em cheio, pois a criançada adorou a ideia!
Bem, com casa cheia de gente e de crianças, às vezes, vó Celeste improvisa o banho.
Se a criança dormiu: dá-lhe um banho de toalhinha!
Se está quase dormindo, dá-lhe banho de um minuto!
Seja na pia, seja no balde — sempre pode se refrescar uma criança...
Bem, os marmanjos se viram com o chuveirão da varanda externa!

Rafa e Paulinho se refrescando na pia

O banho da Cecília hoje é no balde

José se refresca no chuveirão da área externa

Imagem gerada por IA/Copilot/Microsoft
Umas das delícias da Casa Gorda é o banho de mangueira.
Desse ninguém escapa:


Ah, isso é divertido demais, pois envolve guerra e água refrescante.
Vejam só:
Leo e Rafa, Isabela e Maria e as primas em batalha de bombas d'água.
Cecília e Carol iniciam Guga na brincadeira
Em ocasiões especiais, vovó libera a sauna pra criançada.
Mas é preciso que tenha adultos a tomar conta...


Imagem gerada por IA/Copilot/Microsoft
Mas os netos também ajudam a vó Celesta.
Seja aguando as flores, seja cuidando do jardim e da hortinha, seja na montagem do artesanato, seja nas compras, seja arrumando armário de brinquedos, seja "organizando" o armário de mantimentos, seja fazendo massagem nos pés ou maquiando, ou, ainda, arrumando lindamente seus cabelos...
Em todas essas atividades, vamos encontrar as crianças dando sua contribuição à manutenção da casa.
Vejam:

Rafinha vai ao supermercado ajudar nas compras — e quer um carrinho só pra ela...

Rafaela ajuda a vovó na confecção de pulseiras
Desde pequenos, vó Celesta ensinou Rafa, Cecília e Paulinho a aguar as plantas da casa


Cecília e Rafa ajudando a plantar um pé de pitanga

Olha o Guga organizando os mantimentos da vó Celesta

Rafaela aprendeu com sua mãe a fazer massagem nos pés

— Não ficou lindo seu cabelo, vovó? — Cecília pergunta
Confira os posts já publicados:
CASA GORDA (6) - Passeios nas férias (2) Parque Novo, Volta do Lago, Alto do Cruzeiro
CASA GORDA (7) - Passeios nas férias (3) Horto Florestal, Chalezinho do Serrote, Pesqueiros
CASA GORDA (8) - Passeios nas férias (4) O Centro Histórico da Cidade
CASA GORDA (9) - Datas festivas: Natal, Ano Novo, Aniversários
Confira os áudios vinculados aos posts:
Ilustração: Crianças comendo panquecas. Imagem gerada por IA/Copilot/Microsoft
Este texto faz parte do livro A CASA GORDA - Recanto dos netos - Tomo I — por Celeste Krauss e Antônio Carlos Guimarães — editado por este último.

Aqui no SITE GUIMAGÜINHAS, numa série de posts intitulada A CASA GORDA - Recanto dos netos, contamos histórias e acontecidos da FAMÍLIA GUIMARÃES, como a construção da nossa casa nos anos 1980, a origem do nome Casa Gorda — apelido dado pelos netos à nossa residência em Lambari —, lances da vida em família, brincadeiras e travessuras dos netos, etc.
Como moramos fora de Lambari por mais de 30 anos, a Casa Gorda se transformou na casa de férias da família — na qual frequentemente reunimos filhos, noras e netos.
Nesse compasso, a Casa Gorda ficou sendo, na prática, a casa dos netos — na qual tem muita comida, guloseimas, brincadeiras, histórias, carinho — e muita, muita diversão!
Com o passar do tempo, os netos foram chegando, crescendo e passando férias na Casa Gorda — e nela deixando suas histórias/memórias: vida em família, atividades, brincadeiras, passeios, aventuras...
Pois bem, hoje estamos aqui — Celeste e Guima — recordando, tomando notas, selecionando fotos e escrevendo sobre os anos maravilhosos que passamos ao lado de filhos, noras e netos.
E assim nasceram estas HISTÓRIAS DA CASA GORDA - O RECANTO DOS NETOS, que vão escritas numa linguagem simples, leve, brincalhona — como somos nós os Guimarães: brincalhões, leves e simples...
Agora vem o número 2 da Série: A comilança!
Vamos lá!

OBJETIVO DA COLETÂNEA HISTÓRIAS DA CASA GORDA
Eis os motivos por que resolvemos compartilhar nossas memórias familiares, especialmente após a partida da nossa Celeste:



Criança come de hora em hora, dizia minha vó. E na Casa Gorda a vó Celeste segue esse ditado à risca.
Querem ver?
Vamos em frente!
A ordem de levantar das crianças é invertida: bebês madrugam, miúdos saem da cama às nove horas e galalaus lá pelo meio-dia!
Assim, quem tem criança que mama levanta às 6 da manhã e faz a mamadeira, ou mingau, ou a tigela de frutas.

A galerinha bate um pratão logo pela manhazinha
Bem cedinho, o vô Guimão já tá de pé, coando o café da galera.
Nesse compasso, a mesa do café da manhã está sempre posta das 7 da manhã até meio dia.
E lá vem café da manhã com pão, bolo, cavalinho, pão de queijo, bolachas, chocolate, suco de laranja, ovos mexidos e panquecas lambuzadas de geleia ou pasta de avelã — uma especialidade da vó Celesta.
Cavalinho — uma bolacha da Padaria Motta (Lambari, MG)
E lá vem frutas, no meio da manhã: banana amassada com aveia, maçã picadinha no potinho, mexerica servida aos gomos...
E no tempo de abacates — vó Celeste vai ao pé de manga que dá abacates — e os prepara amassadinhos com açúcar...
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Na Casa Gorda tudo é grande: olha o tamanho dos abacates! Mais de 20 cm!
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Pé de manga que dá abacates? Entendi bem?
Veja esta história aqui:

E mais comidaria no almoço. Casa grande, muita gente, isso aqui parece hotel, vó Celeste reclama, e faz montoeira de comida.
As noras, claro, ajudam muito. Os filhos também, que vó os ensinou a cozinhar.
Especialidades? Sim, mas principalmente comida que rende: galinhada, arroz de carreteiro, macarronada.
Ah, sem temperos prontos! Muito alho e cebola — e cebolinha, salsinha dos canteiros da vovó!

É tanta gente pra comer, que vó Celeste organiza a fila... E até cachorro entra! Olha a folga da Cindy!
Pra plantar sua hortinha, Celeste fez uns canteiros no gramado e usou vasos e floreiras antigos — e caixas de massa que pedreiros abandonaram após as obras do muro.
E a horta tem quase de um tudo: chás, ervas aromáticas, verduras, legumes, remédios caseiros...
De fato, lá vamos encontrar: salsinha, cebolinha, hortelã, alecrim, erva cidreira, capim limão, coentro francês, manjericão, louro, repolho, alface, chicória, espinafre, tomate, alfavaca, alfazema, arruda, espada de São Jorge.
Nos canteiros, há pés de limão, laranja, mexerica, manga, abacate, gengibre, pimenta dedo-de-moça, pimenta cumari, pimentão.




Eita!— este não pode ficar de fora: o famoso pastel da vó Tal — uma tradição da família, que vó Celeste herdou da mãe.

Vó Tal (Teresa Salles Krauss) preparando seu pastel famoso.
O segredo? A Tal não conta nem para as filhas... Mas eu sei que a massa leva uma dose de boa cachaça!
Linha de produção de pastéis na família Guimarães
Até o Guga já sabe fazer pastel

Como disse, as noras também dão seu contributo nos salgados: panqueca, bife à milanesa. Macarrão 2 molhos, feijão mexicano. Canjiquinha, bolo de carne moída...
E nos doces: pudim dos anjos, bolo de cenoura, biscoitinho de queijo, rosquinha de coco, curau de milho, canjica...
E lá vem a esperada sobremesa — hum! diz a criançada com água na boca — pudim de leite moça, doce do Gonelli, canudinho, Romeu e Julieta, chocolate, o inigualável arroz doce que a trisavó Emília ensinou!

As noras doceiras capricham na doçaria: pudim dos anjos, pavê de chocolate, sorvete de queijo com goiabada, torta de limão.


Canudinhos com doce de leite: — Tem coisa mió, Rafaleo?
Ou Rafaleo e Leorafa? Pois é, Bebela era pequena e tinha dificuldade em distinguir os primos gêmeos: Leo e Rafa. Aí, resolveu do seu jeito: chamava-os por Rafaleo e Leorafa — e o artifício pegou e toda família os chama assim.
Pois bem, com isso, Paulinho passou a chamar a Rafaela — que tratamos por Rafa — por Rafalela!
Mas — argh! doce de língua não, vó! — dizem alguns quando a vó abre a lata de doce de goiaba em calda!

Imagem: Fonte YouTube
No café da tarde tem bolo de cenoura, pão de queijo, pão na chapa.
E na janta — jantarada — que vovó não é ferro! Sobras do almoço, sopas, caldos, cachorro-quente, misto-quente...
Mas tem sempre um malandrinho pedindo kikão, batatas fritas, frango frito, pizza — e a vó Celesta, que não diz não pra neto, pega o imã de geladeira e dá a ordem: — Guimão, liga e pede!
E pra rematar o dia: um filme, um livro, jogos de salão e pipoca!
Bem, de vez em quando, vó Celesta surpreende com um lanchinho fora de lugar:

Leo, Rafa, Maria Elisa e Bruna, lanchando no salão

Olha o lanche da manhã preparado pela vó Celeste

Lanche para a família na varanda externa
E o vô Guimão, não faz nada! — Ele não cozinha, mas faz café e lava toda a louça da manhã, dia, tarde, noite...
Ah, ia me esquecendo da Rafa fofoqueira:
— Vó Celesta briga com ele porque tem mania de provar a comida, antes dela pôr na mesa!
Tem certos dias e datas especiais em que o cardápio é um pouco mais sofisticado.
E Celeste, noras e filhos fazem algumas especialidades — pratos que já compõem um particular patrimônio da família, e que não podem faltar quando nos reunimos.
Vamos lá.


Filhos, noras e a Mônica na cozinhação
Desde cedo, as netas são estimuladas a cozinhar — para manter a tradição da família

Bacalhau é com Vivi — esposa do Carlo Emílio.
Se você tem dúvidas, confere:

Arroz de carreteiro e canjiquinha
Arroz de carreteiro e canjiquinha são especialidades do Carlão.


Aqui é com o José Batista — o mais paciente dos nossos cozinheiros.


Noite mexicana — com direito a nachos, chilli, tacos, guacamole, roupa a caráter — quem puxa a fila, faz o cardápio e prepara parte da comidaria é a Flávia. E ajuda a fazer também os aperitivos.
Ah, e aprontam uma jarra de suave marguerita!


Foto estilizada: toda a família preparada para uma noite mexicana!

Eita, neste dia teve convidados: tios e primos aos montes!
Bem, o pão com gorgonzola trazido à mesa da família pela Carol é pedida certa para as noites frias de Lambari.


Alan, seu marido, comparece com uns tintos regulares e um bom estrogonofe.

Certas noites lambarienses pedem lareira e vinho
Ocasiões especiais pedem vinhos de outra faixa de preço — que, contudo, possam caber no orçamento — como estes tintos, sejam de Portugal ou do Sul do Brasil:

O Guiminha — que se gaba de entendido — diz que os vinhos melhores é ele quem compra: boa qualidade e preços razoáveis!
Há divergências, no entanto!

Ele também gosta de dar pitaco na cozinha — "especialista" que é em frutos do mar!

Guiminha preparando o seu talharim com camarão e tomates pelados
A fazedora das panquecas — queijo, carne, presunto-queijo — é a Paula, esposa do José.
E como esse prato é muitíssimo apreciado também pelas crianças, a produção se faz no atacado!

A mestra das panquecas em ação
Celeste quando quer caprichar...
Como dissemos, Celeste faz comida que rende.
Mas, a pedido, cozinha certas especialidades: carne de sol com manteiga de garrafa, frango caipira à caçadora, charque com abóbora e couve, arroz com macarrãozinho frito, macarrão pizza, bife acebolado, feijoada, costela com batata, galinhada, ossobuco...

Celeste cozinhando frango caipira no fogão de lenha Charque com abóbora e couve
Com a intensa vida na cozinha e as crianças no entorno, logo elas aprendem a se virar também.

Cecília aprendendo a fazer massa

Desde pequena, Maria prepara o próprio sanduíche

Bebela preparando a forma de bolo

Paulinho já se vira nos ovos mexidos

Leo se vira com seu sanduíche

Rafa, grande fã de sushi, aqui foi flagrado fritando camarões
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